Levi Lima - Vocalista da Via Circular
“Estou num período de aprendizado, mas espero um dia ser um grande cantor, um grande compositor, um grande artista”. Assim o cantor e compositor Levi Lima, da banda Via Circular, define o momento que está vivendo tanto na vida profissional quanto na vida pessoal. O vocalista fala na entrevista de algumas curiosidades do início de sua carreira, além de comentar a satisfação de estar lotando da Happy News e seus ensaios. O cantor prometeu mais ensaios no verão, CD de carreira e várias apresentações no carnaval de Salvador. Confira abaixo a entrevista na íntegra.
Coluna Holofote: Levi, como e quando você se interessou pela música e decidiu que queria ser cantor?
Levi Lima: Minha família é evangélica, e quando nasci eu já tinha contato com a música, porque geralmente o pessoal das igrejas gosta muito de música. Eu também fazia parte da igreja e isso influenciou muito meu gosto pela música. Minha mãe toca piano, e quando fiz sete anos comecei a fazer oficina de piano, depois fiz um ano de flauta, só mais tarde comecei a tocar violão. Um pouco mais velho eu decidi que queria ser cantor, mas não sabia que ritmo ia cantar. Aos 16 anos, quando tive o primeiro contato com o carnaval de Salvador, eu vi aquele mar de gente e os trios passando e decidi que queria cantar axé. Aí fui trabalhando, tentando encontrar oportunidades. Fiz faculdade de composição na UFBa. E a primeira oportunidade que surgiu para eu cantar foi na banda de forró Melaço de Cana, onde fiquei um ano. Depois apareceu uma oportunidade de cantar axé numa banda pequena [Banda Tal], e conseguimos a chance de sair dois dias no carnaval de 2005 num trio independente que saía bem tarde. Quando estava chegando no final do percurso em Ondina, às 6 da manhã, um empresário daqui de Salvador estava na janela do apartamento dele, me viu e gostou bastante. Depois ele mandou que me encontrassem e assim eu fui apresentado ao meu atual empresário Jarbas Veiga.
CH: Como foi sua vinda para a Via Circular?
LL: Foi em 2005, a partir desse empresário que me viu no carnaval. Eu vim trabalhar com Jarbas, e ele queria um artista para ser construído com calma. Uni a bagagem que tinha acumulada até então com as aulas de canto, dança, fono e muitas reuniões. Já havia essa preparação antes mesmo de existir a banda. Como Jarbas também é empresário do Terra Samba eu tive a oportunidade de viajar com ele, fiz algumas participações e depois comecei a fazer backing vocal com o Terra. Nesse tempo ficamos pensando como seria o Via Circular. Depois de cerca de um ano nós montamos a banda.
CH: Qual objetivo você quer atingir na Via Circular?
LL: Meu objetivo maior é poder trabalhar com música o resto de minha vida, poder levar minhas composições o mais longe que puder e tentar representar bem a música baiana, que já está sendo tão bem representada por todos os artistas baianos.
CH: Como você define musicalmente a banda Via Circular?
LL: O que define a Via Circular musicalmente são as composições, que na sua maioria eu assumo, sendo que algumas em parceria com outros compositores. O foco da banda é o axé; é música baiana para carnaval. Mas nós transitamos por qualquer gênero musical, é claro, agregando a ele o ritmo baiano e a batida de carnaval. Nós tocamos arrocha, forró, pagode, etc. Tocamos o que achamos que naquele determinado momento vai entreter o público. Mas tudo com elementos da música baiana. Nosso pronto principal é não existir preconceito, porque achamos que qualquer gênero musical tem sua contribuição muito positiva. Por isso que o nome da banda é Via Circular, porque nós circulamos por todos os gêneros.
CH: Fala um pouco dos ensaios que estão rolando toda sexta-feira na Happy News.
LL: Esses ensaios nós iniciamos junto com o trabalho da banda, e passamos um período fora do Estado. Passamos por Minas, Rio, São Paulo, Paraíba. Então decidimos estar mais presentes em Salvador, porque no próximo carnaval estaremos tocando aqui. E a maneira que agente encontrou para isso foi primeiramente realizar esses ensaios que acontecem todas as sextas-feiras na boate Happy News. Vamos fazer esse mês de julho inteiro e talvez perdure por mais duas semanas do mês de agosto. A imprensa e o público têm falado muito bem dos ensaios. Espero que as pessoas continuem indo lá, porque é bem bacana.
