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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Tomate - Cantor

“Eu estava pagando a multa até o mês de julho. Paguei muito dinheiro de multa, não vale nem a pena ficar citando. Mas tudo isso em troca do que acredito. E mais do que nunca hoje vejo que eu estava certíssimo. Estou muito feliz”. Essa frase mostra o quando o cantor Tomate está satisfeito após sua saída da banda Rapazolla. Nesta entrevista, o rapaz relata a difícil relação com os antigos sócios Laerte e Jomar. Fala o que acha sobre Leandro Lopes, novo vocalista do Rapazolla, além de ressaltar seus novos projetos, que inclui o novo CD e o bloco Papa no carnaval 2009.

Coluna Holofote: Apesar da pouca idade, você já tem um bom tempo de carreira. Conta um pouco de sua história na música.
Tomate: A música sempre esteve presente em minha vida, mas eu não havia enxergado. Ela aparecia em alguns momentos na família e no colégio, mas eu não tinha incorporado o lance de querer ser artista. Meu vizinho tinha um violão e deixou em minha casa, aí eu me interessei e comprei umas revistinhas para aprender a tocar. Lembro que teve uma oficina no Colégio Integral, onde comecei a fazer aulas de música. Nessa oficina tinha um concurso em que os alunos faziam apresentações no fim das aulas. Aí alguns amigos meus, que sabiam que eu gostava de cantar, me inscreveram sem eu saber. Nessa apresentação comecei a tocar música “Meu Erro”, do Paralamas do Sucesso. Ao invés de cantar uma música, acabei cantando umas cinco, pois o pessoal gostou muito. Foi a maior festa. Ali eu pensei que queria ser cantor. Um dia, o filho do dono do colégio, que tinha uma banda de pagode chamada “Só De H”, me convidou pra ser o cantor da banda; aceitei na hora. Com 15 anos de idade comecei a tocar na “Estação da Cerveja”, “Beleleu”, “Mamagaia”, “AABB”, “Rock in Rio” e nas festas de colégio. Era uma loucura. Numa dessas tocadas na "Estação da Cerveja", se não me engano, me primo Wilson Kraychete foi me ver; foi ele quem me descobriu. Como éramos da mesma família, ele me acolheu com carinho. Aí na época ele me apresentou a Laerte e Jomar, sócios do Rapazolla. Eles viram, falaram que eu prestava, mas a banda toda não.  Então fiquei fique na dúvida se ia ou não. Depois aconteceu um show em que eu me saí muito bem; eles viram e me fizeram a proposta para ir para o Rapazolla. Foi quando eu comecei como sócio da banda, com 40% de participação. Comecei no Rapazolla com 17 anos e de lá pra cá construí minha trajetória e aprendi pra caramba. Mas chegou o momento em que eu me encontrei e decidi partir para carreira solo, que eu acho que foi a coisa mais certa que fiz na minha vida, pois acredito muito na minha intuição e na minha verdade. A partir do momento em que eu não estava mais satisfeito e achava que teria que seguir outro rumo, eu parti para carreira solo.

CH: Mas porque você decidiu fazer carreira solo?
Tomate:
Foi mais por causa de divergência de opiniões. Eu também comecei muito cedo, e depois fui amadurecendo e tendo minhas vontades. Nada contra a vontade deles [dos empresários do Rapazolla]. Cada um tem sua postura. De repente a deles pode ser até mais certa do que a minha, mas eu tenho as minhas vontades e meus desejos. E o ser humano é feito de desejos e de realizações. Então temos que procurar coisas que nos faça melhor. Enfim, a partir do momento que eu tinha ganho certa notoriedade, até mesmo profissionalmente falando, eu pensei que já poderia partir para essa nova etapa.

CH: Então a decisão de sair do Rapazolla partiu de você?
Tomate:
Partiu de mim totalmente; e eu em momento nenhum voltei atrás. Decidi que ia sair, ia dar um tempo e não falar pra ninguém enquanto o contrato terminava. Tem muita gente que acha que eu saí porque o contrato acabou. Meu contrato não acabou; na verdade paguei a multa contratual.

