Terça, 30 de Outubro de 2012 - 11:19

Pablo fala sobre saída do Asas Livres, arrocha universitário e queima do carro de som em Una

por Fernanda Figueiredo / Marcela Gelinski

Pablo fala sobre saída do Asas Livres, arrocha universitário e queima do carro de som em Una
Pablo é um fenômeno. Desde que iniciou a carreira, com o grupo Asas Livres, o cantor transformou o arrocha em um movimento musical e desmitificou a ideia de que o ritmo seria “vulgar”. Rotulado como “A Voz Romântica”, o artista encantou públicos de diferentes classes e gostos e se tornou atração principal em eventos. Ele é padrinho da banda de arrocha universitário Kart Love, cujo vocalista já foi chamado por alguns de “Príncipe do Arrocha”. Logo, seria Pablo o “Rei”? Ele acredita que não. E nem que seja o criador. “A mídia gosta de me patentear como o criador. Mas eu costumo dizer que quem criou o estilo foi o povo”, avaliou. Em entrevista ao Bahia Notícias, o cantor falou da saída do Asas Livres, sobre como trabalhou o estilo musical ao longo dos tempos e sobre o polêmico atraso em show na cidade de Una, no sul da Bahia, em que o público queimou o seu carro de som. O arrocheiro aproveitou para falar da gravação de seu primeiro DVD Oficial, que contará com participação de Daniela Mercury, Gaby Amarantos, Claudia Leitte, Alinne Rosa e Tatau. Confira!

Bahia Notícias – Você começou cantando no Asas Livres. E foi aquele estrondo, aquele sucesso. Por que você revolveu deixar o grupo?
 
Pablo – Olha só, meu contrato tinha vencido e eu não quis renovar. Então nós resolvemos fazer outra formação, “Pablo e Grupo Arrocha”. Isso para a gente manter o nome do arrocha. E demos continuidade ao trabalho juntamente com o parceiro que dividia o palco comigo, Nelsinho.
 
BN – Mas esse “Pablo e Grupo Arrocha” não é o mesmo Pablo de hoje?
 
P – Não. Hoje a gente trabalha “Pablo, a Voz Romântica”. A gente colocou “Pablo e Grupo Arrocha” na época e depois dessa formação, que o meu parceiro que cantava comigo resolveu sair, a gente montou o “Grupo Arrocha”. Só “Grupo Arrocha”. Depois desta formação, eu resolvi fazer carreira solo. Antigamente eu tinha envolvimento com empresário, produtora, mas eu resolvi sair e montar minha própria produtora.
 
BN – Quando você saiu do Asas Livres, passou um tempo sumido, mesmo que você estivesse fazendo shows. E agora você volta como Pablo, com outdoors na rua, todo mundo comentando. Está um fenômeno novamente, como aconteceu com Asas Livres. O que é que mudou do Pablo do Asas Livres para o Pablo de agora?
 
P – Bom, a linha romântica continua a mesma. Eu digo que as coisas aconteceram naturalmente. Logo depois da minha saída da gravadora, as coisas aconteceram. Nós fizemos um trabalho carreira solo, o “Pablo, a Voz Romântica” e eu digo que voltamos aquele “boom” da época do Asas Livres. E hoje posso dizer até que está bem melhor. Hoje o arrocha está bem aceito no mercado, porque antigamente tinha aquela coisa das críticas da classe A e tudo mais...
 

 
BN – Exatamente! É algo que a gente se pega pensando. Quando o arrocha começou, era tido como ritmo vulgar. E hoje um show de Pablo está cheio de patricinha. Como você acha que se deu essa mudança, por que que isso aconteceu? Foi algo natural essa migração de públicos?
 
P – Realmente foi uma coisa natural. E pela persistência da gente também em manter uma linha romântica. As pessoas tiraram esse foco de que o arrocha é uma coisa, como você acabou de falar, imoral. As pessoas tinham essa impressão do movimento. Mas se deram conta de o arrocha é um estilo romântico, que agrada a todos os públicos, todas as classes, todos os gostos. Hoje em dia, a gente vê criança curtindo o arrocha. A classe A também. Enfim, todos abraçaram com muito carinho o trabalho, grandes artistas de grandes nomes também. Todo mundo cantando e gravando o arrocha. Então, a gente vê um trabalho que começou do zero, hoje crescendo a cada dia, evoluindo e pra mim é muito gratificante. 
 
BN – Você falou dos artistas que cantam o arrocha. O que a gente tem visto não é exatamente uma migração, mas por exemplo: Alinne Rosa está com uma música de trabalho que é arrocha, Parangolé agora também. Você acha que de certa forma isso é bom ou tira um pouco o espaço de outros cantores de arrocha?
 
