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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Cantores do Fantasmão dizem que Eddye fez tudo premeditado e que a banda é mais alegre hoje

Num papo rápido, de apenas 20 minutos, a gente percebe a diferença gritante entre as duas personalidades que hoje compõem a banda Fantasmão, que ganhou duas novas “caras”, roupagem, mas não abandonou seu “groove arrastado” e foi além: voltou às origens e retomou a cara pintada, marca registrada do Fantasmão, que acabou saindo de “moda” por conta da vontade do cantor Eddye, ex-vocalista da banda, que achou que sem a pintura, ficava uma coisa mais limpa. Mas Cássio e Tierre, os novos cantores, acham que a mudança foi intencional e Eddye já planejava deixar a banda, por isso, começou a aparecer de “cara limpa”. Mas voltando a falar dos meninos: um é polêmico, o outro é apaziguador; um é mais agitado, o outro é mais calmo; um é tagarela, o outro é mais calado. Assim são Tierre e Cássio, respectivamente que, juntos e mesmo diante de todas essas diferenças, conseguiram encontrar a fórmula certa para dar continuidade ao projeto da banda Fantasmão, que hoje está ganhando espaço nos quatro cantos do país, já que atualmente, a banda está mais comercial, coisa que não era possível com o cantor Eddye, que, segundo os rapazes, muitas vezes dificultava o trabalho do grupo impondo suas vontades. Saiba tudo sobre a saída de Eddye da banda e sobre esse recomeço que Cássio e Tierre estão escrevendo à frente da banda Fantasmão. 



"A saída de Eddye do Fantasmão foi ótima para a gente"



Coluna Holofote: Como foi a saída de Eddye da banda Fantasmão?
Tierre:
Foi ótima! (risos). Foi ótima para a gente, porque nos deu uma oportunidade.

 

 

 



CH: Mas para a banda, não foi um susto, como vocês receberam essa notícia?
Tierre:
Não. Porque, numa certa feita, ele já tinha chegado para a gente no camarim e disse que tinha vontade de sair da banda, porque queria fazer uma coisa mais a cara dele e num momento até chamou a gente, mas a gente sempre acreditou no Fantasmão e nessa história bonita que o Fantasmão construiu, que os nossos empresários construíram, que a nossa equipe toda construiu, então, a gente acreditou nisso e quando o convite foi feito, foi mais do que esperado, até porque, a gente já fazia por merecer: nós fazíamos música, nós participávamos assiduamente dos shows, então, para a gente foi tudo beleza.
Cássio: Na verdade, o que Eddye quis foi fortalecer os ideais dele, em relação a parte artística, de administração, do trabalho dele e a gente encarou isso numa boa.



CH: Mas essa saída não abalou o grupo?
Cássio:
Medo, realmente tem.
Tierre: Não, não tem mais.
Cássio: É, agora mais não. Mas a gente sentiu, porque sabia que os fanáticos – eu não digo fãs – pelo Fantasmão sempre tinham Eddye como o cantor, como a cara do Fantasmão, mas só que agora a gente mudou a página dessa história e, graças a Deus, os fãs abraçaram também esse novo projeto e também abraçaram ele e eu torço por ele.



CH: Vocês tocavam na banda Fantasmão, quando ela ainda estava sob o comando de Eddye. Eddye saiu, levou alguns músicos, mas vocês ficaram. Agora, Eddye compõe o hit “Traíra”. Na opinião de vocês, quem é esse “Traíra” que Eddye cita na música?
Cássio:
Rapaz, realmente, muita gente comenta, mas ele mesmo – eu já conversei com ele – disse que não tem nada a ver com a nossa amizade.
Tierre: E mesmo que fosse, eu acho que a gente não é traíra, não. Porque a gente tem que seguir os nossos sonhos. A gente não pode seguir uma pessoa para deixar de seguir os nossos sonhos. No tempo que a gente foi músico e que a gente fez as coisas, fizemos em prol da banda Fantasmão, a todo momento. E agora, mais ainda, porque a gente agora é linha de frente.



CH: E a música “Barril”, que vocês estão trabalhando agora. Tem alguma relação com Eddye?
Tierre:
Direcionada a Eddye? Que nada! A música é direcionada ao povo, porque manda o povo se ligar e prestar atenção, porque a vida é louca. Até queria esclarecer e isso é muito importante: tem uma música nossa que está rolando aí que está uma discussão retada “ah, essa música é de Eddye”. O nome da música é “Embolou, a gente para”, que é uma música que tem uma mensagem belíssima, que fala do carnaval. “Não é o meu som que excita a violência/ a violência você procurou, agüenta a consequência/ Foliões de verdade comungam a paz/ Não sai brigando feito animais/ Quem tem filho grande é girafa, é elefante/ Se foi para a muvuca, é porque se garante/ Rolou confusão, botou base na cara/Embolou, a gente para”. Essa música é minha e é da banda Fantasmão, só queria deixar claro isso, para tirar qualquer tipo de dúvida. Até porque, é muito fácil as pessoas falarem que é de tal e tal, sem saber de quem de fato é. Por isso, eu quero deixar bem claro que a música é minha.



