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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Manno diz que não é inimigo de Tuca, fala da relação com Claudinha e do palavrão que usou com os fãs

A prudência aqui passou longe. Sem qualquer papa na língua ou receio do que quer que seja, Manno Góes concedeu esta entrevista à Coluna Holofote e se despiu. Livre de máscaras, ele extravasou e falou do seu novo projeto, em paralelo com o trabalho que faz à frente do Jammil e antes que vocês comecem a pensar que ele pode deixar a banda, é ele mesmo quem dá a resposta. O baixista da banda Jammil e Uma Noites também comentou a "amizade" que tem (ou não) com o cantor da mesma banda em que toca, Tuca Fernandes. "sempre perguntaram se eu e Tuca somos amigos e isso não interfere em absolutamente nada. Nós não somos inimigos", aí, você, leitor, tire as conclusões que quiser. E, claro, apesar do tempo que já tem separado da cantora Claudia Leitte, esta coluna não deixaria de tocar num ponto como esses, apesar da irritação notória de Manno. "Eu estou lançando um disco, e você me pergunta de Claudia Leitte? Esse é um tipo de pergunta que eu, como imprensa, não faria", foi o que respondeu o rapaz, que também não deixou de comentar se foi ou não feliz ao lado da loira. Ah! Lembra daquela história de chamar os fãs de "bichinhas"? "Eu não chamei os fãs do Jammil de 'bichinhas', chamei de 'viadinhos'", retificou o baixista, que logo foi questionado se ele se arrepende desse fato. "Eu não deixo de dormir por isso", foi a resposta dada. Confira essa polêmica entrevista do rapaz que diz não gostar de ser polêmico!




"Eu defendo meu ponto de vista e isso surpreende porque boa parte dos artistas é omissa"

 

Coluna Holofote: Como começou a idéia de fazer esse projeto paralelo?
Manno Góes:
Eu já venho martelando essa idéia há alguns anos, em função de eu estar sempre criando, porque eu sou um cara que gosta de criar e o Jammil sempre me possibilitou criar, né? Eu sou o compositor da banda e desde que a banda surgiu a gente sempre teve uma tendência em ser uma banda autoral e eu comecei a acertar o tom das músicas que o Jammil cantava, daí a gante foi criando uma cara, uma personalidade, enquanto banda, dentro da estética do carnaval. Só que, eu como compositor, eu crio outras coisas também, outras músicas, e dou vazão, manifesto sentimentos de outras formas de expressão e ali eu me sentia como se tivesse meio que algemado, no sentido de criar, porque o Jammil já tem uma palpitação, uma estética sonora, um comportamento próprio, que já está estabelecido e as pessoas esperam esse comportamento do Jammil, que é uma banda que faz parte do cenário do carnaval e que eu tenho muito orgulho de participar, que eu adoro. O jammil tem uma pegada pop que sempre me interessou, me atraiu, mas na hora de criar um disco, na hora de compor, a relação da banda com o próprio cenário do carnaval, cria um pouco de barreiras, me limita um pouco.



CH: Mas então, esse trabalho é bem diferente do que se faz no Jammil?
MG:
É bem diferente, apesar de que, não é algo completamente ausente do que apresentamos no Jammil, porque tem a linguagem, a sonoridade, a minha forma, que é uma forma simples. Eu cresci ouvindo muito pop rock, eu gosto de música internacional, de música britânica, então, mostra essa simplicidade de melodia e é impossível separar isso do meu trabalho solo. Então, o disco solo surgiu da sucessão de anos que se passaram e as pessoas que conversavam comigo, minha própria gravadora sugeriram um álbum solo, porque é até bom para um compositor ter um registro de um disco paralelo ao que ele costuma fazer e é uma tendência, vários compositores fazem isso. Então eu topei fazer esse disco ano passado, pela Som Livre.



CH: Qual a expectativa para o lançamento deste novo projeto?
MG:
A forma como esse disco foi gravado foi muito despretensiosa. Eu fiz com um grande amigo meu, que é Torcuato Mariano, grande músico, foi comigo para Los Angeles, é o produtor do disco e participou desde o início do processo até o final. E nesse disco eu tive a oportunidade de trabalhar com grandes músicos e isso foi uma experiência incrível. Então, esse disco, ao mesmo tempo que ele teve a simplicidade no caminho dele natural, sem pretensões de carreira solo, disco sem grandes pretensões de venda, então, eu estou tranqüilo.



