Cantor do "Todo Enfiado" fala sobre a professora e diz que sua performance deixou a desejar
Uma entrevista surpreendente e chocante, é assim que está a entrevista dessa semana da Coluna Holofote. Também pudera: entrevistamos o homem do momento, que ganhou os holofotes nacionais depois que uma professora foi demitida por dançar o hit “Todo Enfiado”, música de trabalho da sua banda, “O Troco”. Despido de qualquer preconceito, Mário Brasil conversou abertamente com esta coluna e sem qualquer medo ou receio, disse o que pensa da atitude da professora, que subiu no palco e deixou que ele puxasse a sua calcinha e mostrasse seu “bumbum” e diz qual seria sua atitude caso sua namorada ou irmã subissem ao palco para dançar o “Todo Enfiado”. Mário disse que não está aproveitando a situação para se promover, já que sua banda estava muito bem antes de tudo isso e que eles não precisavam dessa mídia. Agora, pasmem: o cantor contou que a professorinha anda ganhando até cachês, chegando a revelar valores e diz que até hoje sua banda não ganhou o cachê que vem ganhando Jaqueline Carvalho, a professora. Claro que esta coluna também quis saber se ele gostaria que seu filho fosse educado por este tipo de professora, além de perguntar o que ele acha do tipo de coreografia da música e o que ela representa para o papel da mulher, em especial, a mulher baiana. Se delicie, dê risada, chore, fique com muita raiva, enfim, faça tudo a que esta polêmica entrevista dá direito com suas imprevisíveis respostas!

"Se ela não chegar no colégio e ensinar meu filho a dançar o 'Todo Enfiado'"
Coluna Holofote: Vocês viram que o apresentador Raimundo Varela proibiu a veiculação do hit “Todo Enfiado” na rádio Tudo FM?
Mário Brasil: Foi mesmo? Legal... Isso é normal.
CH: Para Varela, essa repercussão nacional da professora acaba gerando uma imagem ruim da Bahia lá fora.
MB: Eu não concordo, não. Eu acho que cada um tem um hit, porque a Bahia é rica, isso aqui é um celeiro musical. Graças a Deus, nós temos muitos bons artistas aqui. A Bahia não tem só o pagode, não tem só “O Troco”, não tem só Mário Brasil... Tem Caetano Veloso, tem Ivete Sangalo, tem Claudia Leitte, tem várias opções. Então, eu acho que são hits diferentes e as pessoas curtem o que gostam. Ninguém obriga ninguém a escutar um disco do “O Troco” ou a escutar Ivete Sangalo. Cada um decide o que é bom para si e o que quer curtir naquele final de semana. Ninguém pega no braço de ninguém e diz “ah, vamos para o pagode” ou “ah, vamos ao teatro hoje” ou ainda, ninguém pega no braço de ninguém que é de maior e sabe o que quer e obriga a ir para o show de Caetano Veloso.
CH: Mas de qualquer forma, você há de convir que essa repercussão toda acaba fortalecendo a imagem que, principalmente o sul e o sudeste tem de que a Bahia é só festa, é só “bumbum”. Você não acha?
MB: Não. Até porque, foi como eu falei agora, a Bahia é um celeiro musical, tem muita coisa, muitos hits, então, aqui tem público para cada ritmo, então, não creio nisso, não.
CH: Vocês acreditam que a banda “O Troco” é a invenção do funk baiano?
MB: Não. Porque o pagode hoje, em Salvador, ele é uma mistura de funk, hip hop, são várias coisas, então, não acredito nisso até porque, “O Troco” não usa dançarinas, a gente não tem dançarinas. A gente convida mulheres para dançar com a gente, então, só sobe no palco quem quer dançar e quem vai ali está disposto a dançar aquela música, porque sabe que aquele lugar ali é um lugar propício àquele tipo de show.
CH: Como é que começou essa coreografia um tanto erótica em cima do palco e com mulheres comuns, do público, já que vocês não têm dançarinas?
MB: Quando a gente lançou essa música, há três meses, foi numa casa chamada Malagueta Hall, na Orla. Era lá que aconteciam nossos ensaios, era “Sábado até o talo”. Quando “O Troco” lançou essa música no Malagueta, a gente dançava a música “Todo Enfiado” balançando para um lado e para o outro e no meio da música, as meninas pegavam a lateral da calcinha e mostravam. Elas começavam a dançar e pediam a música mais uma vez. Mas, se você parar para pensar, foi o público quem fez a coreografia. Porque, tipo assim, são os artistas que lançam uma música e geralmente, eles lançam uma coreografia, mas o público, às vezes, não aceita aquela coreografia, não acham legal para aquela música. Então, as próprias meninas criaram essa coreografia segurando na calcinha e dançando com ela toda enfiada.
