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'As pessoas tem nojo de mim', diz Bruno Gissoni sobre o personagem em 'Babilônia'

'As pessoas tem nojo de mim', diz Bruno Gissoni sobre o personagem em 'Babilônia'
Foto: Divulgação
Interprete de Guto, de “ Babilônia”, Bruno Gissoni acredita que seu personagem é um jovem conservador, machista, preconceituoso e que faz parte de um extremo radical. "Tudo o que o Guto faz é por um desvio de caráter, mas também é para chamar a atenção", explica o ator, que precisa conviver com a reação das pessoas nas ruas. “É a pior possível, graças a Deus. Sempre recebi muito carinho nas redes sociais porque fazia personagens muito carismáticos e todo mundo sempre me via com essa luz mais positiva. Agora estão me xingando direto. As pessoas dizem que têm nojo de mim. Já falaram: ‘Eu não gosto de você porque você é muito metido’. Mas estavam pensando no Guto. Acho que é engraçado. A composição do personagem tem isso, ele carrega essa energia. Acho que tudo isso significa que o papel está sendo bem feito", explica.

Guto não é o único personagem que causa alguma rejeição do público por suas atitudes em "Babilônia". A novela tem sido alvo de críticas dos mais conversadores desde o primeiro capítulo, ao exibir o beijo entre o casal Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg). Bruno Gissoni defende a trama e afirma que temas como esses deve continuar sendo abordados. "É uma hipocrisia porque o mesmo público que reclama da novela, vai ao cinema ver um filme de Hollywood que os dois atores principais são homossexuais e ganhou o Oscar e fala: ‘Poxa, esse filme é incrível’", compara o ator, citando o filme "Brokeback Mountain".

Para ele, há radicais dos dois lados. Tanto os conversadores quanto os liberais estão, para Bruno, se excedendo. "Vejo que a galera é muito radical também pelo outro sentido. De querer se expressar [quem é a favor] de uma forma forte e sem respeitar muito o espaço do outro", analisa. 

Gissoni desaprova o comportamento de Guto, mas fala que é preciso mostrar tais atitudes porque elas realmente acontecem na vida real. Entretanto, o público pode ainda não estar pronto e, por isso, a novela enfrente rejeição.  “Sou a favor de toda liberdade sexual e religiosa, só que eu acho que tem gente que ainda não está preparado para isso. E acho que vai ser um passo de cada vez. Espero que daqui a 10 anos questões como religião ou opção sexual sejam banais", comenta. "O autor está focando nesses temas e demos um passo maior do que a sociedade esperava. Isso é positivo. Alguém tem que quebrar esse tabu e falar desses assuntos de maneira mais natural", completa.