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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Fernando Bulhosa - Carnavalesco e presidente da ABT

Fernando Bulhosa: Na verdade já faz tempo. O Internacionais já faz parte de minha vida desde os 15 anos, quando andava no meio da turma mais antiga dentro do bloco. E aí fui gostando da coisa. Aliás, isso parece que já nasce com a gente. Então bem jovem comecei a tomar conta da parte carnavalesca dos Internacionais, mesmo com a diferença de idade grande se comparado aos que comandavam o bloco naquela época. Daí fui gostando e fui entrando no carnaval, que naquela época era completamente amador.

Coluna Holofote: Bulhosa, como você começou a se envolver diretamente com o carnaval e fazer parte dos Internacionais?

 

 

CH: Carnaval amador em que aspecto?
FB: Você o fazia por emoção. Talvez seja por isso que os carnavalescos mais antigos e que se profissionalizaram como eu, ainda briguem pela instituição Carnaval, pois a gente entende que o carnaval é a grande força de todos nós. Então não adianta eu brigar pelos Internacionais e o Camaleão ou o Me Abraça se preocuparem só com eles, se eles não se preocuparem em ajudar o carnaval e se o carnaval não tivesse forte. Porque assim acaba o carnaval e vai se fazer carnaval lá fora. E a razão do carnaval lá de fora é o carnaval que nós construímos. Quando digo nós, eu me incluo também porque eu também participei muito da construção junto com o conselho. Antigamente o carnaval era totalmente desorganizado, onde cada um fazia o que queria. O Internacionais, por exemplo, saía onde queria, no horário que queria. Aí você não tinha mídia, e não tinha a iniciativa privada investindo. Então nós sentíamos essa necessidade de construir esse carnaval profissional. Por isso que há 20 anos atrás nos criamos a bendita fila dos blocos e a partir de então começaram a surgir os camarotes, televisões, jornais, rádios transmitindo o carnaval do Campo Grande. Criamos o critérios de idade para a fila o Internacionais que é o mais velho sai primeiro na fila, o segundo mais velho é o Coruja, e assim sucessivamente. A iniciativa privada começou a investir a partir da organização e hoje temos mais de 700 empresas privadas entrando no carnaval e participando, umas com mais verbas e outras com menos verbas. Hoje temos a mídia do Brasil inteiro mostrando o carnaval de Salvador.

 

 

CH: Daí surgiu o circuito Dodô?
FB: Sim. A partir da organização da Avenida, criou-se o carnaval dos alternativos quinta, sexta e sábado na orla. E depois domingo, segunda e terça, e trouxemos outras entidades afros e afoxés e os independentes. É tudo folclore quando atualmente se vê um determinado bloco reclamando que só sai oito horas da noite e não tem mídia; ele sai essa hora porque quer, porque para entidade afoxé e afro esse é o melhor horário pra sair. Inclusive, existem muitas entidades carnavalescas que por conta da própria religiosidade que eles tem, não podem sair antes do por do sol. Isso é desconhecido, mas é verdade. Então mesmo que eles queiram, existe um ritual deles próprio e que eles têm que respeitar.

 

 

CH: Então são críticas infundadas?
FB:
Sim. Por exemplo, você acha que se o Ilê ou o Olodum quisesse sair uma hora da tarde na Avenida não sairia? É claro que sairia, porque são entidades que se respeitam. Mas eles não querem. Ano passado, pra se ter uma idéia, o horário do Ilê era oito horas da noite, eles só chegaram no campo grande às nove. Então essas são críticas de lobby pra faturar e ganhar mídia, pra ganhar dinheiro, pra mostrar que é o coitadinho, que está precisando de um grande patrocínio, o que muitas vezes acaba acontecendo; é uma idéia até inteligente. Hoje os Filhos de Gandhi, Olodum e Ilê são entidades que têm um faturamento muito grande; com fins lucrativos. Tudo bem que eles fazem os projetos sociais, mas ganham muito dinheiro com isso. Se você como repórter quiser esmiuçar isso, você vai tomar um susto com a ‘força’ dessas entidades. Mas está todo mundo bobinho, caladinho enquanto tem gente comendo pelas beiradas [rsrsrs]. Já nós, dos blocos que estão na vitrine recebendo pedrada sempre, tivemos um papel importantíssimo na questão da organização do carnaval. Construímos junto com os poderes públicos o carnaval. Inclusive botamos grana quando a prefeitura precisava, porque a gente entendia que a festa é mais importante que todos nós.

