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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Troféu Castro Alves abre suas portas e esclarece os bastidores e polêmicas das premiações

Essa história de que a cidade só respira São João depois da folia de momo é balela. Como diria um amigo meu, “calma, cocada!”. O Carnaval de Salvador só termina mesmo com seu Oscar, ou melhor, com seus troféus Castro Alves e Dodô e Osmar, os mais fortes dentre os incontáveis que existem por aí. Fortes pela cerimônia digna de tapete vermelho, de trajes de gala e, principalmente, pela credibilidade. Credibilidade esta que está cada dia mais abalada perante o folião. Por isso, a Coluna Holofote resolveu bater um papo com quem entende do assunto e, praticamente, deu vida a essa premiação que tanto excita artistas, imprensa e, principalmente, foliões: o Troféu Castro Alves. Com a palavra, Viviane Nonato, diretora executiva da Revista Exclusiva e coordenadora do Troféu Castro Alves, que já revelou artistas consagrados como Durval Lelys, Ivete Sangalo e Bell Marques. E não é só. Nessa conversa, Viviane explica o porquê do Troféu Dodô e Osmar estar com o nome mais forte no mercado do que o Castro Alves, apesar deste último ter surgido primeiro e comenta a polêmica do ano passado envolvendo a banda NaPegada e sua cantora, Luana Monalisa. Conheça a história do Troféu Castro Alves, os preparativos para a cerimônia deste ano, que conta com o trabalho de um artista italiano, reconhecido internacionalmente, na confecção das suas estatuetas, saiba quais são as categorias que saem, as que ficam e as que surgem neste Carnaval e, principalmente, os critérios de indicação e votação. É a sua chance de entender como funciona essa história de troféu e decidir entre acreditar ou desacreditar e em quem acreditar e em quem não acreditar, porque não é tudo uma questã de ótica e sim, de transparência! 




"O Troféu Castro Alves também chancelou o prêmio de banda revelação da NaPegada, mas, Luana Monalisa como cantora revelação, eu questiono"

 

Coluna Holofote: Como foi que começou essa história de Troféu Castro Alves?
Viviane Donato:
Na verdade, essa história não começou comigo. Clóvis Dragone, que é o diretor da revista, há 20 anos, quando montou a revista – antes do Troféu Castro Alves existia o Troféu que era dado pela Federação dos Clubes Carnavalescos, esse era o troféu oficial do Carnaval de Salvador, como é o troféu do carnaval do Rio de Janeiro e há 21 anos eles pararam de entregar esse troféu – a Exclusiva, como era o primeiro órgão de imprensa que falava do carnaval, decidiu, então, preencher essa lacuna e criou, naquele ano, o troféu da Exclusiva.



CH: Então, não começou como Troféu Castro Alves?
VN:
Tinha o nome Troféu Castro Alves, queria-se fazer essa homenagem, mas como o nome da Exclusiva na época era muito forte, então ficou “ah, o troféu da Exclusiva, o troféu da Exclusiva”, então ficou esse pseudo troféu da Exclusiva. Então, durante muito tempo, essa cerimônia que era realizada de entrega de troféu, ela era muito concorrida.



CH: Com tantos anos de vida, o Troféu Castro Alves já revelou artistas que hoje fazem sucesso?
VN:
O Troféu Castro Alves já revelou Durval Lelys, aliás, foi quem primeiro revelou e disse que Durval Lelys era um cantor, Bell Marques também ganhou prêmio, Ivete Sangalo foi revelação pelo Castro Alves, Netinho, Serginho da Pimenta N’ativa, essa galera toda passou pelo Troféu Castro Alves e foi revelada pela Troféu Castro Alves.



CH: Então, o Troféu Castro Alves surgiu antes do Troféu Dodô e Osmar?
VN:
No ano seguinte ao Troféu Castro Alves, surgiu o troféu do jornal que, na verdade, não era o Troféu do jornal A Tarde, foi uma invenção da rádio A Tarde que só depois foi para o jornal A Tarde e aí os dois foram andando: a Exclusiva tinha o mercado dela; o jornal A Tarde também tinha seu mercado e foi acontecendo...



CH: O Troféu Castro Alves tem uma história longa, veio antes do Dodô e Osmar, mas, até o ano passado, o troféu do jornal A Tarde parecia ser mais forte que o da Exclusiva. A que você atribui isso?
VN:
Porque nós somos revista Exclusiva e eles são jornal A Tarde, ponto.



