Luciana Fialho diz que o "No Ar" é uma versão aprimorada do Pida e que superou ofensas de Léo

"Ildázio tem uma postura de comandante e exerce muito bem isso e eu não nasci para ter chefe"
Coluna Holofote: Como começou a sua história com a Comunicação?
Luciana Fialho: Apesar de eu só ter 29 anos, eu tenho um livro para escrever, bem bacana, da minha vida, graças a Deus. E eu quero que esse livro tenha bastante páginas interessantes para escrever daqui pra frente. Tudo começou quando eu tinha 17 anos e resolvi fazer a faculdade de Comunicação. Mas com 17 anos eu era uma criança. Imagine ter que escolher o que fazer da vida? Aí, eu pensei “quer saber de uma coisa? Vai ser Relações Públicas em uma faculdade; Publicidade em outra e depois é que eu vou me decidi”. Mas eu sabia que tinha que ser na área de Comunicação. Então, eu entrei na faculdade de Relações Públicas sem nem saber para que aquilo ia servir na minha vida, mas eu sabia que ia ter alguma utilidade, só não sabia como. E aí, no meio da faculdade eu fui convidada a entrar no Terra Samba, que foi mais uma coisa de comunicação: era palco, era música, era o público e eu falava “gente, é isso aqui que eu quero.
CH: Qual era a sua função no Terra Samba:
L.F: Eu fui backing vocal, por dois anos. E eu me identificava muito com aquele mundo. Quando eu estava para finalizar a faculdade, eu saí do Terra Samba, porque não dava para conciliar projeto de Trabalho de Conclusão de Curs0 (TCC)o com viagens e é aí que começa a minha história com o vídeo.
CH: Com o TCC?
L.F: Isso. Porque eu queria falar em meu trabalho da criatividade dos ambulantes do Porto da Barra, mas não satisfeita em fazer só uma monografia, eu quis fazer um vídeo dos ambulantes, para que as pessoas vissem como é que eles vendem as coisas. E aí, eu e minha equipe criamos um vídeo. E aí veio o comecinho, a pontinha do vídeo na minha vida. E aí foi o máximo, curti para caramba fazer, roteirizar, editar...
CH: E como começou a sua história profissional com o vídeo?
L.F: Daí, Michelle Marie começou a me convidar para fazer umas matérias para o programa dela e depois veio a Prevdonto, que me descobriu como garota-propaganda por causa do meu sorriso, mas mais do que o meu sorriso o que eu gostava era de estar falando ali – porque eu nem sabia que meu sorriso valia tanto – e aí, sim, começou a paixão pela TV: de você aprender a ler um teleprompter, de você entender que além de ler, você precisa interpretar e foi aí que começou toda a sementinha da televisão.
CH: E como surgiu o convite para o Pida?
L.F: Calma, minha filha. Tô falando que minha vida é um livro? Depois disso eu fui morar no Rio de Janeiro e conheci a Marlene Mattos, eu comecei a freqüentar o Projac, na época, ela fazia o programa “Jovens Tardes” e eu tive a oportunidade de acompanhar um pouco a rotina do “Jovens Tardes” com ela e foi muito legal.
CH: Você chegou a trabalhar com Marlene Mattos?
L.F: Marlene Mattos me deu uma oportunidade que foi muito legal. O primeiro evento de ioga que a Marlene fez, lá na Urca, foi o meu primeiro grande contato com a deusa Marlene Mattos, porque fui eu quem fiz esse trabalho com ela. Depois disso é que veio o “Jovens Tardes”, que foi um estágio, porque eu queria estar ali sugando tudo o que eu pudesse. Não foi nada remunerado, foi um pedido meu “posso te acompanhar? Posso aprender?” e ela falou “óbvio”, ela foi maravilhosa comigo e aí foi quando Marlene saiu da Globo, foi para Band, eu voltei para Salvador, pedi uma oportunidade à ela para trabalha no carnaval e ela falou “Lú, eu estou acabando de chegar na Band, não tenho como fazer isso”. Mas é o que eu digo, as pessoas vêem Luciana Fialho na televisão e não imaginam que Luciana já tem uma história muito longa, então assim, a vontade de estar na televisão já vem de muitos anos.
CH: Quando você chegou em Salvador, onde você foi trabalhar?
L.F: Eu comecei a trabalhar em assessoria, na Aquatro, com Zé Eduardo, com bandas, então assim, as bandas nunca saíram da minha vida, estavam sempre me rondando de alguma forma e aí eu fazia justamente o atendimento. Aí eu comecei a usar o meu curso de Relações Públicas. Da assessoria foi que surgiu uma oportunidade no Pida. E Zé Eduardo é uma pessoa que eu tenho eterna gratidão, sempre terei.
CH: Por quê?
