Gilmelândia conta detalhes sobre sua ida para o Vixe Mainha e não teme críticas
No auge da Banda Beijo ela resolveu se aventurar na carreira solo e acabou saindo um pouco de cena. Mas como coragem é o seu forte, Gilmelândia está voltando com tudo assumindo uma banda de renome, que sempre teve à frente o competente Pierre Onassis: a Vixe Mainha. Agora evangélico, Pierre largou a carreira para ser cantor gospel. Também evangélica, Gil garante que isso não interfere na sua religião e vice-versa e comenta detalhes desta nova parceria que promete movimentar Salvador. Confira!
"O povo quer é me ver, não importa se no Vixe Mainha ou em carreira solo"
Coluna Holofote: Você estourou com a Banda Beijo. Por que você resolveu deixar a Banda?
Gilmelândia: Olha, eu não entro nisso querendo conseguir aquilo. Eu entro quando meu coração balança, pulsa muito forte e eu digo: “rapaz, senti uma coisa boa nisso aí, eu vou me jogar”, porque tudo na minha vida sempre foi assim. E, na realidade, quando eu saí da Banda Beijo, eu não saí não foi porque eu quis, porque eu sempre fui uma menina que, o que eu queria mesmo era cantar, sabe? Eu não ficava naquela coisa “ah, eu quero ser famosa, eu quero muito ser de tal maneira”. Eu queria muito gravar uma música e cantar porque é disso que eu gosto.
CH: Mas por que você deixou a Banda Beijo que ia tão bem?
G: Na realidade, quem falou para eu sair da Banda Beijo foi Netinho e o meu ex-empresário. Eles falaram que eu era uma artista que tinha muito talento, que eu poderia cantar outros estilos também e por que não ir para uma carreira solo, já que todas as vezes as pessoas falavam mais Gil do que Banda Beijo? Entendeu? Aí eu disse: “rapaz, você é o meu empresário, o que eu sei é cantar. Se você está achando isso, então vamos para a frente”. Agora, claro, eu tenho um alvo e você não chega a esse alvo sem conseguir primeiro construir o que você quer para depois caminhar, mas eu não faço as coisas pensando (como agora que eu estou entrando para o Vixe Mainha): “ah, eu vou entrar para o Vixe Mainha, vou ficar assim, vou ficar assado”. Não. Eu quero é fazer música e ponto final.
CH: Mas e a carreira solo? Como foi essa experiência?
G: Foi massa! Foi igual a Banda Beijo, porque eu continuei sendo Gilmelândia. Agora, uma coisa bacana na minha carreira solo, que eu amei foi porque eu ganhei alguns prêmios, como o “Prêmio Tim de Música”, que era uma coisa que eu queria muito; eu fui escolhida como a melhor cantora popular num disco que eu fiz de MPB, que se chama “O Canto da Sereia” com a música de Ivan Lins, que se chama “Aiaiai” e isso aí foi uma coisa que... Poxa! Outra coisa que aconteceu também em minha vida na carreira solo foi a minha parte de apresentadora, que eu pirei. Mas eu não vou atrás de nada. Meu telefone é que toca. Meu telefone vai tocando e eu faço como Zeca Pagodinho “deixa a vida me levar”, mas eu não deixo a vida me levar, não. Eu deixo Deus me levar, porque o que Deus quer é bom, é perfeito, é agradável.
CH: Você recomenda a um artista que está no auge com a sua banda seguir carreira solo?
G: Olha, é que isso aí, quem está de fora não entende, mas isso aí é uma estratégia. Às vezes de uma gravadora, às vezes de um empresário, às vezes a pessoa nem está sabendo de nada. Porque o artista, rapaz, o artista quer apenas fazer o trabalho dele. Então, depende da estratégia do seu empresário. É por isso que uma coisa eu digo: você que está partindo para isso tem que pensar um pouco também. Eu sempre fui meninona, mas eu pensei: “será que vai ser bacana?”. Tem que ter muita força na peruca, minha filha. Porque tudo que você vai fazer na vida, tem que ter coragem e isso é uma coisa que eu tenho de sobra.
CH: Você andou sumida dos palcos, nunca mais ouvimos falar que Gil está cantando aqui ou ali. O que você estava fazendo?
G: Olha, na realidade, eu não paro com essa minha vida de apresentadora. Agora mesmo, já tem outro projeto desse para mim, em paralelo com a carreira de cantora. Aí, ficam aí as emissoras todas me chamando. Carnaval mesmo a Band me chamou, agora tem um outro projeto internacional que eu não posso falar, então são coisas que eu vivo fazendo. Eu não paro a minha vida. Fora que muita gente acha que às vezes a gente não está na mídia, então a gente não está fazendo show, mas a gente está fazendo shows, sim. Então, eu continuei fazendo meus shows, mas como eu não estava morando aqui em Salvador, estava sumida.
CH: Pois é. Você não estava nem morando aqui. Como foi que surgiu a ideia de Gilmelândia virar cantora da Banda Vixe Mainha?