CH: Então, ele é mais como uma espécie de realização pessoal?
MG:
Não só uma realização pessoal, porque não se trata de uma vaidade, nem uma necessidade de provar nada. Eu acho que é uma oportunidade que eu tive de registrar músicas que não cabem no Jammil e que eu não queria que passassem desapercebidas. E por ter um teor muito pessoal, eu também não via essas músicas sendo interpretadas por outras pessoas. Eu queria cantar essas músicas que eu tinha feito, como eu tinha imaginado elas.



CH: Então, o CD é todo novo, não tem nenhum sucesso do Jammil?
MG:
Tem. Tem uma música que eu já gravei com o Jammil, que é “Jardineiro Fiel”, que já tinha sido gravado no Luau do Jammil, entrou como extra, uma faixa que eu mesmo entrei cantando, mas é um disco totalmente novo, de músicas inéditas e com uma tendência muito maior do pop e sem a preocupação rítmica e nem a mercadológica, que uma banda de carnaval precisa ter.



CH: Você tem algum receio de que esse projeto venha a não dar certo?
MG:
O meu projeto? Não, eu acho que ele já deu certo. É justamente isso que eu falei: não é um disco que está cercado de expectativas mercadológicas e nem comerciais. É um projeto paralelo, um projeto muito bem feito, bem conduzido que eu acho que, todo artista, tendo a oportunidade de fazer isso, como eu tive, deve fazer. Porque o artista se sente melhor, justifica todo o início de uma carreira ou todo início de uma banda, ou de um músico. E toda a divulgação desse trabalho já está sendo feita com a despretensão de alguém que já está muito satisfeito.



CH: E como os fãs do Jammil receberam essa notícia? Eles já lhe deram um retorno?
MG:
O disco está saindo agora e é natural que os fãs do Jammil já tenham um comportamento de expectativa, eles já criaram um sentimento carinhoso ao disco, sem nem mesmo terem escutado e as pessoas que já escutaram têm elogiado bastante porque, é como eu disse, apesar de ser um trabalho bem diferente do Jammil, eu sempre tive muito perto do universo pop, e a gente sempre procurou refletir isso. O próprio Tuca, eu e Beto, apesar de sermos uma banda de carnaval, adoramos, mas que mantemos e sempre mantivemos um pé no pop. Então, o retorno que eu estou tendo dos fãs é positivo e é o que eu digo: a gente não tem muito o que esperar. É um projeto bem feito, feito com cuidado, com grandes músicos, com uma sonoridade simples, eu fiz questão de que fosse algo simples.



CH: O que você fez para conseguir vender os CDs a um preço mais em conta?
MG:
Na verdade, não é um fato que dependeu exclusivamente de mim, não foi uma negociação somente minha. Tem uma tendência no mercado de facilitar os preços, de tentar adequar os preços ao consumo para tentar combater a pirataria e dentro do que é possível fazer, a gente fez, que era fazer um acordo com a gravadora e que  o repasse de valores fosse equilibrado de uma forma menor e que a gente tirasse o percentual de uma coisa, de outra, mas não tem como se evitar o pagamento de impostos, nem de direitos autorais, isso faz parte da mecânica do negócio e eu não tributei o preço da capa à gravadora. Então, o projeto gráfico, tudo isso veio do artista.



CH: Você já pensou em levar essa ideia do CD mais barato ao Jammil?
MG:
Mas o Jammil tem isso, o Jammil faz isso. O Jammil oferece seus produtos a um preço acessível. É que a gente já não lança mais CD, o Jammil lança DVD. O Jammil é uma banda que já passou dessa fase de gravar o CD para, posteriormente, passar para DVD. Eu estou me lançando agora no projeto solo, tanto que o projeto são três CD’s e um DVD, então, o Jammil grava DVD, que está sempre sendo colocado a preço acessível, porque a gente já faz essa negociação.



