Renatinho fala de briga com Cumpadre Washington e rolos com dançarinas e prostitutas que foram capa de revista
Coluna Holofote: Como foi o início da sua carreira? Quando foi que você decidiu seguir a carreira artística?
Renatinho: Rapaz... Eu comecei a cantar quando tinha 5 anos, lá em Jauá, na barraca de praia de minha mãe. Imitava Sidney Magal, Michael Jackson. Como era criança, não era nada profissional. Aí, com 11 anos, eu montei minha primeira banda.
CH: De pagode?
Renatinho: Não. Na época o que tava bombando mesmo era banda Mel, banda Reflexus. E aí a gente tocava Asa de Águia também, que tava começando. O pagodão era um ritmo que ainda tava começando com Rei Zulú, Gera Samba. Ainda não tinha essa explosão que é hoje. E aí começamos com esse projeto e logo em seguida eu fui pra Camaçari. Com 14 anos entrei numa banda de Camaçari. Uma banda, inclusive, que Denny , hoje na Timbalada, fazia parte. Nós cantamos juntos. Era um centro que cuidava de menores carentes e proporcionava cursos para os adolescentes na época e aí a gente cantava de tudo. Aos 16 anos eu ganhei o primeiro cachê.
CH: Seu primeiro cachê veio numa banda de axé?
Renatinho: Isso. Era uma banda de axé mesmo, de lá de Camaçari. Então eu me considero um cantor profissional desde os meus 16 anos. Já são quase 20 anos, 19, pra ser mais exato. De lá pra cá não parei. Já participei de várias bandas... criei uma banda percussiva em Arembepe, chamada ‘Amores Nativos’. Já tava nessa linha de percussão... aí eu tinha 17, 18 anos... a gente criava os instrumentos, depois a gente ganhou notoriedade ali pela orla, começamos a fazer shows e aí a gente tinha dinheiro pra comprar os instrumentos. Só que eu comecei a achar aquilo pequeno demais para mim. Aí fui convidado pra fazer parte da banda Pracatá, isso em 1995, 96. Comecei a trabalhar música em barzinho. Cantava na Pracatá e, em paralelo, fazia música em barzinho. Ali em Itapuã já cantei nos bares todos. Eu estudava, trabalhava e cantava, mas a música sempre falou mais alto. Tinha que trabalhar muito, porque já tinha uma filha nessa época. Pensei até em fazer faculdade de Educação Física, que era a profissão da época... Me inscrevi na UFBA, mas foi quando soube que ia rolar eliminatória para o concurso do Tchan. Fiz até a primeira fase e passei, mas no dia da segunda prova era dia de eliminatória pro Tchan.
CH: E como foi essa fase pra começar no Tchan?
Rentainho: Então... Comecei a passar nas eliminatórias. Foram oito até chegar na final do Faustão. Acho que foram mais de 1.500 candidatos. Eu entrei pra ganhar mesmo. Quando eu passei na primeira eliminatória, eu disse: “Vou ganhar”. Até eu chegar entre os oito finalistas, ninguém, além da minha família, sabia. Aqui na Bahia a gente fala que é pra não “agourar”, né? risos... Aí, quando fiquei entre os oito finalistas, espalhei pra todo mundo. E, graças a Deus, ganhei.
CH: E como foi entrar no Tchan?
Renatinho: Fiquei sete anos no Tchan. Em quatro anos conheci o mundo todo. Em três anos conheci o Brasil todo. E nesses sete anos eu aprendi o que é ser artista de verdade. As pessoas deturpam muito. Dizem que É o Tchan naquela época era igual a essas bandas de pagode de hoje em dia que temos aqui. Dizem que denegria a imagem, a sexualidade da mulher, mas eu acho que tudo é uma questão do que o povo quer no momento. O povo dita, na verdade. Na época não existia essa coisa de apelo sexual. Na verdade, o Tchan foi um divisor de águas e foi minha Universidade. Eu aprendi muito lá.

CH: Você adquiriu notoriedade nacional no É o Tchan. Como foi participar do grupo e por que resolveu sair?
