Diretor da TV Aratu fala sobre os programas polêmicos da emissora e diz que o povo gosta
Com apenas 27 anos, ele tem postura e entendimento de diretor que é de uma das maiores emissoras de televisão de Salvador, a TV Aratu. E foi para falar sobre a TV Aratu que João Coelho concedeu esta entrevista à Coluna Holofote. Com bastante conhecimento de causa, João fala do processo de modernização pelo qual a emissora está passando. Sobre os programas populares da TV Aratu, João observa que o povo do Nordeste tem predileção por este tipo de programa, tanto assim que o diretor demonstrou estar satisfeitíssimo com o programa "Na Mira" que, segundo números do Ibope, apontam o programa de Uziel Bueno como líder absoluto no horário. E para os críticos de plantão, que julgam o "Na Mira" como violento demais, João Coelho tem a resposta na ponta da língua: "eu acho que a maior censura é o controle do espectador".
Coluna Holofote: Conta pra gente um pouco da sua história com a televisão...
João Coelho: Eu vou fazer 5 anos aqui na TV Aratu, sou diretor e administrador. Na verdade, eu comecei trabalhando em outra empresa do grupo, que é a rede de concessionária, Volkswagen e Sanave. Eu morei em São Paulo, que foi quando eu estagiei lá na rede SBT, na área comercial, visitando agências do mercado publicitário. Depois, voltei pra cá e estou há 5 anos aqui na TV.
"A TV Aratu, localmente, sempre teve a preocupação de fazer uma programação com produtos que sejam bem aceitos pelos telespectadores"
CH: Por que a TV Aratu abriu mão da logomarca do galinho, que sempre foi uma tradição e, de certa forma, contribuía até para as pessoas identificarem o canal?
JC: Nós não abrimos mão. O galinho, na verdade, é um novo galinho. A gente mudou a marca no final do ano passado, as vinhetas estão aí na TV, mas continua sendo o galinho, mas com a intenção de manter a tradição da marca do galo, só que de forma moderna, assim como a emissora vem sendo modernizada.
CH: Por que a TV Aratu abriu mão do esporte no canal?
JC: Na verdade, a TV Aratu, localmente, sempre teve a preocupação de fazer uma programação local com um diferencial de audiência, com produtos que sejam bem aceitos pelos telespectadores. A gente nunca deixou de dar notícias do esporte, sempre existem flashs ao vivo, cobertura dos eventos, do futebol e de outros esportes amadores, porque já é tradição da TV Aratu sempre apoiar novos atletas de esportes que não tenham a grandeza do futebol na Bahia, porque aqui no estado, em geral, existe essa dificuldade do profissionalismo do esporte, das outras categorias e a gente sempre apoio, sempre, sempre.
CH: Mas e o programa só de esporte? Por que a TV tirou do ar?
JC: No momento a TV Aratu tirou do ar, mas o cenário está lá embaixo, está pronto, o cenário veio até do SBT e a gente tem intenção de voltar com programa de esporte diário, sim.
CH: Por que o programa do cantor Belo saiu do ar?
JC: Surgiu a idéia de fazermos um programa local aos domingos e surgiu a oportunidade desse projeto ser com Belo, que é um cantor popular, que tem a sua rejeição, mas tem uma popularidade muito grande. Belo faz show no Parque de Exposições e bota 50 mil pessoas, então, a popularidade dele é indiscutível. Acabou não dando certo por agenda de shows e por falta de um compromisso dele em cumprir com as datas de gravação do programa. Então, a audiência média do horário eram 6, 7 pontos com filme da grade nacional. Com o programa do Belo, a gente alcançou uma média de 14 pontos, o dobro e foram só seis programas no ar. Mas, infelizmente, às vezes existem alguns empecilhos para alguns projetos e por data de gravação do programa, e por outros compromissos dele, não foi possível a gente continuar.
CH: Qual a principal diferença entre a TV Aratu do passado e essa de hoje?
JC: A modernização. Nós pegamos a tradição da marca do galinho, da proximidade com o povo de uma emissora que já foi Globo, porque a TV Aratu tinha 80% de audiência quando era Globo, a estrutura daqui foi uma estrutura montada para ser Globo, então, é pegar toda essa tradição, toda essa proximidade que hoje tem com o SBT e dá uma cara nova, uma modernizada, sem perder essa proximidade com a população, mas sempre com uma cara nova. Porque televisão é uma soma de vários detalhes: os programas que vão ao ar é uma soma de maquiagem, de luz, de cenografia, de apresentador, de figurino, então, tem que melhorar todos esses detalhes.