CH: E por que dar o título de “E assim os dias vão” ao CD?
MG:
Primeiro porque é o título de uma das músicas que representa bem esse disco, que é uma música que eu compus e quando eu mostrei, pela primeira vez ao Jammil todo mundo adorou, mas eu percebi que, no Jammil, ela não ia ter a roupagem que eu pretendia dar e eu acho que “E assim os dias vão” é porque esse disco reflete muito a mim, porque é um disco muito pessoal, reflete um ponto de vista muito meu, muito íntimo e eu conto um pouco como os dias se passam na minha vida. Eu tenho músicas que remetem à minha infância, que remetem ao meu dia-a-dia dentro do meu universo de música e eu fui um adolescente na década de 80, aqui em Salvador, então eu tive a oportunidade de conviver com o rock, a explosão do axé, então eu pude mostrar isso: que eu transito, sem nenhuma preocupação, por tribos, enfim.



CH: Agora eu queria que você falasse um pouco do lançamento do CD “E assim os dias vão”.
MG:
Vai ser um coquetel de lançamento na Saraiva, nesta quinta-feira (29), onde vou receber os amigos e a imprensa. As pessoas vão falar do disco e vai ser uma confraternização com pessoas que participam ou participaram do projeto. Os shows desse disco serão em julho, em Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com os músicos que participaram do CD. Em Salvador ainda não tem local definido, mesmo porque não vai ser um show dançante.



CH: Você é um dos compositores mais executados do Brasil. O seu reconhecimento e até a questão financeira são maiores para você enquanto músico ou compositor?
MG:
Na verdade, assim: o fato de eu ter hoje uma arrecadação bem significativa de direitos autorais se deve à força do Jammil, não é algo que compete só a mim, é também de toda a empresa que está por trás, de toda estrutura do Jammil, que é uma banda fortalecida no circuito do carnaval e que faz muitos shows. Eu cresci como compositor desde lá de trás, quando “Mila” estourou com Netinho e foi um grande sucesso e assim sucessivamente, porque eu sempre consegui emplacar um sucesso de dois em dois anos e tal. E “Praieiro” se tornou uma das músicas mais executadas do Brasil e durante dois anos foi a música mais tocada, em show, no Brasil, em 2008/2009, e desde 2005 que eu venho estando entre os 10 maiores arrecadadores e eu sei que devo isso ao Jammil. E eu sou sócio da banda Jammil e Uma Noites e desde que a gente montou essa banda, eu e o Tuca, a gente teve uma preocupação em manter os nossos negócios de perto e a gente sempre quis manter nossa personalidade.




"Como compositor, eu crio outras coisas também, e, no Jammil, eu me sentia como se tivesse meio que algemado"



CH: Esse projeto paralelo é uma forma de transição para a carreira solo?
MG:
Não, de jeito nenhum. Porque no universo de música você tem que fluir, deixar rolar as coisas. Se a gente fica muito preso dentro de uma estética somente, cansa e cansa realmente. E eu sempre quis fazer projeto infantil, projeto de samba, projeto de chorinho, eu já investi em bandas de pop rock novas para ajudar porque eu acho que isso tudo faz parte da mágica, do encanto que é ser músico. E como a relação do Jammil com a música é estabelecida pelo business, pela mecânica do negócio, se eu ficar muito preso a isso, meu lado de criar vai ficar mais limitado. Então eu acho que a gente tem é que extravasar.



CH: Então, não existe qualquer possibilidade de você deixar o Jammil?
MG:
Nenhuma, nunca existiu. Esse é só um trabalho paralelo, que nunca atrapalhou o projeto do Jammil e não vai atrapalhar e nem chocar, porque é um trabalho de gratificação, de me sentir confortável dentro do universo da música.



CH: Você e Tuca são realmente amigos?
MG:
Amizade é um conceito que eu acho que não interfere em nada no trabalho. Eu acho que nós somos muito profissionais e dentro do palco nós somos muito parceiros, somos muito cúmplices e as pessoas sempre perguntaram se eu e Tuca somos amigos e isso não interfere em absolutamente nada. Nós não somos inimigos, nós nos queremos muito bem, desejamos sempre bem um ao outro, não ficamos de picuinha. É porque as pessoas reparam que a gente não sai juntos...



