Falcão já usou roupa de Xanddy e não namoraria mulher que dança o "Todo Enfiado"
A semelhança com Xanddy do Harmonia do Samba é inegável. Tanto a voz quanto a aparência é gritante entre ambos. Mas, apesar de tudo isso, Falcão insiste em dizer que não se acha parecido com o marido de Carla Perez e confessa: já confundiu a voz de Xanddy com a sua. O cantor da Guig Ghetto também disse que já não acha legal ser comparado com Xanddy até hoje, já que está estabelecido no mercado e insinua que o atual visual de Xanddy pode ter influência sua. Sem qualquer receio, Falcão soltou a língua e "meteu o pau" na banda O Troco, que toca o hit "Todo Enfiado". Mas ele confessa, o que o deixa mais indignado nessa história toda é a " dita cuja (a professorinha) falar que, na Bahia, mulher é assim mesmo". Esta entrevista está mais que apimentada. Confira!
"Eu não sei se eu dito moda, mas eu acho que, por eu sempre querer estar diferente, eu até dava um passinho à frente de todos"
Coluna Holofote: Você fez o lançamento do seu DVD na 11ª edição do Muquifest. Por que escolheu o Muquifest?
Falcão: A idéia, na verdade, foi da necessidade de ter um lugar onde estivesse acontecendo uma festa grande para lançar esse DVD. Mas, o que aconteceu é que foi um lançamento meio às pressas porque o DVD vai sair agora, entre 1º e 10 de outubro chega às lojas, e a gente queria lançar. Inicialmente a gente pensou no Muquiverão, porque daria mais tempo de se trabalhar. Só que lançar depois que o DVD já estivesse nas lojas já não seria tão... Não teria aquela magia que o pessoal espera do show, a novidade. Mas foi um lançamento meio que às pressas.
CH: E como foi esse lançamento? O público correspondeu às suas expectativas?
Falcão: Muito. Eu até comentei com os meninos da banda, porque a gente abriu o show com “Pressão”, porque é a música que abre o DVD e “Pressão” já tem sete anos. Então, a gente ficou apreensivo, porque, queira ou não queira é uma música velha e o pessoal já tinha curtido. E quando a gente começou a tocar o público ficou meio parado e eu pensei “E, rapaz... Vai dar m*&%@, porque o pessoal não está dançando”. Mas uma menina me falou o que aconteceu: ela disse que eles estavam querendo tanto ver o show, que ficaram olhando para o palco. Então, começou a primeira música todo mundo parado, a segunda, mas na terceira já estava todo mundo dançando.
CH: Você é uma das atrações do bloco As Muquiranas. Adiante algumas surpresas para o público da Holofote sobre o carnaval da Guig em 2010...
Falcão: As Muquiranas já começa com o Muquifest, né? Então, como eu não pude fazer as surpresas que eu pretendia lá, eu vou focar no bloco. Mas eu já adianto que quem for ao Muquiverão não vai se arrepender, porque vai ter muita coisa interessante e eu quando falo que sou Muquiranas, sou Muquiranas de verdade. Porque eu acho que eu sou o único cantor que das quatro vezes que toquei no bloco, sempre fui vestido de mulher, os caras me molham com aquela água e eu não me importo, eu desço do trio, tomo empurrão, mas para mim Muquiranas é isso. Muquiranas é o único bloco do Brasil que, quem escolhe a atração é o associado. Coisa que não tem muito, hoje, no Brasil. Até porque, não existe mais associado, existe o folião que paga e pronto. E na Muquiranas, não. Para você sair tem que ter a indicação de alguém que já tenha 10 anos no bloco, enfim... E eu digo: o show que a gente não pôde fazer em homenagem às Muquiranas no Muquifest, a gente vai fazer no Muquiverão.
CH: E carnaval?
Falcão: As pessoas que se preparem, porque vai ser mais empolgante que todas as outras vezes. Até porque, abriu-se uma oportunidade da gente se vestir diferente de todos os outros cantores.
CH: Falcão vai desfilar na Avenida fantasiado de quê?