CH: Mas por que chamar elas para irem ao palco?
MB: Um dia eu pensei “ah, vou chamar algumas mulheres para virem dançar aqui no palco”. Na época que eu chamei, três meninas subiram ao palco e voltando a sua pergunta anterior da coreografia, até então, elas dançavam mostrando apenas a lateral da calcinha para mostrar que era “P”. Por que na música, eu digo “tem mulher que usa ‘P’, tem mulher que usa ‘M’, tem mulher que usa ‘G’ e a outra é ‘GG’. Mas essa mina está com um fio só todo enfiado”. Elas seguravam o lado da calcinha e começavam a dançar mostrando que era fininha e estava todo enfiado e aí depois, a coisa evoluiu por elas mesmas e elas é que lançaram a coreografia.
CH: Na sua opinião, esse tipo de música, e esse sucesso que vem fazendo o hit “Todo Enfiado” contribui para a promoção do pagode, principalmente a nível nacional?
MB: Eu acho que, aqui em Salvador, está havendo um lance muito precário. Até porque, depois da pirataria, para você gravar um disco e vender um disco para uma gravadora é muito difícil, é complicado de verdade e eu, Mário Brasil, não falo por outros artistas, eu falo por mim, e eu sou a favor da pirataria porque eles fazem acontecer muita coisa para mim, para minha banda, para todos os artistas. Eu acho que hoje, artista nenhum pode falar que a pirataria é uma coisa maléfica, eu não acho.
CH: Mas e a promoção do pagode baiano com o hit “Todo Enfiado”, está acontecendo?
MB: Eu acho que sim. Porque o pagode, eu acho que fica muito aqui dentro, voltado para as pessoas de Salvador e essa polêmica toda agora com a música “Todo Enfiado” está levando o nome da Bahia para o Brasil, as pessoas estão conhecendo o pagode lá fora.
CH: Quando as meninas passaram a abaixar as calças ou levantar a saia ou o vestido para dançar “Todo Enfiado”, vocês já imaginavam que a história ia repercutir, chocar tanto?
MB: Não. Com certeza, não. A gente não pensava dessa forma, não. A gente colocava as meninas porque era um momento de lazer, uma brincadeira que a gente fazia e, como eu te falei, as próprias meninas que lançaram segurando ao lado da calcinha. Só que quando eu convidei as três meninas e elas subiram, elas começaram a dançar, mas no final do show, teve uma menina que dançou com a gente no palco que falou “Mário, a coreografia dessa música você tem que segurar na calcinha das meninas toda enfiada”. Aí, eu pensei “ah, vamos fazer”.
CH: Logo quando essa onda de você puxar a calcinha das meninas começou, aconteceu de alguma menina se chatear quando você foi fazer a coreografia?
MB: Se chatear, não. Agora, tiveram algumas meninas que na hora que eu fui puxar disseram que não e eu respeitei e não puxei. Mas tiveram outras que me diziam mesmo “pode pegar, pode fazer a brincadeira”. Então, a gente não pega no braço de ninguém e bota no palco para dizer assim “vou pegar na sua calcinha, vou puxar a sua calcinha”.
CH: Na sua opinião, essa coreografia é apelativa?
MB: Acho que não. Acho que é uma dança sensual e só sobe no palco quem está disposto a fazer.
CH: Mas, de certa forma, você não acha que essa dança deprecia e vulgariza a imagem da mulher?
MB: Eu acho que o público que vai ao show naquela casa aonde a gente se apresenta, sabe que aquilo é um show propício àquilo, não é algo que acontece na rua ou num lugar aberto. É um lugar fechado, que se paga ingresso para curtir aquele show. Então, quando você vai aquele show, você sabe que ali acontece aquele tipo de coisa. Então, você está indo porque você gosta daquela música e que talvez você queira participar no palco com a gente também.
CH: Mas eu não me refiro a imagem somente das mulheres que freqüentam seu show e sim a imagem da mulher em si, principalmente da mulher baiana. Não fica vulgarizada?