CH: E por que vocês não saem juntos?
MG:
Porque nós somos duas pessoas completamente opostas, cara. Somos muito diferentes no lado pessoal e o que nos une eu acho que é o lado alegre da gente, o lado esportivo, a música, no palco a gente se comunica de uma forma muito sincera, sabe? A gente se olha com gosto e aí, quando acaba o show e cada um vai para um lado, porque a gente, realmente, já tem muito tempo de convívio, convivemos muito bem no escritório...



CH: Mas vocês já brigaram?
MG:
Nunca. Nunca tivemos nenhuma briga, seja por questões empresariais, de trabalho, financeiras. Só que somos pessoas muito diferentes e que temos pensamentos diferentes no dia-a-dia. Mas isso não nos torna inimigos e não é motivo para não querermos bem um ao outro.



CH: A gente conhece o Manno pelas declarações polêmicas à imprensa. Certa vez você chegou a chamar os fãs do Jammil de “bichinha”. Você se arrependeu disso?
MG:
Eu não chamei os fãs do Jammil de “bichinha”, chamei de “viadinhos”, pois foi essa a expressão. Foi o termo que usei de forma infeliz. Mas esse termo “viadinho” causou mais impacto do que o que eu queria dizer. Eu queria falar justamente da relação entre algumas pessoas com artistas, que não é salutar. São aquelas pessoas que querem estar perto, mas jogam uma energia muito negativa. Que só querem ingressos, só querem ganhar e que acham que os artistas têm obrigação de dar. E nisso eu fui confundido pelo teor da palavra e aí vieram os caminhos necessários da mídia para polemizar. E quem dá margem, tem mais que acompanhar a maré bater.



CH: Mas você se arrependeu?
MG:
De jeito nenhum. Eu não me arrependo de nada. Eu dei margem para polemizar. O termo “viadinho” é um termo que realmente as pessoas podem se sentir ofendidas pela nossa cultura tão hipócrita e que acha que falar “viadinho” é pior que falar outro tipo de termo. Enfim, eu estava falando de determinado tipo de fã. Eu poderia, sim, ter escrito a mesma cosia de outra forma, mas eu não deixo de dormir por isso.



CH: Mas você tem alguma coisa contra os gays?
MG:
Claro que não. É óbvio que não. Você acha que se eu chamar um amigo meu que é gay, de “viadinho”, ele vai se ofender? Claro que não. Essa coisa do politicamente correto está quebrando até a forma de se fazer humor no Brasil, as coisas estão perdendo a leveza, a naturalidade. No texto que eu escrevi, o termo “viadinho” foi inadequado, mas o teor do texto não.



CH: Como você percebe o papel da imprensa na carreira de um artista?
MG:
Fundamental. Eu acho que a última revolução no mundo foi a da comunicação. Atualmente há muita informação, mas nem sempre são de fontes corretas. Com a internet, qualquer um coloca um crachá e diz que é jornalista. Eu não digo que a crítica não incomoda, mas se justifica do ponto de vista da imprensa. Eu acho a imprensa mais importante do que os outros órgãos, porque é ela quem cobra para que todos os outros órgãos se estabeleçam.



CH: Você gosta de ser polêmico?
MG:
Claro que não. Eu não sou polêmico. Eu acho que as pessoas simplificam demais as coisas e só vêem um lado. Eu tenho 20 anos de carreira e por causa de um blog as pessoas determinaram que eu sou polêmico. Eu sou uma pessoa que defendo minhas opiniões. Eu defendo meu ponto de vista, mas com educação, sem querer impor. E isso surpreende porque boa parte dos artistas é omissa, prefere não opinar e ficar em cima do muro. Eu que não sou nenhum tipo de celebridade e nem pretendo ser, posso falar o que eu quero e defender isso com argumentos e com educação. Mas eu não me acho polêmico.



CH: Uma vez no Twitter você postou algo sobre o Bonfim Light e você deu a entender que não gostava de pagode se referindo ao Parangolé...
MG:
Mas aí, me desculpe, mas a culpa foi da sua má interpretação, porque eu sou fã do Parangolé.



