Scott fala da sua relação com Ivete e diz que o Cheiro é mais lucrativo do que a Caco de Telha
Eduardo Scott era "o cara" para a imprensa. também, pudera. Era através dele que a imprensa conseguia ou não ter acesso a musa mais popular da atualidade, Ivete Sangalo. Até então, Scott, como é conhecido, era um dos assessores mais bem pagos da Bahia e mantinha uma posição de prestígio dentro do meio. Com a vida estabilizada e traqnuila, Scott trabalhou por nove anos ao lado da musa do axé. De repente, de uma hora para a outra, o assessor viu sua casa cair, quando foi avisado da sua demissão pelo irmão de Veveta, Jesus Sangalo. Na época, Scott levou um "baque", principalmente pela falta de explicação da nova mamãe do pedaço. Scott tentou ligar para Ivete e não foi atendido. Nesta entrevista à Coluna Holofote, o ex-assessor da Caco de Telha comenta a relação que tinha com Ivete e diz que era uma espécie de "faz tudo" lá dentro. Scott também revelou detalhes da conversa que teve com a cantora depois da demissão. Passado o susto, o assessor voltou a se estabilizar e hoje, com uma empresa própria, ele fala dos seus clientes e diz o que falta para Alinne Rosa, do Cheiro de Amor e sua atual cliente estourar. Alinne pode virar uma Ivete da vida nas mãos mágicas de Scott? Isso, é ele mesmo quem responde nesta entrevista sincera, gostosa e reveladora.

"Ivete me ligou, me pediu desculpas e disse que aprendeu muito comigo"
Scott: A proposta surgiu logo depois que eu me desliguei da Caco de Telha. Por volta de uns 20 dias depois eu tive o contato de Windson Silva do Cheiro de Amor, pedindo para eu dar uma passada lá, sem compromisso, para conversarmos porque ele tinha umas idéias. Aí eu fui lá, conversei com ele e ele me disse que ia ter uma conversa com Alinne Rosa e que em 30 dias voltaria a entrar em contato comigo. Aí passaram-se uns 40 dias e ele me ligou pedindo que eu fosse lá pela 2ª vez e foi quando surgiu o boato, porque eu acho que alguém me viu entrando lá e já disseram que eu estava fazendo a assessoria do Cheiro antes de ter alguma coisa certa. Quando eu voltei lá, ele já falou: “Conversei com Alinne e já está tudo certo, nós vamos fazer, mas vai ser daqui a uns dois meses”. E nisso levou, mais ou menos uns três meses entre o primeiro contato e quando a gente realmente fechou o contrato.
CH: E financeiramente falando, o Cheiro te paga tão bem quanto Ivete?
Scott: Até melhor. Porque como nós montamos uma empresa, eu, a Ana Claudia e o Ângelo Dahora, nós temos hoje uma perspectiva de vários artistas e não só artistas, porque como nossa empresa é uma empresa de assessoria e marketing, a gente vai trabalhar também com o mercado corporativo. Então, a gente não vai ficar só na área de artistas, não. Nós já fizemos alguns contatos com empresas para poder fazermos eventos corporativos. Então, isso aí vai me trazer uma rentabilidade bem maior do que a que eu tinha na Caco de Telha.
CH: Como tem sido sua relação com Alinne Rosa e a banda?
Scott: Ótima. Eu conheço Alinne há muitos anos. Nós sempre nos encontrávamos nos eventos, que eu estava com Ivete e a gente sempre se falou. Eu nunca tive uma relação de amizade, porque não tive realmente, mas até o pouco contato que nós tivemos, tem sido ótimo, a receptividade, enfim.
CH: Recentemente a Holofote noticiou que Alinne uma vez brigou com a sua produtora em pleno aeroporto. Você considera Alinne uma pessoa difícil?
Scott: Eu vi essa notícia. Eu acho que isso, talvez, tenha sido um estresse de viagem mesmo. Eu como viajei nove anos com Ivete, eu sei. Às vezes, por melindre, por estar na estrada, às vezes sem dormir – eu mesmo já passei três noites sem dormir em cama, só dormindo em avião – e então, uma bobagem se torna uma coisa grande pelo estado de estresse que se está. Eu não participei da situação, então eu não posso avalizar uma ou outra, mas eu digo que essa coisa de estar o tempo todo na estrada deixa todo mundo estressado.
CH: Mas pelo pouco contato que você teve com ela, não deu para notar algo desse tipo?
