Silvano Salles não se mete em briga de Nara e Márcio Moreno e diz estar em sua melhor fase
Enquanto muitos brigam para saber quem deu início ao arrocha, ele se resume apenas como o "cantor apaixonado". No entanto, segundo ele, o que conta é quem ainda se mantém nas paradas de sucesso e esse é o caso dele. Estamos falando de Silvano Salles, que surgiu em 2004 com o seu hit "Eu tô carente" e prevalece até hoje, e de acordo com o mesmo, muito bem, obrigado. Com ônibus próprio, cenário comprado e rodando o Brasil, Silvano diz que, apesra da briga entre Nara Costa e Márcio Moreno para ver quem lançou o arrocha, o grande fundador do ritmo foi o Asas Livres. Ele também fala sobre a dança que vem acompanhando este ritmo e comenta que muita gente extrapola na dança e acaba sendo vulgar. Mas que, na realidade, a coreografia é apenas sensual e não sexual. Ah! E claro que a Holofote quis saber a opinião do cantor apaixonado sobre qual a melhor coreografia: "Todo Enfiado" X Arrocha. Quem se arrisca a dizer qual foi a resposta de Salles? Só lendo a entrevista para saber. E se você vai ou não vai para "Uma Noite Inesquecível", que acontece neste sábado, 17 de outubro, no Wet'n Wild, o qual terá além de Silvano Salles, atrações como Wando, Amado Batista e Reginaldo Rossi, o entrevistado tem um recado especialmente para você. Confira!
"No início é sempre assim: surge um estilo musical e vários cantores, como aconteceu com o arrocha, mas só ficam os melhores"
Coluna Holofote: Quando o arrocha surgiu, muitos disseram que era um ritmo "passageiro". Afinal, arrocha é febre passageira ou já se consolidou?
Silvano Salles: O que falaram do arrocha, falaram também de outros estilos musicais, que eu não vou nem citar, mas vou falar por mim, o cantor Silvano Salles hoje. Porque nós surgimos aqui na Bahia, em Salvador, em 2004, foi quando eu lancei aquela música “Eu tô carente, eu tô, eu tô carente do seu amor” e de lá pra cá, graças a Deus, todos os CD’s que eu tenho lançado têm sido sucesso. Geralmente eu faço muitas regravações e sempre o pessoal comenta que a música estava um pouco fria, estoura e depois esfria um pouco, entende? Aí, quando eu regravo a música no meu estilo, ela revive de novo e eu fico muito feliz com isso.
CH: Então, você acha que o arrocha já está consolidado?
S.S: Com certeza. Eu vou falar por mim, não vou falar por todos. O cantor Silvano Salles, por exemplo, esse final de semana eu fiz um show em Tocantins para mais de cinco mil pessoas; chega no Maranhão é recorde de público e aí, eu acho que uma coisa que surgiu aqui em Salvador e faz sucesso hoje no Brasil está consolidado, com certeza. Mas no início é sempre assim: surge um estilo musical e com ele, vários cantores, como aconteceu com o arrocha, mas depois, só ficaram os melhores.
CH: Há uma espécie de disputa acirrada no meio do arrocha quanto a quem lançou o ritmo. Nara Costa afirma que ela é a rainha, Marcio Moreno, que ele é o rei. Quem seria Silvano Salles nesse meio?
S.S: Eu sou o cantor apaixonado (risos). Eu jamais quero entrar nessa briga aí de quem é rei e quem é rainha, de quem lançou o ritmo. Eu só sei de uma coisa: quando eu cheguei nas paradas de sucesso, já existia Asas Livres e Nara Costa, isso eu posso confirmar a você.
CH: Mas então, para você, quem é o fundador ou fundadora do ritmo?
S.S: O fundador de tudo mesmo, vamos ser sinceros, vamos dar a mão à palmatória: foi Asas Livres.Porque foi uma das primeiras bandas de arrocha a estourar, na época. Aliás, foi a primeira. Depois veio Nara Costa, depois Silvano Salles e depois vieram outros e outros e outros. Porque tem pessoas que chegam na hora da entrevista e dizem “ah, fui eu que lancei isso, que fiz aquilo”, mas não é assim. Temos que ser sinceros. E o importante não é quem lançou, é quem está hoje no mercado. Quem está mantendo o ritmo vivo.