Falcão: Eu tenho três idéias, justamente porque eu não quero correr o risco de sair igual a Xanddy nem a Márcio Victor, até porque, eu acho que esse tema do circo me deu um leque de oportunidades enorme e tem muita fantasia bacana para usar.
CH: Adiante quais são as três fantasias para a gente...
Falcão: Ah, não vou falar... Eu vou falar uma que eu pensei: eu pensei em sair de Mulher Barbada. Mas como Mulher Barbada é quase um homem, eu decidi que não. Eu quero uma fantasia que seja o mais feminino possível.
CH: Mas alguma outra surpresa que você está preparando para o bloco As Muquiranas?
Falcão: Eu tenho um pensamento, mas é só um pensamento, de descer ali – porque assim, quando o Camaleão chega, na terça-feira, no Campo Grande, pode perceber que todos os blocos da Vitória já devem ter saído para que o Camaleão possa descer direto e pegar o Voa-Voa, por isso que na terça-feira é uma correria louca até o Camaleão acabar. Depois, volta a demora. E aí a gente pensou em aproveitar a descido do Camaleão e descer atrás para fazer o arrastão das Muquiranas até Ondina, mas isso é difícil, até porque, o pessoal da Saltur tem que autorizar... Mas eu tenho pensado muito nisso, porque seria o primeiro bloco travestido da Barra e no dia que As Muquiranas invadirem a Barra, tudo vai ser diferente.
CH: Sempre lhe compararam com Xanddy do Harmonia do Samba, tanto aparentemente quanto profissionalmente. Isso te incomoda?
Falcão: Já disseram que eu sou irmão dele, primo. A Guig tem sete anos e quando eu entrei na Guig eu tinha 19 anos e era tudo lindo, né? Ser comparado ao melhor do segmento, a um dos melhores cantores da Bahia e era massa. Só que chegou um certo momento em que a Guig começou a se estabelecer no mercado e continuou aquela coisa da “banda do irmão de Xanddy”. E o que eu acho engraçado é que muitos imitam, mas por não parecer, ninguém fala e muitos queriam ser querendo o que eu sou sem querer, que é parecido com ele. Então, é engraçado porque eu não forço e tem um lace que é muito engraçado, porque em 2006 eu lancei o moicano e hoje Xanddy está usando moicano e jamais cogitaram falar que Xanddy me imitou. Então, é isso.
CH: Mas essa comparação te incomoda?
Falcão: Não, nunca me incomodei. Comecei a me incomodar a partir do momento em que as pessoas começaram a ser maldosas.
CH: Você se acha parecido com Xanddy?
Falcão: Sinceramente, não. Mas uma coisa que eu já percebi e até já conversei com ele, eu disse “velho, uma vez eu ouvi você cantando na rádio e eu achei que fosse eu”. Eu pensei “rapaz, que música é essa do Harmonia que eu não lembro de ter gravado?” e isso é engraçado porque, para quem gosta de música e presta bastante atenção, a mesma voz que eu falo aqui com você é a que eu canto, até quando colocam em um tom, as pessoas acabam forçando um pouco a voz, mas eu não. Eu canto de forma natural, nem muito alto, nem muito baixo, essa é a voz que eu canto e, por isso, nossas vozes parecem tanto, porque a nossa timbragem é muito média. Mas é isso que eu falo: às vezes, sem querer, pareço, admito que pareço, até porque quando ele canta minhas músicas eu também acho que parece muito e vice-versa, então, nossa voz parece muito e confunde.
CH: E fisicamente?
Falcão: Não acho, até porque, ele é muito mais bonito que eu. É sério... Ele tem 4 cm a mais que eu, eu não acho que me pareço com ele, mas se o pessoal acha, que ótimo! Ele é o melhor, ele é o mais bonito de todos.
CH: Você acredita que essa comparação entre vocês dois favoreceu a ascensão da Guig Ghetto?