P – Não, claro que não. Eu vejo isso como outro mercado se abrindo, outras portas se abrindo. Porque assim, grandes artistas como Léo (Santanna), a Claudinha (Leitte), como a Alinne (Rosa), Ivete (Sangalo), todo mundo abraçando esse movimento, eu acho que abre as portas também. Leva o nome da gente para um nível nacional. E isso é muito bacana para fortalecer o movimento.
 
BN – Você se considera o precursor do arrocha? Quem começou tudo?
 
P – Bom, geralmente a mídia gosta de me patentear como o criador. Mas eu costumo dizer que quem criou o estilo foi o povo. Porque veio de uma expressão sim, de uma expressão que logo no início eu falava no Asas Livres, “Arrocha”, que seria arrocha para os rapazes dançarem agarradinhos, para chamar as meninas para dançarem coladinho, uma dança mais sensual. Antigamente era seresta, e as pessoas já não diziam “Vamos para a seresta” e sim “Vamos para o arrocha”. “Hoje vai ter arrocha, hoje vai ter Pablo”. E as pessoas foram dando este nome ao movimento que hoje está aí. 
 

 
BN – Eu te perguntei sobre o arrocha ter chegado à classe A. Eu queria que você dissesse por que  você acha que aconteceu esse alcance na classe A. Se deu até por conta do arrocha universitário? Você acha que tem alguma relação? Porque agora está na moda “tudo universitário” e atinge essa classe, não é?
 
P – Bom, soma também bastante esse lance do arrocha universitário. Então eu acho que abriu um pouco a cabeça dos adolescentes. A galera de faculdade fazendo arrocha, aquela coisa toda. Eu acho que abriu as portas também para quebrar esse preconceito.
 
BN – O que você acha desse arrocha universitário? Qual a diferença do arrocha universitário para o tradicional?
 
P – Bom, o arrocha mesmo, raiz assim, é um arrocha na linha mais romântica. O arrocha universitário, que até o Michel Teló também está fazendo, o Gusttavo Lima, enfim essa galera do “Camaro Amarelo”, aquela coisa toda, eu acho bacana porque, como eu falei agora pouco, eles estão levando o nome para o Brasil. O arrocha universitário também só serviu para fortalecer o movimento. 
 
BN – Você é o padrinho da banda Kart Love. Como aconteceu essa parceria, como é que veio esse convite de você ser padrinho da banda?
 
P – O [Lucas] Kart é louco pelo meu trabalho, louco por mim. E como ele tava começando, entrou em contato com nossa produtora e pediu para meu empresário falar comigo, para eu fazer uma participação, que era o sonho dele e tal. E ai, eu fiquei adiando. E depois resolvi fazer. Ele é fã e canta todas as minhas músicas no show e tal. Aí, eu disse: “Ah, vou fazer essa participação no CD de trabalho deles”. E eu conheci o Kart, é um cara super gente fina. Então, eu apadrinhei.
 

 
BN – Inclusive deu o título a ele de “Príncipe do Arrocha”.
 
P – É verdade. (risos)
 
BN – Você seria o “Rei do Arrocha”?
 
P – Não me considero, não.
 
BN – Então, por que o Lucas (Kart) é o “Príncipe do Arrocha”, com tantos outros cantores de arrocha por aí também?
 
P – Pode ser que seja pelo fato de ser universitário, aquela coisa toda. A galera toda novinha e tal. Então patentearam ele como príncipe. (risos)
 
BN – E como é que você o vê despontando agora, fazendo sucesso, começando a cantar em outros estados. Enfim, como você vê alguém que apadrinhou fazendo tanto sucesso?
 
P – O Kart é um cara que é um sonhador também e batalhou para ter o momento dele. Então eu admiro muito isso nele, a persistência dele no trabalho. É bacana você ver uma pessoa que vem do zero e acaba conquistando seu próprio espaço. Então eu me sinto feliz por ele também.
 
BN – Em uma entrevista que Lucas Kart deu para a gente lá na Coluna Holofote, a gente ficou conversando sobre o arrocha universitário e ele disse assim: “Quando a gente começou com o arrocha universitário, existia um receio de que o público não abraçasse”. E então ele soltou: “Hoje o público gosta até mais do que o arrocha tradicional”. Você acha que realmente acontece isso?
 
P – Assim, eu acho que cada estilo tem o seu público, é uma diversidade. Então tem o público que gosta mais da linha romântica, que é a linha tradicional do arrocha mesmo, e o arrocha universitário é aquele arrocha um pouco mais para frente, não é? Aquele arrocha para dançar mais soltinho, aquela coisa toda. O nosso é para dançar mais agarradinho, uma dança mais sensual. Então eu acho que cada público tem direito a escolher o seu gosto, a forma de dançar.
 
BN – Eu nunca mais vi as pessoas dançando como antes, agarradinhos. Você acha que continua ou está se perdendo um pouco mais, que o arrocha tinha aquela dança que até fazia com que o ritmo fosse visto como imoral, como vulgar.  
 
