Quarta, 02 de Maio de 2012 - 15:53

Entrevista: Rita Batista fala de sua nova vida na fofoca e explica polêmicas de sua carreira

por Fernanda Fahel / Marília Moreira

Entrevista: Rita Batista fala de sua nova vida na fofoca e explica polêmicas de sua carreira
De âncora conceituada da comunicação baiana para comentarista de fofoca. Rita Batista bateu um papo com a Coluna Holofote e não fugiu da raia quando questionada sobre os assuntos mais polêmicos. Do boato de que sairia na Playboy ao bafafá da sua demissão na TV Aratu, a comunicadora que hoje apresenta o Muito+ ao lado de Adriane Galisteu mostrou o porquê de ela já ser considerada uma das maiores revelações baianas na televisão nacional. “O meu exercício é de comunicar. Eu sou comunicadora, não sou celebridade, não sou artista, não sou famosa, então eu fico muito à vontade de perguntar as coisas mesmo, de saber além do que elas [pessoas famosas] querem dizer porque elas têm um texto pronto para a hora das perguntas”, contou. Sem papas na língua, Rita não poupou ninguém. Sobrou até para a equipe do Bahia Notícias! Confira a íntegra da entrevista aqui!
 

Bahia Notícias: “Pagando bem, que mal tem?”, foi a sua resposta ao ser questionada se posaria nua. A polêmica em torno disso acabou gerando boatos sobre um possível ensaio para a Playboy, além de um movimento dos fãs no Twitter a favor desse ensaio. Afinal, essa capa vai rolar ou não vai? O que você pensa sobre o assunto?

Rita Batista: Tudo isso é conversa de bastidor, e aí alguém publicou porque tudo vira fofoca. A gente estava brincando, falando das Playboys de Galisteu – ela já fez duas. Ela até falou alguma vez no programa, em algum momento. E a gente ‘Kakakakaka’ e ficou por isso. Aí morreu o assunto. Só que aí alguém contou pra Léo Dias, que é colunista. Léo Dias colocou na coluna dele. E aí pronto, é a grande história, em cascata. Todo mundo reitera a notícia, ninguém liga para saber. Não precisava nem ligar pra mim, ligava pra Playboy, velho. Mas enfim…

BN- E sobre o “pagando bem que mal tem?”

RB: Esse “pagando bem que mal tem?” é porque eu tenho mania de falar em metáfora, em provérbio.  E ouvi essa conversa no bastidor, dentro de uma reunião de pauta, e aí eu falei: “pagando bem que mal tem?”, “dinheiro na mão, calcinha no chão”, sabe? Não existe nenhuma conversa sobre o assunto. Nem vontade.
 
BN: Sua colega de emissora, Babi, raspou o cabelo ao vivo pelo Pânico na Band. Para alguns, foi por dinheiro. Para outros, foi por pressão. Qual sua opinião sobre esse assunto? Você faria algo parecido por um desses dois motivos?

RB: Não, gente. Cada qual é cada qual, vocês bem sabem, televisão a coisa é toda produzida, acertada, combinada. Então, assim: já tinham lançado uma campanha de que iam mudar o visual das panicats,ninguém sabia o que seria e tal, agora uma das meninas ia ficar careca e aí foi ela. Ela fez o trabalho dela, sabe? A minha pegada é outra. Outro dia mesmo eu falei no programa. A gente estava brincando, eu e Adriane, antes de o Pânico entrar na Band. Estava na expectativa do Pânico entrar e tal, aí Adriane falou: “Vem cá, vamos brincar de panicats”. Aí a gente dançou um tempinho e depois eu falei: “Ah Adriane, me poupe,fiz faculdade, tchau!”. Cada coisa na sua coisa. É a viagem dela. Elas sabem o que vão enfrentar. Agora tem gente falando de humilhação, escárnio público, etc. Gente, é Pânico, é humor e é humor no Pânico. A galera já sabe, não tem ninguém enganado ali. Eu não faço humor, né?[risos]. Apesar de estar na fofoca agora, nessa seara, eu não faço humor. É a mesma coisa posar nua, não sou modelo, não sou atriz, não sou nenhuma personalidade. Vou posar nua para quê? Ninguém quer ver minha xe****.
 

Rita Batista ao lado de seus colegas no Muito+, Adriane Galisteu e Lysandro Kapila

BN: Na Rádio Metrópole você comandava o programa "Rita Para Maiores", transmitido tarde da noite. Como surgiu a ideia de fazer um programa sobre sexo na Bahia? Para você, o baiano tem esse fogo todo mesmo ou falta liberdade sexual a todos nós?