CH: Mas esse ano, a gente percebe que o Troféu Castro Alves ganhou uma nova força, tem sido citado muito mais que o Dodô e Osmar. Na sua opinião, a que se deve isso?
VN:
Olha, eu vou explicar o que aconteceu. A revista tinha parado de entregar o troféu, em cerimônia, faziam oito anos e voltou a fazer cerimônia fazem três anos. Esse é o nosso quarto ano de retorno. Então, o marketing diz que uma empresa precisa de quatro a cinco anos para se firmar, então, a força está aí. Agora a gente está no tempo de se reafirmar. E a bem verdade é que, por termos parado por oito anos e pela força do jornal A Tarde, que é incontestável, isso aconteceu. Mas eu tive a idéia de retomar a entrega através da cerimônia, por vários motivos.



CH: Que motivos são esses?
VN:
Vários. Não só pelo troféu, mas pela lisura e pela credibilidade do Carnaval de Salvador.



CH: Por falar em credibilidade, a Holofote lançou uma enquete aos internautas perguntando o que eles achavam desses troféus e a resposta que liderou durante toda a semana foi “é pura marmelada”. A que se deve essa queda da credibilidade das premiações?
VN:
Se deve aos conchavos, se deve a falta de abertura para que todos participem, que foi o que realmente, o Troféu Castro Alves fez este ano. Eu acho até que esta foi a grande mudança do Troféu Castro Alves este ano. Eu até faço uma brincadeira, porque quando a gente entra num restaurante, tem uma placa lá: “visite nossa cozinha” e é isso que o Troféu Castro Alves está fazendo hoje: “visite nossa cozinha”. Nós já colocamos o júri para todo mundo saber quem é que vai votar; tomamos o cuidado para que todo mundo da imprensa possa votar, a imprensa mesmo vai poder cobrir o jantar do júri, o voto na internet vai valer nesse nosso trabalho. É mais complicado? É. É mais difícil de fazer? É. É mais difícil de indicar? Muito mais. É muito mais trabalhoso você fazer uma categoria e você saber que aquela categoria não vai ser votada por aquele grupo de três ou quatro que você já conhece. Então, é jogar no vento.



CH: Por quê?
VN:
Porque você não sabe se o júri vai usar a opinião pessoal ou se ele vai usar a opinião profissional, técnica...Você não pode entrar na cabeça de cada um.



CH: Vocês estão se reafirmando no mercado, como você mesma falou. Só que é num momento de crise na credibilidade dessas premiações. Isso amedronta vocês de alguma forma, de que essa crise acabe afetando o Troféu Castro Alves?
VN:
Não. O Troféu Castro Alves vem justamente para eliminar toda e qualquer dúvida do internauta, do jornalista, do artista. A gente encontrou um dia desses Tatau num evento e ele falou “eu acredito muito no Troféu Castro Alves. Eu só acredito no Troféu Castro Alves. Porque a gente vê o trabalho, a garra e a luta que vocês têm para fazer o Troféu”.



CH: Qual a maior dificuldade em se fazer o Troféu Castro Alves?
VN:
No ano passado nós fizemos o Troféu Castro Alves, e eu acho importante as pessoas saberem, a gente reuniu um número de artistas enorme, com R$ 3 mil no bolso, que vieram da revista Exclusiva. O resto todo foi apoio, foi ajuda, foi parceria, foi permuta. Porque a gente não tinha grandes patrocinadores. Ainda não tem. Mas hoje a gente tem grandes apoiadores, como a Piatã, Bahia Notícias, Tudo FM enfim... Aí vai uma lista enorme de pessoas da imprensa. Ontem até, eu indo para casa, eu comentei “puxa, vida! O artista deve ir no Troféu Castro Alves”. Sabe por quê? Porque a gente está falando de um troféu que tem mais de 12 veículos de imprensa envolvidos. Então, será que ele não deve ir? Será que ele não deve confiar na opinião da imprensa? Tudo bem que a indicação é da revista Exclusiva, mas a indicação da revista Exclusiva sempre deu certo.



CH: Por que você diz isso com tanta certeza?
VN:
A história diz isso. As revistas dizem isso.



CH: Voltando a história da credibilidade. Você acredita que, com esse abalo cada dia maior nesse item essencial para a existência de um troféu, as premiações correm algum risco de deixarem de existir?
VN:
Podem sumir as outras, a nossa não.