L.F: Porque ele foi uma das primeiras pessoas que chegou para mim e falou: “você vai sair daqui, porque seu lugar não é atrás de um computador, você precisa mostrar seu talento”. E eu queria largar a Aquatro, mas tipo, eu estava sendo funcionária dele, então, como é que eu ia largar e me dedicar a um outro projeto e deixar ele na mão, se eu estava atendendo todo mundo? E aí ele virou para mim e disse “deixa eu te dizer uma coisa: se Deus me deu um talento, foi o de descobrir talentos e eu não quero que você fique aqui dentro, eu quero que você alce vôos. Vai, vai, seu lugar não é aqui”. Então, serei eternamente grata. E aí é que veio o Pida. Foram dois anos de muito aprendizado, muito bacana mesmo e foi a minha primeira grande experiência à frente de um programa.
CH: Mas como é que você foi parar lá?
L.F: Quando a Érica Saraiva saiu, se eu não me engano, Zé Eduardo foi quem comentou comigo, eu li em algum lugar, eu liguei para Leonardo e falei quando é que eu começo a trabalhar com você?”. Aí, ele começou a rir eu também. Eu não sabia o motivo da Érica ter saído.
CH: mas então, você já conhecia o pessoal do Pida?
L.F: Conhecia Leonardo, só.
CH: E aí, ele te deu essa oportunidade?
L.F: Não, bicha. E aí eu fiz testes, aí eu entrevistei e aí eu mostrei para que eu vim e entrei no Pida. Não foi só o olhinho azul, não.
CH: E como foi substituir Érica Saraiva? Como foi a responsabilidade?
L.F: Se eu te disser que isso nunca passou pela minha cabeça, você vai acreditar? Juro. Eu sempre trilhei a minha carreira sem nunca querer me comparar ou ser comparada a alguém. E isso eu digo desde a minha época do Terra Samba. Eu sempre tive várias companheiras de backing vocal e para mim essa coisa de competição “ela é mais bonita que eu; ela canta melhor que eu; ela tem um corpo melhor que o meu”, isso nunca passou pela minha cabeça, nunca. O meu lema de vida é o seguinte: Cada um tem a sua estrela e ela brilha na intensidade que você merece. Então, quando eu substituí a Érica, eu não pensava nisso, era um assunto que não vinha em minha cabeça. Vinha, sim “eu tenho que dar o melhor de mim, eu tenho que fazer o melhor que eu posso” e foi paixão à primeira vista. Quer dizer, nem foi paixão à primeira vista, já tinha sido.
CH: Mas é inevitável a comparação. Pode não existir na sua cabeça, mas as pessoas sempre comparam. Eu queria saber se chegava para você esse feedback de que você estava substituindo Érica melhor ou pior?
L.F: Você estar na rua, é inevitável, você acaba ouvindo de tudo, mas só chegava coisa boa. Até hoje, só chegou coisa boa, eu só tenho feedback positivo, as pessoas que eu conquistei no pida, os telespectadores, acompanham meu trabalho no “No Ar” até hoje, então o “No Ar” para mim foi uma versão melhorada, ampliada, Luciana mais estudada, Luciana sabendo o que ela quer, sabendo o que ela quer ser, estudando mais a linguagem do que ela quer passar, de quem é ela, então, eu só tive um feedback sensacional.
CH: E como é a sua relação com Érica Saraiva: vocês trocam figurinhas, são amigas?
L.F: Cara, ela é uma colega de profissão. Ela já tem uma estrada, já tem uma história para contar, não é apenas uma menina bonitinha, não: ela tem uma história para contar. Então, é uma pessoa que eu tenho total respeito no mercado e quero deixar claro aqui: eu juro por Deus, que tudo que eu faço na minha vida, não é nada querendo ser comparada a alguém, sabe? É tentando seguir meu caminho. Eu sou serva do Senhor, então, o que Deus me dá, eu vou fazendo e vou tentando fazer o meu melhor.
CH: Você trabalhou durante dois anos com Jean Nanico e Léo Sampaio no Pida. Como era a sua relação com eles?
L.F: Foi maravilhosa! No Pida eu construí grandes amigos. Foi com eles que eu aprendi, foi com eles que eu cresci, foi com eles que eu aprimorei a minha vontade por televisão, então, só quero bem, só quero bem, só quero o bem. Eu quero que todos os meus colegas, todos os meus colegas de profissão de comunicação, sigam o caminho deles e que a gente tente fazer desse grande poder que é a televisão, que é o rádio, o jornal, uma coisa bacana para Salvador, uma coisa bacana para o Brasil.
CH: Pois é. Tudo parecia ir muito bem com você à frente do Pida e de repente, você sai. Por que você saiu do Pida?
