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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Saulo manda "dedo" para os que falam mal dele e diz com quem Marcelo Sangalo se parece

O entrevistado desta semana da Coluna Holofote é cheio de luz. E ele emana isso na forma relaxada de falar e até mesmo no jeito descontraído e tranqüilo dos seus gestos. Esta coluna aproveitou a participação mais que especial e esperada de Saulo Fernandes na “Noite do Bem” para bater um papo com ele sobre as novidades do DVD e os preparativos para o lançamento do novo álbum da Banda Eva em Salvador, no próximo dia 11 de novembro. Mas claro que você, leitor assíduo desta coluna, sabe que não faltou aquela pimentinha que tanto arde a boca dos entrevistados e enchem de sabor a do leitor. Pois bem. A Holofote não deixou de questionar Saulo sobre a saída conturbada dele da Chica Fé, tampouco sobre as dificuldades enfrentadas na estréia dele à frente do Eva. E por falar em Eva, não deixamos escapar a oportunidade de pôr um ponto final na história de que Saulo sai ou não sai da banda. Saulo também falou sobre a amizade que tem com a musa Ivete Sangalo e diz o que achou de não ter sido convidado para ser padrinho de Marcelo Sangalo, que, na opinião de Saulo, parece com um joelho e não com Ivete, como afirmou Xuxa. Ah! Aos jornalistas de plantão que vivem criticando Saulo e seus figurinos, ele tem um recado: “olhe, eu tô meio que levantando o dedo médio”, sacou ou precisa desenhar?


"Eu assumo todos os meus erros de roupa e de tudo, porque é tudo eu"



Coluna Holofote: Antes de você estrear na Banda Eva, você cantava na banda Chica Fé. Como foi essa experiência?
Saulo Fernandes:
Isso. Nós começamos com a Banda Chica Fé em 1996, eu Jefrey Athaíde e Zé Eduardo, nós três fizemos essa maluquice de tentar fazer a Chica Fé e fomos juntos até um certo tempo. Eu fiquei na Chica Fé por cinco anos e em 2001, eu recebi a proposta para cantar na Banda Eva.



CH: Mas como foi sua saída da Banda Chica Fé?
S.F:
Eu acho que foi um “baque” para Jefrey e Zé Eduardo, eles não esperavam, embora o processo da minha saída, ele tenha sido muito natural, também. Porque a Chica Fé fazia parte do Eva Produções, que era a produtora do Eva, então a gente se conhecia, eu conhecia todo mundo e tudo mais. Então, era uma coisa que, antes de Emanuelle Araújo entrar, já tinha esse papo rolando, eu e Cátia, todo mundo que era da Eva Produções já meio que cogitava essa história e aí, cara, hoje, depois de sete anos eu vejo que as coisas acontecem mesmo na hora certa. Parecem linhas tortas, mas elas se ajeitam no final.



CH: Da Chica Fé pro Eva. Qual a principal diferença sentida de uma banda para a outra?
S.F:
É sempre f*$@ carregar essas três letras assim, porque é uma banda que tem 30 anos de história e quando eu lembro que essa mesma banda já teve Marcionílio já subiu nesse palco dessa mesma banda e deu o suor dele por essa banda, então, eu preciso ser digno para cantar nessa banda a cada dia também, sabe? Márcio Onilho, Ricardo Chaves, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Emanuelle, o Asa de Águia. Então, quer dizer, é uma história, cara, e eu sou pequeno diante da história.



CH: E qual a maior dificuldade encontrada na Banda Eva por você?
S.F:
É isso que eu te falei: a “responsa” de cantar com essas três letras atrás de mim. Essa foi a minha maior dificuldade. Eu acho que qualquer um que substituísse as pessoas que cantaram no Eva sentiriam essa dificuldade, que é normal. Mas também, essa pressão foi dissipada de uma forma muito natural com repertório, com canções novas, mantendo um pouco a musicalidade, porque é uma musicalidade que a gente sempre respeitou e gostou muito, mas a gente veio se reinventando e compondo, enfim...



CH: E essa história de que Saulo Fernandes vai seguir carreira solo?
S.F:
Isso aí é intriga da oposição. É f*$@ isso, mas isso é natural do ser humano, sabe? Quando você olha para o seu vizinho e ele está bem casado, tranqüilo, bem sucedido no trabalho, nas coisas e tal e prosperando, você olha com uma certa “po##@, sacanagem, porque eu não tenho essa po##@ dessa vida?” e aí manda uma quizila para cá, só que papai tem peito forte e a po##@ bate e “boom”, volta, sacou? Porque aqui tem fé, aqui tem força, tem certeza do que está fazendo, aqui tem verdade, tem amizade, tem amor e vamos nessa.



