Terça, 27 de Novembro de 2018 - 11:00

Patrícia Abreu relembra susto com demissão da Record e anuncia projeto: ‘Vai ser minha cara’

por Ian Meneses / Júnior Moreira Bordalo

Patrícia Abreu relembra susto com demissão da Record e anuncia projeto: ‘Vai ser minha cara’
Foto: Priscila Melo / Bahia Notícias

Por 13 anos, Patrícia Abreu foi um dos principais nomes femininos do jornalismo esportivo na Bahia. Nascida em Itabuna, a comunicadora começou na TV Cabrália – afiliada da Record – e ganhou o grande público ao comandar 'Bahia Esporte’ durante 10 anos e depois o ‘Globo Esporte’. Quando tudo pareceria estabilizado, decidiu migrar para a TV Itapoan e inaugurou e apresentou por um ano o ‘BA Record’ até ser demitida um dia antes de suas férias. “Não esperava. Terminei de fazer o programa, foi na véspera de minhas férias, já estava anunciando que iriamos nos encontrar no mês que vem e tal. Acabou o programa, fui chamada e veio a determinação de São Paulo, com a quebra de contrato e o motivo sem saber... Foi um baque, tomei um susto. O motivo até hoje não sei, gostaria muito de saber de verdade...”, frisou. Passado o susto, agora está focada na nova fase e anunciou projeto novo. “Está no forno, ainda assando, mas em dezembro ou janeiro nas plataformas digitais. Vai ser uma coisa que é muito minha cara (risos). Vou ser meu próprio chefe”, vibrou. Confira a entrevista completa:

 

Como o jornalismo entrou na sua vida? Você sempre quis ser jornalista? Era um desejo desde a infância?

Então, minha mãe diz que quando era pequena e o aparelho de TV quebrava, chamava o técnico para consertar e eu dizia: 'Vou entrar ai'. Não me lembro dessa história. Porém, acho que é de pequena mesmo. É uma paixão que começou em Itabuna aos 17 anos. Fui atrás, não tinha nem feito faculdade ainda, mas eu queria. Fui na TV Cabrália – afiliada da Record – conversar  com o chefe e pedir um emprego, alguma coisa para poder entrar na área.

 

Quais foram suas primeiras experiências profissionais com o jornalismo? Atuou em outras áreas além da TV?

Já fui recepcionista de clínica, que foi meu primeiro emprego. Trabalhei três na Metrópole, foi uma experiência incrível, adoro fazer rádio. Fora da TV, apenas na rádio. Depois, fui direto para a Band. Na ordem foi assim: Vim de Itabuna, sai da Cabrália, fui para TV Santa Cruz – afiliada da Globo -, ai vim para a Band onde passei três anos. Fiz campanha política e em seguida voltei para Band e depois TV Bahia. No total, fiquei 16 anos de Rede Bahia.

 

Durante praticamente todos os 13 anos de TV Bahia você se dedicou ao jornalismo esportivo. Foi um desafio se dedicar a esta editoria ou você já tinha afinidade com a área?

Foi um desafio total. Sempre gostei muito de esportes, ia para o estádio de Itabuna com meu pai para assistir futebol (risos). Estava na Band quando a TV a Bahia me convidou para fazer um programa de esportes que eles iriam criar - que era o 'Bahia Esportes', que passava aos sábados de manhã – e eu disse para eles que nunca tinha feito esportes, mas queria aprender. Fiquei ainda um tempo na geral até o programa começar. Ficou dez anos no ar... quando acabou ainda disse para eles: ‘Pari o programa e estou enterrando o programa'. Foi muito triste.

Ficou todos esses anos no jornalismo esportivo e migrou para o geral. Sofreu algum tipo de preconceito?

Não. A galera sempre dizia que deveria ter ficado no esporte, que era mais minha cara. Porém, fora isso não.

 

Em seu perfil na rede social, você se define como uma jornalista independente. Essa definição de si mesma surgiu após sua saída da TV Itapoan?

