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'Quantos músicos estarão vivos até lá?’, questiona Márcio Victor sobre Carnaval
Foto: Reprodução / Divulgação

Gritar a frase "Música do Carnaval" na Avenida, no meio de uma canção, em cima de um trio elétrico no circuito Dodô (Barra/Ondina), para folião pipoca em um sábado de fevereiro, parece ser um futuro quase utópico para o autor do maior bordão do Carnaval de Salvador, Márcio Victor, que alega estar sendo deixado de escanteio quando o assunto é retorno dos eventos em Salvador.

 

“Acho que tem que ter uma conversa. O nosso setor vai ser o último a voltar, não houve uma ajuda para o nosso setor. Como que as pessoas estão felizes para voltar para o Carnaval sem esse incentivo? Eles não conversam com a gente”, desabafou em entrevista ao Bahia Notícias.

 

O fato, no entanto, não impediu o Psirico de continuar trabalhando para levar alegria para o público. A banda escolheu resgatar as raízes do Psi no primeiro single de 2021, ‘Pega na Cabeça’, e também protestar para o reconhecimento do pagodão como arte.

 

“Eu sinto que precisa ser tocado nisso, mostrar esse pagodão raiz. É o pagodão que dá calo no pé, o pagodão que arrepia independente de classe, cor, religião, credo. É o pagodão que levanta a poeira do asfalto. O pagode de povo, do gari, das pessoas simples, do médico também, de todo mundo”.

 

No bate-papo com o Bahia Notícias o artista ainda se divertiu com um tópico quase pouco falado na mídia, sua vida pessoal. Discreto fora dos palcos, o pagodeiro de 41 anos revelou que parou de dar tanta importância com as histórias (inofensivas) que criam sobre ele, e as mais pesadas fazem ele ganhar dinheiro com processo.

 

“Já me mataram, já me ressuscitaram, já me comeram, rapaz... já me casaram, me separaram. Eu gosto do fuzuê”. Confira o bate-papo completo:

 

O Psi lançou o primeiro trabalho solo de 2021, a música "Pega na Cabeça", recentemente, quase sete meses após o lançamento de "Barril Dobrado". Como foi o processo de produção da faixa em meio a essa pandemia?

A ideia na verdade surgiu de um projeto que eu tenho, que é de juntar o Psirico das antigas e tocar nesse acervo de músicas. Então eu juntei metade da equipe do Psi, e perguntei se eles estavam afim de gravar todo aquele processo. Estava todo mundo muito triste com essa coisa da pandemia e não estávamos muito na onda. 

 

Eu tive que tocar em tudo isso para encontrar a chave que fosse abrir esse baú. Juntei todo mundo, fomos para o estúdio, pegamos uma fita de rolo, como gravava antigamente o Psirico de verdade, e tudo partiu daí. Fizemos o Psirico de verdade, sem a intenção do mercado, é para fazer de boca em boca. Se até tivesse santinho, a gente ia fazer para divulgar (risos). Eu queria viver essa emoção na pandemia, porque a gente estava sentindo falta dessa sensação. Juntamos tudo isso na música, e lançamos ‘Pega na Cabeça’, esse pagodão raiz, sem mistura. 

 

 

Como está sendo para você levar alegria para o povo em um momento tão delicado como a pandemia? Como você está lidando com isso?

Estou com o coração partido, ainda não estou em mim. Só vejo morte, sangue, tristeza, perdendo amigos, parentes, toda minha reserva de grana... Foram mais de 10 toneladas que a gente ajudou lá no bairro, meu projeto de sopa, até minhas roupas. Nesse momento eu me sinto muito impotente. Enquanto formos desunido sempre seremos esquecidos, precisamos nos unir mesmo, para poder fazer mais para o povo.

 

Com o avanço da vacinação, já é possível ver um burburinho na mídia para o Carnaval de 2022. Como você enxerga essa movimentação? Você já se prepara para a festa?

Acredito que o Governo e a Prefeitura estejam trabalhando muito para vacinar o povo, mas é preciso falar das coisas.

 

É uma grande questão, já tem o avanço da vacina, mas eles não conversam com a gente sobre uma possível volta. Eles não dão esperanças para a gente se vai ter ou não vai ter. Quantos músicos vão estar vivo até o Carnaval, sabe? É muito difícil. Teve amigo meu que cometeu suicídio, por causa disso. Então é preciso urgente avançar com a vacina, olhar para a cultura, ajudar os artistas, e quem faz a festa, é preciso pensar no povo da música. Já foi pensada em muita coisa prioritária, a cultura está precisando de atenção além de Carnaval, o ano inteiro.

