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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Júnior Lord fala sobre cenário musical e diz que não quer ser só mais um: ‘Não quero sucesso momentâneo’

Por Rafael Albuquerque

Júnior Lord fala sobre cenário musical e diz que não quer ser só mais um: ‘Não quero sucesso momentâneo’
O entrevistado desta semana da Coluna Holofote é o cantor Júnior Lord. Filho de Magary, precursor do black semba, e pertencente a uma família que transpira música, Júnior começou a se interessar por instrumentos aos sete anos. O cantor, que também compõe e tem música gravada por Carlinhos Brown, pensa grande: “Como o povo fala, quem sabe faz ao vivo. E eu com certeza sei fazer ao vivo e ainda vou surpreender muita gente”. Cheio de personalidade, Júnior também salientou que não quer ser somente mais um que chega e some no cenário musical: “Eu tô vindo pensando em uma carreira, pensando em chegar, alcançar e continuar. Não quero sucesso momentâneo”. Confira a entrevista na íntegra abaixo:
 

Bahia Notícias: Desde quando você, que vem de uma família de músicos, decidiu trabalhar com música?
Júnior Lord:
Foi quando eu conheci o violão. Eu morava na Ilha de Itparica com minha avó. Desde pequeno eu cantava e gostava de ouvir músicas. Então, eu resolvi um dia experimentar tocar violão. Eu já tocava percussão, bateria e depois o violão. Eu me adaptei a ele por causa da igreja. Mas na ilha eu não tinha um violão. Eu vim pra Salvador e tinha um violão de meu pai que ele não usava. Eu levei pra Itaparica, vi as aulas pela internet e aprendi a tocar. Foi através disso, com uns 7 anos, que comecei a tomar gosto pela música.

BN: Mas atualmente você toca todos esses instrumentos ou resolveu se especializar em um?
JL:
Meu foco é o violão. De vez em quando eu dou uma treinada nos outros.

BN: Como sua família recebeu a notícia de que você queria entrar para o mundo artístico?
JL:
Sempre me apoiaram. Minha mãe, minha avó, meus primos sempre me apoiaram, até porque a maioria de minha família é de músicos.

BN: Seu pai (Magary Lord) te influenciou diretamente ou de alguma forma ver o sucesso dele te empolgou?
JL:
Sim, me empolgou. Ele sempre fazia show e me chamava pra fazer participação com ele. Daí eu tomei mais gosto pela música. Receber a energia da galera em cima do palco me motivava bastante. Meu pai foi um dos meus principais incentivadores.

BN: Muita gente tem receio de encarar grandes públicos. Como foi pra você lidar com isso?
JL:
Eu tinha vergonha e não tinha presença de palco. Eu ficava muito tímido e paradão. Mas de canja em canja eu fui me soltando e me adaptando ao palco.

BN: Tirando seu pai, que você é fã, quais suas inspirações?
JL:
Eu me inspiro mais no pessoal de fora como Michael Jackson, Chris Brown, Justin Timberlake, mas também curto Saulo, Márcio Victor. Mistura isso tudo e dá Júnior Lord (risos). 
 
BN: Aqui temos o axé, que muita gente diz que está em crise, o pagode, que faz show o ano inteiro, e o arrocha, que é um fenômeno. E seu som se enquadra em que estilo?
JL:
Eu vou me inspirando em diversos ritmos e músicos também de fora. Essa mistura da black music e pop, mais pro lado pop. Minha pegada é mais pro lado pop da música.
 

BN: Mas você vê mercado para essa vertente musical na Bahia?
JL:
Tem sim, por causa dessa nova geração. Não tinha, mas isso está mudando com as inovações.

BN: Mas como surgiu a vontade de apostar nesse lado pop? Você sugeriu aos empresários?
JL:
Foi ideia minha. Aliás, eles me conheceram através dessa ideia minha. Isso por causa de meus vídeos no YouTube. Os vídeos estouraram com mais de um milhão de visualizações com música autoral. Daí até Carlinhos Brown gravou um música minha. Depois chamei meu primo pra fazer uma parceria comigo e a gente fez uma música que interessou muito a Léo Santana e ele até já gravou. 
 
BN: Você citou os vídeos do YouTube que têm mais de um milhão de acessos. Então, eu queria que você falasse sobre a expectativa de diferencial e dificuldade de sair do mundo virtual para a vida real dos palcos.
JL:
Como o povo fala, quem sabe faz ao vivo. E eu com certeza sei fazer ao vivo e ainda vou surpreender muita gente. Eu não vejo tanta dificuldade, não. Pelo fato de eu já ter dado várias canjas e ter feito várias participações, eu já consegui me adaptar. Estou bastante seguro.

BN: E como você pretende lidar com o julgamento do público?
JL:
Que as críticas e os elogios sejam bem-vindos.

BN: O principal avaliador de sua carreira vai ser seu pai?
JL:
(risos) Minha mãe, também. Eu sou mais apegado a minha mãe, mas meu pai e família toda participam.

BN: Você começou a compor antes de cantar?
JL:
Antes de começar a cantar eu já tinha a música “Ela me completa”, que eu fiz logo quando eu ganhei o violão. Aí depois eu fiz a música “Gatinha”, que virou hit na internet e me tornou conhecido.

BN: Como foi o processo até Carlinhos Brown gravar sua música?
JL:
Eu chamei meu primo pra fazer umas participações comigo. Aí ele foi chamado pra tocar na banda Lactosamba, que faz parte do projeto de Brown. A partir daí ele ouviu a música, gostou e gravou.

BN: Mas Léo Santana também gravou uma música sua.
JL:
Isso. Na verdade essa não é minha. A Música de Rick Costa e Rafa Chaves, que eu gravei, interessou a várias bandas, mas Léo também gostou. E como já estamos mais coligados com Léo por causa da Salvador Produções, aí também autorizamos ele a gravar.

BN: Como se dá o processo de composição de suas músicas?
JL:
Composição é, na verdade, a realidade que se passa. Eu componho a música a partir do que se passa na minha vida. Eu posso estar aqui com você, ter uma ideia, a gente senta e faz a música. Pra mim tudo é música.

BN: Você falou em suas inspirações que são os astros internacionais, mas você citou Psirico e Saulo. Dos artistas baianos, em quem você se espelha ou te influencia positivamente?
JL:
Saulo. Eu curto ele pra caramba. Ele me chama de sobrinho. Tenho ele e Márcio Victor como tios.

BN: Você já cogitou fazer alguma parceria musical com Saulo?
JL:
Sempre eu tô na casa dele. Eu componho com meu pai e a gente mostra a ele.
 

 
BN: O que você acha do pagode na Bahia?
JL: Não é o mesmo de antes. Eu curto pagode do estilo Léo Santana, Márcio Victor e Harmonia. O pagode em vez de revolucionar está caindo. O bom é o pagode com linguagem de paz, mas hoje a gente vê muito pagode com rala tcheca no chão e falando mal das mulheres.

BN: Você tem um público adolescente muito grande. Há uma estratégia para focar nesse público?
JL:
Não. A gente quer atingir de criança a idoso.

BN Mas o que você vai fazer para isso? O que você vai trazer de novo e atraente?
JL:
Eu tô vindo pensando em uma carreira pensando em chegar, alcançar e continuar. Não quero sucesso momentâneo. Desde pequeno eu venho na música, compondo, tocando, e espero que isso continue.

BN: Você pretende continuar seguindo essa linha de focar na internet?
JL:
Sim, sempre que posso eu faço postagens. Até porque foi através da internet que eu surgi.

Fotos: Cláudia Cardozo // Bahia Notícias