Luciano Huck: "errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós?"
Por Rafael Albuquerque

Luciano Huck foi assaltado no domingo, 30, em São Paulo, quando deixava um restaurante no bairro dos Jardins, zona nobre da cidade paulista. Ao sair do estabelecimento ele foi abordado por dois motociclistas armados que levaram seu relógio, presente de Angélica em comemoração ao aniversário de 36 anos do apresentador. Huck ficou tão indignado em ser mais uma vítima da violência urbana que escreveu um artigo sobre o assalto, publicado segunda-feira (1), na “Folha de S. Paulo”. Confira alguns trechos:
“Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades”.
“Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro”.
"Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no "Roda Vida" da última segunda-feira, descobri que ele não é, nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, "Tropa de Elite" é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando".
"Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei". Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar".
Foto: Arquivo