P – Não, hoje tem sim. Ainda continua a dança e tal. Porque é uma dança gostosa, não? É uma dança para dançar agarradinho. E quem que não vai para o show para arranjar um parceiro para dançar, para namorar e tal? Mas rola muito de dançar agarradinho. Muita gente está dançando sozinho também, porque a gente está vendo o trabalho crescendo e evoluindo, então estamos criando um cenário bacana, uma estrutura maior no palco. Então a galera fica mais impressionada, assistindo o show, olhando para o palco. Então tirou o foco um pouquinho da galera para poder dançar. Mas enfim, ainda rola sim aquela coisa da galera dançar agarradinho.
 

 
BN – E é uma dança que teoricamente é para dançar agarradinho, mas que dá para dançar sozinho também.
 
P – Bom, quem não tem parceiro pode dançar sozinho também. (risos)
 
BN – Agora não dá para a gente conversar sem tocar naquele episódio do carro de som que queimaram porque você tinha se atrasado. O que foi que aconteceu que você atrasou tanto? Foram cinco horas de atraso, não é?
 
P – É, atrasamos por conta de dois acidentes que teve na estrada. E acho que não foi pelo fato do público se revoltar, não. Acho que o local não foi muito adequado. A gente fez festa com um parceiro de muito tempo, só que ele não foi feliz na escolha do local. O espaço em si e a localização também. Eu acho que se a pessoa é fã do artista, não vai chegar a esse ponto, esse extremo. Mas enfim, não foi culpa nossa, foi uma fatalidade, aconteceu e a gente tem que encarar a realidade.
 
BN – Mas você costuma ficar atrasando? Porque existem artistas que já estão se achando estrela e começam a chegar atrasado ao show e quem quiser que espere. Você é esse tipo de artista?
 
P – Não, eu acho que quando tem que atrasar, atrasa mesmo. E o fã, quando é fã, espera, entendeu? Como eu acabei de falar foi uma fatalidade. Não tem artista que não atrase no segundo show, no terceiro show. Não existe você fazer dois, três shows na noite e ser pontual. Isso não existe. Sempre tem os imprevistos. Tanto que a gente está se organizando para fazer um show por noite, porque geralmente não dá para fazer dois shows na noite porque você sempre acaba atrasando. Mas enfim, eu acho que o fã de verdade, o fã não falta com respeito de tamanha forma ao artista. 
 

 
BN – Agora vamos falar da gravação do DVD. Como é que está a expectativa, o que você está preparando de novo, vai ser um repertório diferenciado?
 
P – A gente está preparando uma mesclagem. Músicas que fizeram sucesso logo no início da carreira do Pablo na época do Asas Livres. Porque é um DVD Oficial, que estamos fazendo pela Som Livre, e é o primeiro DVD do Pablo oficial. Então a gente resolveu resgatar músicas antigas também, que já fizeram sucesso, que não chegaram a nível nacional, para agradar a todos os públicos. A gente faz o repertório, logo no início, do disco da atualidade, e música da época do Grupo Arrocha também. Quem for, vai curtir uma mesclagem muito gostosa no nosso repertório. 
 
BN – E como foi feita a escolha dos convidados? Porque a gente percebe que Gaby Amarantos é um estilo, Daniela Mercury é outro. São convidados com estilos completamente diferentes e diferentes também do seu.
 
P – É verdade. É porque, eu gravei várias músicas inéditas, música deles também. Já gravei música do Tatau, gravei da Gaby Amarantos. Enfim, então resolvemos convidar os autores das músicas que gravamos. Não está todo mundo porque, como é véspera de feriado, a maioria dos artistas estão viajando. Não que esses que convidamos não estejam trabalhando, mas a gente tentou conciliar o tempo. Eles vão fazer show em outros lugares e a gente conseguiu o show para fazer a participação com a gente aqui. 
 
BN – Pois é, Daniela Mercury, que tem essa fama de ser chata, de que é metida a cult, cantando arrocha. Foi difícil convencer Daniela a cantar arrocha?
 
P – Não, não foi difícil. Nada, nada mesmo. Eu fui fazer uma participação com Tatau na volta do Araketu dele e tal, e ela participou também. A gente conversou e ela me mostrou ser uma pessoa maravilhosa. No entanto, eu não conhecia a Daniela como pessoa assim, mas achei ela extremamente maravilhosa. Em momento algum ela mostrou ser assim metida. De jeito nenhum.
 
BN – Você agora é o cara do momento, o fenômeno. Está preparando alguma coisa para o verão, além do DVD? Está pensando em ensaio semanal?
 
P – Não, não. Nós vamos fazer o bloco Alô Inter este ano. Já é o quarto ano do Bloco  Arrocha, que sai na Avenida, e esse ano vamos fazer o Alô Inter pela primeira vez no circuito Barra/ Ondina. 

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