Renatinho: Na verdade eu não resolvi sair. O Cal (Adan) e os sócios resolveram acabar a formação que eu fazia parte - ao contrário do que as pessoas falam, que eu resolvi sair para fazer carreira solo. Muitas pessoas não sabem que eles que resolveram acabar a formação que tinha eu, Jacaré. Na época, a banda ‘Nata do Samba’ tava estourada aqui em Salvador e eles resolveram colocar as meninas no grupo. Eu até entendo a dinâmica de estar mudando e tal, colocando gente nova. E eu agradeço porque, se eu continuasse da forma que eu tava, hoje eu não teria essa visibilidade a nível nacional. Eu tive que correr atrás dos amigos que fiz, de Porto Alegre a Manaus, para buscar esse caminho que resolvi continuar seguindo.
CH: Mas teve alguma mágoa, alguma confusão?
Renatinho: Não, muito pelo contrário. Jacaré foi o que ficou mais sentido, na verdade. Jacaré foi o fundador de um movimento, né? Não existia essa coisa de homem dançar, rebolar e ele é o mentor disso tudo.
CH: Você é amigo de Jacaré?
Renatinho: Sou muito amigo dele. Sou amigo de todos. Graças a Deus eu consegui sair do grupo da mesma forma que entrei. Eu, inclusive, recebi proposta para colocar a banda na justiça, para ter, de certa forma, um suporte para permanecer na mídia, mas eu não quis, porque não adiantaria eu colocar na justiça a banda que me lançou para o mundo. Para que ficar em maus lençóis com Washington, com Cal, que sempre foram pessoas muito corretas comigo? Não adiantaria eu colocar eles na justiça e ficar, na hora de dormir, com aquela nuvem negra rondando minha cabeça.
CH: Nos bastidores, comenta-se que Cumpadre Washington batia em Scheila, que ele é brigão com todo mundo. Como era seu relacionamento com os demais integrantes do grupo? Houve alguma briga, algum fato que fugiu do seu controle?
Renatinho: Rolavam aquelas discussões básicas que rolam em qualquer ambiente de trabalho. Eu ficava sem falar com Cumpadre porque ele queria que eu fosse do jeito que ele queria, e eu não sou assim, eu sou muito independente. Aí ele falava: ‘Porra, você fica rebolando o tempo todo, canta mais’ e tal... Na época que eu entrei era o Xanddy do Harmonia que era o cara e as mulheres queriam ver os cantores rebolando no palco. E aí, pelo fato de ser o Harmonia, uma banda ‘concorrente’, ele queria que ou eu fizesse uma sintonia com os bailarinos, ou que eu cantasse parado. E aí eu fazia essa sintonia com os dançarinos, mas na minha parte solo, eu dançava também e aí ele se chateava, ficava aquele climão, mas ele era meu patrão. Às vezes eu ficava triste porque recebia reclamações, mas depois tudo ficava bem. Às vezes meu Cumpadre era um ‘furúnculo’ (risos), mas a gente sempre teve amizade fora dos palcos, de frequentar um a casa do outro. Nossas famílias sempre foram muito ligadas. Sempre torci muito por ele. Depois que a gente terminou o Tchan, ainda fizemos uma turnê maravilhosa na Europa... Foi quando ele tava querendo voltar com o projeto do Tchan, me convidou, mas eu já tava com outros projetos. É uma pessoa que eu gosto e respeito muito. O Jacaré reclamava muito que eu era largado (risos).
CH: E o novo projeto? Você não é mais só cantor de pagode. Seu novo cd traz uma mistura de ritmos. Conta um pouco sobre esse trabalho.
Renatinho: Eu tenho uma raiz musical muito forte. Eu aprendi muito com Luiz Caldas. Eu acho que Luiz é um dos maiores artistas do mundo. É multi-instrumentista, é um compositor nato... É um cara que eu cresci ouvindo e me emociono quando ouço as músicas de Luiz... E venho dessa geração de banda Mel, Reflexus, Olodum, de Timbalada – que eu praticamente vi nascer – e fiquei muito feliz quando vi Denny lá dentro, acompanhei o crescimento dele e hoje ele é um monstro na música. Então, eu sou fã de Luiz, de Brown, são pessoas que são referências pra mim. Quando eu comecei a compor eu tinha essa influência muito forte. Quando o Tchan apareceu foi aquela explosão. Foi um ícone durante 10 anos seguidos e eu virei fã do Tchan e comecei a cantar pagode, mas misturando com outros ritmos e nunca imaginei que um dia eu estaria cantando no Tchan.
