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Barrados no Baile: Lucas Di Fiori é proibido de entrar no Zen Music Bar por estar de camiseta

Por Fernanda Figueiredo

Barrados no Baile: Lucas Di Fiori é proibido de entrar no Zen Music Bar por estar de camiseta
O ex-cantor da banda Olodum, Lucas Di Fiori, passou por um constrangimento e tanto na noite da última sexta-feira (18), no Zen Music Bar, que fica no Rio Vermelho. Convidado pelo anfitrião da festa, Adelmo Casé, para dar uma canja no show da Negra Cor, Lucas aceitou o convite de pronto e foi até o local. Porém, o dueto não foi possível graças ao "figurino" usado pelo convidado: camiseta. Isso mesmo. Segundo o segurança da casa, o traje usado pelo músico não era permitido no local. Nem mesmo a presença do gerente da casa viabilizou a entrada de Lucas, já que, segundo o gerente, eram ordens do "dono". Com Adelmo já no palco, o jeito foi solicitar a presença de sua produção para resolver o inconveniente. Em vão. Nem mesmo a produção do anfitrião da festa foi capaz de convencer o gerente da casa que, irredutível, venceu Lucas pelo cansaço, que acabou desistindo da canja. Mas ele não se calou. Através do seu perfil no facebook, o cantor demonstrou sua indignação com tamanho constrangimento e recebeu o apoio de muitos amigos, inclusive, do próprio Adelmo, que lamentou o episódio. "Fiquei muito triste com a situação Lucas Di Fiori. Se mesmo no palco soubesse o que acontecia, teria parado o show pra esperar vc entrar. Vamos superar isso com uma parceria de verdade de quem tenta trazer renovação e verdade pra música da Bahia. Sou seu fã e não consigo parar de ouvir se cd. Fique com Deus. Sucesso irmão!", escreveu Adelmo.
 
Confira o desabafo do músico nascido e criado em Salvador, lugar de clima tropical, predominantemente quente. Mas também, um lugar onde, até hoje, impera o preconceito e a determinação tola do que se usar para ir a uma casa de shows da cidade. E, é como Lucas falou, sabiamente: "Se fosse Carlinhos Brown ou Gilberto Gil que estivessem de camiseta, eles seriam barrados?". Vale a reflexão acerca do preconceito e constrangimento a que sofreu o músico, que estava li não para curtir e, sim, para abrilhantar ainda mais o show de Adelmo Casé.
 
"Ainda estou digerindo o que aconteceu comigo e com minha equipe ontem na Casa de Show ZEN, no Rio Vermelho e me perguntando: 'Será que devo me calar ou devo falar para que outros artistas não passem pelo mesmo constrangimento?' Mas, como já dizia Martin Luther King 'O que me preocupa é o silêncio dos bons'. Queria de antemão isentar Adelmo Casé e a Banda Negra Cor que já estavam no palco e não tinham como resolver a situação! Seu produtor tentou a todo momento contornar as coisas mas o 'Gerente' da casa estava irredutível dizendo que a ordem era do Dono da Casa.
 
Recebi um telefonema do Artista Adelmo Casé me convidando para dar uma canja com ele no seu ensaio Negra Cor Music, que acontece às sextas no ZEN. Aceitei o convite pois temos uma afinidade e um respeito que vem de longas datas. Tudo resolvido! Cheguei com minha esposa, produtor e mais 5 músicos do Soul Tambor e na hora que fomos entrar na casa fui informado pelo segurança que eu e um outro músico não poderíamos entrar porque eu estava de camiseta e o músico de bermuda! (Não preciso informar a marca nem o valor dos trajes pra não parecer arrogante).

Expliquei a ele que não estava indo ali para curtir e sim para dar uma canja pois fui convidado pelo Artista da casa. Meu produtor entrou em contato com a produção do Negra Cor que prontamente tentou resolver a situação me oferecendo um blazer do segurança ou foi do 'Gerente', para que eu pudesse entrar na casa rsrsrsrs. Educadamente, perguntei a ele se a casa tinha camarim e me propus a ficar no camarim e só sair de lá pra cantar e ir embora, já que não tinho ido lá para curtir e sim para trabalhar! Mas o Grande 'Gerente' não concordou e me perguntou se eu queria que ele ligasse pro dono da Casa! Por fim, agradeci ao grande cumpridor de ordem que ele é, tranquilizei o produtor da banda que não sabia mais o que fazer e disse a ele o seguinte: 'Se fosse Carlinhos Brown que chegasse aqui de Bermuda, chinelo de dedo e camiseta eu queria ver se o tratamento seria o mesmo; Se Gilberto Gil chegasse aqui da mesma forma se vc iria barrar, mas tudo bem, vamos pra frente.

 
O detalhe é que a fila estava em volta da situação com todo mundo vendo tudo o que estava acontecendo! Um bando de Preto, rasta, um de Boné e camiseta (Eu), o outro de bermuda (Murilo), só faltou me botar dentro do carro! Mas a culpa deve ser minha que não perguntei qual era o traje pra canja! Resultado: Em Salvador, quem dita as regras são as 'Casas de Show' da cidade, se é que podemos chamar desse nome, porque os caras fazem um cacete armado, sem qualidade de som, colocam banda, pagam uma MERDA que não é nem um cachê de um músico quanto mais de uma Banda. 'Se meu traje te incomoda, lá no gueto eu to na moda'".