Scott: Pelo pouco contato que tive com ela, ao contrário. Ela demonstrou ser uma pessoa tranquila.
CH: Na sua opinião, o que falta para Alinne estourar em todo o Brasil?
Scott: Nós vamos fazer 30 dias de trabalho com ela. Neste momento, nós estamos fazendo um planejamento de carreira para ela, planejamento de exposição de mídia, porque um artista, ele começa a fazer sucesso com a música e a partir da música ela se transforma celebridade para fazer qualquer outra coisa. Então, a nossa idéia é fazer não só para ela, para Alinne, mas para o Cheiro de Amor, porque o nosso contrato foi com o Cheiro de Amor, não é para a carreira de Alinne. Alinne é a cantora do Cheiro de Amor. Então, nossa proposta é fazer a carreira da artista Alinne Rosa para que ela possa ocupar o lugar que ela tem direito aí no mercado.
CH: Qual a maior dificuldade que você encontrou ou acredita que vai encontrar com a assessoria do Cheiro?
Scott: Por enquanto a gente não teve nenhuma dificuldade, porque o Cheiro é uma empresa consolidada, que está completando 30 anos agora em janeiro e já passaram quatro cantoras por lá, com Laurinha, porque antes era só o bloco, depois é que passou a ter a banda Cheiro de Amor e da banda, Alinne é a terceira cantora, porque já teve a Márcia Freire, a Carla Visi e a atual cantora é a Alinne. Então, por enquanto nós não tivemos dificuldade nenhuma. Ao contrário, para nós tem sido muito bom, porque tem aberto várias portas por estarmos com um grupo tão forte e uma empresa tão recente como a nossa.
CH: Você pretende transformar Alinne em uma Ivete da vida?
Scott: Olha, eu não pretendo transformar Alinne numa Ivete, porque Ivete é Ivete, Claudia Leitte é Claudia Leitte e Daniela é Daniela. A nossa idéia é transformá-la em uma estrela, colocar ela num espaço que ela tem direito e que merece. Porque aqui e em qualquer lugar, existe muito essa coisa que a mídia inventa de que uma vai tomar o lugar da outra. Não existe isso. Cada uma ocupa o seu lugar. Claro que aquelas que fazem um trabalho mais preparado, vão ocupar antes e se estabilizar. Porque fazer sucesso não é difícil, é só você ver o caso da professora aí. Difícil é manter o sucesso e o que mantém o sucesso do artista é música.
CH: Alinne Rosa é conhecida pela fama de namoradeira. Você acredita que isso possa ser um empecilho para a realização de um bom trabalho de assessoria?
Scott: Ao contrário (risos). Eu acho que isso é até bom.
CH: Por que “bom”?
Scott: Porque um simples mortal pode pensar “pô, se ela é assim, um dia eu posso ser o namorado dela ou o marido”, então eu não acho ruim, não. Falando de marketing, isso não é ruim não.
CH: Antes de trabalhar com Alinne, você trabalhou com Ivete. Como era sua relação com ela?
Scott: Minha relação com Ivete era hiper profissional. Tanto que durou nove anos. Existia uma confiança mútua em tudo que nós fazíamos. Todas as entrevistas que iam ao ar eram sempre acompanhadas por mim. Praticamente 60% do que ela falava, eu sabia o que estava acontecendo, porque antes eu procurava saber qual era o teor, a pauta da entrevista para não estar colocando nem ela numa situação ruim e nem o próprio entrevistador. Então, eu buscava sempre fazer uma triagem do que estava sendo feito. E como ela é uma pessoa muito espontânea e isso já faz parte da personalidade dela, meu trabalho sempre foi tranqüilo.
CH: O que você acha que Ivete viu em você para mantê-lo por nove anos com ela?
Scott: O que gerou esses nove anos juntos, porque antes, a média de assessores que trabalhavam com Ivete era de um ano. Antes de mim tiveram uns quatro, eu acho. Então, ficava um ano com um assessor e mudava, um ano e mudava... Não sei porque. Mas eu lembro que quando eu conheci Ivete, antes de começar a trabalhar na assessoria dela eu perguntei à ela: “por que você está tirando essa outra pessoa e me colocando?” e ela disse “ah, porque eu não gosto de pessoas inseguras”. Aí, eu fiquei tranqüilo, porque eu posso ser tudo, mas inseguro eu não sou.
CH: Você era apenas assessor ou uma espécie de “faz tudo” da cantora?