RB: O “Rita Para Maiores” foi assim: eu trabalhava com Mário [Kertész], fazia na rádio dois programas e um era com ele. E sempre as dúvidas sexuais ficavam comigo. Era eu, Denise Magnavita e Claudia, a formação original. Depois ficamos por mais tempo no ar eu, Denise Magnavita e Jéssica Senra. As dúvidas sexuais ficavam comigo, conselhos e crises existenciais com Denise, que assumia esse papel da mãezona, e Jéssica ficava com uma coisa mais moderna assim. E aí a gente via um filão de mercado. O grande problema é que tinha que ser tarde da noite e eu já trabalhava o dia inteiro, né? Nessa brincadeira, nessas idas e vindas de Dina Rachid na rádio, tinha um programa chamado “Detalhes”, que começava às 20h e terminava a 0h, eram quatro horas de programa depois do programa de Mário. Foi nesse programa que eu aprendi a mexer na mesa. Digamos que tenha sido meu estágio com mesa de operação. O programa de 20h a 22h era mais leve, mas as duas horas finais eram mais “hard”. Aí, Diana ia sair, todos os compromissos comerciais já tinham sido cumpridos e aí falaram: “Ah, Rita, já está na hora de você ter o seu”. Aí, tem um cara, que eu sempre tento descobrir quem é ele, que foi quem me deu o nome. A gente se falava muito, ele é motorista, ele ia muito na rádio, me dava presente. Eu sei que ele é do Vitória, não sei se ele é conselheiro, não sei muito bem a função dele, sei que ele é torcedor fanático do Vitória. E aí ele disse que tinha pensado em um programa, o “Rita Para Maiores”e ele me deu o nome. E uma camisa do Vitória também. Depois a gente perdeu o contato. Eu até falava no programa sobre ele...

BN – Sexo é sua cara?

RB: É isso, eu gosto muito de falar de sexualidade, sempre gostei. Desde as alas de SOE, desde as feiras de ciências do [Colégio] Dois de Julho, sempre me atraiu essa temática. E é um filão de mercado mesmo. E por mais que a gente ache que a gente é libertário, que a gente fala tudo, é mentira. A gente pode até falar tudo, mas a gente não faz nada. Não faz mesmo, minha filha. Eu ficava abismada com as dúvidas, com as perguntas. Tem uma galera que sacaneia em alta, mas você percebe ainda hoje, na Rádio Metrópole, quando a doutora Gilda Fuchs conversa às terças-feiras com Mário... Gente! A gente ri e tudo, mas você vê que tem pessoas que têm aquela dúvida de verdade, total desconhecimento. Então a gente ainda tem de conversar muito. É o país da bunda, do “rebolation”, a gente tem as nossas danças todas aí na Bahia, as coreografias ousadas e tal, mas que nada, todo mundo travado. Eu acho que ficam se exibindo tanto assim para ver se destrava na hora mesmo de fazer, mas não destrava nada.

BN: Você concorda com a Lei Antibaixaria? Qual a sua opinião a respeito?

RB: Isso rendeu, né? E foi aprovado. Eu acho o seguinte: eu sou completamente a favor da liberdade, eu acho que isso abre um precedente muito complicado. É de pouquinho em pouquinho que a censura se instaura. Eu acho que isso abre um precedente que é perigoso. Eu entendi Luiza Maia, acho ela uma parlamentar, assim, de respeito. Admiro intimamente, profundamente, pelo trabalho e pela pessoa, mas acho que quando a gente coloca isso no parlamento, na assembleia, a gente está mexendo com algo que me desperta um certo temor. Eu fico um pouco temerosa. Eu acho interessante essa questão do erário, do dinheiro público, de o dinheiro público não financiar a baixaria etc. Luiza Maia até me deu uma entrevista no Boa Tarde Bahia e ela disse: “Eu sei, Rita, que você é feminista, tal, tal, tal”. Na essência, os caras poderiam pensar direitinho no que eles escrevem.  Mas a gente percebe, e eu já percebi muito isso por cobrir shows, de fazer a prévia do Carnaval e a própria cobertura do Carnaval, que as mulheres adoram, se deliciam, sobem e descem, ralam a tcheca no chão sem precisar pedir [risos]. Eu acho que é muito mais uma coisa de educação, de a gente fomentar a educação nas escolas públicas, com as menininhas e com os menininhos, porque burro velho, minha filha, é difícil educar, só na base do dinheiro! Então assim: ela pode também com isso, fazer com que apertem os bolsos dos caras – o que para mim é uma outra leitura do caso. Como o governo vai deixar de contratar algumas dessas bandas, elas irão perder alguns cachês de micaretas, festas em praças, talvez eles tenham de mudar de postura. Tem essa outra pegada. Como eu já estava aqui na época da aprovação, eu vi de cá as comemorações, vi tudo. 

