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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Adelmo Casé - Negra Cor

Coluna Holofote: Queria que você falasse como e quando você decidiu que queria trabalhar com música e que ser cantor seria sua vida?
Adelmo Casé: Aos 14 anos entrei meio que de pára-quedas. Fui fazendo uma brincadeira com os amigos numa pizzaria e comecei a tocar percussão e fazer backing vocal de forma despretensiosa. Acredito que a música tenha entrado mesmo com uma visão profissional para mim, uma visão de futuro, depois que comecei a fazer barzinho sozinho, cantando e tocando violão, já com uns 19 anos de idade. Ali, mesmo fazendo faculdade, previ que o que eu amava fazer estava me dando dinheiro. Então foi essa realidade que bateu em minha porta e eu pensei: será? Mas esperei um pouco mais de tempo, até 1998, para fundar a minha primeira banda, a Funk Machine. Apesar de ter acompanhado vários artistas como músico, backing vocal e percussionista, foi ali que tive a noção de que poderia ter um trabalho próprio, um trabalho autoral, uma banda que as pessoas começaram a gostar; foi um marco. Então foi com a Funk Machine que eu decidi em 1998.

 

CH: Mas depois da Funk Machine você passou pelo programa “Fama”, da Globo. Como foi o processo de sua escolha até sua saída? Houve indicação?
AC:
A própria seleção já partia de uma certa indicação, porque todas as afiliadas da Globo no Brasil inteiro  tinham que pré-selecionar artistas para gravar um vídeo com uma música qualquer, para esse video ser mandado para a direção no Rio de Janeiro avaliar. Então, chegaram lá pela rede Bahia cerca de 15 a 20 artistas; e nesse meio estávamos eu e Nalanda. Chegando lá havia mais de mil fitas de todo o Brasil. Houve uma seleção em que fiquei entre os quarenta. Foi aí que houve o contato do Rio diretamente comigo, perguntando se eu queria participar das etapas previstas. Mas quando viajei eles disseram para ir com roupa para dois ou três meses, porque se o programa engatasse e eu fosse para a final, teria que ficar lá mais ou menos esse tempo. Eu fiquei por 84 dias. Na seleção, dos quarenta, só doze ficaram.

 

CH: Houve alguma frustração por parte sua de não ter faturado o prêmio principal?
AC:
Sinceramente, eu enxergava que o grande mérito daquele programa não era o prêmio final, não me pergunte como [rsrsrs]. Mas tinha essa noção porque para mim seria quase impossível depois dali, eu não consegui montar uma carreira, mesmo não ficando em primeiro. Via certas coisas que a galera falava e se aborrecia e eu procurei passar batido por isso; tanto que muita gente falou que eu perdi porque ajudava todo mundo [rsrsrs]. E quanto a confiar no voto dos telefones, dos computadores, nunca confiei. Então pra mim foi de bom tamanho estar na final, e foi o que aconteceu. Quando deram o resultado pra Vanessa (Jackson), pensei que teria quer organizar minha vida com o que tinha conquistado.  Mas é claro que ninguém entra pra perder; queria ter saído vencedor, evidente, mas eu não me incomodei nem um pouco de não ter conseguido. Dali em diante comecei a trabalhar, a pensar no CD, pensar se voltaria para a Funk Machine, se iria voltar a morar em Salvador. Depois decidir morar no Rio de Janeiro, onde fique mais de três anos.

 

CH: Você achou que com a saída do “Fama” você ia estourar de uma hora para outra ou que o processo seria mais tímido, com mais cautela, como realmente foi?
AC:
Eu pensei que ia queimar algumas etapas, porque a gente via a febre das pessoas na rua. No Rio de Janeiro, quando eu chegava nos restaurantes tinha que falar com mais de cinqüenta pessoas. Mais ou menos como acontece hoje comigo na Negra Cor, mas com um pouco de diferença já que sou daqui da cidade e tenho uma história de anos. Mas lá, em menos de noventa dias eu fui transformado numa celebridade nacional. Então pensei logo que aquilo seria uma forma de gravar um CD mais rápido e ter pelo menos uma agenda bacana pra trabalhar; eu só pensava nisso. Como eu que fechava todos os shows da Funk Machine, então já sabia das dificuldades de ter uma boa agenda pra trabalhar e ganhar uma grana. Nunca pensei em ser mega, não tinha aspirações em ser pop star. Queria apenas ter minha agenda, levar meu trabalho às pessoas, vender meus CDs e fazer uma carreira sólida, como muitos artistas brasileiros fazem sem mesmo vender um milhão de discos. Mas realmente pensei que não ia recomeçar do zero, e sim que ia adiantar algumas etapas. Acabou que não aconteceu por uma série de fatores.

