Morango fala da sua 1ª vez com uma mulher e dispara críticas a Dourado
Uma performance ao lado de um gogo boy na noite da última sexta-feira, na boate Off Club, marcou a rápida passagem da ex-BBB 10, Angélica, em Salvador. Morango, como é conhecida, veio pela primeira vez à capital baiana convidada para a festa temática “Morango com Champagne” e antes, no final da tarde, recebeu jornalistas no terraço de um hotel no Pelourinho para uma coletiva. Muito bem articulada, a jornalista mineira, de 25 anos, respondeu com franqueza a algumas perguntas sobre a homossexualidade assumida desde os 16, a exposição através do Big Brother e o rótulo que os participantes carregam, mas saiu pela tangente quando o assunto foi sua colega de confinamento, Cacau, negando qualquer interesse de outra espécie que não amizade. E para quem aguarda um ensaio sensual de Morango com Cacau, pode esquecer o assunto. Pelo menos, foi o que a ex-sister afirmou, apesar de esperar uma boa proposta para posar nua, em versão solo. Ela contou que sofreu muitas críticas, a maioria delas “pura inveja” e revelou que já recebeu propostas de trabalho de algumas emissoras de televisão, mas está aguardando terminar o contrato com a Globo. Uma coisa é certa, que daqui a dois anos pretende ter um filho, só não sabe de que maneira, se por meio da adoção ou ao modo natural. Sempre sorridente, Morango só perdeu o bom humor ao tocar no nome de Marcelo Dourado e disse que não entendeu até agora a vitória dele. A respeito das declarações polêmicas de Dourado, foi categórica: ele é um “boçal”.
Fotos: Uran Rodrigues/Divulgação

"Eu descobri que o que sentia por homens era infinitamente menor do que sentia por mulheres. Foi quando a ficha caiu"
Coluna Holofote: Como é a vida após o BBB?
Morango: É uma loucura, uma guinada de 180 graus. E eu não estava num momento profissional muito bom e de repente veio o BBB que abriu muitas portas para mim. Estou trabalhando muito desde que saí da casa, não sei mais o que é dormir oito horas por noite.
CH: Você é jornalista, então já recebeu alguma proposta de trabalho da Globo ou de outra emissora?
M: Da Globo não, mas de algumas emissoras sim. Só que existe um contrato com a Globo que vence agora em julho, então até lá não posso fechar nenhum trabalho.
CH: Você sabe em que campo quer atuar?
M: Por eu ter duas profissões, de jornalista e atriz profissional, tenho a oportunidade de trabalhar com as duas e isto está sendo muito bom pra mim. E eu não pretendo trabalhar em uma só, pois temos muitos exemplos aí de pessoas que trabalham como atores e apresentadores. Uma coisa não desmerece ou limita a outra. Ouvi uma frase que mexeu muito comigo que diz “sou mil possíveis em mim e não posso me contentar em ser apenas um deles”. Você pode ser jornalista, ser mãe...
CH: Então pensa em ser mãe?
M: Com certeza. E é uma coisa que vai acontecer no máximo daqui a dois anos, é só eu estabilizar minha vida financeira.
CH: Vai recorrer a algum outro método que não seja o natural?
M: Eu não sei se vai ser um filho biológico ou adotivo. Já pensei muito sobre métodos, agora... algumas coisas dependem de mim, outras não. Que eu vou ser mãe daqui a dois anos... isso é fato, estando sozinha ou não.
CH: Quando você descobriu que gostava de mulher?
M: A minha primeira vez com um homem foi aos 16 anos e minha primeira vez com mulher também foi aos 16, alguns meses depois. Até esta idade eu sentia alguma coisa diferente, sentia atração por mulher, mas não entendia o que era. Eu morava numa cidade pequena e não tinha contato com gays, então quando fui para uma cidade maior e conheci pessoas homossexuais, vi que igual a mim tinham centenas. Descobri que o que sentia por homens era infinitamente menor do que sentia por mulheres. Aí quando a ficha caiu, descobri que muitos dos pensamentos que tinha, inclusive na infância, eram diferentes por causa disso, porque eu era gay.