L.F: Eu saí do Pida porque eu queria crescer, saí porque eu queria aprimorar, saí porque eu queria coloca em prática o sonho velho de “quem é a Luciana?”. No Pida eu mostrava quem era Luciana pela metade. Então assim, hoje, com o “No Ar”, que eu consegui criar um filho, que já fez um ano, já está gordinho, forte, eu consegui colocar ali coisas que eu queria falar. Eu queria mostrar um pouco do talento da Bahia, de pintores que a gente tem, os esportes que a gente tem, os grandes projetos e no Pida eu não tinha essa oportunidade, porque a gente ficava muito focado em festas. Então, eu queria mais do que aquilo. Eu queria me encher de coisas novas, trazer novidades para a minha vida e o “No Ar” foi isso, me trouxe isso.
CH: Uma vez, Léo Sampaio nos concedeu uma entrevista e afirmou que você saiu do Pida por problemas pessoais e parece que você não gostou, mandou uma nota esclarecedora e a impressão que ficou é de que a relação entre vocês dois ficou estremecida. Isso aconteceu?
L.F: Olha, na oração, que é uma conversa nossa com Deus, existe uma parte muito forte que diz assim: “perdoai as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido” e eu tento fazer isso como uma luta diária na minha vida. Então, eu quero ser uma pessoa melhor para perdoar as pessoas que me magoam, assim como eu quero que Ele me perdoe porque eu não sou perfeita, entendeu? E isso é passado, isso passou, já está resolvido.
CH: Mas vocês voltaram a ser amigos?
L.F: Nossa trilha, a nossa relação é de respeito, só.
CH: Você é grata ao Pida?
L.F: Claro, claro. Olha só: gratidão é uma palavra que eu tenho como ordem na minha vida. Eu não posso nem falar em gratidão, que meus olhos enchem de lágrimas. Mas eu sou super grata a tudo e a todo mundo que passou pela minha vida.
CH: Se você fosse convidada a voltar para o Pida, você voltaria?
L.F: Mas como é que você abandona um filho de um ano? Fala “tchau, filhinho, a mamãe vai te abandonar e te dar agora para uma nova mãe”? Você não faz isso. Não tem como. Ele é meu filho já, não dá. E eu vou te falar uma coisa: quando eu montei o programa, eu me preocupei em ter uma estrutura firme por trás. Foi assim que nasceu a TL Filmes, uma produtora dona de toda aparelhagem que filma, edita e roteiriza o material dos seus clientes. O “No Ar” é apenas uma perna dessa produtora. Hoje temos clientes como Nova Schin, Iguatemi, Coca Cola, HandyTech, algumas produtoras de shows, dentre outros. Além de termos começado a filmar casamentos numa proposta super inovadora! Posso garantir qualidade, pois o meu acabou de ser gravado pela produtora! (risos) Aliás, qualidade é palavra de ordem em tudo que fazemos! Tudo.
CH: Você trabalhou com Ildázio Jr. na Transamérica. Como foi trabalhar com ele?
L.F: Cara, foi um aprendizado muito grande. Primeiro: eu sou muito auto-confiante nas coisas que eu faço, mas eu tenho muita humildade de aprender e Ildázio tem uma inteligência fora do normal. Ele tem umas sacadas sensacionais. Agora, Ildázio tem uma postura de comandar, eu acho que ele se adapta mais com pessoas submissas – no bom sentido – do que uma como eu. Mas foi um aprendizado maravilhoso trabalhar com uma pessoa com a personalidade tão forte quanto a minha.
CH: Agora e essa história de que você saiu de lá brigada com Ildázio?
L.F: Não. Brigada de jeito nenhum, eu convidei Ildázio para o meu casamento. Agora, é isso que eu estou te dizendo: existe aquelas divergências de personalidade, entendeu? Ele tem uma postura de comandante e exerce muito bem isso e eu não nasci para ter chefe, é isso.
CH: E você se considera uma pessoa fácil de lidar?
L.F: Eu me considero uma pessoa fácil de lidar. Mas é óbvio que eu tenho meus arranca-rabos, eu sou “turumba” às vezes, eu tenho a personalidade forte, eu tenho uma TPM chata, eu sou exigente com as coisas que eu faço, mas eu sou uma pessoa bacana.
CH: Voltando ao "No Ar", como foi a sua estréia?
L.F: Primeiro programa tinha que ser uma coisa especial, né? E agora? Agora, é recorrer para os grandes amigos. Então, liguei para Claudia (Leitte), que é minha grande amiga até hoje e nossa história é velha e longa mesmo, e eu disse “minha amiga, você vai ter que me ajudar. Tô montando um programa novo e preciso começar bem, eu preciso começar com uma pessoa especial e eu queria que fosse você, para marcar minha vida, para marcar nossa amizade” e Deus foi generoso demais e me proporcionou essa estréia.
CH: E você acha difícil fazer programa independente aqui na Bahia?