 

CH: Porque depois do “Fama” você decidiu fazer carreira solo e só depois montou uma banda? O que aconteceu nesse meio-tempo?
AC:
Pensei que ao sair do “Fama” seria difícil recuperar o nome Funk Machine, até mesmo porque não havia interesse empresarial no nome. Então eu adaptei logo e decidimos que iria ser o Adelmo Casé. Aí sendo Adelmo Casé, pensei em fazer um disco, que demorou porque fiz por conta própria. Saiu caro porque gravamos com os melhores músicos do Rio de Janeiro. E pensei que aquilo ali seria um passaporte para um trabalho mais consolidado. Mas sem dinheiro pra colocar as músicas nas rádios seria difícil.

 

CH: Mas você já saiu com o intuito de fazer carreira solo?
AC:
Foi, porque eu e Rogério, que está comigo desde a época da Funk Machine, já tínhamos avaliado que a banda tinha um nome muito regional e que demoraria certo tempo para emplacar a marca. E como o nome Adelmo Casé estava mais em evidência, a carreira solo seria mais viável naquele momento. E foi por isso que optamos em fazer, inclusive o nome do CD foi Adelmo Casé. Trabalhei esse CD até 2005, quando tive a idéia de montar a Negra cor com Mano Góes e Paulo Borges.

 

CH: Essa decisão foi porque a carreira solo não deu certo?
AC:
[rsrsrs] A carreira no Rio não estava deslanchando; até por não ter um empresário forte lá, não ter muitos contatos, e eu queria colocar a carreira nos trilhos, mas ali eu não estava no caminho certo. A parte artística é muito importante e eu estava até satisfeito com o que estava fazendo, mas a parte empresarial não estava andando. E quem é o artista hoje sem um bom empresário? Então essa peça eu não tinha. Em 2005 em vim à Salvador fazer um show pra depois voltar pro Rio. Mas nesse período entrei em contato com Mano Góes de uma forma inusitada, numa reunião na casa de amigos. E ele me perguntou como estava minha carreira. Ele se interessou pelas minhas composições e achou que tinha potencial. Mano também perguntou como estava minha parte empresarial. Respondi que estava com Rogério, batendo cabeça, fazendo show e sobrevivendo. Foi então que ele pediu pra levar meu trabalho pra Paulo Borges, que foi o cara que repaginou o Jammil, que trouxe o Jammil de uma realidade difícil e o colocou no patamar em que está. E a partir daí as conversas foram acontecendo e chegou-se à conclusão de que eu queria voltar a ter uma banda. Não sei porque, mas hoje é muito mais fácil pra uma cantora ter uma carreira solo [rsrsr]. Como a Funk Machine tinha sido uma experiência maravilhosa pra mim, então resolvemos montar uma banda e dividir a ‘responsa’ com outras pessoas. Aí eles acharam também que isso era o melhor pra mim. Foi quando a Negra Cor se formou de verdade e fez o primeiro show em novembro de 2005. A idéia que me passaram foi que já que minha carreira solo não andava lá, podíamos fazer algum trabalho aqui em Salvador voltado pra música baiana, mas com minhas influências. Isso foi o ponto certo, porque se fosse simplesmente pra fazer 100% axé, repetindo a fórmula que já há algum tempo, eu não faria. A idéia era tornar a música baiana particular na medida do possível. Então trouxe logo o DJ e o lance da música eletrônica, que é fundamental, a mixagem e a fusão de uma música com a outra também vieram comigo desde o início. E com isso a loucura – no bom sentido – começou a pintar. E quando a gente viu que o público começou a reagir bem com isso, começamos a ter uma linha de trabalho, que começou com “Barulhinho Bom”, onde as pessoas percebiam que ali tinha um funk por baixo da música baiana. Mas na essência a banda é de música baiana e a gente tem muito orgulho disso.

