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Ator diz que foi expulso de seminário e virou ateu após assédio de sacerdotes: ‘Era terrível'

Ator diz que foi expulso de seminário e virou ateu após assédio de sacerdotes: ‘Era terrível'
Foto: Reprodução / Quem
No ar como o Josias de Êta Mundo Bom!, Flávio Migliaccio, de 81 anos, conversou com a revista Quem sobre sua carreira e vida pessoal. Dentre as hitórias, o ator se emocionou ao lembrar que, quando novo, queria ser padre, mas acabou expulso do seminário por não aceitar o assédio dos padres.
 
“Eu me tornei ateu. Houve um momento em que deixei de acreditar em Deus. Quando estava estudando para ser padre, aconteceu algo que me fez desacreditar nos padres e na religião. (...)A verdade é que fui assediado por padres. E, quando isso começou a acontecer, descartei a ideia do seminário. Eles queriam fazer uma coisa que eu não queria, então fui expulso. Eles nos assediavam no confessionário, em qualquer lugar. Era terrível. Uma vez tive que tirar a mão do diretor do colégio do seminário de cima da minha perna! Na hora eu falei: “Isso não!”. Eu só tinha 14 anos e saí de lá muito triste e traumatizado. Quando saí de lá, fiquei muito perdido. Ficava me perguntando: “Cadê Deus? Onde Ele está?”, revelou ele, cauteloso.
 
Outro assunto que o leva às lágrimas durante a entrevista é o período em que precisou trabalhar como engraxate para pôr comida em casa. Diante disso, Flávio conta que hoje sua felicidade é repousar em seu sítio, no interior fluminense.

“Meu pai tinha muita dificuldade de dar comida para a filharada toda [17 ao todo]. A gente não tinha dinheiro para comer, comia banana... A gente ia se virando. Não teve isso de “vai ser doutor”, era “vai trabalhar para ganhar um dinheirinho”. E custei para ganhar esse dinheiro. Por isso, fiz um pouco de tudo. Fui pedreiro, eletricista, marceneiro, mecânico, balconista. Também fui engraxate. Eu vou me emocionar agora, você não vai se importar, vai? Meu pai fez uma caixa de engraxate para mim. Tudo pronto, botei a caixa nas costas e fui a um lugar onde os engraxates costumavam ficar. Só que, quando cheguei lá, fiquei apavorado! Os outros meninos olharam para mim de um jeito... Na hora pensei: “Vão me pegar, me bater, vai ser horrível, porque sou mais um concorrente”. Quando já ia para casa, cheio de medo, veio um cara: “Garoto, engraxa meu sapato aí”. Gelei! Mas comecei a fazer o trabalho. E o que aconteceu? Quando olhei à minha volta, um garoto me fazia um sinal, avisando que estava fazendo algo errado, colocando tinta antes da graxa. Nessa hora, reparei que ele estava me ajudando. Foi aí que descobri a solidariedade”, finalizou, muito emocionado.