 

A questão do Psirico não ser considerado como arte em Salvador, o pagode, Harmonia, Léo Santana, isso me deixa encucado. O Psirico está sempre falando, mas as pessoas não estão conseguindo entender, não o grande público, a minoria. Não consideram isso como arte ainda, e isso me dói, me deixa maluco. A gente precisa de união, o reconhecimento por leis da nossa profissão. A gente precisa de um órgão que responda pelos menores e os maiores estejam juntos também, e que no Carnaval a gente dê atenção aos novos artistas da Bahia.

 

Na volta da pandemia eu espero que a gente volte com mais espaço, mais união também. E que a gente tenha o melhor Carnaval das nossas vidas. Vai ser do Campo Grande ao Aeroporto (risos).

 

Ao longo desse período, você se dedicou a diversas parcerias, você lançou música com Lexa, Bianca, Ruxel, MC Rebecca, teve algum motivo para se dedicar aos feats?
Eu estava muito concentrado com os feats que eu tenho com Pabllo Vittar e Anitta, a gente precisava dialogar com o mercado Pop e o Trap, esse mercado que abraçou a gente de uma forma muito surpreendente. 

 

Não quis trabalhar uma música em cima da outra, e embolar tudo. Foi tudo no tempo certo e ainda tem mais hits para chegar. E a gente vai seguir essa tendência na nossa carreira, sempre lançado músicas com o Psirico e feats com outros artistas. Ainda vou lançar uma música com MC Don Ruan. 

 

Além das parcerias, tem uma ainda mais especial que é a no CD de Caetano, o primeiro desde 2012. Como foi colaborar para o álbum?

Eu participei das gravações, gravei uma base aqui em Salvador para uma faixa que ele mandou e... É isso, se não Paulinha me mata (risos). Eu comecei a falar disso e ela me ligou 'Marcio Victor não pode falar disso tem toda uma estratégia'.

 

(Foto: Reprodução / TV Globo)

 

Márcio, você é um artista que faz bem a divisão de sua vida pública para a pessoal, por que você escolheu esse caminho?

Toda pessoa que tem sucesso na vida e se ilude com isso e não sabe administrar o que de fato lhe faz feliz, com o que é passageiro, ela acaba se perdendo. Eu sempre tive muita base. Eu amo ser famoso, chegar em um lugar e tirar foto, eu gosto, mas eu acho melhor jogar a verdade com o pessoal, jogar limpo. Todo mundo me conhece, sabe como eu sou, dos meus gostos, das minhas opções. Então eu me concentro muito na música, então, minha família, meu público, meus fãs, se alimentam muito disso da minha música.

 

É muito difícil ver sua figura envolvida em alguma polêmica, qual a sua reação quando essas coisas acontecem?

As polemicas que surgiram comigo sempre foram fakes, que acabam fazendo mal. E por incrível que pareça, toda vez que criam uma polemica comigo, eu cresço mais. Por mais que eu fuja disso, o negócio vem atrás de mim, mas eu sei muito controlar essas coisas de exposição. Aprendi a lidar com isso logo no começo.

 

Já me mataram, já me ressuscitaram, já me comeram, rapaz, já me casaram, me separaram (risos) Eu gosto do fuzuê, adoro quando falam mal de mim, eu vou lá e curto, comento, as vezes quando eu estou estressado eu mando ir para porra. As vezes quando é ofensivo a gente processa, ganha um dinheiro. Uns 50 mil, 30 mil, adoro para fazer churrasco no Engenho Velho (risos). Mas para me derrubar vai dar muito trabalho.

 

Uma de suas grandes histórias que viralizaram, e desta vez foi verdade, foi o seu feat com Kanye West. Se ele te chamasse hoje para uma parceria, você aceitaria?

Menina eu estou indo até para festa com farofa de carne seca com calabresa, se ele me chamar eu vou na hora. Já até imagino o camarim. Eu vou correndo. Aquilo é porque eu estava agoniado, era o sonho do Psirico estar no Domingão, de ter criado amizade com Faustão, de ter me chamado no camarim, me tratado daquele jeito. Comi as comidas do camarim toda.

 

Com Kanye eu iria gravar a percussão para um álbum dele, ia tá lá meu nome, mas ninguém ia falar nisso, não ia dar polemica (risos). E aí, ele foi embora. Não deu tempo, mas ele ainda disse 'depois vai rolar', e eu to aqui esperando. Mas eu já vi que nos shows dele, ele já fez algumas coisas do que a gente tinha pensado. Acho que tem uma ponte aberta.

 

Voltando para a vida profissional, nos palcos, qual o seu maior sonho musical?

Eu tenho um sonho de juntar artistas tipo Brown, Ivete, Saulo, Daniela, Margareth, Claudia, Durval, todo mundo em uma faixa para cantar. É meu sonho fazer isso, com a galera do pagode também.

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