CH: As imagens do BBB 10 não negam que você jogava alguns olhares de desejo para Cacau. Você ficou ou não a fim dela?
M: (risos) Não fiquei. Muita gente me faz essa mesma pergunta. Eu tinha muito carinho pela Cacau, ela era a pessoa com quem eu mais me identificava, com quem eu mais brincava dentro da casa. Isso meio que confundiu a cabeça da maioria das pessoas aqui fora, principalmente quem nunca teve contato com homossexuais. As pessoas têm aquela imagem de que as mulheres que são homossexuais são masculinizadas, com todo aquele trejeito... é aquela visão de caminhoneira. E quando viram que sou feminina, viram uma coisa nova. E eu me identifiquei com a Cacau, por ela ser uma pessoa de cabeça aberta, apesar da grande maioria das pessoas, tanto as meninas quanto os meninos, era muito cabeça aberta e demonstrou isso, mas a Cacau era a pessoa com quem eu mais brincava, então as pessoas acham muito isso, que eu fiquei a fim da Cacau, que fiquei apaixonada. Mas não passou de uma grande amizade.
CH: O fato de as pessoas acharem que você ficou a fim da Cacau te incomoda?
M: Não, não me incomoda e eu não me canso de responder.
CH: Isso atrapalhou o relacionamento que você tinha aqui fora?
M: Atrapalhou um pouco minha participação no BBB de um modo geral, pela exposição, além da história que eu dei em cima da Cacau, que eu queria ficar com ela. Não tem ser humano aqui fora que não se deixe abalar com uma coisa desta. Quando você está namorando uma pessoa que de certa forma está sendo julgada ou que está sendo vista pelo Brasil inteiro, não é fácil e eu entendo o lado dela.
CH: Eu vou insistir no assunto...você postou no twitter uma foto comendo um chocolate que na embalagem estava escrito “70% cacau”. Você usou da linguagem metafórica para expor seu desejo pela Cacau?
M: (risos) Não, não é... isso foi o seguinte: tinha uma amiga minha, que inclusive está trabalhando comigo no projeto de lançamento da minha marca, e estávamos passando em frente a uma loja de chocolate no aeroporto, a gente entrou para tomar um café e ela viu o chocolate. Como é muito palhaça, ela comprou uma barra e tirou uma foto, tanto que postou do celular dela.
CH: Você falou de marca... qual produto vai vender?
M: É a minha marca, Morango...
CH: É de roupa?
M: Também. São roupas e acessórios. No momento estou mantendo sigilo, mas vai ser um lançamento daqui a um mês e meio.

"Hoje eu acho que não teria nada a ver posar com a Cacau"
CH: O ensaio sensual ao lado da Cacau sai ou não?
M: Então... o que aconteceu? (risos) Hoje em dia eu tenho um pensamento um pouco diferente. A gente sai da casa com uma cabeça, aí você escuta coisas aqui fora, comentários das pessoas... e isso modificou o meu modo de pensar. Hoje eu acho que não teria nada a ver posar com a Cacau. O quê que acontece? Ela já afirmou tanto que é uma pessoa hetero e mostra que o relacionamento dela com o Eliéser é tão sério e eu também estou com uma pessoa... então o que é que tem a ver eu posar com ela? Por este motivo que eu acho que não vale a pena.
CH: E você vai posar sozinha?
M: Então...fizeram proposta, mas até agora não valeu a pena. Quando fizerem uma proposta que valha a pena eu posarei sim.
CH: O BBB 10 usou a imagem de três homossexuais para causar polêmica? O que isso tem de positivo para a comunidade gay?
