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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Priscilla Freire - Vocalista da Kondendê

“Pode falar que eu sou bonita como Claudia e pernuda como Ivete, eu vou achar ótimo”. Esse é o posicionamento da cantora Priscila Freire, da banda Kondendê, quando se trata de possíveis comparações. Além disso, nesta entrevista Priscilla fala sobre as influências que teve na música, sobre sua entrada na Kondendê, e ainda revela como anda sua vida amorosa. Leia a entrevista na íntegra abaixo:

CH: Como e quando começou sua história na música?
Priscilla Freire: Ah, eu nasci com a música em minha vida. Cresci ouvindo de tudo, por ter morado em vários lugares do Brasil. Essa história de música vem de berço... Meu pai queria ser cantor. Uma vez até foi chamado para cantar em uma rádio em São Paulo, quando ainda era criança, mas meus avôs não permitiram. Eles disseram que aquilo não era profissão de gente decente. Imaginem vocês que hoje a neta deles vive desta profissão (risos).  Cresci ouvindo sertanejo, MPB, bossa, música internacional, de tudo um pouco. No meu show vocês conseguem ver isso com bastante nitidez; misturo um pouco de tudo o que gosto e fica essa salada bacana.

CH: Como foi sua entrada na Kondendê?
PF:
A kondendê já existe desde 2004, mas a banda estava parada. Maneca, nosso empresário, estava à procura de uma nova cantora. Nos conhecemos por acaso. Quem fez o link foi Fabinho (Fabio Obrian), que é compositor e percussionista de Ivete. Em pouco tempo já estávamos fazendo os planos e começando a trabalhar. O público que já me acompanhava de outras bandas e projetos adorou tudo.

CH: Quais dificuldades você encontrou quando entrou na banda Kondendê?
PF: Eu tive que reconquistar alguns fãs da antiga formação da Kondendê. No mais, não houve maiores dificuldades.

CH: Você não pensou em fazer outra coisa da vida?
PF:
Pensei, sim. É normal querer diploma, ter uma profissão tradicional. No meu caso, acho que sempre quis dar uma satisfação aos meus pais pelos investimentos que fizeram na minha educação. Cursei turismo na UFRN porque sempre gostei muito de viajar. Sempre amei conhecer lugares novos, culturas novas, língua estrangeira, e simpatizei muito com o curso. Mas chegou uma hora na minha vida em que decidi me dedicar à música de vez. Fiz vestibular para Música, na UFRN, passei, e comecei a fazer o curso. Mudei para Salvador para os projetos com a banda, por isso não pude concluir. Meus pais sempre me apoiaram nessas decisões. É fácil perceber, todo mundo que me conhece sabe que a minha ligação com a música é muito forte.

CH: Você diz mesclar seus shows com canções que vão de Psirico e Ivete Sangalo a U2 e Maria Bethania. Como fazer isso sem perder o foco?
PF:
A percussão é marcante em todas as músicas, não mudamos a célula original do axé. Misturamos de tudo um pouco nele. Agradando os filhos, pais, avós, bisavós... (risos). Fizemos uma formatura há dois meses em Salvador, da Faculdade Jorge Amado, e tinha muitas crianças no show. Chamei todas pra cima do palco e cantei “Cinco Patinhos”, com todas elas fazendo a coreografia(risos).  Não dispenso o sertanejo, U2 e Rolling Stones... nem o pagodão! (risos). Mês passado fizemos um show com o Psirico e eu não agüentei: fui lá dar um agarrão no “todo bom”, Márcio Victor. Mas a Kondendê é axezão dos brabos. Meu negócio é folia e trio elétrico...

CH: Qual é o diferencial da Kondendê em relação às outras bandas?
PF:
Procuramos fazer um trabalho diferenciado na sonoridade, no visual e na forma como as coisas acontecem no palco. Nossa banda toca junto há quase três anos e temos antes qualquer coisa uma relação de amizade, que proporciona coisas fantásticas e visíveis às pessoas. Fazemos um show para o público, sem medo das críticas. Misturamos muita coisa no repertório e colocamos o nosso dendê...

CH: Com essa mistura de ritmos que você propõe, como podemos definir a banda?
PF:
A Kondendê é uma banda de axé para toda a família. Feita para o povão, feita para a formatura e para o casamento, para o pagodão e o festival de verão. Tá parecendo propaganda, né?! (risos) E, claro, feita perfeitamente para os carnavais da Bahia, do Brasil, do mundo...

CH: Quais artistas da música você admira ou se inspira para cantar?
PF:
Poxa vida, sou fã de tanta gente. Shakira, Aretha Franklin, Norah Jones, Joss Stone, as baianas todas... Lindas, cantam muito...

CH: Nesse mesmo período de surgimento da Kondendê, surgiram outras bandas, e tantas outras passaram por modificações. Você não acha que o espaço para as bandas novas, inclusive vocês, é cada vez menor?
PF:
Não acho. Vejo muita gente boa e nova surgindo e acho que o axé deve sempre se reciclar ou se aperfeiçoar, bem como todos os estilos musicais. O espaço que é dado ao novo é o que permite que o axé se mantenha forte em todo Brasil. Estamos conquistando o nosso espaço a cada dia que passa. Em breve deixaremos de ser conhecidos como uma banda nova para dar espaço a outros adjetivos. Sempre haverá muito trabalho, dedicação, paixão e, sobretudo, muita fé! A gente joga duro...