CH: No ano passado, o Troféu Dodô e Osmar premiou Luana Monalisa como cantora revelação e a banda NaPegada como banda revelação e as pessoas ficaram surpresas e inconformadas chegando a acreditar que tinha sido “comprado”. O que você pensa sobre isso?
VN:
Olha, nós demos o prêmio de banda revelação à NaPegada. Assumimos e dissemos que foi um prêmio merecido pelo trabalho feito do ponto de vista de marketing, de mídia, de ensaios, do trabalho que foi desenvolvido em toda a banda. Foi merecido. O Troféu Castro Alves também chancelou o prêmio de banda revelação, mas, como cantora revelação, eu questiono. A nossa cantora revelação foi Maristela Müller, a única que continuou. A revelação como cantora do Carnaval 2009 do Troféu Castro Alves foi a única que continuou.



CH: Mas você considera que houve “marmelada”?
VN:
Marmelada não sei. Não sei. Não posso dizer. Mas que tem acordos envolvidos, que acabam... Sabe aquele negócio “puxa! Ele está sendo tão legal comigo. Por que que eu não vou ser legal com ele?”, entendeu? Eu acho que o mundo vive de troca de favores. Mas eu acho que, independente do troféu que seja, a categoria revelação é sempre muito questionada. Esse ano, o Troféu Castro Alves não vai dar revelação para ninguém, não tem a categoria revelação, porque não houve revelação no carnaval de Salvador em 2010.




"Não adianta eu dar o troféu de melhor banda para o meu amigo ou para uma pessoa que nem passou na avenida e já é o melhor cantor. Como é que pode isso?"



CH: Você acredita que essas categorias de revelação ajudam a promover o artista ou a banda?
VN:
Ajuda fora da Bahia. Aí, sim, você levar um troféu, seja ele qual for, ajuda. Aqui, não. Aqui as pessoas sabem que troféu você está levando. Aqui as pessoas estão envolvidas demais. Os internautas, os fãs, eles se envolvem no meio das questões. Aqui em Salvador é uma coisa que todo mundo está envolvido. Todo mundo sabe a historinha do empresário que brigou com a artista, não sei o quê... Todo mundo sabe essas histórias. Então, aqui não adianta. Mas fora, um troféu de revelação ajuda a vender shows. Alguns blocos que ganharam o Troféu Castro Alves, por exemplo, colocaram isso na proposta de patrocínio deles e conseguiram patrocínio. Não sei se devido ao troféu, mas eu sei que teve uma força isso estar registrado ali. Até porque, pesa você ser premiado por uma revista que tem 21 anos de carnaval.



CH: Agora, me conta um pouco dessa novidade que o Troféu Castro Alves está trazendo de um artista italiano para confeccionar as estatuetas...
VN:
Isso aconteceu de uma forma muito bonita, porque esse artista italiano tem mais de 200 exposições individuais pelo mundo, é reconhecidíssimo no mercado de arte, já entregou escultura para Hillary Clinton, para o eterno Papa João Paulo II, para o Príncipe de Mônaco e agora está fazendo uma estátua para o Troféu Castro Alves para entregar aos artistas baianos. O nome dele é Giuliano Ottaviani. Na verdade, ele já está produzindo, já está em fase de finalização o primeiro molde do troféu e está ficando lindo, está ficando muito legal, porque é uma homenagem à Praça Castro Alves, é uma homenagem ao encontro de trios e eu acho que não existe nada de maior no Carnaval do que o encontro de trios na Praça Castro Alves, que é algo que faz falta hoje, então, é uma grande homenagem que nós fazemos a esse espaço e nada melhor do que você ter na mão o Castro Alves e agora, ele passa do acrílico para, realmente, uma estatueta e agora com o Oscar também e todo mundo pensando em estatueta, então, vai ser muito legal segurar uma delas.



CH: Mas como foi o contato com este artista?
VN:
Essa idéia de pegar esse artista, na verdade, é um sonho de Clóvis Dragone. Sempre, sempre, todo ano a gente fica pensando em como é que vamos fazer a estatueta parecida com o Oscar, de bronze, pesada, para a pessoa segurar e todo ano eu e Dragone pensamos nisso. E aí, por coincidência, uma jornalista foi fazer uma entrevista com a gente sobre o Troféu Castro Alves no praticável da revista Exclusiva lá na Avenida, e falou que conhecia um artista italiano, que gostaria que fizéssemos uma entrevista para a revista e aí, quando Giuliano ouviu a história do Troféu Castro Alves e ouviu a história da revista, ele se tomou de uma força, de uma vontade, que eu vou te contar. Até porque, o tempo é curto. A estatueta começou a ser produzida logo depois do carnaval e ele já está finalizando. Então, ele realmente entrou na luta junto conosco.



