Léo Santana diz que não usa anabolizantes e que o povo inventa isso porque ele está todo bom
Ele está para o pagode assim como o pagode está para ele. E é assim, com muita paixão a vertente da música que ele escolheu e foi escolhido para seguir que Léo Santana, atual vocalista da banda Parangolé, discorreu durante esta entrevista concedida à Holofote. Ciente do seu trabalho, Léo revela que o grupo cresceu depois que ele entrou para a banda e faz críticas ao Parangolé antes da sua entrada. E mais: sobre o recente boato de que ele estava internado por uso excessivo de anabolizantes, o forte rapaz alfineta: "Eu acho que é porque estão me achando bom demais para estarem inventando isso".
"Eu costumo dizer que depois que eu entrei na banda, ela virou mais conhecida no Brasil"
Coluna Holofote: Antes de entrar para o grupo Parangolé, o que você fazia?
Leo Santana: Eu tocava, eu era percussionista de uma banda de pagode, depois fui para uma banda de partido alto, de samba, toquei pandeiro e essa banda tocou bastante na comunidade de onde eu saí, no Lobato. E daí surgiu a minha curiosidade em cantar. Então, eu armei uma banda chamada Zayre e fez o maior sucesso lá na comunidade, todo mundo curtindo, mas era algo miúdo ainda. Depois disso surgiram vários convites de várias bandas, como uma chamada “Garoto de Programa”, mas nada estourava. Aí, eu comecei a cantar na “Pegada de Gheto”, que foi quando eu comecei a ficar conhecido na música. Depois dela, num curto prazo veio a “Aperte Play”, que foi uma banda muito legal, mas eu também fiquei só por alguns meses. Aí, surgiu o convite de cantar no Parangolé. E daí já se passou um ano e meio.
CH: Você se acha melhor do que Bambam, ex-vocalista do Parangolé, que você susbstituiu?
LS: Eu não posso me achar melhor do que ninguém, né? Eu faço meu trabalho, quem vai dizer isso é a galera, porque eu não vou jamais dizer que eu sou melhor do que alguém, eu acho que é o povo quem escolhe isso. Eu acho que o trabalho é que dá o resultado dessa pergunta.
CH: Mas você diria que a banda Parangolé cresceu com a sua entrada?
LS: Sim. Eu costumo dizer que depois que eu entrei na banda, ela virou mais, desculpe falar isso, mas ela virou mais mundo, mais conhecida no Brasil. Porque era uma banda e eu não tenho nenhuma vergonha em falar, que focava mais no Gheto, músicas assim, que exploravam mais a favela, essas coisas e quando eu entrei na banda, querendo ou não, eu mudei isso, eu radicalizei total. Hoje a gente tem um balé, são quatro meninas fazendo coreografia mesmo, mudou totalmente a cara e eu acho que isso fez com que o Parangolé crescesse mais ainda. Pra falar a verdade, antes eu achava que o Parangolé era uma mesmice.
CH: O que você acha da banda Fantasmão?
LS: Eu acho a banda maravilhosa! Eddye também. Ele, não só como cantor, mas como pessoa, ele arrebenta. Eu acho Fantasmão show de bola, parabéns mesmo. Cada um tem seu conceito, a sua pegada, a sua identidade e eu acho o Fantasmão super legal.
CH: E o que você acha das letras das músicas da banda Fantasmão?
LS: Eu já botei na minha consciência de que a banda Fantasmão faz algumas músicas de letras que incentivam a violência, mas também tem algumas dançantes, como essa última “Kuduro”, mas aí vai da galera... Eu acho que não existe música de incentivo à violência, isso dpeende da galera, do pensamento de cada um: se vai para a festa para curtir ou se vai para brigar.
CH: Qual a banda de pagode que você mais gosta e admira?
LS: Não só a banda como o cantor: Harmonia do Samba. E eu acho que todo mundo é fã. E eu sou fã, fã mesmo, doente. Xanddy também, eu tive o prazer de conhecer, é um cara espetacular e eu agradeço muito a ele, que me deu uma força a mais. Sempre procurando o Parangolé, cantando as músicas da gente e dando aquele alô e isso importa. Harmonia do Samba está no coração.
CH: Qual banda do segmento você jamais se espelharia e por quê?
LS: Rapaz, que pergunta... (risos). Eu escuto todo o som que está aí de pagode, mas é até meio difícil falar assim, porque tem umas que não bate a química mesmo, mas eu prefiro nem citar nomes, porque pode criar até certa incoveniência, mas tem, sim.
CH: Como você enxerga o movimento do pagode hoje na Bahia?
LS: Muito bom, maravilhoso, evoluiu bastante. As bandas evoluíram bastante e as músicas... As músicas estão com umas letras assim que, sem comentários. Todo mundo buscando fazer letras interessantes, pra poder ouvir mesmo, letras que passam um sentimento especial para você e eu acho que está crescendo bastante, cada dia que passa, o movimento pagode está crescendo mais e mais.