CH: Como ficou seus 40% da sociedade?
Tomate:
Eu dei pra eles num negócio que fizemos. Mas os 40% não foi uma forma de pagamento da multa; mesmo porque eu estava pagando a multa até o mês de julho. Paguei muito dinheiro de multa, não vale nem a pena ficar citando. Mas tudo isso em troca do que acredito. E mais do que nunca, hoje vejo que estava certíssimo. Estou muito feliz.

CH: Quais as vantagens e desvantagens da carreira solo?
Tomate:
O beneficio é que o respeito na relação societária é muito importante. E aqui eu encontrei o respeito. Você tem que ouvir muito e depois reciclar as idéias. As dificuldades eu não encontrei ainda. Posso até vir a encontrar um dia.

CH: Você tem feito muitos shows?
Tomate:
Nós estamos com uma média de 11 shows por mês. Isso é bacana porque o semestre passado utilizamos todo pra preparar e gravar o CD; agora vai haver o lançamento e a divulgação. Nós temos uma agenda de micareteiro. Hoje, ‘Tomate’ está presente em quase todas as micaretas do Brasil. Pode ter Chiclete e Ivete, mas 'Tomate' também está lá. Isso é muito bom porque você se sente fixo num movimento. Eu me considero hoje dentro desse movimento que é o carnaval de Salvador, e isso pra mim é muito importante.

CH: Como os fãs interpretaram sua saída da banda? Houve alguma rejeição?
Tomate:
Não houve rejeição, mas no começo houve o medo da mudança. O ser humano não aceita mudanças rapidamente. Mas minha galera me deu a maior força. Mesmo porque a ‘cara’ do meu antigo trabalho já estava muito fixada em mim; em minha imagem. Tem uma comunidade que fizeram para mim no Orkut, que em menos de seis meses tem quase treze mil pessoas. Vejo que a aceitação dos fãs foi a maior possível. Houve certo medo na hora da saída, mas depois que eu mostrei o que eu realmente queria fazer, as pessoas ficaram tranqüilas.

CH: Leandro Lopes entrou no Rapazolla após sua saída. Você acha que ele já conseguiu passar para a banda a personalidade dele, ou tenta ser uma espécie de ‘Tomate dois’?
Tomate:
Eu acho que tem semelhança, sim. Ele é um cara gente boa como eu, um cara que gosta de música que nem eu. Ele é supertalentoso, é jovem, com vontade de crescer. Ou seja, tem muita semelhança, sim.

CH: Você acha que o grupo Rapazolla já se desvinculou do nome Tomate?
Tomate: Já, sim. Leandro tem a cara dele, tem o estilo dele. E agora é ele botar pra lenhar e provar que veio pra ficar. E eu também tenho que continuar meu trabalho. Agora é vida longa pra todos nós. Afinal de contas a gente tem que lutar pela nossa terra, pela nossa cultura, e pelo nosso movimento, que é o Axé Music, e o carnaval. Não tem que ficar nessa de rivalidade. Eu vejo muito artista saindo de banda e criando rivalidade. Acho que Deus está na frente e temos que deixar tudo nas mãos dele. O importante é estar trabalhando bem. O Rapazolla me deu muitas coisas boas; aprendi muito lá, foi minha primeira banda profissional, mas isso não quer dizer que seria minha única banda. Hoje estou muito feliz, mais do que nunca, e certo de que escolhi o caminho correto em minha vida.

CH: Mudando um pouco de assunto, soube que você comprou um apartamento no Village Panamby no Horto Florestal. Considerando isso podemos dizer que você está rico?
Tomate:
Eu hoje estou rico de felicidade, de vontade, de motivação. E pra mim o resto não interessa. Mas só de ter isso, vai me trazer a riqueza material de que você está falando. Mas tenho minhas coisas hoje graças a Deus conquistada com meu suor. Nunca tive muito apego material. Só de estar ganhando meu dinheiro, de ter pago minha recisão, estou no lucro. Realmente comprei um apartamento e estou me mudando paro o Horto. E tem um no Panamby, que quando ficar pronto devo ir para lá. Financeiramente falando estou bem, pois pago minhas contas, tenho meu carro do ano, tenho meu apartamento; isso tudo com apenas 25 anos. Mas te juro por Deus que quando eu estou fazendo show, quando eu estou no palco, não sei nem quanto entrou em minha conta. E pra mim, no dia que eu começar a pensar nisso como prioridade, eu acabo com minha carreira. Tenho que pensar, sim, em pagar minhas contas, em dar tudo de bom para minha família. Mas a verdade é que não é minha prioridade. Isso até me prejudicou um pouco, porque comecei muito cedo e tomei muito na cara. Hoje é diferente; sou muito presente na minha vida administrativa.