CH: Cantores de arrocha não são bem vistos por muitos no cenário musical baiano. São criticados o tempo todo e apontados como cantores de música brega. Você sofre, ou já sofreu algum tipo de preconceito?
S.S: Olha, no meu caso, a música que eu faço, apesar de ser um arrocha, é um arrocha romântico, entendeu? Minhas músicas não são de duplo sentido. As músicas que eu regravo são românticas. Eu regravo músicas de Zezé Di Camargo, Bruno e Marrone, Roberto Carlos, Sorriso Maroto, Exaltasamba, minha linha é essa. Então, minhas músicas podem ser no estilo arrocha, mas são músicas românticas, não são bregas.
CH: Mas você é um cantor de arrocha, querendo ou não e você pode acabar sendo estigmatizado como os outros. Por isso, a pergunta. Você sofreu ou sofre algum tipo de preconceito?
S.S: É, o cantor de arrocha tem um rótulo de brega. Mas eu não sofro preconceito e nem nunca sofri porque eu me considero um cantor de arrocha romântico e até agora, graças a Deus, ninguém nunca chegou para mim e disse “ah, sua música é brega, não presta”. Até agora ninguém falou isso para mim e eu também nunca soube de alguém que tenha dito isso. E o que eu fico mais surpreso é que minhas músicas são curtidas por crianças, adultos, jovens e idosos. Se fosse uma música imoral, isso não aconteceria.
CH: A dança do arrocha já foi muito criticada. Alguns diziam que não era dança sensual, e sim, sexual. Essas críticas persistem? O que você tem a dizer sobre isso?
S.S: Primeiro que eu não acho que seja assim. Está certo que tem algumas pessoas que apelam, quer dançar daquele jeito todo, entendeu? Mas é uma dança sensual, sim. Mas, nem todas as pessoas dançam de forma sensual. Algumas pessoas dançam de forma sexual mesmo (risos). Mas eu afirmo que é uma dança sensual, apesar de ainda terem algumas pessoas que extrapolam.
CH: O que é mais “sensual”, então: o arrocha ou o “Todo Enfiado”?
S.S: (risos) Rapaz... Se eu falar que é o arrocha, eu vou estar puxando a sardinha para o meu lado, mas eu acho que é o arrocha mesmo.
CH: E o que você acha do “Todo Enfiado”?
S.S: Eu não tenho nada contra o “Todo Enfiado”, até porque, Márcio Brasil é meu amigo, todo o pessoal da banda O Troco é meu amigo. Mas em questão da dança, eu acho que o arrocha é mais sensual. Mas é como eu lhe falei: tem pessoas que extrapolam mesmo.
CH: Vocês fazem shows fora da Bahia também. Como anda a receptividade do público em outros estados?
S.S: Hoje eu sou uma pessoa muito feliz, inclusive eu cheguei ontem de Tocantins e foi a primeira vez que eu estive no estado de Tocantins e eu senti um carinho muito grande das pessoas, show estourado, todo mundo cantando todas as músicas e isso foi a nossa primeira vez no estado. Imagine... Porque a gente já foi recebido com muito carinho, muita emoção e isso aí é muito bom. E não só lá. No Maranhão mesmo, toda vez que a gente vai lá é recorde de público, é uma loucura. É porque, geralmente, vocês da mídia daqui, como um jornal voltado para o estado, não acompanham o sucesso que a gente faz lá fora, mas é uma coisa de louco.
CH: Você falou muito aí de Tocantins, Maranhão, mas e no eixo Rio-São Paulo, como anda a popularidade de Silvano Salles?
S.S: No Rio eu já tenho uma proposta agora para dezembro e em São Paulo, eu estive lá no início do ano e eles já convidaram a gente para voltar lá novamente. Mas devido ao fato de estarmos com a agenda lotada aqui para o Nordeste, ainda não pudemos voltar lá. Mas eu já estive em São Paulo para fazer show umas seis vezes e geralmente lá, a gente faz três shows numa noite.
CH: Você acha que já esteve numa fase melhor?
