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No auge dos seus 50 anos, ele sente que está apenas começando, mesmo com um extenso currículo que lhe rendeu prestígio em uma das maiores emissoras da Bahia: a Rede Bahia. Ele arriscou a credibilidade e a estabilidade que sempre teve na afiliada da Globo para se aventurar na TV Aratu com um programa completamente diferente do que estava acostumado a fazer. E mesmo com todo o temor, ele ousou e deu o seu grito de liberdade. Hoje ele é um representante do povo nato e nesta entrevista exclusiva à Coluna Holofote, Casemiro Neto fala do prazer que sente em ajudar as pessoas e do ódio que sente de quem humilha o povo. Sem hipocrisia, ele não nega seu alto padrão de vida e nem que gosta do que é bom, mas não vê nisso um motivo para virar as costas para o povo. Casemiro abriu um pouco da sua vida à Holofote e "Que Venha o Povo", porque tem "Casemiro no Ar". Confira!




"Eu sou um cara classe média alta, mas me considero um cara do povo"




Coluna Holofote: Qual é a sua formação?
Casemiro Neto:
Eu fiz a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e logo comecei a trabalhar em televisão. Meu primeiro emprego como jornalista foi em televisão, na TV Itapoan. Comecei na TV Itapoan como repórter cultural, depois passei para política.

CH: Por quais veículos mais você passou?
CN:
Da TV Itapoan eu fui para a TV Educativa. Ajudei a fundar a TV Educativa. Fiz a primeira matéria da Educativa falando o que é a Tv por dentro, como se faz uma matéria. Na TV Educativa fiz vários programas, fui chefe de reportagem, repórter, apresentador, produtor, editor, tive alguns programas bem atuantes na época, como “Debate Especial”, “A Bahia Constituinte”, “Assembléia Geral”, além de telejornal. E da TV Educativa eu fui para a TV Bahia, que foi, até agora, a emissora que eu trabalhei mais tempo.

CH: Quanto tempo você trabalhou na TV Bahia?
CN:
Foram 19 anos e meio. Lá eu fui editor, repórter e apresentador. Cumpri essas três funções.

CH: No total, são quantos anos nessa área de comunicação?
CN:
Eu comecei em 81. Entrei na faculdade em 81 e nesse mesmo ano eu já comecei a trabalhar.

CH: Você trocou a estabilidade que tinha na Rede Bahia por algo incerto na TV Aratu. Por que você fez isso? Foi por dinheiro?
CN:
Não. Não foi só por dinheiro. Foi por dinheiro, também. Eu não sou hipócrita e isso eu falo sempre, até no meu programa. O dinheiro pesou, claro, mas pesou acima de tudo o desafio de mudar um pouco uma carreira que estava, digamos assim, estabilizada, mas ao mesmo tempo sem graça, muito morna e que eu queria esquentar um pouco isso aí, eu queria dar uma guinada e tive essa proposta da Aratu.

CH: A TV Aratu só lhe convidou por conta da saída de Zé Eduardo? Você acredita nisso?
CN:
Não. Nós já tínhamos um ano de negociação. A TV Aratu me paquerou durante um ano. E na Rede Bahia, toda a Bahia sabe, eu tinha um prestígio muito grande e eu falo sempre. Ninguém pede para sair de uma emissora onde se tem prestígio, todo mundo pede para entrar, mas eu achei que eu já tinha atingido um patamar que não tinha mais para onde ir na TV Bahia. Eu era do Bahia Meio Dia e pela própria estrutura da TV Bahia, o que eu queria fazer não era permitido lá, que era um programa onde eu pudesse comentar, falar.

CH: Então, você já tinha em mente a ideia de um programa como o “Que Venha o Povo”?
CN:
Já tinha.  Uns cinco meses antes da minha saída eu tinha dado uma entrevista na TV Salvador e eu falei que eu estava pensando num programa onde eu pudesse opinar, ficar menos engessado. Então, acima da proposta financeira, pesou o fato de eu ter carta branca da TV Aratu para fazer o que eu quisesse e a TV Bahia é muito setorizada.