CH: E a expectativa para o Troféu Dodô e Osmar?
LS: São as melhores possíveis. Eu estou muito feliz. Com apenas um ano e meio no Parangolé já vem acontecendo várias coisas pra mim. Não só pra mim, como para a banda também, porque é o conjunto. E assim, já estar participando desse troféu, já é gratificante para todo mundo, todo artista, né verdade? E eu estou muito orgulhoso e isso faz com que a banda Parangolé se interesse mais pelo trabalho, faça mais músicas para a galera, porque é o povo quem faz nosso sucesso e eu estou muito feliz mesmo. Agradeço a toda rapaziada, que escuta o Parangolé, que curte mesmo a banda, vai aos nossos shows levar aquela energia positiva e eu só tenho o que agradecer, porque eu estou muito feliz. Só de estar participando, para mim, já é uma vitória, é uma conquista e se eu não ganhar, eu vou continuar muito feliz.
CH: Você foi indicado nas categorias “cantor revelação” e “grupo de pagode”. Em qual delas você está mais confiante?
LS: Pra ser sincero, eu sou muito confiante no que eu faço e eu estou confiante nas duas (risos). Mas o mais forte assim, eu acho que é o cantor revelação, que é o que está mais no “buxixo” da galera aí. Porque esse é o meu segundo ano com a banda Parangolé, porque eu saí no ano passado, mas esse ano é o primeiro, oficialmente. O ano que a galera viu, Léo Santana, que a galera viu o Parangolé e o DVD ajudou bastante e o carnaval do Parangolé foi lindo e eu acho que não só eu, mas o povo mesmo chega pra mim e fala “velho, as pessoas só falam em você. Se você não for revelação, é isso, é aquilo, mas vai ser com fé em Deus”. Então, o que eu estou mais confiante é o de cantor revelação. Mas, com fé em Deus, serão as duas (risos).
CH: Você está concorrendo com Eddye do Fantasmão e com Allan Spínola, da Bué da Fixe. Você concorda com as indicações dos seus concorrentes?
LS: Concordo, sim, claro! Plenamente. É uma galera que também arrebenta. Allan mesmo, eu conheci, grande brother, chegou agora e já arrebentou aí, o produtor dele é um cara assim, sem comentários e Eddye todo mundo já conhece, arrebenta sempre. Nós três estamos juntos. Não venha ninguém agora querer dizer que estamos na briga, porque não existe isso. Estamos juntos aí, trabalhando, sem machucar ninguém e é isso aí, bola pra frente que atrás vem gente...
CH: E a lista no geral, você faria alguma alteração, acha que tem alguém que está ali sem merecer ou alguém que merecia estar ali e não está?
LS: Uma coisa que eu não achei legal e que está ali é que tem muita gente chegando agora no mercado e que está arrebentando, então, dá o prêmio de melhor cantor a cantores já consagrados, como Bell, Claudinha, eu não concordo. Porque eu acho que quem deveria estar concorrendo nesta categoria é a galera que está chegando agora, porque os caras já estão consagrados, não tem o que falar dessa galera. E outra coisa também é a galera que deveria estar ali, tem um bocado, mas eu vou fortalecer o meu movimento: a galera do Black Style, a galera da “A Sombra”, uma galera show de bola, entre outras bandas que estão aí, que chegou e arrebentou e eu acho que deveria dar mais oportunidades a essa galera.
CH: Recentemente saiu um boato na imprensa de que você estaria internado por uso excessivo de anabolizantes e que corria o risco de amputar o braço. Isso procede?
LS: Pois é, inventaram isso aí, e o pior é que a galera fala com uma convicção, parecendo até que viu. Disseram que eu estava internado e que eu ia até amputar os braços (risos). Mas é tudo mentira. Eu acho que quem inventou isso aí, tentou desmoralizar a minha imagem, mas acabou ajudando, levantando o ibope da banda Parangolé e é tudo mentira. Eu estou muito bem, com muita saúde, pra dar e vender. Eu pratico meus esportes, ando sempre na academia, tenho uma alimentação balanceada...
CH: Mas você faz uso de anabolizantes?
LS: Não, não, nada a ver. Mas vão insistir nisso aí sempre. Mas eu estou com a consciência limpa e sei que não uso. Eu não tomo esses negócios que a galera fala. Uma coisa que eu tomo e que pode até ser prejudicial, mas não tanto quanto anabolizante, que são suplementos alimentares.
"Eu devo estar com os braços bonitos, o corpo bonito, devo estar incomodando"
CH: Então, de onde você acha que surgiu essa conversa?
LS: Eu não sei. Eu acho que é porque estão me achando bom demais para estarem inventando isso (risos). Eu devo estar com os braços bonitos, o corpo bonito, devo estar incomodando, né?
Por Fernanda Figueiredo