Ildázio conta o segredo do sucesso do seu trabalho e diz porque é contra a distribuição de cortesias
Ildázio Júnior é um dos promoters mais bem sucedidos de Salvador, no ramo do entretenimento. Com 42 anos, mas sempre antenado no que acontece no mundo jovem, ele faz eventos desde a época em que ainda estudava o ensino médio no Colégio Vieira. Totalmente avesso a distribuição de cortesias, ele faz uma revelação: ele não paga ingresso para ir a um show! Liga e pede. Ildázio também explica de onde vem a sua síndrome de garotão e os detalhes para o estourado réveillon do Simplesmente Luxo, organizado por ele.
Coluna Holofote: Com o que é que você trabalha, exatamente?
Ildázio Júnior: Além de fazer o Conexão Transamérica – eu faço rádio há quase 5 anos e hoje, graças a Deus, num trabalho despretensioso, eu consegui estar num horário nobre da rádio (das 18 às 19h) – então, além de estar voltado para o ramo da comunicação, que é uma coisa que vai estar em minha vida cada vez mais, muito mais do que qualquer ação de empreendedorismo meu, tanto escrevendo no Bahia Notícias, quanto trabalhando na Transamérica, que são dois veículos completamente maravilhosos, muito acessados, todo mundo ouve, então, para mim, é muito bom profissionalmente, também. E, além disso, trabalho com a Viramundo Produções, que antes era proprietária de alguns bares e deixou de ser para se tornar uma consultoria para bares, restaurantes e similares. A gente fez a Lótus, nós intermediamos a venda da Lótus para os novos sócios, criamos um conceito novo, reabrimos aí com todo vapor e ganhamos mais um prêmio Veja de melhor lugar para dançar. Além disso, tem o Hit Music Bar, que é um sucesso na Pituba, tem o Yoko Dance e o Bartolomeu Lounge, que a gente acabou de assinar o contrato, vai começar a consultoria agora.
CH: E este tipo de negócio é rentável, dá dinheiro?
IJ: Dá. Dá dinheiro, porque nós somos especialistas em fazer uma coisa que ninguém faz. As pessoas que fazem o que nós fazemos são os próprios donos. Ou são os empresários que vão fazer isso, ou não fazem. E a gente tem toda uma experiência em bar e restaurante, tanto em operação, quanto em marketing, enfim... E o que a gente criou, que gera até uma dependência, a gente criou um meio de dar a consultoria de A a Z: desde a criação do nome, do conceito, da cor dos móveis, ao DJ que vai tocar, as músicas que vão tocar, as bandas que vão tocar, às pessoas que vão estar dentro. Porque o que a gente tem é o que a gente chama de social. Depois de muito tempo, as pessoas confiam no seu trabalho, o trabalho da gente é reconhecido como um trabalho de nível, bem executado, a gente tem uma entrega. Então, a gente criou uma especialização e todos os empresários que estão com a gente, estão extremamente satisfeitos, porque se a gente ganha “x”, eles ganham “3x”.
CH: E a questão das cortesias? Como você lida com isso?
IJ: Eu lido de uma maneira tranqüila. Eu não digo não a quem merece ouvir não, porque é uma venda. E as pessoas que têm cortesias dos eventos que eu faço são jornalistas, porque de um jeito ou de outro estão ajudando, mulher bonita e as pessoas do meio, que fazem eventos, que são meus sócios em algumas coisas e eu sou convidado para determinados eventos, então, essas pessoas, quando querem ir, ligam e vão. Queria até deixar claro, que nem todos vão. As próprias pessoas que fazem evento, não gostam de ir para evento. Então, tipo assim, eu também não quero ir para todos os eventos. Tem alguns que eu vou e eu ganho convite. Quando eu quero ir, eu ligo. Porque eu tenho essa prerrogativa que as pessoas sabem que são duas mãos.

"Status é para quem paga e não para quem ganha"
CH: Então, fora as pessoas que você citou aí, você não dá cortesia, nem a um amigo?
IJ: Não. E se ele se chatear, eu não ligo. Porque eu não entro no posto de gasolina dele, não encho o tanque e vou embora. Então, isso é uma cultura que tem que ser, cada vez mais, iniciada, senão quem faz eventos vai depender, cada vez mais, de patrocínio e desse jeito, não vai rolar. Ou as pessoas colocam na cabeça que aquilo é um produto para ser vendido, ou... Porque quem ganha cortesia acha que isso é status. Status é para quem paga e não para quem ganha, em qualquer lugar do mundo. Aqui, as pessoas querem cortesia para dizer que é amigo do dono, que está inserido no contexto... Eu não faço isso.
CH: As outras edições do réveillon Simplesmente Luxo foram em Praia do Forte, este ano será em Busca Vida. Por que essa mudança?
IJ: A gente mudou para nova praia, continua o mesmo luxo. Existe uma empresa chamada Forte Produções que fazia o entretenimento da Praia do Forte e que era comigo e mais dois sócios. Nós, de uma maneira muito civilizada, coerente, correta e tranqüila, resolvemos nos separar, porque eu tinha um conceito e eles tinham outro. Então, eu tinha uma postura em relação à Praia do Forte e eles achavam que não. E hoje, inclusive, eles estão agindo como eu pensava anteriormente. Porque antes tinha uma dependência muito grande da prefeitura e eu acho que não tem que ter em prefeitura nenhuma, porque se o empresário quer levar uma benéficie a um município, tem que ser muito bem aceito e o prefeito criar condições favoráveis. E eu acho que o prefeito de lá não cria tantas condições favoráveis assim. Eu acho que a Praia do Forte precisa de entretenimento e não o entretenimento precisa da Praia do Forte. Então, a partir dessa prerrogativa, a coisa anda.