CH: O seu novo cd é misto?
Renatinho: É um cd misto, com músicas antigas. Eu tenho músicas de 16, de 15 anos. Eu tenho uma história musical no meu cd (risos). O meu carro chefe, a música “Alalalong”, tem 16 anos. Quando eu escrevi meus primos zombaram de mim. Eu escrevi há 16 anos, gravei agora com uma nova roupagem, fiz um clipe lá no Rio e, graças a Deus, está tendo uma aceitação muito boa. Há poucos dias recebi um email do compositor, que é jamaicano, me parabenizando pela versão e eu fiquei muito feliz.
CH: Falando nessa música, ‘Alalalong’, você fez um clipe com participação de Viviane Araújo. Como foi essa parceria e por que você a escolheu?
Renatinho: Eu tinha algumas opções, mas a Viviane é uma pessoa que está muito próxima da gente, ela é muito amiga da minha mulher. Fiquei até surpreso, que quando fiz o convite, ela aceitou na hora. E foi assim, de uma gentileza, de uma humildade... Porque a Viviane, hoje, no Brasil e no mundo ela é considerada a rainha das rainhas das escolas de samba, né? É considerada um dos maiores símbolos sexuais do país. Já ganhou vários prêmios, de várias revistas. Então fiquei muito feliz com ela no meu clipe, foi maravilhoso. Ficaria bom comigo, musicalmente falando, mas com a imagem da Viviane ficou esplêndido... Só tenho que agradecer a ela.
CH: Você também se arriscou como apresentador em um projeto com a diretora Marlene Mattos. Como foi isso?
Renatinho: É. Eu como apresentador sou um ótimo cantor (risos). Mas foi muito bom. E ser dirigido por Marlene é uma coisa para poucos, né? Muita gente implora para ser dirigido por ela e caiu nas minhas mãos isso.
CH: Ela é brava mesmo?
Renatinho: Ela é brava, mas é pra você ser bom, pra você sempre estar dando o melhor de si, pra estar sempre melhorando e sempre buscando mais. Eu era uma espécie de homem de ferro do projeto, porque ninguém aguentava. Tinha que cantar e dançar e apresentar. Eu era o único que cantava ao vivo, que é totalmente diferente de cantar em playback ou BG. O ao vivo exige muito mais de você. Foi um projeto que durou quatro meses no Rio e em algumas cidades do interior do Rio de Janeiro. Foi muito bacana, conheci muita gente boa e hoje, se me colocarem pra apresentar aí, eu arrisco. Porque eu aprendi muito com a Marlene sobre essa coisa de câmeras, como se comportar e tal...
Renatinho: Claro! (risos)... Eu sou cantor. Posso até arriscar ser apresentador, mas fico na música mesmo, que tá na minha alma.
CH: Você acabou de gravar uma música com Perlla...
Renatinho: É, nesse mesmo cd.
CH: Como é que pintou esse convite, essa parceria?
Renatinho: A gente gravou uma música muito bonita que se chama ‘Sincero’.
CH: É funk?
Renatinho: Não. É uma balada romântica. Eu queria até lançar essa música logo, mas a gente tem essa coisa de música de inverno e música de verão, então, a minha próxima música de inverno eu estou pensando em lançar ela. Ficou um dueto muito bom, eu gostei muito.
CH: Houve rumores de que você posaria nu. Você chegou realmente a conversar com alguma revista ou foi só boato?
Renatinho: Um dos diretores da G. Magazine chegou a jantar comigo lá em São Paulo (risos). Ele queria que mais um cantor de axé mostrasse o que o baiano tem (risos), mas só que ficou só na negociação mesmo. Eu acho que é uma exposição muito grande e marca muito o artista, pelo menos pra mim que penso agora, unicamente, na música. Eu acho que ia misturar muito por conta de eu ter um público infantil muito grande. É um trabalho, mas existe muito preconceito ainda. O Brasil é um país muito preconceituoso, em todos os aspectos. Então, iam deturpar muito a minha imagem. Com o público adulto e GLS eu sei que não teria problema nenhum, porque eles sabem como funciona o sistema (risos). Eu tenho uma parte no meu show que eu digo: agora todo mundo vai voltar a ser criança. Por conta disso recebi vários convites pra festas infantis. A Marlene Mattos tem uma casa de eventos infantis e eu recebi vários convites pra festas de crianças, fiz vários eventos fechados. Então existe essa coisa do público.
