Autora da biografia do Chiclete conta porque escolheu a banda e não dá 10 ao trabalho
A entrevista dessa semana da Coluna Holofote é com a jornalista Claudia Giuduce. Para quem não sabe, Giudice já passou pelas revistas Saúde, Corpo a Corpo, Jornal do Brasil, Terra, Veja, Caras, Guia do Estudante, Viva Mais e desde 2006 comanda o Núcleo de Celebridades do Grupo Abril. Ao lado da promoter Lícia Fabio e de Nil Pereira, sócia de Licia, elas foram as grandes responsáveis pela festa do Réveillon Águas Claras, que reuniu cerca de quatro mil pessoas na Bahia Marina. Mas Claudia teve uma semana agitada em Salvador e ela teve bons motivos para isso. A moça desembarcou na cidade especialmente para lançar a biografia da banda Chiclete com Banana, a qual foi produzida pela mesma. Por isso, a Holofote não perdeu a oportunidade e quis saber detalhes da história da banda comandada pelo cantor Bell Marques. Ah! E claro, as galinhas que Bell apelida com os nomes das musas do axé estão em pauta e vocês não podem perder a resposta de Giudice sobre o assunto. Quer saber do cacique Jonne, o músico que dizem que Bell abandonou quando adoeceu? Confira nessa entrevista reveladora!
"Bell ter apelidado as galinhas com os nomes das musas do axé foi uma brincadeira gentil"
Coluna Holofote: Como surgiu a ideia de produzir a biografia da Banda Chiclete com Banana?
Claudia Giudice: A Contigo, em 2004, fez uma série de biografias com cantores da MPB – Chico Buarque, Caetano Veloso, Raul Seixas, Tom Jobim, Roberto Carlos, Elis Regina – agora, depois de três anos fazendo camarote aqui, a gente aprendeu que a música baiana, que o axé não existem só no carnaval e que é um movimento que toda esse Brasil de Deus o ano inteiro, fazendo muito sucesso. Em eventos como o Axé Brasil, todas as micaretas, todas as festas que acontecem em Salvador e ao redor, além de São João eles estão. Então, a gente falou: “pô, isso é muito bacana!”. E aí, nós resolvemos fazer.
CH: Mas por que Chiclete com Banana e não Asa de Águia, que também é um ícone do axé na Bahia ou qualquer outra banda?
CG: Pela proximidade que a gente passou a ter com a banda Chiclete com Banana e também porque Chiclete foi a primeira banda. Porque, se você pegar na genealogia do axé, Luís Caldas lançou em 1985 “Fricote”. Mas Chiclete já estava fazendo carnaval desde 1979 chamando “Scorpions” e vira Chiclete em 1982. Então, na história, é a primeira banda e a gente resolveu começar pelo começo.
CH: Como foi produzida a biografia? Você acompanhou a banda durante os shows, como foi isso?
CG: Não. Foi assim: eu os conheci mais profundamente no ano passado, quando a gente teve uma convivência, daí a gente começou a fazer a pesquisa, começamos a fazer entrevistas, até que chegamos neles e aí nós perguntamos “vocês querem o quê?” e eles disseram que queriam fazer uma biografia e aí a gente começou a fazer. Mas chegou num dado momento que eu perguntei para eles: “vamos fazer juntos?”, ou seja, “vamos fazer uma biografia em que vocês colaborem comigo e a gente tenta fazer o melhor trabalho do mundo?” e foi isso.
CH: E de que forma eles cooperaram com o livro?
CG: Eles abriram o baú de histórias, memórias, fotos, documentos, registros. Eles me deram um tempo deles que foi maravilhoso! Eles ficaram comigo horas falando, contando, relembrando e depois eles me ajudaram a checar todas as informações.
CH: O que lhe chamou mais atenção na história da banda Chiclete com Banana?
CG: São tantas... Mas a história que mais me marcou foi a história do momento em que eles decidem que vão para o carnaval, que eles vão deixar de ser uma banda de pop rock e que eles vão para o carnaval e é Bell quem descreve isso, no momento dele ali na 7 de setembro, vendo o trio Dodô e Osmar chegar com Caetano Veloso, Moraes Moreira e toda a família Dodô e Osmar lá em cima tocando “Pombo Correio”.
CH: Por que essa história em especial?
CG: Porque naquele momento, um jovem como fã, enxergou o futuro. Então, foi um momento visionário. Ele enxerga ali o futuro dele e a maneira como ele conta isso é muito emocionante. Então, é com essa história que eu abro a biografia da banda. Eu começo a contar a história da banda a partir desse momento. A banda começa antes com “Os Bárbaros”, depois com os “Elétrons” e anos depois com o “Scorpions”, mas o que abre para mim é esse momento, esse insight. Quer dizer: ele vê aquilo, ele se emociona com aquilo - no papel ele já era músico, mas ele ainda era fã – e ele vê aquele caminhão chegando com aquela pompa, de braços abertos, a música tocando, Moraes e Caetano que eram ídolos para ele e naquele momento ele tem essa visão, para mim, isso é muito a síntese de uma história e é muito impressionante.