CH: Hoje, a TV Aratu possui alguns programas bem populares, a exemplo do de Uziel Bueno, o “Na Mira”. Você está satisfeito com a audiência do programa?
JC: Muito satisfeito. O que é que acontece? Aqui em Salvador, o horário nobre de local, ele é de meio dia às duas. Já o horário nobre nacional, ele é de 8 às 10 da noite. Aqui, existem programas locais aqui e em outras emissoras e que realmente existe essa guerra positiva de audiência com os programas populares. Existem outras emissoras e na TV Aratu nós temos hoje o “Que Venha o Povo”, com Casemiro, sempre vice-líder de audiência, sendo líder em vários momentos e o “Na Mira”, líder absoluto de audiência, chegando a dar o dobro que a concorrência local. Então, pra gente, isso é bem gratificante.
CH: Como é que você recebe as críticas sobre a exposição de cadáveres no programa “Na Mira”?
JC: O “Na Mira”, por ser líder de audiência, ele realmente tem conteúdos, tem cenas pesadas e eu acho que a maior censura é o controle do espectador: se ele não quer ver, ele muda. Existe essa coisa do perfil do programa e o patrocinador talvez não queira associar a sua marca, mas o nosso mercado, nas agências, o que vende é o índice de audiência. Lógico que a televisão tem que ter credibilidade, tem que ter jornalismo, como a gente tem. A gente tem o Aratu Notícias aqui, a primeira e a segunda edição, nunca abrimos mão do jornal, com cenário novo, com estrutura nova.
CH: Você acha que a audiência vale essa, digamos “apelação”, como é chamado aí fora essa exposição?
JC: Olha, a gente não pode abrir mão disso. Nós temos que trabalhar em todos os gêneros, porque audiência é importante para o mercado. Não é TV Aratu quem diz isso, é o mercado que fala e você tem que se adequar a ele.
CH: Você acha que o povo tem predileção por este tipo de programa?
JC: Talvez mais pro Nordeste as pessoas gostem mais desse tipo de programa.
CH: Por que você acha que isso acontece?
JC: Isso pode ser cultural também, né? Tem a questão do desenvolvimento, aí já abrange uma série de outras coisas...
CH: Você acha que a TV Aratu está vivendo seus tempos áureos?
JC: A gente tem uma parceria muito boa com o SBT, que é uma emissora nacional de muito prestígio, a concorrência fala muito, existe uma briga grande entre Record e SBT e, a nível nacional, a Record já passou muitas vezes o SBT, mas aqui em Salvador, não passou, a gente continua sendo vice-líder na média geral da audiência envolvendo audiência local e nacional, mas é isso mesmo, o mercado só vai evoluindo e a briga tem que ser saudável.
"Existe a pretensão de voltar forte com uma rádio do grupo"
CH: Mas a TV Aratu está em sua melhor fase?
JC: Sim. Localmente, a gente está com uma audiência muito boa e na nossa média nacional, a gente está sempre como vice-líder, sendo que a Record, de uns 2 anos para cá, tem tido um grande crescimento, sem dúvida nenhuma.
CH: Quais são os novos projetos da TV Aratu?
JC: O “arraiá do galinho” é um produto do São João, onde a gente dá valor a parte da tradição, do concurso de quadrilhas e esse ano vai ser feito no Parque Costa Azul. Temos a “Corrida da Independência”, que é um projeto da TV Aratu, que é de esportes e acontece lá na Cidade Biaxa e alguns outros eventos aí, algumas possibilidades, porque é importante estar fortalecido na grade local.
CH: O grupo tem intenção de adquirir mais um meio de comunicação, seja rádio, impresso...
JC: Sim. A visão do empresário de comunicação tem que ser uma visão ampla. Hoje em dia não dá para falar de televisão sem entretenimento, sem um cross mídia, sem estar envolvido com internet, com rádio, com impresso, então, existe sempre a possibilidade e a nossa intenção é ter um grupo Aratu cada vez mais forte de comunicação, sem dúvida. Sempre existe a possibilidade de expandir. E existe planejamentos, idéias de ter a rádio Aratu, que já existia, era 95.9 e era líder em audiência e hoje não faz mais parte do grupo, mas existe a pretensão de voltar forte com a rádio do próprio grupo.
Por Fernanda Figueiredo