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Caco Barcellos fala sobre “Tropa de Elite”

Por Rafael Albuquerque

Autor de Rota 66, livro que ilustra a ação da PM paulistana na matança de civis entre 1970 e 1992, Caco Barcellos também deu sua opinião sobre um dos mais comentados filmes do cinema nacional, Tropa de Elite.
- Houve um tempo em que o País não discutia mais sobre segurança pública. Mas a minha preocupação é no sentido de estarem enxergando o personagem central [Cap. Nascimento, interpretado por Wagner Moura] como um herói. E também me preocupo com o fato de ninguém ter discutido ainda as mortes provocadas pelo Bope, disse o jornalista à revista VIP deste mês.
Apesar de indignado com certas atitudes da tropa de elite da polícia carioca no filme, como cenas de tortura nas quais os policiais enfiam sacos plásticos na cabeça de pessoas da favela, Caco defende o direito de expressão do longa-metragem, dirigido por José Padilha.
- Tropa de Elite é um filme de ficção, o diretor tem toda a liberdade para tratar do que quiser na obra dele.  Caco também afirma que, no Rio de Janeiro, cerca de 20% dos homicídios são praticados pela polícia.
A solução para o caso, na sua opinião, seria melhor treinamento e melhor remuneração. - Por exemplo, a Polícia Federal, que é bem treinada, bem remunerada e trabalha com inteligência, não precisa provocar sequer um arranhão em uma pessoa. Elas têm seus direitos respeitados.
É o mesmo país, a mesma realidade e essa polícia é eficaz. A brutalidade é incoerente. Mas investigação dá trabalho, ironiza. Tropa de Elite causou polêmica e revolta em integrantes do Bope, que atualmente move uma ação contra o longa-metragem.