CH: Então, posar nu é uma coisa que já foi descartada?
Renatinho: Só vou por muito dinheiro, eu falei pra ele. Por pouco dinheiro não vale a pena me expor, porque agora eu estou com uma filha adolescente, que já vai fazer 15 anos e tenho dois enteados, uma de 10 e outro de 11 anos.
CH: E quando foi que pintou esse convite pra posar nu?
Renatinho: 2002, 2004, 2006, 2007 e 2008. Eu recebi quatro convites que cheguei a sentar e conversar. O próprio David Brazil, que é promoter e é meu amigo, sempre falava: ‘Vai, faz as fotos, vai dá uma boa mídia’ e tal, mas não adianta. O que tem a ver o negócio lá (risos) com minha música?
CH: Mas, por muito dinheiro, você muda de ideia...
Renatinho: Por muito dinheiro eu vou, claro! Uma ‘pontinha’ boa, hein... Pra comprar uma casinha boa lá na Praia do Forte (risos)... Hein? Vale à pena, né? Mas uma coisa pra você se expor, por pouco, não dá. Tudo bem que é pouco tempo de exposição... 2, 3 meses. Mas, pra mim, fica marcado o resto da vida.
Renatinho: Vários. E com o público gay eu tenho uma relação muito boa. Antes do Tchan eu já tinha uma relação muito boa com esse público. Lá em Camaçari, em Lauro de Freitas, eu sempre fui seguido por eles. Depois do Tchan, aí o arco-íris veio de vez (risos). E eu passei a ter, não só fãs gays, mas amigos, em todos os estados por onde a gente passava e fora do Brasil também. A gente chegava no hotel e eles estavam lá, com camisa com foto, com faixas esperando a gente.
CH: Algum deles já chegou a exagerar no assédio?
Renatinho: Sempre tem né? (risos)... Aqueles mais ousados que não aguentam ver. Tanto os gays, quanto as mulheres, mas eu sempre soube administrar isso de uma forma tranqüila.
CH: Já passou por alguma situação que te deixou constrangido?
Renatinho: Já, já. Várias. Aqui no Carnaval, um dos casos que eu me lembre, a gente tava puxando um bloco na avenida, quando passou dos camarotes, tinha um cara com a camisa com meu rosto, escrito ‘Renatinho, eu te amo’, com faixa na cabeça com meu nome. Aí Cumpadre Washignton avistou aquilo, gritou no microfone: ‘Alô Renatinho, o menino é seu fã ali, oh!’... Aí, foi aquela gozação no meio da multidão. (risos) ... Uma vez umas fãs, mulheres, lá no Pará, subornaram o pessoal do hotel e foram pra dentro do quarto. Quando eu entrei eu tomei um susto (risos). E gritavam: ‘A gente ama você, a gente ama você’ e vinham com aquele beijo que não é beijo de fã, sabe? Tipo: já que a gente tá no quarto, vamos cair pra dentro. (risos)... E aí eu pedia pra elas pararem, pelo amor de Deus...
CH: E você liberou as meninas?
Renatinho: Tinha que liberar, né? Imagine aí se alguém ouve ou se elas mesmas comentam com alguém...
CH: E sua esposa, como reagia a esse assédio todo?
Renatinho: Na época eu era solteiro. A minha época toda do Tchan eu era solteiro. E aproveitei bastante, viu? (risos). Em três anos eu peguei umas 14 capas de revista, das revistas mais tops. Eu tinha uns contatos lá e o pessoal me ligava: ‘Tem uma menina aqui, olhe aí no site’ eu ia e olhava, só as gatas, aí me perguntavam: ‘Quer jantar com ela hoje?’ e eu ia e saía com a mulher. São Paulo e Rio era tudo assim, muito fácil, porque eu era a bola da vez. A mídia tava em cima, fazia programa de televisão toda semana. Então, eu tava no auge da pegada... risos ... Tava com 22 anos, cantor, era capoeirista, baiano, cheio de dendê na veia (risos). Mas isso é fase, essa coisa de pegar geral, acho que todo mundo passa por isso. Até que chega uma hora que você tem se voltar mais pro seu interior e pra sua família, que é a base de tudo. Se eu não tivesse uma família como a que eu tenho, eu já tinha virado pra outro lado, fácil. Porque é tudo muito fácil nesse meio: sexo, drogas e rock’n roll. Na verdade, em todos os meios, né? Mas, no artístico, pelo fato de você ter uma maior notoriedade, acaba sendo mais fácil. Graças a Deus eu tenho uma mãe maravilhosa que soube segurar a onda comigo. Até quando eu saí do Tchan, que fiquei meio sem rumo, foi ela quem mais me apoiou.