 

 

CH: E quando o carnaval realmente começou a se profissionalizar?
FB:
Lídice da Mata foi quem realmente começou a profissionalizar o carnaval. E a partir de então começou a surgir o carnaval mais organizado. Depois veio mais oito anos do prefeito Imbasahy e agora o prefeito João Henrique, onde temos que destacar a participação de Misael Tavares na Emtursa. Nos dois primeiro anos da gestão de João Henrique não tivemos um bom relacionamento, por ele não entender a nossa argumentação sobre a festa e que o carnaval era mais importante que o turismo em si. Ele não entendia que o carnaval é quem tinha verdadeiramente a grande força. Talvez por falta de assessores mais antenados com a festa. E na verdade quem sempre comandou a Emtursa foram políticos, nunca teve um carnavalesco de fato, quando entrou Misael. Ele que fez uma boa festa no ano passado, esse ano está pegando um ano que houve um confronto político, mas ele já vinha se preparando, pois chamou quem faz o carnaval pra conversar. Hoje você tem diálogo dentro da Emtursa, hoje você sabe o que vai haver, as programações da avenida, da barra, dos bairros, etc. Isso chama profissionalismo implantado por Misael Tavares, que também foi bloqueiro.

 

 

CH: Como você foi escolhido para ser Presidente da Associação de Blocos e Trios (ABT) e o que você está fazendo para que o carnaval continue nesse processo evolutivo?
FB:
Na verdade o título de presidente é simbólico. Nós somos um grupo de trabalho. Eu, até por ser o mais experiente no carnaval, talvez tenha certa liderança, mas todos nós participamos. Nada é feito aleatoriamente. Nós das entidades carnavalescas nos comunicamos muito, apesar de muitas pessoas pensarem que não há comunicação. Pra você ter uma idéia, ontem nós fizemos uma reunião na Emtursa e tivemos o privilégio de conhecer o secretário da Sucom. Sucom é o bicho-papão, todo mundo tem raiva do cara, sem nem o conhecer. Nós conversamos e ele demonstrou uma grande capacidade de gerenciamento da secretaria, de querer acertar. Já se fala em criar uma central de licenciamento de festas, incluindo carnaval, num local público o  shopping. Quando alguém quiser fazer uma festa, é só ir nessa central e acertar toda parte burocrática. Não precisa correr pra SET, Sesp, Sucom, porque isso é um absurdo. Porque numa cidade festeira como a nossa, tem que ter um órgão funcionando desse jeito. E para nossa surpresa, o secretário está dando show de bola. Isso significa que algumas festas que estavam migrando para outros locais, voltarão a ser realizadas aqui em Salvador devido a esse entrosamento.

 

 