CH: Como é a relação entre vocês e Eddye hoje em dia?
Cássio:
As pessoas pensam que porque a gente estava trabalhando num mesmo projeto, que tinha esse contato. Não tínhamos contato com Eddye, nós tínhamos pouco contato com ele, nos falávamos mais nas viagens, a gente sentava e fazia música, mas amizade... Agora assim, ele manda sempre recado, parabeniza a gente, deseja sorte, sabe? E está tudo tranqüilo. Eu acho que se a gente se encontrar, vai ser a mesma coisa, a mesma euforia que sempre foi.
Tierre: E se não for, a gente vive a vida da gente.



CH: Por que vocês não seguiram com Eddye? A proposta do Fantasmão foi melhor?
Tierre:
Foi, sim. Com certeza, sem dúvida.



CH: Por isso vocês não seguiram com Eddye?
Tierre:
Não. E por conta do nosso sonho também. Porque o que a gente quer é cantar e dançar e mostrar o nosso talento, que não deixa a dever nada a ninguém, deixar claro isso também e Cássio sempre teve essa coisa de cantar, mas era back in vocal de Eddye, tinha o projeto dele de raggae, eu também tinha meu projeto de funk music, que nós já tínhamos esses projetos em paralelo e surgiu essa oportunidade.
Cássio: As pessoas sempre prestaram atenção na gente. Nas viagens mesmo, o pessoal sempre brincava, porque às vezes Eddye não ia com a gente no ônibus e o pessoal ficava “Rapaz, Eddye não vem, vocês dois que vão fazer o show” e a gente dizia “rapaz, não brinque assim, não”, mas a gente sabia que estava sendo sondado.



CH: Da vez que a Coluna Holofote entrevistou Eddye, ele disse que tirou a pintura do rosto, porque ficava um visual mais limpo. O que vocês pensam disso?
Tierre:
Como assim “mais limpo”? “Mais limpo”? Rapaz, eu acho que é uma marca da banda e quem inspira as pessoas a seguirem é justamente a linha de frente. Muita gente estava parando de pintar o rosto porque Eddye, que era a marca do Fantasmão, não estava mais usando
Cássio: Ele sempre me perguntava sobre isso nas viagens. Ele dizia “e aí, o que é que você acha?” e eu sempre dizia “rapaz, é a marca da banda”. A mortalha eu até era de acordo, porque não deixava a gente dançar, não mostrava os movimentos, mas a pintura eu nunca fui de acordo, não.
Tierre: Para você ter uma idéia, teve uma vez que a gente foi se apresentar em Sergipe e as pessoas disseram “rapaz, aí não é o Fantasmão, não” porque a gente estava sem a pintura. Incrível aquilo!



CH: Vocês acham que Eddye já pensava em seguir carreira solo quando fez essa inovação?
Tierre:
Rapaz, eu acho que sim, viu? Eu acho que ele já estava pensando em sair da banda, porque ele queria seguir os ideais dele e eu acho que ele já estava com esse planejamento, então, eu acredito que tenha sido premeditado.



CH: O groove arrastado continua?
Tierre:
O groove arrastado continua, o pagode continua e a gente não tem vergonha de dizer que a gente é pagode, porque quem curte nosso som é pagodeiro. O nosso groove, que é um ritmo arrastado, é um pagode arrastado.



CH: Mas não era uma marca de Eddye?
Tierre:
Não, não é. Muito pelo contrário. Se você falar que a criação desse novo estilo, desse novo ritmo é da influência do rock, do raggae, enfim. Muita gente sabe que o antigo cantor da banda Fantasmão, cantava no Parangolé e cantava pagode muito bem e era pagode mesmo e quem apresentou esse novo ritmo foi Franco, nosso empresário, Franco Danielli, que chegou e apresentou o rock, apresentou o raggae como vertentes para que a gente pudesse fazer um som diferenciado do pagode, que é o normal e o Fantasmão passou a fazer o groove arrastado.



CH: Grande parte das músicas do Fantasmão são de autoria de Eddye. A banda continua cantando os hits de autoria do ex-vocalista?
Cássio:
Não pode deixar de cantar. Porque nós temos uma parceria com ele e tem músicas nossas lá também. E isso faz parte da história do Fantasmão, não tem porque deixar de cantar, até porque, são músicas fortes.
Tierre: Por falar nisso, no projeto dele até, ele gravou três músicas nossas, então...



CH: O que, enfim, mudou no Fantasmão com a saída de Eddye?
Cássio:
Eu acho que a banda está mais alegre, mais sorridente, com dançarinos, a gente mudou também isso, as músicas também estão mais alegres.
Tierre: A banda está mais comercial. Porque Bahia não combina com essa coisa pesada.



CH: Hoje o Fantasmão está de cara nova e com dois cantores. Isso não acaba descaracterizando o grupo?
Cássio:
Não, só soma. Eu acho que só fez multiplicar.
Tierre: E eu acho que foi uma jogada bem, bem elaborada dos caras, porque eles perceberam que quem fazia o som era Cássio, querendo ou não, 40% da coisa era com ele, ele só não era o diretor musical, mas a identidade do Fantasmão, os samples, isso tem muito de Cássio. Porque, na verdade, as pessoas direcionam muito as coisas para o artista e esquecem que por trás daquilo há muita gente que colabora. Cássio é um grande exemplo disso. E eu pelo fato de cantar, de fazer música já há muito tempo.



CH: Como está a aceitação do público baiano a esta nova formação?
Cássio:
Rejeição, eu acho que de um a cem, um não gosta da gente. Porque está todo mundo abraçando, todos os shows que a gente vai a galera demonstra a mesma euforia, nem parece que mudou.



Por Fernanda Figueiredo