CH: O que você acha das críticas que a mídia tem feito?
LL: A mídia tem sido muito carinhosa com a Via Circular, assim como o público. As críticas sempre foram muito positivas.
CH: Conta sobre o projeto que a Via Circular realiza nas escolas.
LL: O projeto que teve início no ano passado, começou nas escolas particulares, onde nós tocávamos cerca de 20 minutos durante os intervalos. Esse ano decidimos levar o projeto também para as escolas públicas.
CH: Qual a importância de levar música ao público adolescente?
LL: Nas escolas particulares é importante porque sabemos que passar um período grande numa sala de aula, apesar de ser um investimento de tempo, causa certo tédio. Então nos intervalos nós divertimos a galera. Em contrapartida levamos a música para as escolas, incentivando e motivando os alunos. Nas escolas públicas é ainda mais importante porque os alunos são muito humildes e não têm condições de pagar um ingresso para curtir o show. Então nós levamos o show para dentro das escolas. Nos colégios públicos o período de show é maior, pois tocamos durante cerca de uma hora e vinte. Esse contato é muito bom, inclusive são esses alunos que consomem a nossa música. Inclusive o projeto deu tão certo que Feira de Santana já está nos solicitando.
CH: A Via Circular já é conhecida do público de Salvador, mas você acha que com a chegada do sucesso o projeto vai continuar viável?
LL: O projeto não tem data para acabar. Mas é claro que com a projeção que a banda vai tendo, fica difícil fazer com a mesma freqüência. Isso não significa que nós não continuaremos com o projeto. Eu acho que é importante para nós, pois é um público que vai amadurecer junto com o nosso trabalho. Além de ser uma forma de conquistar novos fãs.
CH: Você já pensou no dinheiro e status que o sucesso pode lhe trazer?
LL: Claro. Na verdade eu já pensei em tudo. As pessoas que me orientam são muito competentes. As conversas, as reuniões e uma família bem estruturada ajudam bastante. Mas eu sou um ser humano como qualquer outro; tenho os mesmo riscos de qualquer pessoa em contato com isso. Contudo, eu acredito que estou muito bem preparado, muito bem cercado. E que essas coisas são naturais, mas quando a pessoa é forte e está cercada por outras pessoas que querem seu bem, você passa por isso tudo sem levar nenhum tipo de seqüela negativa.
CH: Além de cantar você também compõe. Como é compor para a música baiana diante de tantas críticas que sofre no cenário nacional?
LL: Acho que a música baiana de carnaval é pra divertir. Então, naturalmente tem músicas que tem o apelo mais de movimentos, de refrões, grande apelo público. Mas tem muita coisa de qualidade. Poesias lindas, melodias e ritmos maravilhosos. Penso que tudo que está em ascensão e tem qualidade é criticado. E a música baiana está aí para ser criticada mesmo. Todos têm o direito de achar o que quiserem e de não gostar. Mas eu faço música tentando ser o mais competente o possível. Eu me preocupo com a poesia, com a melodia, com a letra e com as mensagens que estou passando, sem medo da crítica. É um direito das pessoas gostarem ou não, mas o importante para mim, é estar fazendo meu trabalho sempre.
CH: Quais frutos a canção “Palácio e Castelos” já rendeu a banda Via Circular?
LL: Uma banda com a música na boca das pessoas é fundamental para o trabalho. Tudo facilita, pois as pessoas procuram saber mais da banda por causa da música. A canção é a maneira que temos de espalhar a banda por aí. Inclusive, semana passada a Oi /Brasil Telecom solicitou a liberação de “Palácios e Castelos” para poder ser vendida como toque de celular no Brasil inteiro. Isso tudo já é fruto da música. Mas o mais positivo de tudo é o elogio das pessoas e a realização pessoal.
CH: Você acha que compõe ou canta melhor?