MB: Eu creio que não, porque quando você vai à uma praia você vê mulher de top less, você vê mulheres usando aqueles biquínis bem fininhos e não há preconceito algum. Ou seja: ali é um lugar propício para ela usar aquele biquíni porque é uma praia e ela está ali para tomar sol, para ficar bronzeada. E o meu show, o show do “O Troco” também é um lugar propício para aquela música. Então, eu repito: só sobe no palco quem quer subir, quem quer dançar, eu nunca peguei no braço de ninguém e disse “suba, por favor”. Eu pergunto: “tem alguma mulher para dançar ‘Todo Enfiado’ aí?” e o baile todo levanta as duas mãozinhas e diz “eu quero” e já aconteceu dos namorados estarem atrás da namorada e aponta para a cabeça dela e diz assim “ela, bota ela, bota ela”.
CH: Pois bem. Você gostaria que sua namorada ou alguém da sua família dançasse “Todo Enfiado”?
MB: Deixaria. Eu deixaria minha namorada, minha irmã, minha mãe não, porque ela não vai para pagode, mas minha namorada e minha irmã, com certeza. Se elas forem em meu show vão curtir comigo e vão dançar “Todo Enfiado” comigo. Elas querendo, elas vão subir no palco. Eu só não vou pegar no braço de uma delas e botar. Mas elas querendo, com certeza, vão dançar.
CH: Você interage bastante com as meninas que sobem ao palco. Você já se envolveu com alguma delas?
MB: Não, por enquanto, não. Apesar de que acontece muito. Depois do show mesmo, as meninas procuram e me fazem várias propostas...
CH: Propostas indecentes?
MB: Algumas. Mas rola muito “Mário, vamos sair, vamos passear”, muitas pedem meu número, algumas me dão o telefone.
CH: Vocês estão explorando comercialmente essa história da professora?
MB: Quando aconteceu essa história, a gente ficou muito triste, a banda toda. Porque muita gente estava comentando que a gente estava usando a imagem de Jaqueline Carvalho (a professora) para nos promover. Mas a realidade não é essa. A realidade é que “O Troco” já vem com uma música que está estourada, graças a Deus, na boca de todo mundo e em todas as rádios e é uma das músicas mais tocadas, que é o hit “Tudo até o talo”. Essa é a música que colocou “O Troco” na cidade e na boca das pessoas. A gente tinha uma agenda de shows muito boa para uma banda que só tem um ano, dia 30 de agosto a gente fez um ano. Então, nossa agenda sempre foi muito corrida, nossos ensaios, temos shows no interior, em outros estados.
CH: Mas, vocês não podem negar que a história da professora favoreceu, e muito, a visibilidade e notoriedade de vocês...
MB: Claro. Eu não posso negar que depois dessa repercussão toda, principalmente nacionalmente, nossa agenda não esteja melhorando. Está. Está e isso está na cara de qualquer um. Eu não estou aqui para mentir. Então, assim, a gente não precisava dessa mídia, mas como ela veio e se eu puder aproveitar e a professora estiver bem, vivendo muito bem, para mim, está tudo ótimo. Eu não quero é que ela esteja ruim, mas se ela estiver bem, eu também quero estar bem. Porque, realmente, ela apareceu na mídia depois disso. No começo, ela estava sendo maltratada pelas pessoas. Hoje, ela passa e as pessoas tiram foto, pedem autógrafo e eu até fiquei sabendo que a professora está ganhando certos cachês, né? Dizem que na Record ela ganhou R$ 15 mil. O que é que você me diz sobre isso? Eu não ganhei R$ 15 mil ainda. Eu fiquei sabendo que ela estava ganhando esse dinheiro, que ela ganhou um certo cachê.
CH: Você se disse solidário a história da professora. Por que você não a convida para ser dançarina da banda?
MB: Na realidade, já houve uns dois contatos, nós estivemos juntos conversando, a banda e ela, e a gente ofereceu para ela um emprego ou no nosso escritório, caso ela não quisesse ser dançarina ou de dançarina mesmo. Porque eu acho assim, eu não posso virar para uma pessoa que é professora e dizer “ó, você vai virar dançarina”. Ela é quem tem que escolher o que ela quer para a vida dela, correto? Porque ela tem diploma para exercer a profissão de professora, ela não tem para ser dançarina. Então, se ela disser que quer seguir a carreira artística, aí sim, eu vou ajudar ela e ela será muito bem vindo na “O Troco”. A gente vai ajudar ela. Mas eu, hoje, eu acharia melhor ela continuar na profissão dela, como professora.