CH: Qual dos artistas baianos você mais se inspira ou admira?
Tomate:
Eu gosto de todos; cada um com sua característica. Gosto de Durval, pois ele é gente boa pra caramba. Chega um momento que você não olha o lado musical ao extremo; se o artista é afinado ou desafinado, se toca bem ou mal, porque todo mundo tem erros. O mais importante é gostar da pessoa pelo que ela é. E eu tiro muitas lições profissionais e pessoais com muitos artistas da Bahia. Gosto muito de Ivete e Bell. Gosto de Carlinhos Brown e suas idéias; de Luis caldas e seu talento. Tem muita gente bacana na Bahia. Netinho, que é um dos melhores puxadores de trio, que é a linha que eu quero seguir, e Ricardo Chaves também. Enfim, eu gosto de todos; cada um com sua particularidade.

CH: Nos shows você é bastante descontraído e agitado. Isso é uma espécie de encenação no palco ou você realmente é desse jeito no dia-a-dia?
Tomate:
Nada disso acontece se não tiver verdade no que se faz. Tem coisa que eu faço e depois fico pensado que alguém pode não gostar. Você está me conhecendo aqui agora e vendo como sou [rsrsrs]; sou feliz. Quando entro no palco, faço show para mim, e isso faz com que as pessoas goste mdo show. Quando subo no palco, penso que as pessoas que estão ali já são do meu convívio. Não tenho medo de falar com elas. Entro pra fazer o que estou a fim, com responsabilidade e alegria, é claro. Em casa, minha mãe e minha mulher não me agüentam, só no palco [rsrsrs].

CH: Qual seu diferencial nos shows?
Tomate:
Nunca meus shows são iguais. Isso faz a energia se renovar a cada dia. Não sou artista de chegar no show e ficar tudo certinho, no lugar. Até meu repertório sou eu que faço no próprio show. Isso é que é ser o verdadeiro folião disfarçado de cantor. Pra você ter uma idéia, o meu sonho é assistir aos meus shows, mas não pela TV,vpois não tem aquele calor humano [rsrsrs].

CH: Em entrevista ao Bahia Notícias, o cantor Netinho se queixou que os blocos estão nas mãos de grandes produtoras. Você tem esse problema?
Tomate:
Eu não tive. Eu saí sem previsão nenhuma de bloco, mas o pessoal do Papa conversou conosco e achou que servia para a proposta do bloco. E acho que minha postura de micareteiro influenciou muito; tanto que fechamos os três dias com o Papa.

CH: Fala um pouco do novo CD que está para ser lançado.
Tomate:
O novo CD deve sair entre o fim de agosto e o começo de setembro. Terá 16 faixas, com uma faixa interativa, que vai ter um clipe com uma pequena história da turnê que fiz por Minas Gerais, onde sou muito querido. É uma homenagem ao povo de Minas. Vai ter show de lançamento, na mesma proposta desse meu lado novo que estou mostrando no CD. Minha proposta é pra galera que gosta de carnaval, de micareta.

CH: Na entrevista você citou o nome de Durval como artista que você admira. Ele é considerado o Rei da Barra, você se considera o Príncipe da Barra?
Tomate:
Cadê a coroa? [rsrsrs]. Mas foi verdade. Alguém falou isso mesmo; saiu em vários lugares. Mas eu vou te falar uma coisa que as pessoas podem até interpretar errado. Eu nunca tinha tocado na avenida, e quando eu toquei na primeira vez foi bloco Mel, e justamente no dia em que teve problema com o filho de Gandhi, que atrasou tudo. Eu acabei saindo nove horas da noite e fiz um percurso muito longo. Não me senti tão bem quanto na Barra. O bloco era maravilhoso, a galera alto-astral, mas foi muito cansativo. Foram quase dez horas de percurso. Fiquei um pouco chateado. Já no ano passado foi maravilhoso no bloco Inter. O Campo Grande é maravilhoso; vivi momentos mágicos lá. Todo mundo esperando com muitos cartazes. Foi tão bom que hoje eu não tenho preferência. A Barra vai ser sempre querida por mim, mas também sempre vou querer tocar na Avenida, pois o circuito do Campo Grande é outra onda, outra energia.