CH: Mas vocês disseram que estão sem patrocinador. Vocês estão gastando para confeccionar essas estatuetas com esse artista renomado internacionalmente?
VN:
Olha, mais do que tudo, a gente está investindo nesse momento, eu não chamo de gastar, é investir e a revista Exclusiva está pagando. A gente ainda está na busca de patrocínios e se isso acontecer, aí claro que a gente vai poder ter esse retorno já.



CH: E essa história de transformar o Troféu Castro Alves em Patrimônio do Carnaval de Salvador?
VN:
Eu acho que o troféu, ele tem que ser único. Não precisa ser o Troféu Castro Alves, não precisa. Mas precisa ser um troféu que possa reunir todo mundo que faz o carnaval. Não adianta eu dar o troféu de melhor banda para o meu amigo ou o troféu de revelação para a minha prima, o outro troféu para uma pessoa que nem passou na avenida e já é o melhor cantor, como é que pode isso? É estranho isso. Eu, particularmente, sou totalmente contra as premiações que são feitas na Avenida, que são feitas ali no circuito, porque isso não pode acontecer. Eu acho que a gente tem que, realmente, ter uma cerimônia de entrega e ter uma análise depois do acontecido. Porque, como é que você vai analisar antes? Como é que a cantora que vai ser revelação de três, quatro prêmios que dão por aí, nem entrou para fazer nada na Avenida? E outra: quando participou na Avenida, participou iam dar 3 horas da manhã, quando a imprensa baiana está toda na Barra, então...



CH: Agora, a gente conversou, conversou e eu vi que a revista Exclusiva paga do próprio bolso para fazer o troféu. Qual o retorno de vocês?
VN:
A revista Exclusiva ganha na história do carnaval, a gente ganha um ponto de apoio para essa nossa história no carnaval e ganha também, no sentido de reafirmar o papel da revista como a primeira a divulgar o carnaval de Salvador para o Brasil e para o mundo. A primeira, também, a ser reconhecida pela Embratur como a revista oficial dos carnavais do Brasil. Esse ano a revista Exclusiva foi convidada pela Rio Tur para participar do carnaval do Rio de Janeiro. Então, para a gente, isso é uma vitória, é legal. A gente recebeu uma informação de que o Carnaval de Nice quer levar a gente para a França no ano que vem para a equipe da revista Exclusiva cobrir o carnaval de lá. E do ponto de vista do retorno, é legal premiar. Premiar é legal, você dizer “você é bom” e fazer isso com certeza, vale à pena. E a pessoa levar isso com orgulho, como é o caso de Maristela Müller, que levanta a estatueta dela toda orgulhosa, mesmo sendo de acrílico ainda.



CH: Agora eu queria adentrar mais o universo dos troféus, porque eu acho que todo mundo tem essa curiosidade. Primeiro, eu queria que você enumerasse as categorias do Troféu Castro Alves esse ano.
VN:
A gente teve algumas alterações, por conta até do próprio carnaval. A gente tem Melhor Bloco com Trio, que é circuito Dodô e circuito Osmar; Melhor Bloco Afro, que já tem aí alguns que vão para hors-concours e aí a gente traz para a premiação os blocos pequenos, que se esforçam para sair no carnaval e realmente mostram trabalho e que merecem um prêmio para encorajar, dar uma vontade maior e eles pensarem “ah, ano que vem eu vou fazer melhor ainda”; Melhor Bloco Afoxé, onde os Filhos de Gandhi já é hors-concours, está sempre na premiação e eles entregam o prêmio para o vencedor da categoria, a gente tem esse costume de passar a faixa; Bloco Travestidos, que também As Muquiranas ganharam o título de hors-concours desde o ano passado, e foi muito legal os irmãos Paganelli passarem o título de Melhor Bloco Travestidos Toinho dos Alcoviteiras, então isso é legal porque você dá oportunidade a outras pessoas. Por exemplo, e não vou dar nome aos bois, mas já teve um troféu revelação que foi dado aq uma cantora que já foi revelação há muito tempo, sabe? Uma cantora que já se revelou, que já faz parte dos carnavais, já é um ícone do carnaval, porque, independente do que ela seja, ela é parte do carnaval de Salvador, ela sempre vai estar no carnaval. Porque pense: ela canta desde os sete anos e ganha um prêmio de cantora revelação aos 27 anos de idade? Não justifica.Mas aí, continuando com as categorias, a gente vai tirar o Melhor Bloco de Índio porque, infelizmente, os blocos de índio estão acabando. Hoje a gente só tem nosso amigo Jorginho Commancheiro que consegue, a duras penas, sair com o Commanches do Pelô, que no ano passado fez uma coisa brilhante: ele reuniu o Apaches do Tororó e eles saíram juntos. Ele ajudou o Apaches a sair. Então, esse ano, a gente vai abrir um espaço para que Jorginho se coloque Dante dessa questão porque, realmente, ele luta o ano todo pelo carnaval e ele vê que a categoria de bloco dele está indo embora.