Scott: No final acabava fazendo tudo. Porque assim, a parte de assessoria de um artista envolve muita coisa, então, eu acabava fazendo coisas que não eram da minha área, mas eu fazia porque, primeiro que eu já trabalhava na empresa há muitos anos e segundo porque já faz parte de mim mesmo. Eu pensava “não, não vou cuidar só do artista”. Chegava na hora de uma coletiva, por exemplo, eu carregava uma mesa, ajudava, acabava fazendo tudo, eu não ficava preso só naquilo. Eu não cuidava só da artista, eu cuidava da pessoa Ivete. E eu cuidava de Ivete como se estivesse cuidando de uma pessoa da minha família.
CH: Havia alguma rivalidade ou ciúme entre você e Dito?
Scott: Ao contrário. Dito sempre foi uma pessoa que me ajudou. Como ele sempre viaja com ela, está com ela 24 horas, Dito vive a vida dela e tudo que acontece com Ivete, Dito está do lado, então, a barra que ele segura ali é pesada. Porque ele tem que acordar antes dela e dormir depois, porque ele cuida de tudo dela. Então, não tinha rivalidade nenhuma. A gente se dava muito bem, ele sempre me ajudava. Na semana passada eu até encontrei com ele na Semana Iguatemi de Moda e a gente conversou, a gente se fala normal e eu nunca tive problema nenhum com ele.
CH: Por que, depois de tantos anos, você acha que foi demitido?
Scott: O que o presidente, que é Jesus Sangalo, na época alegou era de que estava tendo contenção de despesas, porque a empresa estava em crise. Então, eu só posso dizer o que ele me disse.

"Se acontecesse um novo projeto, eu voltava a trabalhar com a Caco de Telha"
CH: Mas você acredita nisso?
Scott: Se não for verdade, é uma inverdade dita por ele, mas o que eu posso dizer para as pessoas foi o que ele me disse: que tinha uma crise na empresa e que eles estavam demitindo as pessoas que tinham os salários mais altos. Foi o que ele me falou. E eu ainda perguntei, olhando nos olhos dele: “Jesus, foi isso mesmo? Não aconteceu alguma coisa, não? Eu deixei de fazer algo e você não gostou?” e ele disse que não e ainda disse que eu ia voltar a trabalhar com eles lá, em outros projetos que eles tinham.
CH: Mas você foi pego completamente de surpresa? Você não sentiu nenhum sinal?
Scott: Nada, nada. Eu fui pego de surpresa.
CH: Você achou certo a atitude de Ivete em lhe demitir?
Scott: Isso só quem pode falar é ela. Eu sou do outro lado da situação. Então, falar por eles eu não posso.
CH: Na época, você disse que ela nem lhe procurou para uma conversa. Passada toda a agonia, vocês já conversaram sobre isso?
Scott: Depois que eu saí de lá, as pessoas até ficavam me perguntado se ela tinha me ligado e ela, de fato, não tinha me ligado. Eu fiz uma ligação para ela, ela não retornou e eu resolvi não ficar insistindo, porque se foi uma decisão do presidente com o consentimento dela, então, ela estava ciente. Depois que saiu a entrevista que eu dei para a revista Exclusiva, ela me fez uma ligação e me pediu desculpa, me disse que estava muito envolvida com a coisa da criança, que ela estava grávida, essas coisas, me pediu desculpas, me disse que tinha aprendido muito comigo e eu disse à ela que entendia, afinal, tudo na vida tem começo, meio e fim, né? E foi aí que ela me convidou para o aniversário e eu fui e também foi o segundo e último contato que eu tive com ela depois da demissão.
CH: Você guarda alguma mágoa?
Scott: Não. Ao contrário: fui para o aniversário dela, as pessoas ainda questionaram isso, mas ela me ligou, me convidou... Por que é que eu não iria? Afinal de contas, nós trabalhamos por nove anos, então, eu não vi problema nenhum, não há ressentimentos.
CH: Você voltaria a trabalhar lá?
Scott: Se acontecesse um novo projeto mesmo, como Jesus falou, foram palavras dele, faria, sim. Ainda mais agora que eu tenho uma empresa que pode prestar serviço para qualquer pessoa, inclusive a eles. Não há problema nenhum.
CH: Hoje, você diria que Ivete é sua amiga?
Scott: Sim. Porque não houve nada, não teve discussão, nada. Então, não tenho nenhum problema em relação a isso.
CH: Você tem a sua própria empresa atualmente. Para você, sua saída da assessoria de Ivete foi um mal que veio para o bem?