S.S: Eu acho que agora é que nós estamos numa fase melhor. Porque estamos com uma estrutura maior, compramos um ônibus, plotamos o ônibus, compramos cenário, compramos tudo, coisas que, no início, nós não tínhamos. E até financeiramente está melhor (risos). Vamos ser sinceros, né?
CH: Você é uma das atrações de “Uma Noite Inesquecível”. O que o público pode esperar do seu show nesta noite?
S.S: Primeiro que esta vai ser uma noite muito importante e eu fico muito feliz – não só eu como toda a família Silvano Salles – por estar participando deste evento. E eu queria aproveitar para agradecer à toda produção, ao pessoal da Salvador Produções, a Marcelo Brito, enfim, a todos eles, por terem acreditado na gente. Na verdade, eles acreditam em mim, porque não é o primeiro evento deles que eu participo. No Salvador Fest nós participamos também, aliás, fomos a única banda de arrocha e agora um evento desses com três nomes da música romântica participando, que é Reginaldo Rossi, Wando e Amado Batista, então, é muito importante para a gente esse show.
CH: Mas vocês estão programando alguma surpresa para o público nesta noite?
S.S: Olha, vai ter muito romantismo e o que nós estamos preparando de surpresa para a noite eu não v ou falar, porque senão, deixa de ser surpresa. Mas vai ter, sim. Nós vamos estar lançando o mais novo CD, que é o volume 12, com muitas músicas românticas e vai ser uma mistura de músicas de outros volumes, também.
CH: Você acha que seu show está à altura de uma festa como essa, que terá a presença de três cantores consagradíssimos?
S.S: É um compromisso muito grande para mim, mas nós já estamos preparados e o mais importante: nesse mesmo dia, nós vamos estar fazendo com eles, também, lá em Feira de Santana. Vão ser dois shows numa só noite. Mas nós estamos preparadíssimos, graças a Deus. Nós estamos com cenário, iluminação, com tudo pronto para esse show aí. As pessoas que forem, com certeza, vão gostar do nosso show.
CH: E qual a sensação de tocar ao lado de feras como Wando, Amado Batista e Reginaldo Rossi?
S.S: É como eu te falei: é uma responsabilidade muito grande, mas nós estamos preparados. Nós assumimos o compromisso, é um compromisso muito grande, porque são três nomes reconhecidos mundialmente, mas nós estamos aí.
CH: Silvano Salles andou um pouco sumido. Por que você acha que foi um dos convidados para esta noite, já que você anda um pouco fora da mídia?
S.S: Eu vou lhe falar uma coisa: no início quando nós começamos aqui, foi o início de tudo, divulgamos, então, nós fazíamos shows em vários lugares, como a Ribeiro, tinha o Circo Show ali na Paralela e agora nós estamos com uma estrutura assim grande e a gente já não pode mais ficar fazendo show de bar em bar. Silvano Salles hoje, em Salvador, só está participando dos grandes eventos.
CH: Muita gente demonstra um certo preconceito com uma festa que só vai ter brega e arrocha. O que você tem a dizer a essas pessoas?
S.S: Lembro-me que, em 2004, o show de arrocha que teve foi um dos maiores públicos do Parque de Exposições, que na época foi o Reino do Arrocha. Eu sei que existem os preconceitos, mas a mídia está aí, vão ter vários artistas como Silvano Salles, é uma festa legal, vai estar cheio, porque já existe o público mesmo da gente e eu queria convidar essas pessoas que têm preconceito e que ainda não tiveram a oportunidade de curtir o show, que elas apareçam lá. Porque é bom elas irem para ter uma noção do que é a festa. Mas é isso aí, tudo na vida tem preconceito.
CH: E a quem está contando os dias para essa “Noite Inesquecível”?
S.S: Eu quero dizer à elas que eu também estou contando os dias, eu não vejo a hora de chegar logo esse evento maravilhoso e eu fiz um show semana passada na cidade de Luís Eduardo Magalhães, que fica próximo a Barreiras e todo mundo lá está falando dessa “Noite Inesquecível”. O pessoal de lá disse que vai fazer caravanas para virem para Salvador, só para irem para o show. Esse show vai ser 100% e quem ainda não comprou o ingresso, corra logo para os balcões e adquiram seus ingressos para curtirem aí essa noite inesquecível e romântica.
Por Fernanda Figueiredo