L.F: Cara, eu não sei se é só na Bahia ou em qualquer lugar do Planeta! Você caminhar sozinha é difícil, né? Eu acho que para você caminhar, você precisa de grandes parceiros e para você ter grandes parceiros, as pessoas precisam acreditar em você e para as pessoas acreditarem em você, você precisa mostrar trabalho, mostrar o que é bom, então, quando você está começando, como é que você prova que você é boa? Então assim, depois de um ano, hoje eu posso dizer que tenho grandes parceiros. Eu tenho a Nova Schin comigo desde o meu primeiro dia de programa, porque já me conhecia, já conhecia o meu trabalho; eu já tive a oportunidade de ter a Elma Chips com a gente, a Vivo, então, eu já tive a oportunidade de ter grandes marcas que eu não imaginava.
CH: O “No Ar” completou um ano. Quais foram e são as maiores para rodar o programa?
L.F: Olha, mais uma vez é aquela história do filho, né? Ter filho é maravilhoso, mas você tem que acordar três, quatro, cinco vezes na noite para dar o leite. É um trabalho! Você acorda morta, você tem sono, a relação com o marido estremece, depois volta melhor, então, é toda aquela história de gravidez e filho que a gente lê. Então, o “No Ar” é a mesma coisa.O “No Ar” é maravilhoso, é a minha grande realização, só que ele me dá um trabalho, minha amiga...
CH: Que tipo de trabalho?
L.F: É trabalho de arranjar o patrocinador, é trabalho de arranjar o melhor editor, é o trabalho de pensar em como fazer uma entrevista diferente para que não seja sempre aquela mesma entrevista de TV, é o trabalho de você saber como você quer aquela matéria, é o trabalho de arranjar pauta, porque eu não quero qualquer pauta. Eu quero uma pauta que, quando você termine de assistir ao programa você diga “pô, que legal o que eu assisti no ‘No Ar’, quanta novidade eu vi ali”, então, tem muito trabalho.
CH: E quais são os pontos positivos?
L.F: Todos. É uma mão dupla: é muito trabalhoso, porque você tem que correr atrás de patrocínios, no fim do mês você tem que pagar conta, é trabalhoso porque além de você ser apresentadora, artista, você tem que ser empresária, você tem que ser chefe, porque você tem uma equipe para coordenar e eu sou super chata como chefe, eles sabem disso, mas eu também sou super bacana.
CH: Mas e o lado positivo?
L.F: Tem milhões. A liberdade de escolher minhas pautas, ter a liberdade do que eu vou escrever – hoje eu tenho um programa em que eu escrevo tudo o que eu quero, eu falo tudo que eu quero – então...
CH: O “No Ar” foi inspirado no Pida?
L.F: Gente, o Pida foi uma bagagem na minha vida. Qual emprego que você teve e que você esqueceu completamente, que você colocou na gaveta e falou “ah, não presta para nada”? Isso não existe. Então assim: o Terra Samba me serviu para fazer o “No Ar”, meu emprego da Prefeitura me serviu para fazer o “No Ar”, porque hoje eu tenho o patrocínio da Secretaria de Esporte e Cultura, onde eu tive que saber me portar, saber me vestir, saber conversar, saber que eu estava falando com uma autoridade de uma Prefeitura para conseguir um patrocínio. Então, tudo me serviu. É aquilo que falei: eu tenho gratidão por tudo o que passou na minha vida.
CH: Mas o “No Ar” é um concorrente do Pida?
L.F: De jeito nenhum. O “No Ar” fala de arte, de culinária, de esporte, o “No Ar” fala de Joaquim que vende bijuteria na praia. Então, o “No Ar” não faz só festa, não faz só bastidores, não faz só música, não... O “No Ar” faz muito mais do que isso. E outra coisa: o “No Ar” não traz dos músicos só notas musicais. Ele tenta trazer vida, trazer dos músicos uma história, o que é que tem por trás daquela carreira, como começou, porque ele fala assim, porque se veste assado, então, o “No Ar” procura ir mais fundo do que o que eu fazia antes.
CH: Como é que está a audiência do programa hoje?
L.F: Está ótima! Mas melhor do que a audiência eu digo que é a fidelidade que a gente tem dos nossos telespectadores. Então, se eu disser para você que todo sábado eu quero saber como é que está a minha audiência, eu estou mentindo. Não me importo.
CH: Você se considera uma celebridade?
L.F: Depende. O que eu quero ser e o que eu trabalho para ser é uma pessoa que escreve uma história. Eu não quero ser celebridade porque eu sou loira, tenho o olho azul e apresento um programa. Eu quero ser uma formadora de opinião, eu quero ser uma pessoa que traga coisas boas para a sociedade, eu quero somar. Se isso é ser uma celebridade, aí sim.
Por Fernanda Figueiredo