 

CH: Em sua origem e história musical você não se dedicava ao axé como o faz na Negra Cor. Você decidiu inserir mais o ritmo para atingir um público ainda não alcançado e com isso fazer mais shows?
AC:
Na verdade as pessoas pensam que minha trajetória no axé começou com a Negra Cor, e não é verdade. Fiz parte do Bragadá em 1999, como percussionista e cantor. Tive a vivência de um ano com a banda e gravei um CD pela Sony com eles. Além disso eu era percussionista antes de cantor, e já tinha o trabalho de tocar com artistas; era uma vivência do dia-a-dia. Na verdade, aprendi a tocar a admirar a percussão pelo axé. Então eu parei com isso na Funk Machine; esqueci meu lado percussionista. Mas a vontade estava sempre dentro de mim, porque era uma paixão. Tinha a vontade de inserir isso de novo, mas na Funk não dava; na carreia solo era pior, pois era mais sofisticada ainda. Então pensei que tinha que ser num ritmo baiano, porque como você falou, o mercado é muito bom, atrai e enche os olhos. E nenhum artista, se puder fazer um show pra trinta mil pessoas, fará pra apenas trinta. Uni o útil ao agradável, pois a música que estava me propondo a fazer era agradável e tinha a ver com o que eu era, e depois de experimentar que as pessoas estavam gostando, resolvemos continuar e dar conteúdo, fazer uma linha que tivesse uma proposta. E a Negra Cor entra nisso aí pesado, porque eu gosto de hiohop, gosto de brincar com rima, gosto do grafite, e porque não fazer uma miscelânea com isso tudo? E isso no CD ficou muito evidente, os arranjos se misturam. A música eletrônica e o lance do tambor sempre estão muito presentes.

 

CH: Isso surgiu então como um desafio e certa dose de ousadia?
AC:
Com certeza, porque fazer isso e fazer parecer natural é mesmo um desafio. Tudo começou a ser orgânico, mas é difícil de trabalhar porque a fusão das músicas exige similaridade, seja na harmonia, na melodia ou no ritmo. E a banda também foi somando muito nesse processo. Enfim, estamos mais maduros no palco e temos mais liberdade de tocar as coisas. É claro que nessa liberdade nós temos o propósito de fazer festa. Podemos dizer que a Negra Cor é uma banda de festas, mas mostra que tem conteúdo quando vai pra um programa tipo “Som Brasil” e mostra que sabe fazer arranjos bacanas que são admirados por pessoas como Nelson Mota, que fez uma crítica bem bacana da gente. Então a Negra cor vem fazendo esse trabalho crescente, mas sem pretensão de ser uma banda que vai ‘estourar’ de uma hora pra outra. A gente não tem pressa, porque a própria historia da música baiana mostra que quem teve pressa não ficou; quem tem conteúdo e quer mostrar isso durante os anos vai ter espaço à vontade pra trabalhar e essa é nossa intenção.

 

CH: Quais são suas influências musicais que você trouxe para a Negra Cor, e as da Negra Cor depois de formada?
AC:
Sempre escutei muito MPB, que foi meu berço. As minhas irmãs e meus irmãos que são mais velhos, sempre escutaram em casa a nata da MPB. Posso falar em Elis Regina, Belchior, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gil, Chico Buarque, Djavan, além de outros. Então com onze anos já estava curtindo o mesmo som que eles. Mas amadureci um pouco mais, e durante minha fase de barzinho tive contato com a soul music, que começou a fazer parte integrante do meu pensamento. É curioso que em alguns lugares eu não tinha tanta aceitação na época do barzinho, porque as pessoas queriam a MPB 'ortodoxa' e eu inseria o soul music de Cassiano, Sandra de Sá, Ed Mota, etc.

 

CH: Então sua ousadia já vem daí?
AC:
Já vem daí. Eu choquei o barzinho com isso. Algumas pessoas levantavam e saiam porque queriam ouvir outros sons. Certa vez me questionei se na Negra Cor essa mistura orgânica agradaria o público. Mas quando vi o sorriso da galera, fiquei muito feliz. Com a soma dos conhecimentos dos músicos da Negra Cor, que são muito inteirados em outros ritmos como jazz e soul, só nos dá possibilidades de fazer um bom trabalho.

 

CH: Mesmo o mote da Negra Cor sendo a mistura, como você define musicalmente a banda?
AC:
Eletro-afro-descendente [rsrsrs].