CH: Como presidente da ABT, quais as principais falhas que você percebe no Carnaval de Salvador?
FB:
Uma é a burocracia de se acertar festas hoje.Acho que essa central que vai ser construída agora pela Sucom é muito importante. A segunda falha ainda é a falta dos poderes públicos entenderem que o carnaval de Salvador é o ‘macro’ da cidade e do Estado. As pessoas se enganam quando dizem que quem ganha é só a cidade, pois o Estado ganha muito. O investimento que o governo do estado faz é muito pequenininho para o que ele recebe, tanto financeiramente quanto promocionalmente. Então eu acho que deveria ter uma campanha nacional forte do verão e do carnaval de Salvador. Você pode ver que há campanhas pra levar todo mundo pro Rio; tem Recife que faz um carnavalzinho pequenininho e está querendo, inclusive, derrubar o nosso. E aqui, na verdade quem divulga as festas são os artistas da cidade, que vão fazer carnavais fora de época, que aparecem em todos os programas de TV divulgando o carnaval. Então tanto a Emtursa quanto a Secretaria de Cultura do Estado, que é quem toma conta do carnaval, devem promover mais o carnaval. Outro ponto é a fraca atuação dessa administração com o Pelourinho. O centro histórico está largado. Soube agora que a Emtursa vai fazer um trabalho pra revitalizar o carnaval do Batatinha,  que tem que ser organizado. Outra coisa que também é polêmica, é que não se pode permitir mais que entidades que não tem nada a ver com o carnaval ganhem dinheiro. Muitas vezes o governo gasta milhares e milhares de reais investindo numa entidade que na verdade nem sai no carnaval e depois ninguém se preocupa com a prestação de contas. Outra coisa que o carnaval da avenida precisa é da decoração. Aquela avenida tem uma parte que mostra uma favelização total. Então tem que liberar essa parte pra colocar propagandas de patrocinadores. Nós nos propomos a dar um carro de presente para a melhor varanda ou melhor marquise, pra dar um glamour ao carnaval da Avenida. A praça castro Alves também tem que ser melhor pensada para o carnaval, mas quem tem que fazer isso são os poderes públicos. A questão dos táxis, arquibancadas e de sanitários públicos também deixam a desejar. Ou seja, faltam algumas coisas no carnaval que não dependem em si da montagem, porque se o carnaval fosse hoje, a estrutura, a organização e a ordem do desfile estariam prontas.

 

 

CH: E qual a solução para esses problemas?
FB:
O carnaval desse ano não vai mais começar da parte do Campo Grande, vai começar desde a entrada da Vitória, dando mais espaço pra arquibancadas gratuitas para o povo. Não tem como fazer o carnaval dos bairros se não há diálogo com as associações para saber que tipo de programação eles querem. Inclusive, a abertura esse ano vai ser em Periperi e em primeira mão já posso dizer que será com o Ara Ketu, que nasceu lá. A Emtursa está tentando conseguir grandes artistas para ser o rei a rainha da folia, pois o Rei momo já está superado. Veja quantas polêmicas envolveram o rei momo. Então é melhor escolher um artista legal que represente o rei e a rainha da folia; isso Misael está tentando conseguir. Essas e outras medidas estão sendo tomadas para melhorar ainda mais o carnaval.

 

 

CH: Os camarotes enfraquecem os blocos?
FB:
Não, pelo contrário. Quem é folião de rua brinca na rua. Quem é mais glamoroso e quem gosta de gastar dinheiro vai pro camarote. O carnaval hoje é plural e dividido pra quem tem muito dinheiro, pra quem tem uma condição razoável, para quem tem pouco dinheiro e quem tem quase nenhum dinheiro. Tem bloco e camarote de todos os preços.  Pra você ter uma idéia, muitos carnavalescos voltaram para os blocos depois dos camarotes. Eu acho que o camarote somou e trouxe glamour para o carnaval. Hoje muitos artistas de TV vêm pro carnaval de Salvador, saem da escola de samba e vem pra cá, e os camarotes são responsáveis por isso. Mas tem camarotes simples onde um cara faz compras num shopping e ganha um cupom pra ganhar o camarote.

 

 

CH: Você disse que o carnaval é plural, mas ele é democrático também?
FB:
É sim. Você só compra o bloco Me Abraça se você quiser e tiver dinheiro, mas você também pode comprar um bloco que sai três dias por 50 reais e que pode pagar em dez vezes. Nós temos um bloco médio que é o Alô Inter. É um bloco bom, com toda infra-estrutura e que você compra em até doze vezes de R$ 23. Mas todo mundo pode comprar de acordo com suas necessidades financeiras. Nem o governo nem a prefeitura têm condições de colocar Ivete, Chiclete, Asa, Claudinha, Araketu e Jammil, por exemplo, na rua e pagar o cachê. Quem faz isso são os blocos, que ganham e muitas vezes perdem dinheiro com isso.

 

 

CH: No geral, quem tem bloco de carnaval atualmente ganha dinheiro?
FB:
Os que sabem trabalhar o ano inteiro ganham dinheiro ou pelo menos não perdem, mas os que não sabem trabalhar já foram embora. Ainda tem aqueles aventureiros, que a cada ano que passa querem botar um bloco pra ver se ganha dinheiro. E tem os oportunistas, que pegam o dinheiro do governo, da prefeitura, e não saem dia nenhum. São essas pessoas que temos que cortar do carnaval, para a festa ficar bem profissionalizada.