CH: A TV Bahia fez uma contra-proposta em cima da proposta da TV Aratu?
CN:
Ela fez a contra-proposta só que não atingiu, até porque, eles teriam que me oferecer um cargo muito maior do que o que eu tinha na TV Bahia, um cargo a nível de diretoria.

CH: Quando você migrou da TV Bahia para a TV Aratu, você sentiu algum medo?
CN:
Senti medo e não escondo, mas eu preferi arriscar diante desse medo do que ter o arrependimento de não ter saído e depois ficar pensando “pôxa eu tive uma chance tão legal. E agora? Eu vou morrer aqui na TV Bahia dando ‘boa tarde’, ‘até logo’”.

CH: Como é a sua relação com as pessoas da TV Bahia?
CN:
Quando você trabalha muito tempo num mesmo lugar você acaba ficando mais tempo com aquelas pessoas do que com sua família e a TV Bahia era uma família para mim. Era não, ainda é. Eu tenho muitos amigos na TV Bahia e minha saída lá foi feita de glória, de vitória e meus amigos me abraçavam e me davam parabéns.

CH: E a cúpula da TV Bahia? Como eles encararam essa história?
CN:
O ACM Júnior me abraçou e me disse “você é um cara vitorioso”, então eu saí assim... Sabe quando você sai bem? As pessoas diziam “poxa, que bacana! Você vai ser dono de você, você vai ter um programa seu, você vai fazer o que quer”, então eu saí dessa maneira. Mas, ao mesmo tempo que as pessoas diziam “vá em frente”, as pessoas choravam muito e diziam “eu vou morrer de saudades de você”. Graças a Deus, eu sempre me dei muito bem com todo mundo na TV Bahia. E morro de saudades também.

CH: Qual a principal diferença entre a TV Bahia e a TV Aratu?
CN:
Olha, a diferença é grande porque a TV Bahia tem um padrão muito bem definido. A Rede Bahia não é Globo, mas tem o padrão Globo. Então lá, como eu estou falando – eu falo por mim – o meu estilo de trabalho lá era bem mais limitado, eu não podia sair do texto, então, tinha que ser aquele texto todo certinho. Hoje, a diferença maior é a liberdade que eu tenho. Eu falo o que eu quero, eu levo quem eu quero para conversar comigo. Tenho liberdade para falar de política, sobre cidade, de servir como pessoa que, se antes eu já era formador de opinião, hoje eu sei que sou muito mais formador de opinião, mas é muito mais mesmo e eu sinto isso nas ruas.

CH: O que lhe dá mais prazer então é trabalhar com um programa popular do que com um programa de cunho exclusivamente jornalístico?
CN:
No momento, sim. Não é nem programa popular, é jornalismo popular o que eu faço. Mas eu prefiro, sim. Pela liberdade de poder falar, de poder ajudar. Hoje mesmo eu falei no programa que eu adoro ajudar as pessoas. Podem criticar, mas eu gosto de ajudar. Tinha um cara que queria uma passagem e eu dei para ele. Ontem uma mulher me pediu uma cadeira de rodas e eu consegui. Você está entendendo? Eu gosto dessas coisas, eu acho bacana. Isso me dá um prazer que eu não tinha na TV Bahia. A gente denunciava, a gente mostrava, mas o contato com o povo era mais distante. Eu falo sempre que uma coisa que ajudou a TV Bahia a ter uma imagem menos elitista foi o quadro de “Desaparecidos” que eu criei. A partir daquele quadro, a TV Bahia deixou de ter a imagem da TV para a elite só. Porque antigamente acontecia alguma coisa na cidade e o povo dizia “vamos ligar para a TV Itapoan”. Hoje, não. Hoje as pessoas já dizem “vamos ligar para a TV Aratu, para a Itapoan e até mesmo para a TV Bahia”. Eu gosto de ter hoje em dia um espaço que é meu, eu tenho uma hora de programa que é meu, é meu aquele espaço, então isso eu gosto muito.