CH: Então, além de Príncipe da Barra você quer ser do Campo Grande também?
Tomate:
Não, deixa quieto. Deixa esse negócio de coroa pra Bell e pra Durval, porque eu acho que eles merecem. Eles merecem até ser nome de rua. Ao invés de colocar nome de políticos  nas ruas, deveria colocar o nome dessas pessoas que tanto fizeram pela nossa cidade.

CH: Tanto Durval quanto Bell já estão com certa idade, mas continuam na ativa. Você tem a preocupação com a questão da idade?
Tomate:
Não tenho preocupação nenhuma. Enquanto Deus me der saúde e voz, eu vou tocando com bengala em cima do trio. Acho que eu não consigo chegar a idade dos ‘caras’ e ficar como eles estão hoje, porque eles são profissionais demais e souberam se cuidar bastante. Talvez a coisa que eu mais admiro em Durval e Bell seja esse lado profissional. Enfim, enquanto Deus me der saúde e voz eu vou cantando, e enquanto a galera continuar indo aos shows, eu continuo cantando. Nesse meio o importante é respeitar seu público, porque a música a gente já respeita.

CH: Falando nisso, como é seu tratamento com os fãs?
Tomate:
Rapaz, sou porra louca. Trato eles como se fossem amigos. Primeiro porque eu não gosto do nome “fã”. Eu prefiro a palavra admirador. Gosto que a pessoa goste de mim, mas sempre procuro tirar essa distância; procuro aproximar. Mesmo porque eu sou um cara normal. Quando uma pessoa vem mais eufórica, eu corto logo. Mas no sentido de cortar a distância. Eu não sou galã de televisão e não me comporto como se fosse.

CH: Como você percebe a aceitação do público de outros estados com a música baiana?
Tomate:
A música baiana mudou muito, e vem mudando a cada dia. Hoje eu falo que é música popular brasileira. Em todas as áreas existem coisas boas e coisas ruins. O problema é que a nossa música é muito apedrejada por questão de orgulho de uma certa comunidade do Brasil. Mas isso não adianta, pois nossa música é a mais forte do país, porque é original. Então a música baiana tem letra, sim. Mas como já disse, tem coisas boas e coisas ruins.

CH: Nos seus shows você sempre mescla ritmos ou prefere só cantar músicas de carnaval?
Tomate:
Tenho preferência por gravar música minhas, com minha identidade. No meu CD você ouve canções que mechem com meu particular, que eu gosto. Porque o que eu não gosto eu não vou tocar nunca. Graças a Deus que sempre o que está na boca no povo, eu também gosto. O bom é ver as coisas de forma leve e descontraída. Sou um verdadeiro folião, e assim como meu público, gosto do pagode e toco. Toco todo tipo de música, não tenho preconceito com nada. Apenas não gosto de tocar músicas de duplo sentido, tipo incentivando uso de drogas ou com termos perjorativos.

CH: Profissionalmente você já se acha preparado?
Tomate:
Eu estou me preparando a cada dia. Ninguém está preparado.

CH: Por fim, quais seus projetos pra o próximo verão?
Tomate:
No carnaval já está certo o bloco Nu Outro e três dias de bloco Papa, que pra mim é o maior presente que tive esse ano. E nós temos a proposta de mais um bloco. Também temos proposta de vários estados Brasil todo pra fazer carnaval fora da Bahia, mas quero passar o carnaval aqui. A gente fica o ano todo tocando fora da nossa terra, se no carnaval nos não tocarmos aqui é até injustiça. Temos propostas do Brasil todo pro carnaval, e o dinheiro é cinco vezes mais do que ganhamos aqui, só que para mim carnaval tem que ser em Salvador. Mesmo que não esteja tocando, tem que está aqui, vivendo e sentindo a energia. Com relação ao carnaval, se rolar esses quatro dias de bloco está ótimo. Só tenho que agradecer a Deus por todas essas coisas que estão acontecendo em minha vida.

Por Rafael Albuquerque