 

 

CH: No Carnaval 2009 terá atrações de peso nos bairros?
FB:
Tem o Ara Ketu, que numa iniciativa fantástica vai tocar na abertura do carnaval em Periperi. Nos bairros a Emtursa está, inclusive, viabilizando blocos com bons trios, e não terá atrações mambembes, serão atrações boas. Na liberdade, por exemplo, que sempre teve a característica de bloco, você monta um palco com uma banda que ninguém ouviu falar, e ainda querem que o povo da liberdade fique lá? Isso pra mim é uma falta de respeito com a comunidade. Temos que colocar atrações de peso, escolhidas pelos próprio bairro. É por isso que eu gosto a administração de Misael Tevares, porque ele está dando essa abertura para o diálogo.

 

 

CH: A infra-estrutura nesses bairros não deve ser revista?
FB:
Certamente. Mas a Emtrusa também está revendo isso.

 

 

CH: Você é a favor da criação do quarto circuito do carnaval de Salvador?
FB:
As pessoas falam em criar um quarto circuito, mas não se questionam se a PM tem contingente pra suportar isso, se os blocos vão querer desfilar nesse circuito novo, se a secretaria de Saúde está preparada para isso. Então as pessoas falam as coisas aleatoriamente.

 

 

CH: Mas como conter o crescimento do carnaval?
FB: Com a criação de um quarto circuito, pensado com calma e pra daqui a três ou quatro anos. Mas pra isso temos que nos preparar agora, saber as entidades que vão pra lá, qual a característica desse circuito, onde vai ser. Já surgiram várias alternativas, mas tudo tem que ser pensado em detalhes.

 

 

CH: Para você, qual é a alternativa?
FB:
Eu tenho uma alternativa de circuito, que algumas pessoas dizem que não serve, mas que para mim seria o melhor e mais bonito circuito de Salvador, que seria o Dique do Tororó. Ali é um lugar fantástico. As pessoas não querem por causa do Dique. E o que é que tem? Você tapuma o dique todo e vende aquilo ali pra patrocinadores, você faz arquibancadas ao redor do Dique, como fizeram numa prova de corrida há algumas semanas. Porque que não podemos fazer isso no carnaval? Você já pensou os trios circulando ali e no espaço da Fonte Nova colocar um mega palco pra 40 mil pessoas e depois do desfile fazer shows pro povo? Seria maravilhoso. Não teria problema com estacionamento. Mesmo que não seja pra fazer o carnaval ali de quinta a terça, faria somente domingo, segunda e terça, onde o fluxo de pessoas é maior na Barra e na Avenida. E se fizerem mesmo, inclusive, eu levo um bloco meu lá, o Alô Inter pra desfilar. Imaginem fazer a abertura ali com Carlinhos Brown no meio do dique, montado uma estrutura com palco? Seria notícia no mundo inteiro. Agora, carnaval no Comércio é que não pode, porque é a única saída que temos pra suportar o fluxo de carros e de pessoas. No Comércio atravancaria o trânsito. No Dique não teria esse problema, mas caso queira realmente criar esse circuito futuramente, tem que ser pensado agora!

 

 

CH: Você acha que com esses ‘aventureiros’ no carnaval, há a tendência de enfraquecimento e de que as cordas acabem?
FB:
Há, sim. Isso é preocupante, porque o folião se desmotiva porque vai ficar pensando se o bloco vai sair ou não. E os profissionais competentes que tem anos no mercado, se prejudicam. Acho que tem que ter uma fiscalização maior com esses oportunistas. Tem que ter um CNPJ que garanta que ele vá desfilar, tem que saber a idoneidade dele. Porque pra montar um bloco a pessoa tem que se inscrever na Emtursa e passar pelo conselho do carnaval, que é o órgão máximo do carnavall. As pessoas muitas vezes desconsideram, mas o Conselho é quem organiza o carnaval e a prefeitura executa com um representante da Emtursa, um da Bahiatursa e um do Conselho.  Isso também envolve secretarias dos governos estadual e municipal, PM, etc.