CH: É verdade que a maioria das capas de revistas masculinas é de garotas de programa?
Renatinho: Se elas são garotas de programa eu não sei (risos), mas eu não pagava nada. (risos)... Eu já ia com o esquema certo, 0800. Mas tudo tem um preço, lógico. Você leva uma mulher que vai ser capa de revista pra jantar naqueles restaurantes chiques, um pratinho que não tapa nem o buraco do dente, um absurdo de caro (risos). Aí tem aquele vinhozinho, pra deixar a menina no grau... Então, tudo tem um custo, mas se elas eram ou são garotas de programa eu não sei (risos). O que eu sei é que o povo fala que elas não se sustentam somente com o que ganham nas revistas, que é um cachê pouco, para o alto padrão de vida que elas levam. Claro que tem as exceções, como é o caso das figuras fortes da mídia no momento, como foi o caso das Sheilas e da Carla, no Tchan. Mas, as demais, que posam por um cachê de 25, 30 mil, não tem como elas terem cobertura, carro importado, com esse cachê, né? E aí elas não cantam, não tem uma profissão. Mas, cada um no seu cada um. Eu é que não julgo ninguém. Tenho amizade com muitas delas até hoje, inclusive. E elas me falam que eu fui um dos poucos que saí com elas, mas não quis expor isso pra mídia. Tem muita gente que sai com capas de revistas pra aparecer. Eu nunca fiz isso. O que acontece na minha vida íntima, entre quatro paredes só diz respeito a mim e a ela. Não adianta forçar a barra pra aparecer na mídia.
CH: Você afirmou que na sua fase de cantor do Tchan, ‘pegou geral’. Rolou envolvimento com alguma das meninas do grupo, na época?
Renatinho: Eu prefiro não comentar. (risos). Eu acho que o passado não importa. Isso aí é uma coisa que deixa quieto, cada um na sua. Hoje tá todo mundo casado, deixa quieto... Se for mexer nessa coisa agora é capaz de rolar uma polêmica, que não vai ser construtiva, então deixa isso quieto. (risos).
CH: Se rolasse convite para você voltar pro Tchan, você voltaria?
Renatinho: Não é algo descartado, não. Mas eu estou muito focado em meu projeto individual e estou muito bem onde eu estou. Tenho uma visibilidade no eixo Rio-São Paulo. Tô com esse pensamento de seguir firme com meu projeto.
CH: Pra finalizar, fala um pouco sobre seus projetos para o verão, Carnaval...
Renatinho: Fui convidado por alguns amigos para participar de uns ensaios, tô voltando com todo o gás. Fui convidado pra fazer trio independente e bloco. Vou puxar o 'Amor de Verão' na Avenida, no domingo. Fui convidado ainda pra fazer mais uns quatro estados. Então, a gente pensa em fazer um carnaval massa aqui, mas a gente pensa também em fazer outros estados. Sabemos que o Carnaval é o 13º (salário) dos músicos, dos cantores (risos). Então, é isso. Estou voltando com tudo! Podem esperar que vem muita coisa bacana aí.
Renatinho: É, nesse mesmo cd.
CH: Como é que pintou esse convite, essa parceria?
Renatinho: A gente gravou uma música muito bonita que se chama ‘Sincero’.
CH: É funk?
Renatinho: Não. É uma balada romântica. Eu queria até lançar essa música logo, mas a gente tem essa coisa de música de inverno e música de verão, então, a minha próxima música de inverno eu estou pensando em lançar ela. Ficou um dueto muito bom, eu gostei muito.
CH: Houve rumores de que você posaria nu. Você chegou realmente a conversar com alguma revista ou foi só boato?