CH: É verdade essa história de que Bell Marques tem um criatório de galinhas e que, a cada uma, ele deu o nome de uma das musas do axé?
CG: Isso mesmo, existe essa história. É verdade, isso é fato. Essas galinhas estão lá na fazenda dele, ali perto de Cruz das Almas e se chama “Cabaceira de Paraguassu”, uma fazenda linda, que eu tive o prazer de ir lá três vezes e ele adora galinha. E tem a galinha Ivete Sangalo, a Claudia Leitte...
CH: As pessoas não enxergaram com bons olhos essa “homenagem”. Como você enxerga isso?
CG: Ah! Eu acho que isso é uma brincadeira carinhosa.
CH: Você gostaria que fizessem isso com você?
CG: Eu acho que não tem problema nenhum. Isso é apenas uma brincadeira, eles são todos amigos. Aí já entra uma coisa de torcida, de fã, de torcedor do Bahia e do Vitória, então, aí tem coisa assim. Porque eu acho que isso é uma brincadeira gentil, não tem nada de maldoso nisso.
CH: Existe um rumor forte em Salvador de que um dos músicos de Bell teve uma doença e por isso teve que ser afastado da banda, o cacique Jonne. Dizem que Bell não ajudou o rapaz quando ele mais precisou. Cacique Jonne, juntamente com essa história, são citados na biografia?
CG: Com certeza. A história dele é citada. Essa questão é uma questão trabalhista, a gente fala que ele ficou doente, que ele se afastou, mas eu não entro no mérito dessa questão trabalhista porque é uma questão de Justiça do Trabalho, que eu não entrei por aí, mas ele é citado, claro, ele foi muito importante. Tem um monte de fotos do cacique Jonne, porque ele está na história do Chiclete. Assim como ele tem Missinho, Luiz Brasil, que hoje é um guitarrista que toca com Jussara Silveira.
CH: Você acredita que a história contada pela banda é 100% verdadeira ou existe maquiagem, já que foi contada pelos próprios?
CG: Olha, a ideia dessa biografia – e por isso ela se chama “álbum para colecionadores” – em primeiro lugar: a gente não tem a menor intenção de esgotar o assunto; em segundo lugar, de dizer que a biografia é definitiva e três: de abarcar toda a história da banda. A gente fez um recorte, e isso está escrito, a gente tentou buscar as histórias mais interessantes, a gente buscou curiosidades, a gente buscou fazer a trajetória dessa banda. Que tem mais histórias? Seguramente. Mas aí é um outro formato. É um formato de livro, não tem foto, é outra coisa. A gente usou como metodologia um espertizio, que é um espertizio de uma revista, porque Contigo é revista. Então, a gente fez um álbum. Por isso que ele tem essa cara de álbum.
CH: O resultado final da biografia foi satisfatório?
CG: Eu estou muito feliz com o resultado por dois motivos: primeiro porque o Chiclete gostou e aí era muito importante que a banda gostasse. Por quê? Porque ela dá o respaldo, ela dá o apoio. E dois porque esse pessoal aqui fora gostou também. A gente tem sentido isso a partir do retorno das comunidades. Na internet, nos sites, de quem tem blog, dos chicleteiros e as pessoas todas estão muito felizes e fazendo muitos elogios. Então, para mim, essa é a maior satisfação.
CH: De 0 a 10, que nota você dá?
CG: De 0 a 10, a gente sempre acha que pode ficar muito melhor, sempre pode. Dez eu não dou de jeito nenhum, jamais, porque eu sei que pode ficar muito melhor. A cada reedição, eu já encontrei três erros e já corrigi.
"A história que mais me marcou é o momento que eles decidem que vão tocar no carnaval"
CH: Você tem a pretensão de dar continuidade a essa biografia, fazer a parte II?
CG: Olha, quem sabe daqui a 10 anos... Por que não? Colocar aí mais umas 60 páginas contando essa história dos próximos 10 anos. Quem sabe?
CH: Você pretende fazer a biografia de mais alguém do axé?
CG: Com certeza.
CH: Você é dona de um alto cargo dentro do grupo Abril e ainda se desdobra organizando eventos glamourosos na Bahia. Tanto sacrifício é por dinheiro?
CG: Nada disso. Isso tem a ver com a estratégia da revista. A Contigo é uma revista de celebridades, mas que não é apenas uma revista de celebridades. Ela tem como foco valorizar o talento. E a gente percebeu que nos eventos é o momento no qual os artistas, principalmente os artistas da música, mostram o seu talento. É o carnaval, são as festas, são as micaretas e a gente passou a cobrir esse mundo e isso foi uma coisa muito perseguida. Então a gente tem a revista que sai toda semana, a gente tem três prêmios que acontecem por ano e a gente tem todos esses eventos dos quais a gente faz parte. O carnaval, o réveillon e um monte de outros eventos. Aí, é uma questão de estratégia mesmo. A minha ousadia foi, eu sou diretora do Núcleo de Celebridades, portanto a minha missão hoje é cuidar de negócios, mas eu sou jornalista. A minha ousadia foi escrever.
Por Fernanda Figueiredo