Sertanejo universitário invade o Carnaval de Salvador; empresário e músicos se manifestam
Por Rafael Albuquerque
Não é de hoje que o sertanejo invade os principais eventos do país e vem alimentando uma suposta disputa com outros segmentos musicais. O ritmo, antes considerado brejeiro, teve inicialmente seus grandes expoentes no Centro Oeste do Brasil e interior paulista. Com vertente forte no segmento conhecido como “universitário”, o sertanejo tem grande destaque no cenário musical nacional. Ao mesmo tempo em que se acentua o marasmo e comodismo no axé music – principalmente com relação às músicas mais pedidas e tocadas nas rádios - o sertanejo encabeça há alguns anos as listas TOP 10 com canções como “Meteoro”, “Pássaro de Fogo”, “Piradinha”, “Fui Fiel”, “Amo Noite e Dia”, “Vou Fazer Pirraça”, “Doidaça”, Vem Ni Mim Dodge Ram” e “Balada”. Esses hits consagraram e tornaram ídolos nacionais e até em outros países artistas como Gabriel Valim, Jorge & Mateus, Israel Novaes, Gusttavo Lima, Luan Santana e Paula Fernandes.

O crescimento não é por acaso. O empresário Léo Góes, diretor da On Line Entretenimento, afirmou ao Bahia Notícias que começou a investir no ramo justamente quando se deu conta que a demanda era considerável: "Observando o comportamento do público em festas realizadas no sul e no sudeste percebi uma busca por algo diferente. Eles buscavam renovação e a música sertaneja estava entrando muito forte, trazendo uma nova sofra de artistas. Ao perceber essa tendência resolvi investir nesse ritmo para a Bahia”. O investimento foi pesado e dá retorno. Tanto que a empresa dirigida por Góes produz os blocos Pirraça/Fecundança, com Israel Novaes e Jorge & Mateus, e Doidaça/Pra Ficar, com Gusttavo Lima, além dos eventos Weekend Sertanejo e Villa Mix, ambos sucesso de público.
Israel Novaes, estreante em um bloco de Carnaval, já avisou que promete fazer uma mistura no repertório, mas quem vai prevalecer é sertanejo: “Na minha opinião, o que não cabe no repertório para o trio elétrico é o sertanejo de raiz, aqueles que a gente chama de ‘modão’. Esse ficará mesmo só pra os shows em palco. Pretendo tocar de tudo um pouco. Claro que o Sertanejo é que irá prevalecer, essa é a proposta do Pirraça, mas também terá arrocha, axé e outros ritmos”.
Já Gusttavo Lima justifica o sucesso do ritmo que representa e de como conquistou os baianos: “O sertanejo traz muita diversidade com letras e melodias que falam de amor, da vida simples do homem do campo, e outras que agitam, falam de festa, de balada e colocam a galera pra dançar. Acredito que é essa fórmula que tem conquistado os baianos e feito com que a música sertaneja ganhe cada vez mais seu espaço no Carnaval de Salvador, em todo o Brasil e no exterior de uma forma geral”. Alheio aos comentários dos críticos sobre o sertanejo universitário, Gusttavo dispara: “Quando uma música é boa, ela não tem rejeição”.
Já Gusttavo Lima justifica o sucesso do ritmo que representa e de como conquistou os baianos: “O sertanejo traz muita diversidade com letras e melodias que falam de amor, da vida simples do homem do campo, e outras que agitam, falam de festa, de balada e colocam a galera pra dançar. Acredito que é essa fórmula que tem conquistado os baianos e feito com que a música sertaneja ganhe cada vez mais seu espaço no Carnaval de Salvador, em todo o Brasil e no exterior de uma forma geral”. Alheio aos comentários dos críticos sobre o sertanejo universitário, Gusttavo dispara: “Quando uma música é boa, ela não tem rejeição”.
Sucesso no Brasil, o sertanejo também invadiu a Bahia e a cultura ficou arraigada de forma tão contundente que grupos locais se inspiraram e passaram a levar o ritmo para o interior baiano e para outros estados, principalmente do Nordeste. Berguinho, cantor da banda Seu Maxixe, tem agenda de shows intensa o ano inteiro e foi pioneiro em se apresentar no Carnaval: “Em 2010, fomos os primeiros idealizadores a colocar um bloco na rua só com música sertaneja dentro da maior festa do país, que é o carnaval de Salvador. Depois disso foi uma crescente. Vieram outros blocos, outros artistas, e assim vamos seguindo para o quinto ano com sucesso”. Berguinho atribui o sucesso da música de fora à receptividade do povo baiano: “Atribuo tudo a generosidade dos baianos, que como ninguém sabe acolher e prestigiar os artistas de casa e os de fora. Pessoas que sem preconceito e com muito carinho abraçam o gênero”.
Outro que vem colhendo bons frutos é Danniel Vieira, que vai levar seu sertanejo universitário aos camarotes Salvador, Skol, Harém e Cerveja & Cia, além do trio independente com a “Pipoca Sertaneja”: “Acho que esta é a prova da pluralidade da nossa Bahia. O Carnaval tem espaço pra todo mundo, a inserção do sertanejo é a prova que o ritmo está cada vez mais bem aceito pelo público e isso me enche de felicidade e de gás pra fazer um trabalho cada vez melhor”. Questionado pela reportagem sobre como seria se a essa “invasão” fosse no sentido inverso, o artista rebate: “Isso já acontece, diversas bandas de axé estão à frente das principais festas do São João da Bahia, por exemplo, e não vejo nenhum problema nisso, tem lugar pra todo mundo”.
Outro que vem colhendo bons frutos é Danniel Vieira, que vai levar seu sertanejo universitário aos camarotes Salvador, Skol, Harém e Cerveja & Cia, além do trio independente com a “Pipoca Sertaneja”: “Acho que esta é a prova da pluralidade da nossa Bahia. O Carnaval tem espaço pra todo mundo, a inserção do sertanejo é a prova que o ritmo está cada vez mais bem aceito pelo público e isso me enche de felicidade e de gás pra fazer um trabalho cada vez melhor”. Questionado pela reportagem sobre como seria se a essa “invasão” fosse no sentido inverso, o artista rebate: “Isso já acontece, diversas bandas de axé estão à frente das principais festas do São João da Bahia, por exemplo, e não vejo nenhum problema nisso, tem lugar pra todo mundo”.
Rodrigo Torres, líder da Torres da Lapa, se posiciona totalmente a favor da mistura: “Hoje em dia, no Carnaval ou em qualquer época do ano, a mistura é bem vinda. O povo gosta disso, mas sem deixar perder a essência da festa”. Sobre um possível choque com o axé, o artista pondera: “O sertanejo conseguiu conquistar esse espaço nas micaretas de todo Brasil e agora no Carnaval de Salvador, que é uma festa democrática. Tem espaço para todo mundo, por isso não vejo nenhum choque com o axé”. Experiente no mercado, o empresário Léo Góes pensa da mesma forma: “A novidade acabou impulsionando o sertanejo no estado, mas não acho que ele esteja tomando o lugar do axé. A música da Bahia sempre foi a fonte inspiradora de todos os ritmos e se completa com qualquer um”. O sócio da On Line vai além e finaliza: “O Axé está começando uma renovação dos seus artistas. Hoje os principais rodeios sempre tem pelo menos uma banda da Bahia, então isso só certifica que há espaço para todos os ritmos”.