LL: [rsrsrs] Eu me dedico muito às duas coisas, então não tenho como te dizer o que faço melhor. Até porque falar de você mesmo é muito difícil. Estou num período de aprendizado, mas espero um dia ser um grande cantor, um grande compositor, um grande artista.
CH: Como você analisa o cenário musical na Bahia?
LL: A música da Bahia é uma fonte que nunca vai secar. É importante saber que a música baiana não é só o axé. Nós temos o rock muito bem representado, o reggae também, o samba, o arrocha, o pagode, o forró, a MPB, etc. Eu acho que a música baiana em geral tem que ser respeitada de verdade. Eu não tenho nenhum tipo de preconceito musical.
CH: Quais artistas você mais admira e onde você busca inspiração pra cantar e compor?
LL: Eu me inspiro nos artista não só como cantor ou compositor, mas como comportamento também. Como artista eu admiro muito Michael Jackson. Aqui na Bahia o que não falta são exemplos. Eu admiro muito Bell Marques, não só como artista, mas como conduta exemplar. O nosso Durval é fantástico. Ivete é de uma competência absurda. Meu amigo Tomate também é fantástico, um grande artista. Gosto muito de Brown também. É até injusto deixar de citar tantos outros, porque um artista da Bahia completa o outro.
CH: Parece haver certa predisposição de alguns cantores partirem para a carreira solo depois de fazer sucesso em bandas. O que você acha disso?
LL: Em relação aos outros artistas, a única coisa que eu posso afirmar é que cada um sabe o que quer para si. Se um artista vai se sentir bem e se realizar fazendo isso, tem todo o direito de fazer. Está cedo demais para pensar nisso. Estou muito focado no dia de hoje. Se o artista sentir vontade e necessidade de partir para carreira solo, ele tem direito de fazer, mas tem que ser muito responsável para tomar essa decisão, pois tem outras pessoas envolvidas e que dependem dele. No meu caso a relação com a empresa que eu trabalho transcende a relação profissional. Nós temos uma relação pessoal muito forte. Tem meu empresário Jarbas Veiga, que é um segundo pai para mim, tem Toinho, Anco Márcio, Luciano, e várias outras pessoas que trabalham aqui, e que Jamais passaria pela minha cabeça deixar de trabalhar com essas pessoas. E, se um dia acontecer de partir para carreira solo, com certeza eu vou continuar com essas pessoas. Mas eu acho que isso nem vale a pena pensar agora, porque eu tenho que pensar na Via Circular, no carnaval 2009, e levar o nome da banda o mais longe possível.
CH: Qual a relação da banda Via Circular com o Terra Samba?
LL: O Terra Samba é muito especial para a Via Circular. Meu amigo Reinaldo e Mário Ornelas foram pessoas de uma generosidade absurda. Reinaldo foi o primeiro artista em nível nacional que eu tive contato. Ele sempre me deu oportunidade de cantar, sempre me ensinou muito. Eu sou muito grato a Reinaldo e a Mário Ornelas porque vão ser pessoas importantíssimas para o resto da minha vida.
CH: Mudando um pouco de assunto, você está solteiro para alegria da mulherada ou está namorando?
LL: [rsrsrs] Estou solteiro, pois meu comprometimento hoje é com o trabalho. Mas isso não significa que daqui a quinze minutos eu possa conhecer uma pessoa e me apaixonar. Eu não tenho nenhuma restrição com esse tipo de coisa, mas agora tenho dado prioridade ao trabalho.
CH: Quais os projetos da banda Via Circular para o verão e para o carnaval?
LL: No verão vamos retomar os ensaios, e no carnaval estaremos aqui em Salvador no mínimo três dias. Ainda não posso divulgar os blocos, mas em breve vocês vão saber. Temos alguns eventos em Minas Gerais para fazer. Nossa carreira também está indo muito bem em Fortaleza, então devemos passar por lá. O projeto nas escolas também vai continuar. Estamos também gravando o disco de carreira, mas sem pressa; sem data para lançar. Os projetos vão acontecendo em torno da cronologia natural. Mas o projeto é viver feliz por estar trabalhando com música.