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Entrevista

‘Não queremos sangue’, diz Sílvio Mendes ao assumir programa policial Na Mira

Por Marcela Gelinski

‘Não queremos sangue’, diz Sílvio Mendes ao assumir programa policial Na Mira
Foto: Alexandre Galvão/ Bahia Notícias
O locutor esportivo Sílvio Mendes é o novo apresentador do programa Na Mira, da TV Aratu. Ele já chega à emissora mudando o formato da atração, com o objetivo de "dar mais leveza" e acrescentar temas que fujam do gênero policial. Sem criticar a antiga apresentadora Analice Salles, Mendes diz que busca seu estilo próprio baseado na credibilidade que tem no meio esportivo e pontua que é do público que espera aprovação. “Dependo muito da aceitação popular”, destaca. Conhecido por seus jargões, Sílvio pretende incorporar todos os termos na televisão, para dar seu tom e incorporar ainda mais sua identidade no programa. Brincalhão, ele conta que está migrando "da chuteira para a metralhadora", mas pretende manter sua atração de mais de 20 anos na Rádio Sociedade. Confira entrevista abaixo!



Fotos: Alexandre Galvão/ Bahia Notícias

 
Bahia Notícias - Como foi a apresentação do primeiro programa?

Sílvio Mendes - Fiquei tremendo. Você sabe que sair de uma loiríssima para um negão é como mudar da Suécia para África do Sul (risos). Não é verdade? Mas deu tudo certo. No início, eu estava meio preso, porque estou há mais ou menos um ano e meio sem câmera, só voltado para microfone. Então, fiquei meio que rateando. Se bem que a televisão me deu todo o aspecto técnico para desenvolver o que fiz: dois ensaios antes, dois pilotos. Acho que do meio para o fim do programa eu me soltei mais, aí ficou diferente. Mas, no início, foi meio titubeante. Uma ansiedade normal de primeira vez.
 
BN - Como surgiu o convite para comandar o Na Mira?

SM - Meu produtor Pablo Reis que é o “pai da criança”. Ele me ligou e perguntou se eu toparia fazer o Na Mira, depois da saída de nossa querida Analice, que foi para a Record. Eu disse: “Vamos ver. Vou aí conversar com você”. Estou sob as orientações dele, porque é muito difícil estar muito tempo em um segmento e partir para outro. Embora esteja dentro do jornalismo, você não está enfronhado naquele segmento, que é policial, um outro tipo de notícia. Porque a minha preocupação sempre foi ficar voltado para o futebol. Mas, agora, é a mesma coisa. Você está lendo um livro de Romeu e Julieta e lê depois um outro tipo de livro. Já é uma coisa diferente. Então, eu tenho que me aperfeiçoar mais, buscar mais elementos para ficar calçado e substanciado com o que está ocorrendo na área, para não me passar. E tentar chegar lá também. Ficar com o futebol e com as coisas do Na Mira.
 
BN - Isso que eu queria saber. Você continua como locutor esportivo?

SM - Bem, até agora sim. Não vejo de que maneira possa atrapalhar. É um outro segmento, uma outra atividade. Mesmo estando em uma emissora concorrente [Rádio Sociedade], até agora, está tudo bem. A não ser que eles [TV Aratu] possam, nas próximas 72 horas, tomar outra decisão. Mas a gente está preparado para tudo.
 
BN - O que muda do papel de radialista para o de apresentador de televisão?

SM - Por incrível que pareça, eu já fui apresentador de televisão nos anos de 1990, não me lembro com exatidão o ano. Mas eu estava no pátio da TV Bandeirantes e tinha o Jornal de Band que era apresentado por Armani Mariani. Ele não foi naquele dia e não tinha outro locutor na casa. Eu trabalhava na Band FM e fazia esportes. Aí, me pegaram lá, me botaram na bancada e disseram assim: “Dá para você fazer o jornal?”. E naquele tempo não tinha teleprompter. Era na base do decoreba, mesmo. E eles gostaram tanto que me chamaram para ser repórter esportivo da Band na época, para eu me familiarizar mais com as câmeras. E foi uma coisa que não foi boa para mim. Aí, eu resolvi ficar só fazendo futebol no rádio, mesmo. O tempo passou, veio a chance na Record, fiz programa esportivo, fiz ponta no Balanço Geral, do Varela, e fui aprendendo. Depois que eu saí da Record... Quer dizer, “me saíram” da Record, acredito, por contenção de despesa, porque terminou também o contrato da Record com o futebol da Federação Baiana de Futebol. Então, o que eles fizeram: as pessoas mais ligadas a futebol foram eliminadas e eu estava no quadro desses funcionários. Mas, sem nenhum rancor. Aí, fiquei esse tempo parado e Pablo chegou com esse convite. E vamos que vamos. Aproveitar o tempo e reencontrar aquilo que a gente já fez e ainda pode fazer.

 
BN - Você sempre foi narrador esportivo e agora comanda um programa policial. O que você vê de semelhança e diferença entre as duas áreas?

