Ivetinha não é rock n' roll, mas deu show de interpretação no Rock in Rio
Por Rafael Albuquerque
Não, a cantora Ivete Sangalo não é “rock n’ roll” como ela fez questão de dizer durante apresentação – bastante elogiada – no Rock in Rio Brasil, que começou na última sexta-feira (13), no Rio de Janeiro. A cantora Baiana, que apostou na brasilidade e levou para o evento seu repertório normal, com poucas modificações, ganhou o público pela forma espontânea e verdadeira com que assumiu os vocais no Palco Mundo do RiR. Dizer “Ivetinha é rock n’ roll”, mesmo que de forma despretensiosa e em tom de brincadeira, é limitar a versatilidade e originalidade características de Ivete, que não é rock, nem axé, nem pop. É Ivete; e cartão de visitas melhor do que esse não há. É verdade que muita gente esteve no evento para ver a cantora. Ou seja, muitos fãs estavam presentes. Mas certamente tinha boa parcela da galera do rock e outros estilos que vibrou com a apresentação de Ivete enquanto esperavam outras atrações (David Guetta e Beyoncé). Isso já é muito. Talvez essa empatia já venha do fino trato que a artista tem com o público e do fato de ela não ter tentado modificar seu repertório e a maneira de se comportar por ser uma espécie de estranha no ninho. Talvez tenha aprendido com o erro de Claudia Leitte, que tentou agradar a galera do rock na edição passada do evento voltando o repertório pra esse segmento e foi vaiada.
Das poucas mudanças feitas por Ivete e sua equipe, estava a inserção da canção “Love of My Life”, do Queen, na apresentação. Esse momento, bastante emocionante, fez o público cantar em coro o sucesso que foi executado com primor – também em uma edição do Rock in Rio, por Fred Mercury. Bastou essa interpretação para Ivete ganhar de vez o público do RiR. Aliás, na introdução da referida canção, a cantora deixou muita gente confusa quando perguntou, enquanto olhava para seu maestro no piano: “Será que eu vou conseguir?”. Talvez o questionamento não tivesse relação direta com conseguir ou não cantar a música. Mas, sim, arrebatar o público que, de forma avassaladora, gritou: “P#t@ que pariu, é a melhor cantora do Brasil”. Naquele momento a juazeirense tinha a Cidade do Rock aos seus pés. Aliás, como melhor definiu o jornalista Julio Maria em crítica escrita para o Estadão, Rock in Rio, que há algum tempo não é mais apenas rock, via em Ivete, que também não é mais apenas axé, um retrato da diversidade cultural brasileira. Via nela a prova de que os artistas podem conviver harmonicamente em um festival como RiR que, sob uma saraivada de críticas, a cada edição faz misturas e insere diversos segmentos musicais em sua grade.