Renatinho: Um dos diretores da G. Magazine chegou a jantar comigo lá em São Paulo (risos). Ele queria que mais um cantor de axé mostrasse o que o baiano tem (risos), mas só que ficou só na negociação mesmo. Eu acho que é uma exposição muito grande e marca muito o artista, pelo menos pra mim que penso agora, unicamente, na música. Eu acho que ia misturar muito por conta de eu ter um público infantil muito grande. É um trabalho, mas existe muito preconceito ainda. O Brasil é um país muito preconceituoso, em todos os aspectos. Então, iam deturpar muito a minha imagem. Com o público adulto e GLS eu sei que não teria problema nenhum, porque eles sabem como funciona o sistema (risos). Eu tenho uma parte no meu show que eu digo: agora todo mundo vai voltar a ser criança. Por conta disso recebi vários convites pra festas infantis. A Marlene Mattos tem uma casa de eventos infantis e eu recebi vários convites pra festas de crianças, fiz vários eventos fechados. Então existe essa coisa do público.
CH: Então, posar nu é uma coisa que já foi descartada?
Renatinho: Só vou por muito dinheiro, eu falei pra ele. Por pouco dinheiro não vale a pena me expor, porque agora eu estou com uma filha adolescente, que já vai fazer 15 anos e tenho dois enteados, uma de 10 e outro de 11 anos.
CH: E quando foi que pintou esse convite pra posar nu?
Renatinho: 2002, 2004, 2006, 2007 e 2008. Eu recebi quatro convites que cheguei a sentar e conversar. O próprio David Brazil, que é promoter e é meu amigo, sempre falava: ‘Vai, faz as fotos, vai dá uma boa mídia’ e tal, mas não adianta. O que tem a ver o negócio lá (risos) com minha música?
CH: Mas, por muito dinheiro, você muda de ideia...
Renatinho: Por muito dinheiro eu vou, claro! Uma ‘pontinha’ boa, hein... Pra comprar uma casinha boa lá na Praia do Forte (risos)... Hein? Vale à pena, né? Mas uma coisa pra você se expor, por pouco, não dá. Tudo bem que é pouco tempo de exposição... 2, 3 meses. Mas, pra mim, fica marcado o resto da vida.
Renatinho: Vários. E com o público gay eu tenho uma relação muito boa. Antes do Tchan eu já tinha uma relação muito boa com esse público. Lá em Camaçari, em Lauro de Freitas, eu sempre fui seguido por eles. Depois do Tchan, aí o arco-íris veio de vez (risos). E eu passei a ter, não só fãs gays, mas amigos, em todos os estados por onde a gente passava e fora do Brasil também. A gente chegava no hotel e eles estavam lá, com camisa com foto, com faixas esperando a gente.
CH: Algum deles já chegou a exagerar no assédio?
Renatinho: Sempre tem né? (risos)... Aqueles mais ousados que não aguentam ver. Tanto os gays, quanto as mulheres, mas eu sempre soube administrar isso de uma forma tranqüila.
CH: Já passou por alguma situação que te deixou constrangido?
Renatinho: Já, já. Várias. Aqui no Carnaval, um dos casos que eu me lembre, a gente tava puxando um bloco na avenida, quando passou dos camarotes, tinha um cara com a camisa com meu rosto, escrito ‘Renatinho, eu te amo’, com faixa na cabeça com meu nome. Aí Cumpadre Washignton avistou aquilo, gritou no microfone: ‘Alô Renatinho, o menino é seu fã ali, oh!’... Aí, foi aquela gozação no meio da multidão. (risos) ... Uma vez umas fãs, mulheres, lá no Pará, subornaram o pessoal do hotel e foram pra dentro do quarto. Quando eu entrei eu tomei um susto (risos). E gritavam: ‘A gente ama você, a gente ama você’ e vinham com aquele beijo que não é beijo de fã, sabe? Tipo: já que a gente tá no quarto, vamos cair pra dentro. (risos)... E aí eu pedia pra elas pararem, pelo amor de Deus...
CH: E você liberou as meninas?
Renatinho: Tinha que liberar, né? Imagine aí se alguém ouve ou se elas mesmas comentam com alguém...
CH: E sua esposa, como reagia a esse assédio todo?