CH: Você se considera um cara do povo?
CN:
Me considero. Me considero um cara do povo. O quadro de “Desaparecidos” mesmo, aquilo é a cara do povo. Muita gente que era escalada para estar em meu lugar falava “poxa, Casemiro. Eu vou ter que fazer isso em seu lugar, eu não vou acertar”. Eu sou um cara assim, eu gosto de coisa boa, eu sou um cara classe média alta, eu tenho consciência disso, eu não sou idiota de falar que eu sou um cara humilde... Eu não sou humilde! Financeiramente eu tenho um padrão de vida, graças a Deus, bom e batalhei por isso. Eu trabalho para isso, mas não é por isso que eu vou dar as costas para o povo. Eu gosto do povo e odeio injustiça, odeio ver alguém humilhado, por exemplo. Eu sempre fui assim, eu sempre batalhei para que as pessoas tivessem direito e voz. Então, isso me dá prazer. Porque o povo já é tão sacaneado no dia-a-dia, então me incomodava, às vezes na TV Bahia, ficar fazendo só caras e bocas e eu não podia falar o que eu pensava.

CH: E agora você está na rádio Tudo FM, também com um programa popular. Como é fazer isso no rádio?
CN:
Eu estou adorando. Meu programa na rádio não é tão popular quanto na TV Aratu. O que é que eu faço aqui na Tudo FM? Segunda-feira é o dia que eu recebo políticos. Já trouxe ACM Neto, Nelson Pelegrino, Imbassahy, vários políticos. Já fiz um debate com os ex-prefeitos. Terça-feira eu jogo o espaço para a defesa do consumidor; quarta, sexo; quinta, saúde e sexta-feira eu trago artista. É um programa popular na abrangência dele. Como a rádio é Tudo FM, eu quero botar isso; eu quero botar tudo, eu quero misturar, quebrar um pouco essa coisa tão igual, misturar um pouco e eu gosto muito de mudar. Isso faz parte da minha personalidade, de arriscar. Agora, claro que eu penso bem antes.

CH: O que lhe atraiu na Tudo FM?
CN:
Aqui eu também vim pela total liberdade que me foi oferecida e no meu horário eu faço o que eu quero. Então, voltando à questão do programa “Casemiro no Ar” ser popular, ele é popular na abrangência. Agora, a linha, a linguagem é outra, mas o povo participa, é um programa aberto.

CH: Onde você sente uma receptividade maior: na TV ou no rádio?
CN:
Por enquanto na TV, porque a rádio tem pouco tempo. Mas as pessoas já estão ouvindo bastante a rádio, falam comigo sobre a rádio, elas dizem que estão adorando o meu programa. Sexta-feira mesmo entrou uma ouvinte que disse que estava sintonizando o rádio dela e ouviu a minha voz e ligou dizendo “É Casemiro, é Casemiro, minha mãe, venha ver” e eu achei isso legal. Então, é muito nova a rádio ainda.




"Eu acabei de fazer 50 anos e acho que só estou começando"

 



CH: Você já tinha trabalhado com rádio antes?
CN:
Nunca. Nunca tinha feito rádio, é a minha primeira vez. Mas eu estou gostando bastante, principalmente pela interatividade que a televisão não possui de você falar com muitas pessoas. Muita gente liga para mim, conversa e eu falo “desabafe, jogue sua denúncia no ar, conte comigo”, entendeu? Talvez a popularidade, esse aspecto popular passe por aí.

CH: Casemiro surpreendeu a todos quando deixou a TV Bahia para ir para a TV Aratu; está surpreendendo agora com o programa na Tudo FM... O que mais Casemiro vai aprontar por aí?
CN:
Eu não sei, mas eu espero que apareça alguma coisa, sabia? Eu acabei de fazer 50 anos e eu acho que eu só estou começando. Agora que minha cabeça está melhor para algumas coisas e aberta a novos projetos. Eu agora estou investindo bastante nos meus programas, o “Que Venha o Povo” da TV Aratu, o “Casemiro no Ar” na Tudo FM, mas eu estou aberto a outros projetos e eu espero que surjam coisas que movimentem o mercado como eu movimentei com a minha saída da TV Bahia, que você sabe que foi um rebuliço total, né? Nem eu pensei que fosse causar tanto rebuliço. Mas eu estou aberto a novos projetos sempre, porque eu quero crescer como profissional e como pessoa também.

Por Fernanda Figueiredo

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