Como radialista, Rita Batista ganhou notoriedade na Metrópole

BN: Alguns comentam que sua carreira profissional deu uma guinada para um lado, digamos, “menos nobre” da comunicação. De âncora respeitada e formadora de opinião em veículos locais, passou a “comentarista de fofoca” na rede nacional. O que você tem a dizer sobre esse tipo de comentário?

RB: Antes de tudo, eu tive que me livrar do meu preconceito. Assim que eu recebi o convite, eu pensei assim uns dois dias. Vamos lá, a emissora onde você trabalha te chama pra cabeça de rede. Então, tipo assim, não é todo dia. Primeira coisa foi a oportunidade. Então eu fui ouvir duas pessoas que pra mim são muito caras, que são experientes, que conhecem esse mercado, que sabem da vida muito mais do que eu. E todo mundo sabe, meu mestre, meu mentor, Mário Kertész. E fui ouvir Fátima Mendonça, a primeira dama do Estado da Bahia, que, apesar disso, eu já a conhecia há algum tempo e é uma querida amiga. Então, são pessoas muito caras pra mim e a opinião delas vale muito na minha vida, principalmente na minha vida profissional. Um porque me deu todo o caminho e a outra porque sabe onde é que as cobras dormem. Então, os dois foram unânimes. “O que você está pensando ainda? Vá! Vá! Você não vai deixar de ser a pessoa que você é. Não vai deixar de fazer o trabalho que você faz. É a sua comunicação. Você comunica para a Bahia e Sergipe. Agora você vai comunicar para o país inteiro. Então você vai encontrar seu ponto”. Assim, fofoca eu tava f*****. Não sei da vida de ninguém. Descubro a cara das pessoas fazendo o programa. E aí Rodrigo Branco, que é o diretor do programa, quando me convidou, disse exatamente qual seria meu papel, que ele sabia da minha história, até porque a Band é a Band. Sabia da minha história, sabia do meu compromisso com a notícia, etc. Sabia que eu tinha uma pegada no entretenimento, mas que eu não fazia fofoca. No início do “Boa Tarde” tinha até um quadro de fofoca, mas morreu na praia porque eu não sabia fazer de jeito nenhum, não rolava, não funcionava. Porque o negócio é pra ‘profissa’ viu, Josemar, Michel... Fazer fofoca é negócio pra profissional! Daí, no primeiro momento, logo quando eu declarei de onde eu vinha e o que estava fazendo, trezentas manifestações contra e ao mesmo tempo trezentas a favor. Era realmente o que Mário e Fátima me disseram. Eu continuo a mesma pessoa, com as mesmas opiniões. A fofoca não surge de mim. E eu fico descobrindo também esse universo porque esse universo de celebridade e de famoso, como eu disse há pouco, eu não sabia absolutamente nada e, minha filha, é onde as cobras dormem e moram! O meu exercício é de comunicar. Eu sou comunicadora, não sou celebridade, não sou artista, não sou famosa, então eu fico muito à vontade de perguntar as coisas mesmo, de saber além do que elas querem dizer por que elas têm todas um texto pronto para a hora das perguntas.

BN: Como você descreveria seu relacionamento com Adriane Galisteu, sua colega de palco no Muito+? Já houve algum conflito?

RB: No início do programa surgiram vários boatos de que a gente estava se estranhando. Josemar me ligou até, perguntando como era. Eu falei: "gente, a gente não é amiga, óbvio. A gente está se conhecendo. A gente começou a trabalhar agora". Adriane para mim sempre foi a famosa, a mulher da capa de revista. Por mais que o povo queira ver intimidade, não vai ter. Assim, o povo que eu falo é o das revistas, sites, o povo da fofocaria. Então, como viram que a gente não saía junto, eu não estava atrás dela o tempo todo, começaram a criar essa história de que a gente se estranhava, mas não. Ela me dá várias dicas de como lidar com essas coisas, porque por mais que eu não queira ser pauta, em alguns momentos, olha eu sendo. Então tem uma galera que é do mal mesmo, como tem uma galera que quer ver o mar pegar fogo para comer peixe frito. Logo no início me ligaram de uma coluna de jornal. “Você está falando pelos corredores da Band que Galisteu não lhe deixa falar. O que você tem a dizer sobre isso?” “E venha cá, quem foi que lhe disse isso? Cadê, quem é que estava no corredor? Eu vou interrogar a produção inteira! Eu quero saber onde foi que você ouviu isso?” Tem uma galera que diz uma coisa e na verdade é outra. Eu não tenho porque ficar inventando história. Holofote não é a minha. Holofote é o nome da coluna de vocês, mas não é a minha! [risos]

À frente do Boa Tarde Bahia, Rita recebeu a deputada estadual Luiza Maia (PT)

BN: Se você pudesse escolher outro(a) colega para apresentar o Muito+ com você, quem escolheria? Que outra colega escolheria para trabalhar ao lado?