CH: Além do lugar, algo mais foi alterado no réveillon do Simplesmente Luxo ou segue o mesmo padrão das outras edições?
IJ: Mudou. Como eu te falei, é a questão da diferenciação do conceito. Então, só esse ano, a gente fez várias mudanças. Além do local, nós contratamos Giuseppe Mazzoni para fazer todo o projeto, que é desnecessário falar sobre ele, que é o cara que faz o Festival de Verão, o DVD de Ivete, o DVD do Chiclete, o Eva Nave... Os maiores eventos do Brasil, hoje, do axé, são feitos por ele. E ele tem uma compreensão absurda do que é entretenimento ou a arquitetura para entretenimento. A gente hoje se aliou ao Bahia Plaza Resort, que é uma cadeia de hotéis, que tem mais de vinte hotéis no Brasil inteiro e é uma coisa que, para nossa marca, no futuro, é uma coisa muito boa, porque existe a possibilidade de hoje estar fazendo o mesmo réveillon em duas, três capitais. Além disso, a gente trouxe para mais perto, a gente não está a 60km mais, nós estamos a 8km e isso sempre foi uma barreira muito grande para a venda: a distância e a falta de local para se hospedar em Praia do Forte.
CH: O espaço do evento foi programado para comportar quantas pessoas?
IJ: Mil e seiscentas pessoas.
CH: E hoje, já tem quantos vendidos?
IJ: A gente já vendeu novecentos. Eu acredito que hoje, proporcionalmente falando, nosso réveillon é o que tem o melhor número de vendas. Se você pensar que uma Ivete tem oito mil pistas para vender.
CH: Agora, você não acha que os réveillons estão caros demais, não?
IJ: Acho. O meu réveillon eu acho maravilhoso! Meu réveillon custa R$ 400,00. Um casal, que geralmente vai o casal, um casal custa R$ 800,00 e não R$ 2.000,00, nem R$ 1.600,00. E eu insisto no conceito Simplesmente Luxo, porque nós não temos banda como fator principal de venda. Nosso conceito é simplicidade com luxo. A banda faz parte, também. O mais importante é o serviço que a gente dá... De bebida, de comida, localização, de tudo. A gente não vislumbra a banda, apesar de achar a banda extremamente importante, tanto que, para mim, a Chica Fé é uma banda que está num momento maravilhoso. Já foi Motumbá no começo, Vixe Mainha, André Lélis, então, a gente faz uma faixa de bandas que estão acontecendo e que acham que o réveillon agrega valor à carreira deles e não que nós precisamos completamente da banda como fator dependente, porque no próximo ano, se eu botar um Chiclete, podem me pedir um Rolling Stones e eu não tenho dinheiro para comprar um Rolling Stones.
CH: E carnaval? O que você está programando para este carnaval?
IJ: Até agora eu não vou fazer nada e eu não estou querendo fazer muita coisa, não. Porque eu devo ter mais uma festa para fazer nessa linha do Simplesmente Luxo e que toma muito tempo. E até agora, como ainda não aconteceu nada, eu acho difícil que eu venha a fazer alguma coisa no carnaval.
CH: Mas você não ia fazer o camarote da Lótus?
IJ: É. Tudo começou na Lótus com a minha ida para São Paulo, para fazer o camarote no carnaval. Não sei se vai acontecer, por conta que o nosso contrato com a Lótus foi encerrado, era um contrato de seis meses e foi feito para ser de seis meses mesmo. As pessoas imaginam que “ah, você saiu da Lótus”, as pessoas querem factóides: “ Ildázio saiu da Lótus por isso”. Não, eu não saí da Lótus por isso, eu saí da Lótus porque meu contrato se encerrou e foi feito para encerrar e não tem mais espaço na minha produtora para lá, porque o que a gente recebe por mês, não vale à pena. A gente é honesto em dizer: “cara, vocês não precisam pagar a gente, a gente tem o prazer de, em qualquer momento, se precisar de alguma coisa, de estar voltando aqui”. Mas eu não posso e nem me sinto bem em cobrar o que já está andando por ela mesma, não precisa mais do trabalho da gente. O que é diferente dos bares, que precisam de um trabalho mais assíduo.
CH: Natália Comte, nossa colunista, disse uma vez que você tem a síndrome de Peter Pan, que ainda se acha um garotão, o que você me diz sobre isso?
IJ: Eu acho que eu sou um cara moderno. Moderno, não que isso é coisa de v$%*&... Mas eu acho que meus processos sempre foram mais, mais... Assim, eu casei com 40 anos, eu vivo na noite, eu convivo com gente jovem o dia inteiro, meu relacionamento é com gente jovem. Hoje, trabalham para mim, dez promoters entre 20 e 25 anos, estou diariamente com eles, então, eu estou muito atualizado com o que acontece no mundo jovem. Os meus negócios precisam de jovens, porque eles são antenados e eu gosto muito. Eu nunca fui muito ortodoxo, minha vida foi sempre de uma maneira mais contemporânea mesmo. Eu não gosto, eu tenho um estilo de vida que não se assemelha a... Eu nunca quis ser mais velho.

" Quem vai me dar essa idade? Um coroa bonito e malhado como eu"
CH: E você tem algum problema com a sua idade?
IJ: De jeito nenhum. Eu tenho 42 anos. Quem olha para mim vai dizer? Um coroa bonito desses, malhado. Minha esposa tem 24 anos.
Por Fernanda Figueiredo