 

 

CH: Falando em PM, o que você acha da segurança no Carnaval de Salvador?
FB:
A Polícia Militar é realmente a grande responsável pela realização do Carnaval de Salvador. Essa estrutura, inclusive, sempre tem diálogo com os carnavalescos. Essa integração entre a polícia e os carnavalescos fez com que a polícia chegasse a uma outra compreensão. Tem muita gente que ainda tem que se enquadrar, mas eles têm um esquema de trabalho perfeito, que não pode ser desprezado. É por isso que quando pensamos em qualquer coisa no carnaval, temos que pensar na PM primeiro.

 

 

CH: Qual a arrecadação do Carnaval hoje?
FB:
Através dessa organização, o carnaval de Salvador, que arrecadava 1,6 milhões, arrecadou ano passado R$ 8 milhões e esse ano já está em R$ 11 milhões de reais. Isso é profissionalismo e profissionais certos.

 

 

CH: Quais cotas já estão definidas para o Carnaval 2009?
FB:
Oficialmente eu não posso garantir. Mas eu soube da Nextel, da Schincariol, Banco Itaú e outra que eu ainda não sei qual é. Isso sem contar com as cotas menores. Hoje é interessante investir no Carnaval. Misael na Emtursa trouxe grandes empresas pra captação de patrocínios. Antigamente se reclamava porque ‘fulano’ ganharia 20% em cima em cima do valor negociado. Ou seja, as pessoas não estavam preocupadas com quanto iria entrar no carnaval, e sim com quanto você vai ganhar. Então você traz 20 milhões, mas só porque você vai ganhar sua comissão, as pessoas não gostam. Querem que você trabalhe na captação e não ganhe nada. Mas essa filosofia mudou. A Petrobras, por exemplo, está entrando no carnaval. Há subsídios para entidades afro descendentes que se respeitam. Eu acho válido, porque antes esses valores saiam da prefeitura, e hoje saem da Petrobras através da lei Rouanet. A prefeitura está trazendo os investimentos e nós carnavalescos nos preocupamos com os investimentos nos blocos e com as atrações da festa, apesar de ter muita gente querendo matar o carnaval.

 

 

CH: Para você a tendência do carnaval da Avenida é popularizar e o da Barra é elitizar?
FB:
Não. A gente fala, fala e fala, mas Ivete está na Avenida, Chiclete está na avenida, o Asa não está na Avenida porque para ele financeiramente é mais cômodo ficar na Barra, mas ao artista Durval Lélys gostaria de tocar na avenida. Saulo da Banda Eva adora a Avenida e não quer sair de lá. Aí a gente percebe que o dia em que mais vende abadas do Camaleão não é o da Barra, do Coruja também não é o dia em que se apresenta na Barra.

 

 

CH: E porque essa tendência dos blocos migrarem um dia para a Barra?
FB:
Aí é a vaidade. Muitas vezes não é nem do artista, mas do empresário. Aí vão colocar seu Bell (Marques) pra tocar na Barra 15:30 com o sol na cabeça; é claro que ele não vai gostar. Eu acho que essa coisa é uma bobagem. As raízes de nossa cidade é tão forte, que o carnaval da Barra só começa entre 17h30 e 18h00. A verdade é essa e as pessoas não gostam de ouvir. Por maior atração que o Chiclete seja – e ele é – você não vê a repercussão de Bell na Barra, mas você a repercussão de Daniela no horário em que ela desfila. Ela coloca um show que às vezes as pessoas não gostam muito, mas que aparece na mídia. A característica da Barra é 17:30. Tanto é que antes disso você não vê um camarote funcionando, e se funcionar será vazio. A Avenida meio-dia está lotada. É um fenômeno. Então quando um bloco desses desce um dia pra Barra, só abre espaço para outros chegarem. Não adianta querer derrubar a Avenida pra levantar a Barra. Se acontecer isso acaba tudo, porque a Barra não suporta cinco blocos grandes de vez.