RB: Minhas amigas daí, trazer o povo daí para cá? Minha amiga Érica Saraiva. Ela gosta muito do negócio, ia ser babado. Ela é toda moderna, gosta de moda, de festival de rock. Léo do Pida! Ele sabe tudo desses artistas! Eu sou muito fã de Léo. Léo bota muito para quebrar. Tem mais gente, mas as outras são mais na onda do jornalismo mesmo, na pegada do jornalista. Ana Borges também eu traria. Ela também gosta de uma fofocaria. Eu traria o povo que gosta, entendeu?

BN: Uma polêmica que envolveu seu nome foi sobre uma suposta punição quando você trabalhava na TV Aratu e fez um comercial para a Universidade Católica de Salvador [Ucsal]. Isso aconteceu mesmo? Qual sua versão para os fatos?

RB: Eu era contratada da [TV] Aratu, era apresentadora de jornal. Trabalhava na rádio Metrópole ao mesmo tempo e, na rádio, eu fazia 351 propagandas. E aí a Católica me chamou para fazer campanha. Eu estudei na Católica. Daí eu falei assim: “ah, vamos lá”. Era uma campanha grande de vestibular. Apesar de todos os problemas que a Católica tem, teve e terá, eu sou fã na Universidade Católica. Estudei lá, gosto muito, gosto do corpo docente, do corpo discente, dos funcionários. Então eu fui fazer e o povo da Aratu não gostou, ficou puto porque eu era a cara institucional da emissora e que eu não poderia ter feito isso. Eu disse “tá, beleza, o que vocês querem fazer?” “A gente vai te dar uma licença não remunerada de dois meses, que é o tempo da campanha e depois a gente vê o que faz”. Se reuniram em uma sala comigo, a dona e o diretor. Então eu disse: “Por mim tudo bem, se é o que vocês querem”. Continuei trabalhando na rádio e, naquela época, todo mundo me perguntando e eu contando a mesma história. Aí o povo ia perguntar a Aratu, ela dizia que não. Licença não remunerada, me poupe, né? Esperaram dois meses, quando acabou o prazo eu voltei para lá e me perguntaram o que é que eu queria da vida. Se eu queria ser apresentadora ou se eu queria ser garota-propaganda. Para mim uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu não confundo uma coisa com a outra. Aí eu trabalhei trezes dias exatos. “Sabe de uma? Não dá mais”. Eu estava me dando super bem, tudo funcionando, todo mundo igual, os colegas queridos trabalhando juntos, mas eu não estava mais amarradona no trabalho. Dei uma broxada. Porque, enquanto eu trabalhava em um lugar que valorizava muito isso, o outro me dispensou por dois meses. Aí eu pedi demissão. Me perguntavam se eu tinha sido demitida e eu dizia “não, querem minha carta de demissão? Mando por fax para você”. Continuei na Metrópole até ir para a Band, em 2010. Você vê como é a vida, as vezes você não sai de um lugar porque existe muito apego às pessoas, então assim, pedir demissão da Aratu  foi um sofrimento para mim. E eu tinha todo o apoio da Rádio Metrópole, de continuar trabalhando, de ver até mais horas na programação, mais horas de trabalho, porque eu estaria com bastante tempo livre. Mas foi um parto e eu fiquei muito magoada, muito chateada, mas passou.

BN: E por último. Não sei se você conhece nossa coluna Curtas e Venenosas, escrita por Natália Comte. Geralmente ela pega no seu pé [risos]. Você tem algum recado pra ela?

RB: Olha, manda um beijo para Ricardo Luzbel. Eu acho muito divertido, acho interessante. O negócio é que às vezes não tem muito de quem falar, né? Aí ele dá uma sumida, tira férias. Agora eu entrei. Eu acho positivo! Falem mal, mas falem de mim! Pode falar. Eu sou super tranquila para essas coisas.

Natália Comte: Recado recebido...

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