 

CH: Você acha que com seu som eletro-afro-descendente, já tem um público específico e garantido aqui em Salvador?
AC:
Acho. A Gente percebe que no início causamos um choque, depois do choque passou a ser admiração e depois vieram os seguidores, que são os fãs verdadeiros. E esses fãs fazem de tudo para estar nos show e participar do processo de pedir música nas rádios, de cobrar quando sai o CD, etc. Então, em Salvador o público da Negra cor é específico, mas acredito que tem muita gente que ainda não conhece nosso trabalho e precisamos levar isso para as pessoas. No interior, a gente sente a força das nossas músicas tocando nas rádios, mas acredito que estamos fechando um ciclo com a música “Acende a Luz’, porque para as pessoas que já ouviram o som da Negra Cor na rádio, a banda é de suingue, e não de impacto. Temos no histórico de canções executadas “Barulhinho Bom”, que é uma mistura de funk com samba-reggae, “Amar Com Você”, que é um funk meio carioca com a identidade da percussão baiana, temos “Coração Tambor” e “Só Vou Fazer Amor” que são sambas-reggae também, mas não tínhamos a música chamada “murro no olho”, que é a música de carnaval, de pressão e de trio elétrico. E essa música (“Acende a Luz”) chegou naturalmente na minha mão através de Saul Barbosa, que compôs com Jorge Aragão, e é com ela que a Negra Cor vai mostrar que é banda de trio elétrico também.

 

CH: Você acredita que essa canção será um ‘divisor de águas’ para a Negra Cor?
AC:
Vai, mesmo porque além de ela por si só ser uma canção dançante e empolgante, ela trouxe a participação de um cara que nunca participou com bandas de axé nenhuma na Bahia, que é o Bell (Marques). Ele é uma figura emblemática, um ídolo, e eu acredito que ele tem a voz que mais traduz o carnaval na Bahia, sem dúvida. Então realmente essa música será um divisor de águas e a gente agradece muito a participação de Bell, que vai dar um grande ‘boom’ e vai mostrar a Negra Cor para o público do Chiclete com Banana, o público das micaretas, que até hoje não teve muito contato com a Negra Cor. Fizemos alguns, mas precisamos nos inserir nesses carnavais fora de época do país inteiro, e não ficar restrito à Bahia, e essa música pode ser a porta de entrada pra isso. Eu acredito que ele participou pensando nisso, pensando em dar força pra divulgarmos nosso trabalho. Então “Acende a Luz” fecha o ciclo das canções que vieram como suingue, com DJ, com música eletrônica e vai trazer a consagração das músicas mais ‘pra frente’, de trio elétrico.

 

CH: Você falou em seguidores da banda; como é sua relação com os fãs?
AC:
É maravilhosa. Meu empresário inclusive fala que eu nem devia me expor tanto, porque eu tenho dez perfis no Orkut e isso é justamente pra manter o contato com os fãs. Eles são o maior termômetro de como está o nosso trabalho. Inclusive já' fiquei' com uma  fã [rsrsrs]. Acho que são pessoas normais e a minha noiva reage muito tranqüilamente porque ela foi do meio musical e sabe muito bem que o assédio sempre vai acontecer. Mas o que importa é a postura da gente. Quanto temos uma postura legal com os fãs, eles entendem e não querem passar dos limites. O carinho deles é o que nós buscamos, então é chato achar que o assédio é um saco e que atrapalha. Acho que a riqueza maior do artista é o fã, pois é ele quem compra o disco, que vai aos shows, quem leva seu nome para aonde vai, quem sustenta sua carreira. Mesmo que pareça uma coisa de pouca importância, essa é uma contribuição para termos sucesso na carreira.

 

CH: Quais artistas você admira na Bahia?
AC:
O magnetismo e a emoção que Bell Marques tem nos shows. Ele inclusive fala que o chiclete não é banda pra gravar DVD, mas a emoção de pular o carnaval com ele é inigualável. Admiro muito os blocos afro e afoxé também. Em Durval admiro a empatia e o jeito ‘fanfarrão’ de ser. É inevitável falar em Ivete Sangalo, na técnica e doçura que ela tem. A força e o potencial da voz negra que Margareth Menezes tem; é uma coisa absurda. Tem o Ninha que eu adoro. É inevitável também falar na Timbalada e em Carlinhos Brown, que está sempre à frente do tempo dele. A própria Claudinha me fez ficar surpreso com o magnetismo que ela tem com as pessoas. Esses são meus parâmetros profissionais. Nos compositores nem se fala, pois temos muitos bons aqui em Salvador. São muitos ícones que nós podemos destacar alguns detalhes. Enfim, mais do que conhecimento e técnica musical, os cantores de axé mostram como se faz um show integrado com a platéia e conseguem controlar uma multidão de mais de 50 mil pessoas. Mas que quando se apresentam em teatro, fazem brilhantemente, pois são músicos maravilhosos. Eu recebo elogios das pessoas como um cantor que tenta ser completo. Acredito que tenho muita estrada pela frente como cantor de trio elétrico, cantor de axé, porque a parte mais sofisticada em já fiz. Quando nós vamos tocar nas cidades pela primeira vez ficamos apreensivos para saber se o público vai ou não gostar. Mas a música vai contaminando a pessoa e nós vamos ficando mais relaxados. Eu acredito que se o artista não tiver essa preocupação, apertar a tecla ‘foda-se’ e achar que ali é só mais um show, não rola, pois penso que cada show é um passinho que você dá na direção em que você quer chegar.