 

 

CH: Porque há uma tendência de os empresário montarem camarotes na Barra e não na Avenida?
FB:
Não. O que acontece é que a Avenida não tem espaço. No Campo Grande tem o Caranvalle, tem o da Central, tem um num estacionamento que é uma mão-de-obra pra conseguir o espaço, tem no Forte de São Pedro, que estamos tentando conseguir através de licitação, tem o da PM tem o do Ilê e o da Casa D’Itália. Então não tem mais espaço, a não ser que fosse na Praça Castro Alves ou no jardim da Piedade.

 

 

CH: Você acha justo o preço alto de alguns blocos no Carnaval de Salvador?
FB:
Eu particularmente acho que pro mercado está um pouco salgado. Não só o abadá como o hotel e as passagens aéreas. A nossa salvação em relação ao turista é que o dólar está alto, porque assim fica melhor pra ele vir pra Salvador. Mas considerando passagem e hospedagem, o abadá é o mais barato. Agora, tem blocos muitos bons com preços excelentes. Mas reconheço que alguns blocos poderiam ter outra regra de preço, mas são muitos poucos. Mas eu acho que o carnaval ainda é democrático.

 

 

CH: Quantas taxas se paga para colocar um bloco na rua?
FB:
É uma porrada. Eu não lembro quantas, mas do jeito que está, até o pensamento você paga. Cada um acha que tem que dar uma mordida e lança taxas. E hoje é difícil você colocar bloco na rua, porque se você não pagar as taxas em um ano, você não sai no outro. Tem a delegacia do trabalho, que exige mundos e fundos para o cordeiro e o cordeiro não te da uma garantia de nada. Eu nunca vi uma relação de trabalho assim. Nós somos obrigados a dar lanche, protetor solar, etc, e os cordeiros podem nem estar na corda, podem chegar bêbado e até agredindo os foliões do bloco. E nós não temos a quem recorrer. São regras impostas de cima pra baixo e que devem ser revistas.

 

 

CH: Tem muito bloco aí vivendo sem lucro?
FB:
Ah tem. Tem uns batendo na trave. Tem muito bloco arrendando espaço, passando pra outros, fazendo parcerias.

 

 

CH: Como será o carnaval do Internacionais e do Alô Inter?
FB:
O bloco Internacionais, além de abrir o carnaval, está indo para seus 48 anos de existência e vem esse ano vem com Claudia Leitte no domingo, numa parceria que nós queremos aumentar – e muita gente vai ficar chateada com isso. Na segunda nós saímos com Voa Dois, que é uma banda que eu acredito muito, m grandes empresários por trás como Maron e Lucas (Penteventos) e uma turma muito competente que trabalha lá. E na terça-feira saímos com Tatau, que para mim é uma grande atração. Acho que estamos com uma grade boa para o Carnaval 2009. Temos o Alô Inter, que para mim é um dos grandes alternativos de Salvador, num horário privilegiado, onde quinta-feira saímos com o Rapazolla, na sexta vamos sair com o Psirico, para mim um dos grandes fenômenos da música dessa terra, e na sexta-feira vamos sair com a Voa Dois. E temos também o bloco Furacão, onde domingo e terça sai com Psirico e segunda com Saia Rodada. Participamos da licitação com grandes chances de vencermos no Forte de São Pedro, é um camarote pra 1.800 pessoas.

 

 

CH: Falando nisso, há possibilidades de Claudia Leitte virar sócia do Inter?
FB:
Se ela quiser, aceitamos na hora. Seria uma grande sócia para o Inter; estamos de braços abertos para ela [rsrsrs]. Mas tem muita gente que não está gostando dessa parceria.

 

 

CH: Por quais motivos?
FB: Porque ela tem outros parceiros, e se ela ficar comigo, o cara que tá lá do outro lado vai ficar retado. Aliás tem gente que já não deve estar muito satisfeita porque eu consegui parceria de um dia com ela, imagine se eu tivesse feito dois ou três dias de parceria? Enfim, toda equipe de claudinha é formada por grandes profissionais, incusive o marido dela, marcio pedreira, e ela so continua com a gente se ela quiser e gostar, se ela achar que é importnate pra ela. Nós não somos de forçar a barra, mas as portas estao sempre abertas pra quem quiser ser parceiro da gente.

Por Rafael Albuquerque