CH: E você gostaria que seu filho fosse educado por uma professora que sobe no palco e é capaz de fazer tudo aquilo que ela fez?
MB: Se ela não chegar no colégio e ensinar meu filho a dançar o “Todo Enfiado” ou o “Tudo até o talo”, para mim, está ótimo. O que ela faz depois da aula, não me interessa. Cada um segue a sua vida, a sua história, da forma que quer.
CH: Então, você é contra o “Todo Enfiado” no universo infantil?
MB: Não. Eu não sou contra o “Todo Enfiado” para as crianças, até porque, as crianças todas cantam a música.
CH: E você acha legal, acha educativo o hit para as crianças?
MB: Olha, eu acho que hoje as crianças estão curtindo isso, mas não quer dizer que amanhã elas vão curtir a mesma coisa, não significa que ela venha a fazer mais tarde. Ela está vivendo aquele momento, ela escuta a música, canta, dança, mas depois vai passar. Tudo na vida passa.
CH: Então, você não considera o “Todo Enfiado” um mal exemplo para as nossas crianças?
MB: Não. Acho que não.

"Tiveram mulheres melhores que dançaram muito melhor que a professora"
CH: Na sua opinião, a professora foi quem teve a melhor performance das mulheres que subiram ao palco?
MB: Não. Na minha opinião, não. Tiveram mulheres melhores e que dançaram muito melhor, que dançaram o “Todo Enfiado” bem mais correto.
CH: Saiu matéria no Correio, onde a professora aparece em outro vídeo, dessa vez, no Beach Beer dançando em uma participação da banda “O Troco” num show do Leva Nóiz. Como foi isso?
MB: Parabéns pela pergunta! Em momento algum, a mídia de TV ou rádio ou jornal, nenhuma emissora me procurou nem procurou a banda “O Troco” para saber se foi a primeira vez, a segunda ou a terceira ou a quarta vez que a professora tinha dançado o “Todo Enfiado”. Perguntaram para ela e ela falou o que ela achava que no momento era propício para ela falar. Foi a segunda vez que a professora dançou. Você é a primeira pessoa que me faz essa pergunta. Nessa polêmica toda, nacional, você é a primeira pessoa que me faz essa pergunta. Parabéns pela pergunta! Foi a segunda vez que ela dançou o “Todo Enfiado”.
CH: Pois é. Como foi isso?
MB: Eu fui convidado para participar do ensaio de uma banda aqui em Salvador no Beach Beer, toda quinta-feira e quando eu subi ao palco eu perguntei: “tem alguma mulher para dançar ‘Todo Enfiado’ com a gente aí?”. Ela e mais duas meninas subiram e dançaram.
CH: Mas dois dias depois teve o ensaio próprio da banda “O Troco” e ela
esteve presente e resultou no vídeo polêmico. Vocês a convidaram para comparecer lá devido ao desempenho dela?
MB: Não. A gente divulgou que aconteceria o sábado do “Tudo até o talo” no Malagueta e eu falei que todos os presentes, todos, geral, eram meus convidados. Eu disse “vocês são nossos convidados especiais no sábado. Estão aqui hoje, viram um pouquinho da nossa apresentação, vão lá curtir sábado”. Então, não foi só ela quem foi naquele sábado. Várias outras pessoas que estavam na quinta-feira e que curtiu aquela apresentação rápida que fizemos, que levou 15, 20 minutos no máximo, estavam sábado no Malagueta dançando “Tudo até o talo” e “Tudo enfiado” mais uma vez.
CH: Mas e aí? Vocês a viram e a convidaram para subir?
MB: Não. Muito pelo contrário. Como fazemos em todos os shows, nós perguntamos se tinha alguma mulher para subir no palco e dançar o “Todo enfiado”. Três meninas subiram e quando eu ia começar, ela veio lá do fundo e subiu no palco.
CH: Tem muitos homens que estão falando que jamais namorariam uma mulher que se presta a esse papel, que é vulgar. O que é que o homem Mário Brasil pensa de mulheres que dançam o hit “Todo Enfiado”?
MB: Eu não tenho preconceito para com ninguém. A mulher que estiver comigo e tiver um respeito, uma índole boa, porque é isso que é importante para mim, eu não me importo que ela suba no palco e dance “Tudo Enfiado”, não. Não tenho preconceito nenhum. Cada um faz da sua vida o que bem entende. Depois que você é de maior, que você completa a maioridade, você manda na sua cabeça.
Por Fernanda Figueiredo