 

CH: E aonde você quer chegar?
AC:
Eu penso em consolidar a marca, o nome, o som da gente. Mostra pra todo o Brasil que tem essa galera aqui na Bahia que se preocupa em trazer a cultura baiana integrada com a cultura hip hop, a cultura da música black e da MPB dentro dum show de axé. Pretendemos, então, consolidar a carreira, ter nossas músicas tocando nas rádios, temos também o sonho de gravar um DVD e registrar nossa trajetória e tocar muito no Brasil e se possível tocar fora. Porque a música da Bahia se renova e a gente que fazer parte dessa renovação. A gente não vai trazer nada de muito original, mas vamos trazer uma boa contribuição.

 

CH: Fala um pouco sobre o CD que vocês terminaram de gravar recentemente.
AC:
Foram três anos de banda para que esse CD acontecesse. Fizemos uma criteriosa seleção de canções. São ao todo 14 músicas, com duas regravações. O CD traz a mensagem de que a música baiana está o tempo todo se renovando. Trazer coisas novas nunca é demais. Mas o CD está pronto e só estamos esperando a parte burocrática pra fazer um coquetel de lançamento para a imprensa.

 

CH: E como foi que se deu essa participação de Bell numa música desse CD?
AC:
O co-produtor do disco, juntamente comigo, é o Saul Barbosa, que tem uma trajetória fantástica na música baiana e brasileira. E ele tem um conhecimento pessoal com Bell muito grande. Ele inclusive é compositor de uma das canções que Bell mais gosta, chamada “Mulher Amada”, em homenagem a Aninha Marques. E Saul me perguntou o que eu achava dele convidar Bell para uma faixa. Respondi que achava difícil, mas que seria ótimo. Aí eu e Bell nos conhecemos, conversamos muito e ele no final aceitou fazer essa participação, mas tudo no tempo dele. Eu concordei e já deixei a música prontinha pra ele participar. Todo mundo duvidou, mas nós da banda acreditamos muito na palavra dele. E na véspera do meu aniversário, dia 13 de outubro, ele foi ao estúdio e gravou a voz. A Negra Cor vai ser eternamente grata a Bell, independente do destino que tenha essa canção.

 

CH: E quando começam os ensaios?
AC:
Começamos nossa temporada 28 de novembro com Armadinho do reggae sendo nosso convidado. Daí virão outros convidados ilustres como Titãs, Falamansa, Monobloco, uma galera da pesada. Essa galera já está toda confirmada.

 

CH: Mas todos os ensaios terão convidados ou isso acontece eventualmente?
AC:
Terão. A gente sabe que a integração nos ensaios virou tradição na Bahia. Então a gente traz sempre uma galera boa. Bandas que estão no mesmo patamar da gente, bandas que estão bem à frente, nossos ídolos. Tivemos o prazer de receber na temporada passada o Jammil, Netinho, Alinne do Cheiro de Amor, Claudia Leitte, e uma série de pessoas bacanas. Esse ano a gente tá pretendendo trazer atrações nacionais, porque ensaios temos muitos na cidade, então temos que criar um atrativo a mais.

 

CH: Pra finalizar, conta como vai ser esse verão e Carnaval da Negra Cor e se já tem projetos para o DVD.
AC:
A idéia do DVD vai ser mais ventilada do fim de 2009 para 2010, porque eu acho que a banda já terá mais maturidade, já terá mais músicas trabalhadas. O réveillon nós vamos fazer em dois lugares. Um é o Sollaris, no Gran Hotel Stella Maris, e depois vamos pra Guarajuba. Além disso, tem os ensaios e as festas coorporativas de fim de ano, que nós somos muito convidados pra fazer. E vem o carnaval que estamos com o Bloco Eu Vou no sábado, temos o camarote Skol Fest, que vamos definir um dia do carnaval ainda, temos o Abre Alas, na quarta antes do carnaval e a possibilidade de um bloco novo chamado Tripulante, que estamos estudando essa proposta, mas está quase tudo certo. E tem outras surpresas boas que vamos divulgar em breve, mas a Negra Cor  pode vir pra o povão sem corda nesse carnaval.

Por Rafael Albuquerque