Da classe A a D, eventos de música eletrônica ‘underground’ têm novo ‘boom’ em Salvador
Por Aymée Francine
Foto: Reprodução / Instagram
So Delicious, Sollaris, Ápice, Just Low, Atlantis, Aurora… Todos esses nomes podem até não ser conhecidos do grande público de Salvador, mas para boa parte dos jovens de 18 a 25 anos, eles começam a fazer parte do vocabulário comum. Todos eles são nomes de festas de música eletrônica que acontecem na capital baiana, e que, nos últimos três anos, ganharam uma proporção muito maior do que já se pode ver na “terra do axé”. De acordo com Lucas Rocha, um dos produtores da festa “So Delicious”, isso começou com eles, quando criaram o evento por uma causa pessoal. Ele declarou que o cenário da música eletrônica em Salvador era muito comercial, com as presenças de nomes como Felguk, Mario Fischetti e Thiago Mansur. Por conta disso, em conjunto com os sócios, Rocha se via “forçado” a viajar para São Paulo e Curitiba para acompanhar os artistas que gostavam, até que eles resolveram trazer os artistas para Salvador. “A intenção de unir o nosso público, nossa galera, que é quem frequentava mais esses eventos comerciais - uma galera mais classe A e B, de colégio e faculdade particular - e trazer esse tipo de música que a gente gostava e que antes, em Salvador, não existia”, afirmou. Por conta disso, Lucas acredita que o público da festa foi “criado”, a partir do gosto dos próprios organizadores.
Três anos após ser criada, a festa ganhou o gosto de muitos jovens dentro do público alvo citado pelo produtor e já conta com 12 edições no currículo, sendo uma delas em parceria com a Online Entretenimento, no festival Beach Sound de 2014/2015, e outra na Fifa Fan Fest. Realizada durante a Copa do Mundo de 2014, ela teve a apresentação da dupla Felguk e levou mais de 20 mil pessoas ao Farol da Barra para a única edição gratuita do evento. “O público, no início, era mais velho, de 22 anos pra cima. Com o passar do tempo, com a gente foi ganhando um pouco de fama com a ' 'So Delicious' e trazendo novos artistas, a gente percebeu que nosso público de nossas festas foi ficando muito jovem”, explicou Rocha. A “nova geração” que consome a música eletrônica underground em Salvador ouve, de acordo com o produtor, nomes hoje que “bombam” no país, como Vintage Culture, Alok, Illuzionize e Renato Ratier. Isso os difere do público que, como ele, se acostumou a um trabalho mais comercial, como David Guetta, Bob Sinclair, Tiesto e Thiago Mansur. Para Rodrigo Bouzon, DJ e também produtor de música eletrônica em Salvador, o “boom” do gênero na cidade é consequência do crescimento mundial da música underground eletrônica, até por conta do visual hollywoodiano de festivais como “Tomorrowland”, “Ultra Music Festival” e “Ozora Festival”. “É muito decorrente da facilidade de acesso a este estilo com o crescimento das mídias sociais de grande alcance como o Facebook, Whatsapp, Instragram e etc”, afirmou.
Bouzon cita outros eventos na cidade que se destacam no cenário eletrônico “conceitual”, ou “underground” – aquele que não é “mainstream” ou, simplesmente, comercial, como a “Festa do Apartamento 31”, a “Bass Down Low”, a “Aurora”, a “Ápice” e a “The Bosch”. Apesar das semelhanças musicais, Lucas destaca que uma das coisas que mais diferem as festas é o público. “Se você for comparar o público da ‘So Delicious’ e da ‘Ápice’, por exemplo, ela tem um público médio de 3 mil pessoas – contra 2 mil da ‘So Delicious’. Mas por a gente ter um ticket médio de R$ 150 e eles de R$ 50/60 reais, conseguem abraçar um público classe B e C, que é um novo público eletrônico, é um público que antes consumia festa de reggae, axé, forró e hoje tá migrando pra música eletrônica”, explico. O jovem declarou ainda que a vinda de nomes do mainstream, como Olin Batista, Felguk, Nervo, e Roots, que é de Salvador, foram fundamentais para a expansão do estilo e que após um primeiro momento os organizadores puderam mudar o estilo da festa. “O cara ia pra ouvir o que ele gostava antes e acabava ouvindo o que ele nunca tinha sido apresentado. Nos últimos quatro eventos da ‘So Delicious’ a gente tem line-ups 100% underground”, colocou ele, citando que a festa não tem um lugar fixo e varia de público a depender dos artistas e tamanho do evento.
