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Pagodeiro de sucesso na década de 90 vira catador de lixo

Por Fernanda Figueiredo



 

Quem dera fosse uma pegadinha. Na verdade, se trata, sim, de uma dessas pagadinhas que a vida insiste em pregar nas pessoas para mostrar que o mundo é "uma roda gigante". Depois de experimentar o gosto do sucesso, prestígio, muitos shows e, é claro, dinheiro, Edson Bernardo de Lima, mais conhecido como Edson Café, ex-percussionista do Raça Negra, um dos grupos mais famosos na década de 90, agora sofre com problemas familiares e de saúde e acabou indo morar nas ruas. O músico dorme em duas praças da Zona Leste de São Paulo desde 2007, longe da família. O drama foi revelado no último programa Conexão Repórter, do SBT.





"A vida agora é muito diferente. Antes, era glamour, requinte, coisas do bom e do melhor. Também tinha canseira, a gente viajava muito e vinha o estresse. Mas aqui (na rua), você fica sem opção. Lá, eu sabia que ia trabalhar e ganhar meu dinheirinho. Hoje, eu não posso fazer planos", contou Café ao repórter Roberto Cabrini. O músico ainda confessou: "Procurei refúgio em algo que eu não poderia ter procurado. Depois de tudo o que aconteceu, eu ainda passei a usar drogas. Mas não foi a droga que me derrubou, eu passei a usar depois desses tombos que eu levei da vida".



A reportagem do jornal Meia Hora tentou falar com os ex-companheiros de grupo de Café. De volta à ativa depois de um tempo no ostracismo, o Raça Negra está em turnê pelo Nordeste, e uma funcionária do escritório dos pagodeiros, Sheila Cristina, afirmou que a banda não falará sobre o caso: "Eles já sabem e já o ajudaram. Não foi uma vez, nem duas, foram inúmeras vezes. O Luiz Carlos (vocalista) ajudou até a interná-lo por causa das drogas. Não é mais de interesse do grupo se pronunciar sobre o assunto".