M: Como jornalista e interessada em participar do programa eu li muito a respeito e descobri que o BBB 9, por exemplo, tinha sido
um dos de maior faturamento, a arrecadação foi muito boa, mas a audiência foi uma das menores das últimas edições. Eu não acho que nada na Globo é por acaso, agora não sei por que motivo também eles decidiram colocar três homossexuais dentro da casa. Agora, independente de se foi para aumentar ibope, para aumentar o faturamento, para jogar polêmica, eu gosto de acreditar que tem alguma coisa por trás, um motivo maior. E eu acho que eles quiseram dar visibilidade, quiseram mostrar para o país quem eram os homossexuais que tinham coragem de se assumir no seu dia-a-dia. Qual o estereótipo dos homossexuais? Que os homens são os afetados, que nas novelas e nos filmes eles sempre terminam mal ou morrem, ou têm um amor platônico que nunca dão certo ou são os cabeleireiros. A gente sabe que na verdade não é assim, que são pessoas absolutamente normais. Avalio a escolha deles extremamente positiva para nós homossexuais, colocando a gente convivendo normalmente no BBB. E isso foi levado para dentro da casa das pessoas, de maneira leve e de certa forma divertida e por isso surtiu mais efeito.
CH: Por ser bem feminina, você deve chamar a atenção dos homens, mesmo todo mundo sabendo da sua homossexualidade. Tem recebido muitas cantadas depois do BBB?
M: Olha, não são muitas, mas a última cantadinha eu estava no mercadão de São Paulo aí gritou um cara “Morango, deixa eu ser seu açúcar!” (risos), mas é com muito respeito. Nunca recebi uma cantada grosseira, casais hetero me param nos aeroportos para tirarem foto. Uma das coisas mais bacanas que eu conquistei dentro da casa é esse respeito.
CH: Você está namorando?
M: (risos) Estou.
CH: E como ela encara esse assédio?
M: É difícil. Mas o pior não é o assédio e sim não poder se ver por causa dos compromissos profissionais, pois estou sempre viajando.
CH: Você falou da aceitação dos moradores da casa em relação à questão da homossexualidade, então o que achou das declarações de Marcelo Dourado?
M: (um momento de silêncio) Bizarro. Foram declarações de um boçal. Parece que pegaram alguém da Idade da Pedra e colocaram lá. A minha discussão com ele, o que aconteceu foi uma coisa que para mim ficou para trás, mas não é porque acabou o programa que a gente ficou amigo. Agora só evito falar sobre isso porque não é uma coisa que me acrescenta em nada, e também na vida das pessoas.

"A única pessoa que eu não converso mesmo, que não cumprimento e para mim não existe é o Marcelo Dourado"
CH: O que você achou da vitória dele?
M: Eu não entendi até agora. Eu acho que eu poderia ter chegado à final e ter ganhado o prêmio, mas acho também que tinha gente lá na casa que merecia, ou por ser guerreira demais como a Fernanda, ou porque estava ali com o coração como eu, a Cacau, o Eliéser e a Lena, ou porque precisava muito, como o Jimmy (Dicesar), além dele ser muito divertido. Agora, muitas pessoas ali agiam como se estivessem em uma novela e parece que isso que deu certo. Então, não entendi essa vitória. E não achei que a vitória dele foi dos homofóbicos do Brasil. Eu acho que foi uma vitória motivada pela torcida dele que era maior.
CH: Você mantém contato com os ex-colegas?
M: Há pessoas que sou muito amiga, que sou muito ligada e há pessoas que mantenho contato e que convivo bem. A única pessoa que eu não converso mesmo, que não cumprimento e para mim não existe é o Marcelo Dourado.
CH: Como jornalista, qual a análise crítica que faz do BBB?
M: Eu nunca julguei o BBB, sempre achei que aquilo fosse uma experiência. É como participar de qualquer programa como o “Show do Milhão” ou “Vai dar Namoro”. Você está ali de certa forma dando sua cara a tapa, se colocando como alvo de uma possível avaliação, de um possível julgamento. Eu sei que existe na classe jornalística um certo preconceito, inclusive sofri isto pelo fato de ser uma ex-BBB, como se isso fosse uma profissão. Quando acontece esse tipo de crítica maldosa, é no fundo inveja. Minha profissão é jornalista e também sou atriz profissional, tenho uma carreira sólida desde antes do programa.
Por Ana Karin Portella