CH: Agora, a dúvida: qual é o critério utilizado por vocês na hora de indicar?
VN:
Primeiro há uma análise feita pela equipe da revista Exclusiva. A gente pega aquela programação do carnaval de Salvador toda errada e vai acertando, conforme os trios vão passando e vai analisando cada qual.



CH: Então, vocês têm uma equipe que vai para as ruas?
VN:
A gente monta um praticável na Avenida e ali, a gente faz uma análise da Avenida. E depois na Barra, que a gente tem uma facilidade maior, porque, na realidade, a Barra já vem numa história que a gente conhece, é mais fácil. A Avenida é que eu acho que dá um pouco mais de diferença nas coisas, apesar das pessoas acharem que é na Barra que está o melhor carnaval. Porém, é na Avenida que a gente vê o negócio ferver e mudar. Ainda é na Avenida. Então, depois que a gente sai da Avenida, vai direto na Barra e fica assim o tempo inteiro do carnaval, analisando realmente, o que é que foi e o que não foi, quem foi mais comentado, quem foi menos, quem fez alguma coisa de diferente, quem não fez e é a partir disso que vão surgindo as indicações.



CH: O Troféu Castro Alves já tem data definida?
VN:
Vai ser no dia 16 de março. Nesta semana nós vamos ter a reunião do júri.




"Público, vocês estão participando, ativamente, do Troféu Castro Alves” 



CH: E o que acontece nesse jantar?
VN:
Nesse dia a gente entrega as súmulas de votação com os indicados, vai-se discutir as duas novas categorias, que a gente colocou pensando justamente naqueles que não concorrem, mas que fazem e abrilhantam o carnaval de Salvador. Deixa eu explicar: no Carnaval do Rio de Janeiro, tem aquelas coisas assim “Harmonia: dez; Evolução: dez” e o carnaval de Salvador não tem, mas existe uma necessidade de uma certa harmonia. Por exemplo, se você vê um bloco passando, que o cantor está lá “tira o pé do chão” e o bloco não tira o pé do chão, você olha para baixo e está vendo, como é que você pode dizer que ele teve uma performance boa? Ele pode ter uma voz maravilhosa, ele pode concorrer a melhor cantor até, mas ele não pode concorrer a melhor performance do carnaval. Então, essa é a nova categoria do Troféu Castro Alves, que é a Performance do Carnaval.



CH: E como vai ser isso? Todo mundo participa?
VN:
A gente vai colocar quesitos, que o júri vai votar, por exemplo, “folião atento aos pedidos do cantor”, quem consegue realmente levar a galera do início ao fim do percurso, que arrepia só de ver, então isso tem que ser votado também. Então, as duas novas categorias do Troféu Castro Alves são Melhor Performance Masculina/Feminina.



CH: E onde vai ser a cerimônia este ano?
VN:
A gente está esperando uma resposta de um apoio institucional para definir, de uma vez por todas, o local. Mas, antecipadamente, eu posso te dizer que continua no mesmo local do ano passado, que foi o Teatro SESC, na Casa do Comércio, na Tancredo Neves. Agora se mudar, vai mudar para quebrar também. A idéia é essa.



CH: O que você tem a dizer ao público que está desacreditado nessas premiações?
VN:
Eu tenho a dizer que o Troféu Castro Alves veio, este ano, abrindo espaço para toda a imprensa para votar e graças a Deus e aos nossos contatos e a nossa credibilidade também, a gente conseguiu reunir um grupo maravilhoso de imprensa que vai votar no Troféu Castro Alves, a gente abriu um voto para o internauta, que é o 13º voto, que é o voto da sorte ou do azar, com esse número. Então, nós temos essa abertura toda desse trabalho que tem sido feito de mostrar a cada momento, de mostrar os caminhos da criação do Troféu, mostrar como a estátua está sendo feita, então o que eu digo é: “Público, vocês estão participando, ativamente, do Troféu Castro Alves”. 



Por Fernanda Figueiredo