Falcão: Sim, sim. Favoreceu e eu não deixo jamais de falar que o Harmonia do Samba em si, e não só Xanddy – porque ali dentro três pessoas foram ponto facultativo para ajudar a gente, que foi o Roque César, Bimba e o Deco, que são nossos amigos pessoais e sempre nos ajudaram. No começo eu lembro que a gente estava bem verde e os caras chamavam a gente para dar canja não só nos ensaios, mas cansei de viajar com o Harmonia para dar canja em Camaçari, em Feira de Santana e Xanddy a mesma coisa, dava canja com a gente e isso nos fortalecia muito no momento, porque era uma das poucas bandas em que ele dava canja e que davam canja com o Harmonia. Uma vez Xanddy ia fazer um programa de TV e uma das bandas que iam tocar não foi, aí ele me ligou e me convidou. Eu cheguei lá e ele disse “rapaz, que roupa é essa? Em programa de TV a gente tem que usar roupa de show”. Sabe o que ele fez? Ele me emprestou uma roupa dele, ó que viagem!
CH: Então, você e Xanddy são amigos?
Falcão: Nós temos uma relação muito forte. A gente não se encontra nos eventos muito, até porque, ele mora em São Paulo, mas eu tenho um respeito enorme, enorme por ele e por todo o pessoal do Harmonia.
CH: Você disse que em 2006 você usou o moicano e que agora Xanddy também adotou o visual. Para você, Xanddy te imitou?
Falcão: Que nada! Isso é natural, é uma forma de estar mudando. Quando a Guig começou eu usava um cabelo maior e enrolado. E depois, vários cantores passaram a dotar o visual, várias pessoas que iam aos nossos shows e aquilo virou uma marca naquele momento, depois eu cortei em moicano e de lá pra cá eu já fiz um monte de coisas: eu comecei a usar roupa de basquete e até virou moda, todo mundo queria usar roupa de basquete...
CH: Na sua opinião, você dita moda?
Falcão: Eu não sei se eu dito moda, mas eu acho que, por eu sempre querer estar diferente, há um certo tempo eu até dava um passinho à frente de todos. Até porque, eu pesquisava bastante. Hoje em dia que não, porque eu cansei.
CH: Olhando a Guig desde o início e hoje. Você acha que a Guig e Falcão estão no mesmo patamar do Harmonia do Samba e Xanddy?
Falcão: Não, não, não. Ninguém ainda, em Salvador, chegou ao patamar de Xanddy, porque muita coisa acontece e o povo não sabe, mas, por exemplo, o Harmonia poderia estar no Guinness Book, porque entre 1999 e 2000, em um ano, o Harmonia apareceu 99 vezes em um programa só, que era o Sete Mais Sete aqui de Salvador e a exposição nacional que o Harmonia teve também foi muito grande, eles foram a última banda da Bahia a pegar a grande fase das gravadoras, sem contar que o Harmonia já rodou o mundo inteiro. Então, Harmonia é outro patamar.

"Eu estou 'cagando e andando' para o que as pessoas falam de ruim de mim"
CH: Você usa bomba?
Falcão: Nunca usei. Agora, uso muito suplemento, viu? Pode botar aí que eu disse que é mentira de quem malha e fica forte e diz que não usa suplemento.
CH: E você acredita que seus músculos favorecem a sua carreira?
Falcão: Sim, principalmente a minha saúde no palco. Agora, claro que você estar malhadinho o pessoal comenta, as fãs gostam, isso é fato, os fãs também gostam porque começam a lhe respeitar “pô, o cara tá forte” e quando você é, na gíria dos caras, “sucata”, você acaba sendo mais um ali no palco.
CH: Uma vez vocês fizeram uma campanha de divulgação dos seus ensaios espalhando vários outdoors pela cidade com você de costas, mostrando os músculos. Qual era a sua intenção?
Falcão: Era dizer que eu estava “cagando e andando” para o que as pessoas falam de ruim para mim, entendeu? A intenção era só essa. Então eu pensei “ah, não vou mostrar meu rosto, não. Vou mostrar só a corrente, que todo mundo já sabe que banda é e vou ficar de costas”.
CH: Mas o que falavam de você nessa época?