Renatinho: Na época eu era solteiro. A minha época toda do Tchan eu era solteiro. E aproveitei bastante, viu? (risos). Em três anos eu peguei umas 14 capas de revista, das revistas mais tops. Eu tinha uns contatos lá e o pessoal me ligava: ‘Tem uma menina aqui, olhe aí no site’ eu ia e olhava, só as gatas, aí me perguntavam: ‘Quer jantar com ela hoje?’ e eu ia e saía com a mulher. São Paulo e Rio era tudo assim, muito fácil, porque eu era a bola da vez. A mídia tava em cima, fazia programa de televisão toda semana. Então, eu tava no auge da pegada... risos ... Tava com 22 anos, cantor, era capoeirista, baiano, cheio de dendê na veia (risos). Mas isso é fase, essa coisa de pegar geral, acho que todo mundo passa por isso. Até que chega uma hora que você tem se voltar mais pro seu interior e pra sua família, que é a base de tudo. Se eu não tivesse uma família como a que eu tenho, eu já tinha virado pra outro lado, fácil. Porque é tudo muito fácil nesse meio: sexo, drogas e rock’n roll. Na verdade, em todos os meios, né? Mas, no artístico, pelo fato de você ter uma maior notoriedade, acaba sendo mais fácil. Graças a Deus eu tenho uma mãe maravilhosa que soube segurar a onda comigo. Até quando eu saí do Tchan, que fiquei meio sem rumo, foi ela quem mais me apoiou.
CH: É verdade que a maioria das capas de revistas masculinas é de garotas de programa?
Renatinho: Se elas são garotas de programa eu não sei (risos), mas eu não pagava nada. (risos)... Eu já ia com o esquema certo, 0800. Mas tudo tem um preço, lógico. Você leva uma mulher que vai ser capa de revista pra jantar naqueles restaurantes chiques, um pratinho que não tapa nem o buraco do dente, um absurdo de caro (risos). Aí tem aquele vinhozinho, pra deixar a menina no grau... Então, tudo tem um custo, mas se elas eram ou são garotas de programa eu não sei (risos). O que eu sei é que o povo fala que elas não se sustentam somente com o que ganham nas revistas, que é um cachê pouco, para o alto padrão de vida que elas levam. Claro que tem as exceções, como é o caso das figuras fortes da mídia no momento, como foi o caso das Sheilas e da Carla, no Tchan. Mas, as demais, que posam por um cachê de 25, 30 mil, não tem como elas terem cobertura, carro importado, com esse cachê, né? E aí elas não cantam, não tem uma profissão. Mas, cada um no seu cada um. Eu é que não julgo ninguém. Tenho amizade com muitas delas até hoje, inclusive. E elas me falam que eu fui um dos poucos que saí com elas, mas não quis expor isso pra mídia. Tem muita gente que sai com capas de revistas pra aparecer. Eu nunca fiz isso. O que acontece na minha vida íntima, entre quatro paredes só diz respeito a mim e a ela. Não adianta forçar a barra pra aparecer na mídia.
CH: Você afirmou que na sua fase de cantor do Tchan, ‘pegou geral’. Rolou envolvimento com alguma das meninas do grupo, na época?
Renatinho: Eu prefiro não comentar. (risos). Eu acho que o passado não importa. Isso aí é uma coisa que deixa quieto, cada um na sua. Hoje tá todo mundo casado, deixa quieto... Se for mexer nessa coisa agora é capaz de rolar uma polêmica, que não vai ser construtiva, então deixa isso quieto. (risos).
CH: Se rolasse convite para você voltar pro Tchan, você voltaria?
Renatinho: Não é algo descartado, não. Mas eu estou muito focado em meu projeto individual e estou muito bem onde eu estou. Tenho uma visibilidade no eixo Rio-São Paulo. Tô com esse pensamento de seguir firme com meu projeto.
CH: Pra finalizar, fala um pouco sobre seus projetos para o verão, Carnaval...
Renatinho: Fui convidado por alguns amigos para participar de uns ensaios, tô voltando com todo o gás. Fui convidado pra fazer trio independente e bloco. Vou puxar o 'Amor de Verão' na Avenida, no domingo. Fui convidado ainda pra fazer mais uns quatro estados. Então, a gente pensa em fazer um carnaval massa aqui, mas a gente pensa também em fazer outros estados. Sabemos que o Carnaval é o 13º (salário) dos músicos, dos cantores (risos). Então, é isso. Estou voltando com tudo! Podem esperar que vem muita coisa bacana aí.
