Baiano que colabora em texto de 'A Regra do Jogo' diz se surpreender ‘até a última cena’
Por Josenildo Moreira
Cláudio Simões | Foto: Bernardo Bezerra/ Divulgação
Claudio Simões. Talvez o nome soe desconhecido, mas, provavelmente, passou na sua televisão durante os últimos meses. O baiano, do município de Feira de Santana, integra a equipe de colaboradores da novela “A Regra do Jogo”, que chega ao último capítulo nesta sexta-feira (11). Ao Bahia Notícias, o roteirista e ator contou detalhes sobre o convite do autor João Emanuel Carneiro, o processo de criação, críticas, audiência e o que aguarda o último capítulo da trama. O convite para a trama global surgiu de um reencontro com Carneiro em 2013. “Conheci o João em 1998, ficamos amigos e, depois disso, ele chegou a ver duas peças minhas em Salvador. Com o tempo, acabamos perdendo o contato, mas, em 2013, durante um jantar de escritores no Rio, nos reencontramos e daí resultou o convite para integrar o time da novela”, explica. Simões relatou que aos colaboradores cabia dar uma “arredondada” no texto, sempre cuidando para que não se perdessem as características do autor. “Não fiquei responsável por nenhum núcleo específico, mas fiz de tudo: romance, humor, ação. Tive cenas menores e maiores; algumas importantes. Foi um grande aprendizado” ressalta.
Durante os primeiros meses de exibição, a novela enfrentou problemas relacionados à audiência e rejeição de parte do público. A antecessora, “Babilônia”, entregou o horário em baixa e o sucesso da trama bíblica “Os Dez Mandamentos”, exibida na Rede Record incomodou a Rede Globo, que por algumas vezes perdeu a liderança na audiência. Simões confessou que esse foi um momento delicado: “Para mim foi muito triste. Minha primeira novela na Globo, justamente uma novela das 21h, com uma história que eu gostava muito. Queria que tivesse logo uma boa repercussão”, relatou.
Durante os primeiros meses de exibição, a novela enfrentou problemas relacionados à audiência e rejeição de parte do público. A antecessora, “Babilônia”, entregou o horário em baixa e o sucesso da trama bíblica “Os Dez Mandamentos”, exibida na Rede Record incomodou a Rede Globo, que por algumas vezes perdeu a liderança na audiência. Simões confessou que esse foi um momento delicado: “Para mim foi muito triste. Minha primeira novela na Globo, justamente uma novela das 21h, com uma história que eu gostava muito. Queria que tivesse logo uma boa repercussão”, relatou.

Frame da abertura da Novela em que Cláudio Simões é creditado | Foto: Reprodução / Rede Globo
Atualmente, “A Regra do Jogo” vem registrando bons índices. Na última terça-feira (8), bateu 39 pontos (cada ponto equivale a 63 mil domicílios) em São Paulo e 45 pontos no Rio de Janeiro, com um share de 61%, ou seja, a cada dez televisores ligados, 6,1 estavam sintonizados na obra de Carneiro. Frequentador assíduo das redes sociais, Simões admitiu que procurava ler todos os comentários e concluiu que boa parte do público não opinava analisando de fato a trama, mas especulando sobre como deveria ser. “No twitter, as pessoas queriam uma grande vilã. Esperavam que Atena fosse assassina que nem Nazaré ou uma louca como Carminha. Respondia que era uma novela masculina. Temos vilões, não vilãs. Até na última semana tem gente querendo que Adisabeba se transforme de uma hora pra outra numa vilã carniceira. Não é assim. Tem que ter lógica, tem que ter coerência”, aponta. Por fim, assume que já está com saudade e sobre o final, despista: “O último capítulo é guardado a sete chaves. Só posso dizer que eu me surpreendi até a última cena. E, como um bom noveleiro que sou, amei isso.” Após a novela, pretende continuar morando no Rio por acreditar haver oportunidades que a Bahia ainda não oferece. “Vou mergulhar fundo nessa aventura de me manter aqui e recomeçar tudo. E se Deus quiser e com a ajuda de Exu, abrindo meus caminhos, e de meu pai Oxalá, meu rei Xangô e minha mãe Oxum, vai dar tudo certo”, conclui. Simões começou a fazer teatro no Curso Livre da Escola de Teatro da UFBA em 1987 e, desde então, são diversos trabalhos como ator, autor, diretor e roteirista. Ganhou o Braskem – maior premiação do teatro baiano – na categoria “Melhor Autor” pelo espetáculo “COMO RAUL JÁ DIZIA” em 2001 e escreveu sucessos como “VIXE MARIA! DEUS E O DIABO NA BAHIA!”, em parceria com Cacilda Póvoas e Gil Vicente Tavares em 2004. Na televisão, co-escreveu a novela “Alta Estação” da Rede Record em 2006, além de séries para TVE.