CH: Então você gosta de pagode?
MG:
Muito. Só acho que o Jammil não é uma banda que deve tocar pagode, o que é bem diferente de não gostar de pagode. Eu só acho que o Jammil não sabe tocar pagode. Há dez anos, quando o pagode surgiu, eu era contra tocarmos É o Tchan, porque a gente não sabia e, naquela época, o pagode tinha cavaquinho e tocávamos mal. Da mesma forma que o Jammil não deve tocar pagode, o Jammil não deve tocar Metálica. Falar isso não é nenhum tipo de preconceito ao pagode. Eu adoro o pagode, mas acho que o Jammil não sabe tocar o pagode bem. O Jammil tem estética, e a gente é mais próximo do Chiclete e do Asa por compreenderem que não devem tocar pagode porque não sabem tocar, porque não faz parte da realidade. Eu gosto do Parangolé, já falei do Fantasmão muito antes de Caetano (Veloso) falar, tem o Psirico que eu acho incrível.



CH: O que você acha do pagode que vem sendo feito hoje?
MG:
O pagode da Bahia hoje é muito melhor do que há dez anos! É um tipo de música que vem da favela, do guetho. Talvez seja por causa das interpretações erradas que os artistas preferem ficar em cima do muro, o que é uma pena. Eu acho que o artista tem uma influência grande no público, e é importante que ele opine sobre determinadas coisas, mas com cuidado, porque quando um grupo de artistas opina muito sobre política tem algo esquisito.



CH: Você acha que a imprensa atrapalhou seu relacionamento com Claudia Leitte?
MG:
Nem um pouco. Muito pelo contrário. Eu não me exponho, minha vida pessoal é completamente tranqüila. Como eu disse, o Jammil não é uma banda feita por pessoas que se predispõem a ser celebridades. O Jammil é uma banda que veio de garagem, com uma vida paralela à do palco. A imprensa não atrapalha se você não deixar. A imprensa tem esse papel de fomentar discussões e cabe à pessoa se expor ou não. 




"É óbvio que eu fui feliz ao lado da Claudia Leitte, senão eu não estaria com ela"



CH: E você foi feliz ao lado de Claudia Leitte?
MG:
Isso não te interessa e não interessa a ninguém. É um assunto que já tem seis anos. Esse tipo de pergunta é que motiva a desconfiança das pessoas. Mas é óbvio que eu fui feliz, senão eu não estaria com ela. O Brasil está virando o país da fofoca, e isso é uma forma de jornalismo que eu não faria: eu estou lançando um disco, e você me pergunta de Claudia Leitte? Esse é um tipo de pergunta que eu, como imprensa, não faria. É por isso que os artistas se calam e a imprensa diz que eles ficam em cima do muro.



CH: Qual a sua relação com Netinho hoje, já que ele foi um dos primeiros empresários, quando a banda ainda era Jheremmias não bate corner?
MG:
Netinho é um grande artista, ele foi o cara que gravou “Mila”, que fez “Mila” se tornar sucesso. Em determinado momento, há 14 anos, eu e Tuca optamos por sair da empresa que Netinho era sócio com Misael (Tavares), para seguir nosso caminho com mais controle, porque a gente não estava satisfeito com o direcionamento da banda naquele momento. Então, em determinado ponto, rompemos e todo rompimento tem seqüelas, crises. Tudo na vida, quando há um rompimento, o tempo amadurece, nos faz ver com menos emoção, menos raiva. Então, nós amadurecemos e nos reencontramos, e isso foi muito bom. Netinho sempre foi um grande artista, um dos mais afinados que eu já vi. Tenho grande admiração por Netinho, mesmo durante a briga, porque ali ele estava agindo como empresário, da mesma forma como muitos agiriam. Naquela época eu dizia que Netinho era um ótimo artista, mas não era o empresário que eu queria.



CH: Para finalizar, você acredita que o Jammil pode vir a ser o substituto do Asa de Águia?
MG:
O Asa é insubstituível, assim como o Chiclete e como o Jammil. São bandas que convivem juntas, trabalhando e levando a música baiana pelo Brasil, gerando emprego e ajudando a divulgar nosso carnaval. A irreverência de Durval, a alegria de Bell, a força do Chiclete, a personalidade de Tuca, de Saulo são insubstituíveis.



Por Fernanda Figueiredo e Rafael Albuquerque