Scott: Exatamente isso. Hoje eu tenho algo muito maior. Porque eu já pensava, em 2010, em fazer isso. Independente de estar na assessoria de Ivete, eu já tinha esse plano e o que aconteceu só foi adiantar o que eu já tinha planejado, inclusive com esse sócio meu, porque a outra sócia que eu tenho é minha esposa. Então, desde julho de 2008, que eu e Ângelo pensávamos em montar uma empresa para começar a atender outros mercado. Isso em paralelo com a assessoria de Ivete. Eles só fizeram, na verdade, acelerar esse processo.
CH: Quem mais você assessora?
Scott: Cheiro de Amor, Maristela Müller, Márcio Mello, que vai lançar um CD e um DVD novo agora, um grupo de pagode de partido alto chamado “Só na Paquera”, que estão estourados aí na noite e todo domingo tocam no “Garota Carioca” e agora, a partir das quintas vai tocar na What’s Up também e Luciana Fialho, que é apresentadora de TV e que nós vamos cuidar da carreira dela fora da televisão também. E isso levando-se em conta que nós ainda vamos fazer quatro meses de empresa, né? Então...
CH: E Maristela Müller, ela já tem algum tempo em Salvador e não emplaca. O que falta para isso acontecer?
Scott: Eu não posso dizer porque que não emplaca, mas eu posso dizer que esse foi o primeiro carnaval que ela fez em Salvador e ganhou aquele troféu Castro Alves como a revelação do carnaval. Então, esse ano foi um ano realmente de poucas revelações e ela ganhou um troféu. Agora está sendo montado um CD novo dela e Rangel, que é o empresário, está só procurando uma gravadora para lançar ou lançar independente, de acordo com o que acontecer no mercado. Maristela é uma artista com potencial. Ela é como Claudia Leitte, não é baiana, ela veio de Goiânia e é mais uma artista de fora que veio para Salvador cantar música da Bahia, porque já fazia isso em outro estado.
CH: E por que ela veio para Salvador?
Scott: Ela veio para Salvador através de Durval Lélys que a conheceu através de uma micareta fora de época, trouxe ela para Salvador e disse que aqui era um mercado que ela poderia tentar se lançar, porque a gente não pode ter certeza de nada nunca. Então eu acho que ainda é muito recente para falar porque que não emplacou. Ela ainda está começando uma carreira.
CH: Mas o que é que falta à ela?
Scott: Acho que falta música. A música certa pode fazer um artista, da noite para o dia, virar um sucesso. Agora, Rangel separou para ela um repertório maravilhoso, até porque, ele conhece muito esse mercado da Bahia e todas essas músicas que estão fazendo sucesso hoje, passaram aqui por ele. Então, agora ele está preparando para ela um disco maravilhoso que tem, por baixo, umas três faixas hits de rádio, que é muito importante isso, e uma dessas três pode ser um diferencial para torná-la um sucesso. Talvez não seja esse ano, seja em 2010, em 2011, porque tem muito artista que estoura aí e que você pensa que é novo, mas que já tem 10 anos no mercado.
CH: É mais difícil assessorar artistas renomadas como Ivete ou quem ainda está engatinhando?
Scott: É, mas antes de Ivete eu trabalhei em seis gravadoras de disco e eu fazia exatamente o trabalho de promoção, de divulgação, de marketing e trabalhei com muitos artistas também, que não eram sucesso e se tornaram sucesso e muitos fizeram sucesso, foram para o fundo do poço e nós tornamos a trazê-los para o topo. Um exemplo disso é Paulo Ricardo, que terminou o RPM e começou a carreira solo e a primeira cidade que ele fez sucesso e ganhou o Brasil foi Salvador, através do meu trabalho.
CH: Mas o que é mais difícil? Trabalhar com quem já está no topo ou com quem está começando?
Scott: Mais fácil é trabalhar com uma pessoa consagrada. Agora, você pegar um artista que não é nada e fazer esse artista se tornar um sucesso também é muito gratificante. E para mim dá um gás, também. Porque quando eu comecei a assessoria com Ivete Sangalo, ela era uma coisa, hoje ela é outra. É um sucesso de nove anos de carreira, que é o que ela tem de carreira solo. Mas é bom ressaltar que, às vezes, o artista quando está no sucesso, o trabalho triplica e ele tem que entender que é aí que ele vai trabalhar muito.
Por Fernanda Figueiredo