SM -
 A gente pode até falar de uma maneira sarcástica. Eu vou sair da chuteira e camisa de time para a metralhadora e pistola (risos). Aí eu quero saber qual a diferença dos dois lados. Esse diferença eu vou ter que sentir no dia a dia, no passar do tempo. Mas, acho que não tem dificuldade, não. A produção do Na Mira é muito solidária nessa situação. Eles estão me envolvendo, me ensinando, e eu estou aprendendo. E não pensem que vão pegar o negão pelo pé, não, que o negão vai chegar lá. Vou chegar lá com força, da mesma maneira que cheguei no futebol. Vou aprender com eles e vou chegar. Primeiro mês, primeiras semanas, eu vou ter dificuldade. Mas, lá para a frente, eu vou me soltando, pegando o macete, me adaptando. O que é do mar não enjoa.
 
BN - O que você pode aproveitar do esporte para este novo programa? Algum jargão?

SM - Eu estou utilizando todos. Todos, todos. “Segura a cabeça de mamãe”, “Você conhece Neco? Necomigo, não”, “Não é comigo, não”, “Pau na pleura”... Estou usando todos. Não tem segredo, não. “Solta a anaconda” também. O que eu uso no futebol eu usava também em outras emissoras. Eu reencontrei esses jargões e vou ter que usar no Na Mira. Porque jargão é aquele que marca e surge quando você menos espera. Não adianta sentar e criar um jargão. É uma coisa que surge do nada. Ele vem naturalmente e, de repente, você está ouvindo o povo falar. E é isso que interessa. Eu tenho usado uns jargões já conhecidos nossos.
 
BN - Situação semelhante à sua aconteceu com o apresentador Datena, que era repórter esportivo de rádio e passou para a televisão em um programa policial. Você o vê como modelo a ser seguido?

SM - É um bom exemplo, sem sombra de dúvidas. Era um repórter esportivo, corria atrás da bola, fazia a mesma coisa que eu ainda faço e comecei fazendo. Porque, antes de ser narrador esportivo, eu fui repórter. Corria atrás de jogador no campo para entrevistar. Hoje eu estou lá em cima, transmitindo o jogo. E Datena passou sem nenhuma dificuldade. A questão é só adaptação. No momento em que eu me adaptar a esse novo segmento, as coisas vão se tornar mais fáceis. E a aceitação popular também. Eu dependo muito da aceitação popular. Se houver, durante alguns meses, clima de rejeição muito alto, eu vou ter que chamar meu produtor, ir à direção do programa e dizer: "não deu certo, estou sentindo rejeição" e tal. A gente tem que jogar aberto, porque eles jogaram aberto comigo. Mas, não me assusta isso, não. Estou assistindo outros canais, me moldo. Estou vendo muito Daniela Prata de manhã. Assisto Casé [Casemiro Neto], porque ele dá um caminho que a gente pode seguir e eu gosto muito da filosofia de trabalho dele. Mas, mudando algumas coisas, colocando meu jeito dentro desse segmento do Na Mira.
 
BN - Você disse que pretende levar seu olhar crítico e de credibilidade ao programa. Como isso muda do modelo anterior, apresentado por Analice Salles?

SM Ah! Porque vai ser de uma maneira mais leve. A Analice é perita. Ela começou também engatinhado, mas se tornou perita no assunto, tanto que hoje estuda Direito para ficar dentro do segmento que escolheu. Veja a diferença. Eu estou saindo do esporte, indo para um programa policial. Para colocar meu olho crítico, minha crítica contundente, eu vou ter que ir devagarinho. Não posso ir com muita força. Tenho que aprender com as pessoas que já sabem. Agora, não vai ser uma coisa rápida porque, graças a Deus, a credibilidade a gente tem. A maneira que a gente vai colocar a credibilidade diante do telespectador é que vai ser diferenciada. Vamos buscar o mesmo que fazemos no futebol, onde temos credibilidade, e levar para a polícia. Agora, só estudando, indo a fundo, pesquisando, para não dar opinião sem sentido.
 
BN - O que o público pode esperar de Sílvio Mendes como apresentador?

SM - Eu não fui imposto. O posto caiu no meu colo e tudo que cai no colo das pessoas que querem vencer dá certo. Muitos acham que eu parei no tempo. Mas, não. Eu quero vencer ainda. Esse é um objetivo grande na minha carreira e vou ter que chegar lá. Vou aprender e fazer tudo para isso. Aguarde, que vocês vão ver diferente. Um dia você vai me entrevistar e dizer: “Poxa, você lembra daquela entrevista quando estava engatinhando? E agora, que está ficando velhinho no segmento?”.
 
BN - Como será o novo formato do programa?

SM 
- A gente vai mudar muitas coisas. Conversamos sobre isso e a minha aceitação foi exatamente em cima dessa base que eles propuseram. Nós queremos dar uma leveza a mais no programa. Não queremos aquela coisa do sangue, de você estar almoçando e o programa estar batendo na mesma tecla. Queremos colocar outra coisa. Até esporte pode rolar, entende? Um monte de coisas novas que podem rolar dentro do programa. Aguarde, que vai ser uma grande surpresa. A equipe está trabalhando e não vamos ficar só dando tiro de escopeta, não.