Falcão: Não. É porque eu não tenho muita paciência para algumas coisas. Tipo, eu não sou muito de sair na noite. Aliás, eu não sou muito de sair de casa, eu sou muito caseiro e as pessoas têm mania de se juntarem com algumas pessoas para falar de outras pessoas e essas coisas que estavam acontecendo. A gente estava mudando de escritório e as pessoas dizendo que a Guig ia acabar, disseram que eu ia sair da Guig e que eu ia para a Tribahia. Aí eu falei “sabe de uma? Vou dar as costas para todo mundo e deixar” porque tem aquela história de que se você caminhar certo, neguinho vai estar sempre olhando para as suas costas. E na foto, eu não estava apontando para o músculo e sim para a corrente.
CH: Você deve estar acompanhando toda essa polêmica acerca do “Todo Enfiado”. O que você acha disso?
Falcão: Eu não acho nada. Deixo à vontade quem gosta, acho que muita coisa que chega assim de supetão vira sucesso, mas nem tudo que vira sucesso é bom e nem sempre o que é bom, é sucesso. Então, é sucesso, é. Todo mundo ouve, quer dizer, algumas pessoas não. Eu, por exemplo, não ouço, não vou mentir. A Guig está desde 2003 levantando a bandeira de que a gente não toca nenhum duplo sentido, porque eu não sou demagogo de chegar fora de Salvador, falar mal e chegar aqui em Salvador e tocar esse hit, como algumas bandas estão fazendo, isso é fato. Eu jamais toquei essa música e pretendo não tocar. Eu nunca toquei essas coisas, não por não respeitar quem faz, mas por achar que isso não vai ser bom para minha carreira, são sete anos no mercado e eu percebo que, por um detalhe, eu poderia apagar tudo de bom que a gente já fez. E o que eu mais fiquei indignado não foi com a música...
CH: E com o que foi?
Falcão: O que mais me indignou foi a dita cuja falar que, na Bahia, mulher é assim mesmo. Aí eu penso: “pô, e minha mãe, minhas primas, todo mundo é assim?” e lá fora as pessoas pensam que o que ela falou é sério, como fora do Brasil que as pessoas pensam que o Brasil é só bunda e não é. E eu penso que há uma necessidade de se evoluir, gradativamente, num nível de cultura das pessoas que são formadoras de opinião. Porque você está ali cantando, se você quiser que todo mundo ali saia na mão, que desça, suba levante a mão, você consegue. Então, Por que não fazer um trabalho bacana? E eu prefiro fazer um besteirol, um feijão com arroz do que fazer isso que está acontecendo.
CH: E na sua opinião, essa banda acaba denegrindo a imagem do pagode baiano?
Falcão: Totalmente. Por causa de um, todos se ferram. Mas, com todo respeito do mundo, acho que eles fazem o que querem. Mas eu não toco.
CH: A professora não é e não foi a única mulher a subir no palco e dançar o “Todo Enfiado”. O que você pensa de mulheres que vão ao palco fazer a coreografia dessa música?
Falcão: Eu penso que as coisas se perderem. Porque, hoje em dia, existe o machismo – eu particularmente não me considero um cara machista, mas quem nunca fez brincadeira de mulher, que atire a primeira pedra – e eu acho que a mulher é muito mais inteligente que o homem e a gente só ouve falar que cada dia mais a mulher está vencendo, coisas que antigamente não existia, fala-se muito da evolução feminina e chega uma mulher dessas e faz isso. E eu falo isso para o bem das mulheres mesmo, porque se para os homens isso já foi chocante, imagine para vocês mulheres? E falar que vocês mulheres são assim mesmo... Quando ela falou que isso é cultural, eu fiquei indignado, não pelo fato da dança em si, mas por ter generalizado. Na minha opinião, o culpado disso tudo estar acontecendo não é do compositor, não é do cantor, não é ela (a professora), a culpa é da mídia que divulga isso.
CH: Você namoraria uma mulher que sobe no palco e dança o "Todo Enfiado"?
Falcão: De maneira nenhuma. E se alguém disser que namora, eu digo a você que é mentira.
Por Fernanda Figueiredo