G: Eu chamei um rapaz chamado Marcos Sabiá para a gente conversar, porque ele vende shows e ele trabalha com Cal Adam há muitos anos. Aí eu falei "rapaz, venha cá, que eu quero uma pessoa para vender meus shows no Norte/Nordeste, você topa?" e ele disse que topava e aí nós começamos a conversar, conversa vai, conversa vem e no final da história ele falou: "você não gostaria de participar de uma banda, não? Você se importaria?". Aí eu perguntei que banda era e ele me explicou que Pierre tinha saído do Vixe Mainha e que eles estavam procurando uma menina. Aí, ele disse que olhou para mim e me achou a cara do Vixe Mainha. Eu dei risada e quis saber se Cal Adam iria topar. Mandei ele ligar na hora para Cal, porque eu gosto muito de ouvir o que o empresário diz, e Cal ficou louco: "Porra, bicho, que achada é essa cara? Marque uma reunião". N areunião eu olhei no olho de Cal, Cal olhou no meu, ele me acha uma pessoa simples, eu também achei ele uma pessoa simples e aí vingou.
CH: Mas e o projeto?
G: Eu amei o projeto! Porque é uma coisa bem percussiva, bem igual a mim, pra cima, alegre e vai fazer a festa para a moçada. Então, eu quis embarcar nisso aí
CH: A Vixe Mainha sempre foi composta por 2 vocalistas. E agora?
G: Agora sou só eu. Minha filha, não dá. Se botar outro cantor comigo, como é que vai ser o negócio? Olhe, eu já valho por mil! Faz de conta que tem mil cantores em cima daquele palco. Eu acho que Cal pensou "ói, bicho, deixa eu colocar essa mulher sozinha, porque essa mulher aí vale por milhões, deixa isso quieto já pensou? A mulher vai cair do palco". Essa coisa de tem que ter duas pessoas cantando...Nada. Quando o povo me vir lá cantando com a bocarra, o povo vai se jogar. Em barzinho foi assim, na Banda Beijo foi assim, carreira solo foi assim e no Vixe Mainha não vai ser diferente.
CH: E o fato das pessoas estarem acostumadas a verem o Vixe Mainha sempre com dois cantores, isso não pode acabar sendo um obstáculo para você?
G: Menina, sabe o que o povo gosta? O povo estava era com saudade de mim. O povo quer é me ver, não importa se é no Vixe Mainha, se na carreira solo... Você precisa ver os e-mails que o povo me manda: "Gilmelândia, que bom...Uhul! Você está com um bom empresário. Você precisava disso". E Cal é bom, eu gosto da energia dele.
CH: Você está sentindo algum medo?
G: Eu estou aí. Eu não estou com medo é de nada.
CH: A Vixe Mainha tem um som mais percussivo. Você pretende seguir essa linha?
G: Vou, sim. Agora eu vou dar mais uma apimentada porque você sabe que pimenta eu tenho de sobra. Vou dar uma apimentada a mais que aí, quando o chão tremer, até aquele que fica aparado, não vai conseguir ficar parado. Vem muita percussão por aí, muito som.
CH: E a responsabilidade de substituir Pierre Onassis, que está desde o início da banda?
G: Aí eu fiquei com um pouquinho de medo. Ele, Jau...Esses meninos cantam muito, mas eu não estou preocupada com isso não, gente. Eu sou muito sincera, as pessoas sabem que eu sou uma pessoa simples, mas quando você fala do seu trabalho, você tem que saber se você é bom ou se você não é e eu sei que sou boa no que faço, entendeu? Então por isso que eu não estou aí nem chegando.
CH: E quais são os planos? O Vixe Mainha sempre fez ensaios. Vocês querem dar início aos ensaios do Vixe Mainha já agora no inverno?
G: Claro que sim. Agora, minha filha. Ave Maria! Ave Maria, não... Vixe Mainha! Tem que rolar agora. O povo está esperando é isso.
CH: Onde serão os ensaios?
G: Olha, Cal ainda está procurando o lugar. Porque ele quer um lugar que seja muito a minha cara. Porque queira ou não queira, quando você entra num lance assim, num projeto, o projeto tem que ser a sua cara, então ele está pensando nisso. Aí, já é com o empresário. E onde ele me botar, vamos lá. Eu quero é fazer um swing para a galera.
CH: Pierre deixou a banda porque virou evangélico. Você é evangélica. Isso não pode atrapalhar?
G: Eu acho assim: todo mundo tem o seu chamado e na hora certa. Então, se Pierre sentiu no coração dele que ele tinha que sair e fazer a banda gospel dele, massa. E gospel é massa, a multidão vai atrás. Foi uma escolha de Pierre e ele vai estar cantando do mesmo jeito.
CH: Mas e você? Isso não vai interferir na sua carreira?
G: Não. Nunca interferiu na minha vida. Por que, o que é que te condena? É o teu coração. Porque todas as saídas da vida procedem do coração. Eu vivo dizendo isso, todas. Profissional, amoroso. Se seu coração estiver bem, livre, bacana, tudo vai fluir
CH: Mas e as críticas? Porque o povo sempre questiona o fato de ser evangélica e estar cantando músicas ditas do mundo.
G: Quem critica isso são os próprios cristãos. Uma carreira gospel não significa que você só vai cantar música evangélica. Uma carreira gospel é uma carreira espiritual. Todo mundo tem o seu Deus. E eu resolvi seguir o grande mestre, Jesus Cristo. Ele é massa e eu gosto de servir a ele, então, quando você serve a Jesus, você se torna uma pessoa melhor.
CH: E Gilmelândia no carnaval? Dessa vez sai ou não sai?
G: Oxente. Com certeza! Olhe, Cal Adam falou que era certeza. E você sabe: promessa, é dívida.
Por Fernanda Figueiredo