Sim. Após minha saída da Record. Então, tá vindo novidade por aí. Está no forno, ainda assando, mas em dezembro ou janeiro nas plataformas digitais. Vai ser uma coisa que é muito minha cara (risos). Vou ser meu próprio chefe.

 

Qual a sensação de administrar sua própria profissão?

Está sendo gostoso. É um desafio para mim, assim como foi um desafio sair do esporte e ir para Record fazer jornalismo geral, que não fazia há muito tempo. Com esse projeto, voltando com tudo, trabalhando muito, viajando muito, vai ser bacana...

 

Como você reagiu ao tomar conhecimento da quebra unilateral do seu contrato com a Record?

Exatamente como coloquei no Instagram. Não esperava. Terminei de fazer o programa, foi na véspera de minhas férias, já estava anunciando que iriamos nos encontrar no mês que vem e tal. Acabou o programa, fui chamada e veio a determinação de São Paulo, com a quebra de contrato e o motivo sem saber... Foi um baque, tomei um susto. O motivo até hoje não sei, gostaria muito de saber de verdade...

 

Nesse período longe, você teve contato com colegas de emissora?

Não, não. Minha viagem de férias estava marcada já. Percorri 600 km de bicicleta, mas foi ótimo porque não tive tempo de ficar remoendo isso. Dói, doi, mas vamos nessa. Não ia ficar chorando pitangas não.

 

Hoje, passados quase 3 meses de sua saída da Itapoan, você conseguiu conversar com Fábio Tucilho que, segundo alguns sites, te deu as costas quando você questionou o motivo de sua saída?

Não foi bem assim. Encontrei com ele no shopping enquanto fui almoçar. Ele estava com um grupo da Record e queria saber o motivo da demissão. Precisava saber para não cometer o erro novamente. Quer dizer, não sei se foi erro... Bom, o telefone dele tocou e até agora estou esperando ele. Nunca mais tive contato.

 

No Instagram, ao ser questionada sobre o possível retorno da TV Bahia você disse que “tudo pode acontecer”. Com as portas abertas você aceitaria voltar à emissora?

Depende do meu projeto de agora. Dessa independência que estou tentado criar asas mesmo, sabe? Cortar esse cordão. O 'Globo Esportes' é um programa que gosto até hoje, que me identifiquei. Gosto de esportes, vivo de esportes... Quem sabe? Pode ser. Depende de vários fatores. Costumo deixar portas abertas por onde passo. Tenho um carinho enorme pela Rede Bahia. Tenho contatos muito bons. Fiz a campanha de ACM, de Paulo Souto, mas não saberia dizer agora se voltaria. Estou focadíssima mesmo nesse trabalho. Impressionante que depois que saí da Record muitas coisas aconteceram. Tá massa. Está super corrido e não dá para sentir essa coisa de 'tô desempregada'. Muita gente diz que fui muito educada quando contei de minha saída da Record, porém não tenho o que falar. Passei um ano intenso, experiência nova, de aprendizado. Acontece.

Você se arrepende de ter feito essa declaração? Você foi mal interpretada?

Não me arrependo. Acho que não foi o motivo esse. Poderiam ter inventado qualquer outro, mas não foi esse. Responderia da mesma forma, pois tudo pode acontecer. 'Você tá voltando para TV Bahia?'. 'Não, tenho contrato com a Record, quem sabe um dia'. Simples assim.

 

Você acha que o ambiente de TV é muito disputado? Como você avalia profissionais que vêm de outros estados para atuar aqui?

Assim, acho que o mercado está ficando muito inchado. Tem muitas faculdades, muitos jornalistas... acho que já tivemos uma safra muito  melhor de jornalistas, porém tem espaço para todo mundo... vai depender de quem chegar.

 

Como você avalia o papel da mulher no jornalismo esportivo, já que ainda é um ambiente masculinizado?

Quero que venham mais mulheres, quero que cheguem de peito aberto, se respeitando, bancando toda aquela história ali. Muita gente me pergunta se eu sofri algum tipo de assédio, discriminação. Bom, sempre rola, mas se você não der seu limite, já foi.

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