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Após três anos de criação, Pra Casar não define gênero musical: ‘Quem se rotula se limita’

Por Aymée Francine

Após três anos de criação, Pra Casar não define gênero musical: ‘Quem se rotula se limita’
Foto: Bruna Castelo Branco / Bahia Notícias
Quem se lembra do hit “Triste e Alegre”, sucesso em Salvador em 2011 com a banda Os Paquitos? A música ganhou o Brasil, foi regravada por uma dupla sertaneja e acabou incentivando Lucas Bressy e Vitor Ávila a profissionalizar o negócio. Surgia assim, há três anos, em 2012, a banda Pra Casar. “Na época da composição era tudo muito um hobby, éramos um grupo de amigos, diversão, e não levávamos tanto para o lado profissional a banda. Depois que “Triste e Alegre” aconteceu ficamos mais atentos que poderíamos trabalhar com isso, apesar de gostarmos muito de música, havia o receio porque sabíamos que é muito difícil trabalhar com isso. Aí saímos e fundamos o Pra Casar”, contou Ávila em uma visita da banda ao Bahia Notícias.
 

De lá para cá, muita coisa mudou. Desde o visual, de franzino e simples para antenado na moda jovem; até a mistura musical que os cantores fazem questão de mostrar quando estão em cena. “Mudou muito a visão que a gente tem do mercado profissional. Estamos nos profissionalizando cada vez mais. O outro projeto, como dissemos, era amador, né? Então a gente não tinha as preocupações que temos hoje em dia. Graças à equipe que foi montada por Paulinho Rocha, que é nosso diretor musical e sócio. São pessoas altamente profissionais e aprendemos muito com eles e com a estrada, os shows. Hoje em dia somos totalmente diferentes do que éramos antes, no início e no outro projeto. Mas tem muita coisa para aprender ainda”, destaca novamente Vitor. Para Bressy, a melhor coisa é ouvir as músicas da banda nas rádios e tocar com artistas que nunca imaginaram antes. “Três anos é pouco tempo, mas foi muito intenso”, observa.
 
Com quase quatro mil fãs no Facebook e 6,6 mil no Instagram os dois contam que não se rotulam como uma banda de arrocha, apesar de preferirem o ritmo em seus shows. “Quando nos pedem um rótulo a gente fala que é arrocha porque somos baianos né? Mas quando não pedem...”, conta Bressy.  Vítor diz que o que importa são as influências que a banda coloca em suas músicas. “A gente tem que ter uma definição para o mercado né? Só que tem uma frase clássica que diz ‘Quem rotula se limita’ e a gente não quer nos impor limites. Queremos poder misturar porque temos bastante influencias fora do arrocha, por exemplo. A gente passeia por vários estilos musicais. Eu tenho uma influência do rock muito grande; o Lucas gosta muito do pagode paulista, do samba. Nosso baixista gosta muito de Bossa Nova, MPB. É uma mistura”, diz o rapaz. Para ele, a banda tem uma atitude parecida com a sua personalidade: rock’n roll. “Acho que é porque a banda tem o molejo do arrocha, a parte da dança, da sensualidade. Mas tem uma atitude do rock, que é a inovação, de misturar, de não ter muito paradigma, de ser fora dos padrões”, caracteriza o rapaz.
 

Lucas Bressy e Vítor Ávila - Pra Casar em 2012. Foto: Divulgação
 
Sobre o mercado noturno soteropolitano, em que a banda se insere, os rapazes contam que não há uma “disputa” entre as principais bandas. “As bandas que estão com a gente nessa caminhada, se esforçam igualmente no trabalho. Tem uma preocupação em fazer um trabalho legal. Todo mundo tem música de trabalho, música em rádio, faz clipe, site, se preocupa com atualização na internet. Não é à toa que elas estão onde estão. A gente também vem fazendo tudo isso. A gente espera que as outras bandas que chegam façam esse trabalho também. Igual ou melhor, não sei, mas que passem por esse caminho. Salvador é uma cidade hiper turística, a gente recebe muita gente, toda semana, de fora. Se o cara chegar nas boates e se ‘trombar’ com bandas de qualidade vai sair falando. ”, opina Vítor.
 
Para os meninos, o segmento do Pra Casar, que envolve bandas como Kart Love, Duas Medidas e Danniel Vieira, precisa se manter unido para manter a força. “Ainda existe uma segregação de mercado e aí é empresarial, não tem nada a ver comigo, ou com Kart, por exemplo. Algumas produtoras que defendem os interesses de lá e cá. Eu particularmente não concordo, porque tive uma criação musical diferente daqui. Não acompanhei muito, de todos os ritmos, apesar de ser baiano, não acompanhei muito o axé em termos empresariais. E, hoje, a gente vê que o axé deu uma caída vertiginosa, está passando por um problema sério. Internamente, eles dizem que é por falta de união, questões empresariais, de cada um defender o seu, essas coisas. E a gente não quer que isso aconteça no nosso movimento. Tem grupos no WhatsApp de todo mundo, trocando informação. A gente quer mudar o quadro. E eu, como tive uma criação no rock, onde a galera quer fortalecer o cenário, então, quando mais banda, melhor, né? Aqui às vezes eles pensam ‘quanto mais banda, mais concorrência’, e não é assim. Quanto mais banda, mais gente curtindo o segmento, melhor para o mercado”, diz o rapaz, se referindo à crise do Axé Music, que comemora 30 anos de existência em 2015.

 
 
Sobre a clara mudança de visual dos rapazes, Bressy conta que foi uma questão natural de amadurecimento pessoal e profissional. “Em relação à estética, eu acho que com o passar do tempo você vai melhorando né? Ganhando um pouco mais, comprando aquela roupinha que você quer. Tem apoio de academia, clínica de estética. Então acaba se cuidando um pouco mais. Vitor mesmo é um cara que tem muita referência disso, ele busca, pesquisa, moda. Eu já sou um cara mais desleixado. Mas com o passar do tempo você acaba aprendendo, se vestindo melhor. Você anda também em ambientes onde você não andava antes né? Tem uma cobrança de estar mais bem vestido”, conta, deixando uma observação no ar: “Quem sabe daqui a dois anos não estaremos muito diferentes de novo? ”
 

Para o futuro, o objetivo do Pra Casar é mostrar seu trabalho autoral e expandir. “Tentar, a cada ano, mostrar mais o nosso trabalho autoral. A gente toca música de outros artistas que somos influenciados, ou músicas que estão fazendo sucesso, mesmo que não sejam nossa influencia, mas que a galera goste, por exemplo. E aí a gente não consegue colocar todas as músicas nossas de vez. Porque isso influencia no show né? Quando mais músicas desconhecidas tiverem no show, o show fica mais morto. Não que as músicas sejam ruins, mas porque a galera não conhece né? É natural a pessoa ficar com aquela cara de “estou conhecendo agora”. Então a gente tem essa preocupação de mostrar cada vez mais nossos trabalhos autorais”, conta Ávila. “Eu acho também que nosso foco é viajar cada vez mais. Mostrar nosso trabalho para outras pessoas. A gente acaba tocando no carnaval para um público de várias regiões do país e eles vêm falar “Massa, vocês têm que tocar lá em BH”, ou lá em outra região do país, sabe? A gente tem essa vontade de tocar em outros lugares do país, no sul. Existe muito assédio, só temos que conseguir fazer dar certo”, diz Lucas.