CH: Você tem características físicas semelhantes às de Claudia Leitte. As semelhanças param por aí?
PF:
Uau! Obrigada! Também acho Claudia linda. Minha Nossa, só me falta o “gramourrr” e a conta bancária! (risos). Brincadeira... Olha, eu vejo em Claudia uma pessoa muito batalhadora, esforçada e que tem muita fé em Deus. Também tenho essas características.

CH: Te incomodaria ser comparada, por exemplo, a Claudinha ou Ivete Sangalo?
PF:
São dois ótimos referenciais, não?! Por que eu iria me incomodar... Faço meu trabalho com autenticidade, com as minhas características impressas, meu jeito de ser na linha de frente. Se toda loira que cantar for igual à Claudia, e morena com voz grave for igual à Ivete, vai sobrar muito pouco. Pode falar que eu sou bonita como Claudia e pernuda como Ivete, eu vou achar ótimo! (risos) Imagine?!

CH: Como foi a receptividade do público no show de lançamento da banda?
PF:
Foi um sucesso!  Fruto de um planejamento muito bem feito. A casa lotou. Muita gente teve que ir embora... Fiquei feliz em ver tanta gente querida lá. Fãs, parceiros, imprensa, todos querendo ver a banda, e conhecer a nova cantora. Todo mundo cantando: “o nosso amor já era, sai sai sai sai”...
Nosso trabalho vem sendo feito com muita paciência, chamamos de “trabalho de base”. As coisas acontecendo com verdade, paixão e suor. Antes os méritos que os prêmios.

CH: Sua música de trabalho é “Nosso amor já era”. Como foi essa escolha?
PF:
Ouvimos muita coisa boa de muitos compositores de sucesso. Fabinho (Obrian) mostrou mais de 100 músicas pra mim. Tenyson (Del Rey) mandou algumas. Pio (Medrado) então nem se fala: passou horas em frente ao computador mostrando um sucesso atrás do outro. Augusto Conceição, Tapajós... Muitas já estão pré-selecionadas para as nossas próximas gravações. Temos muitos nomes bons em nosso CD, são 5 musicas inéditas.. “O Nosso Amor Já Era” foi um presente de Peixe (Alexandre) e Beto Garrido. Passei uma manhã inteira na casa de Beto ouvindo muitas canções lindas. Selecionei várias. Ouvi todas muitas vezes, depois passei dois dias sem ouvir. De repente o refrão me bateu no juízo: “o nosso amor já era, sai sai sai sai...”Aí percebi que a música era boa, não tive dúvidas. Consultei Jomar Freitas (do Rapazolla), que dirigiu nosso CD, e ele também achou uma excelente canção. Botou pra quebrar nos arranjos, e “O Nosso Amor Já Era” ficou lindaaa!

CH: Vocês já pensam em CD de carreira?
PF:
Claro. Já estamos trabalhando, viu?! Aliás, não só no CD mas também no DVD. Já estou escutando muita coisa.
Ah, posso dar um recado?! Compositores que tão com os sucessos debaixo dos braços, me mandem as músicas, são todos muito bem vindos...
Tem muita novidade, que eu não posso contar agora. Participação especial, regravações... É esperar!

CH: Mudando um pouco de assunto, você está namorando ou solteira?
PF:
Amando e sendo amada há seis anos. Tive muita sorte em encontrar cedo a pessoa certa. Sei exatamente quem está ao meu lado, entendendo perfeitamente o que eu faço. Eu sempre fui muito sortuda! (risos).

CH: Fala sobre o DVD que vocês estão pensando em gravar.
PF:
Estamos fazendo muita pesquisa, sobre os locais, público, data, etc. Tenho uma equipe muito competente ao meu lado. Todos acreditam no projeto, vestem a camisa. Meus músicos são como irmãos, trabalhamos juntos há quase 3 anos. Temos uma união muito forte e que gera muitos frutos.
Provavelmente teremos duas participações nesse DVD. O repertório será de canções novas, misturadas com grandes sucessos.

CH: Você não acha que é arriscado gravar um DVD com poucas músicas conhecidas do grande público? Não seria um prejuízo anunciado?
PF:
Vai ser feito pra dar certo! A proposta é ser um DVD de divulgação, com menos custos, para ser enviado para o Brasil todo. Nada que nos arranque os olhos. Vamos aproveitar um grande show, um grande momento, a hora certa e vamos gravar. Assim como os CDs que são feitos hoje em dia, faremos o DVD. E quem sabe em pouco tempo faremos um “hollywoodiano”, não é?! (risos).

CH: Pra finalizar, quais os projetos para o verão e para o carnaval 2009?
PF:
Em outubro pretendemos fazer um projeto para adolescentes na MADDRE, nossa parceira. No lançamento da banda muita gente ficou de fora, os menores de 18 anos. Prometi as centenas de pessoas que me reclamaram no Orkut que isso iria acontecer. E vai! Depois teremos os ensaios de verão. Quase dois meses... Vai ter gente que vai enjoar do dendê! (risos) Tem muita agenda pra esse fim de ano e verão, e no Carnaval faremos três dias em Salvador. E o que mais?! Surpresaaaaaa.... (risos).