CH: Então, carreira solo vai esperar mais um pouco ou nem pensar?
S.F:
Não, não, não. Eu sou um cara que gosta da coletividade e eu não acredito em nada só, eu acho que nada se vence assim.



CH: E o caso de Ivete?
S.F:
É um caso à parte.



CH: Agora, Saulo, todo mundo sabe que você e Ivete tem uma relação bem próxima. Como começou essa amizade entre vocês?
S.F:
Cara, eu conheci Ivete ela cantando no Eva e era uma pessoa que eu admirava, mas que era distante até então. Aí, quando eu estava no Eva, surgiu a oportunidade dela cantar comigo uma canção dela “Então, não me conte seus problemas”, em 2005, no Rio e aí, eu acho que ali começou uma questão de afinidade musical primeiro. A gente falou “pô, a gente gosta das mesmas coisas”, porque a gente estava ouvindo alguns sons paralelamente assim, na mesma época e aí a gente foi se conhecendo de fato e eu acho que tudo isso gerou essa amizade, essa coisa de cúmplice mesmo, essa coisa gostosa.



CH: Pois é. Diante dessa amizade toda, as pessoas imaginaram que você seria o escolhido para ser padrinho de Marcelo Sangalo, mas não aconteceu. Isso lhe aborreceu? Você esperava o convite?
S.F:
(risos) Cara, você acha mesmo que essas coisas chegam à minha preocupação? Jamais. Cara, a minha relação com Ivete é tão gostosa e tão tranquila, não só com Ivete, mas com todos que a cercam e tal, que essas coisas não se passam pela minha cabeça e nem nunca passou pela cabeça de ninguém.



CH: Você visitou Marcelo Sangalo. Com quem ele parece: com a mamãe ou com o papai?
S.F:
Com o joelho (risos). Mas é. Ele é neném, ele é criança, ele tem uma cara amassadinha, não parece com nada, mas é uma luz, né? É uma luz. Você chega e você vê uma luz rolando.



CH: A imprensa pega no seu pé por conta do figurino que você usa em suas apresentações e isso ficou claro no carnaval. Isso é uma marca de Saulo Fernandes cantor ou faz parte do Saulo Fernandes pessoa também?
S.F:
Eu não consigo fazer a diferenciação das duas coisas, não. Eu acho que é sempre a mesma coisa e eu, cara, eu assumo todos os meus erros de roupa e de tudo, porque é tudo eu. Porque eu sou teimoso. E essa coisa do macacão no carnaval, pô, eu achei massa, juro pra você. Eu subi amarradão, pensando “po##@, meu macacão tá massa e tal”. Só que a galera mais amarga e tal escreveu umas coisas ruins a respeito. Mas aí eu falei “ah, cara, olhe, eu to meio que levantando o dedo médio para várias coisas e essas coisas, de fato, não me preocupam”, eu juro pra você, eu juro.



CH: No dia 11 deste mês tem lançamento do novo DVD da Banda Eva. Qual a expectativa para este dia?
S.F:
Isso aí eu estou sonhando. Vai ser no dia 11 de novembro lá na Concha Acústica e eu estou sonhando com este momento, porque eu acho que vai ser um dia muito especial, porque é o dia de reproduzir um trabalho que já está sendo feito há uns seis meses, tanto de construção de repertório, quanto de execução da gravação do vídeo, que foram oito dias gravando direto e tal, então, esse é o único dia em que você para e executa esse show, então, tem uma coisa de ansiedade, uma coisa de gravidez, essa coisa que parece que você vai parir mesmo, sabe? E é um trabalho muito bonito, foi muito prazeroso de fazer, porque ele é autoral, ele é inédito, ele tem várias afirmações bacanas, leves, ele tem uma afirmação negra, com a participação de Carlinhos Brown, Ninha, Tatau e Margareth Menezes e isso dá uma luz e uma cor enorme ao disco, ao álbum, ao DVD e tal, então, eu estou sonhando com este dia e eu acho que vai ser um dia lindo mesmo.



Por Fernanda Figueiredo