Alvinho comenta assédio de Netinho e prefere Margareth entre divas do axé

"É difícil assumir uma marca, uma banda que já teve outros cantores"
Coluna Holofote: O projeto Mr João foi idealizado por você?
Alvinho: Foi, sim.
CH: Por que deixar a banda já que você foi o idealizador? Geralmente, quando a gente idealiza, a gente fica...
Alvinho: É porque, assim, essa oportunidade... Na verdade, pra mim, só está mudando o nome, porque a gente está indo com todo mundo, com toda a equipe, todo mundo. E eu considero isso como um upgrade, porque a Chica Fé já é uma banda conhecida e tal, e já passaram grandes artistas por lá e é isso. E a Mr João, na verdade, foi um projeto que começou comigo, mas era uma coisa que a gente mesmo geria, a gente corria atrás de tudo e, com essa ida para a Chica Fé, com a nossa passagem na 2GB, a gente hoje tem duas produtoras trabalhando pela banda, além de ter uma marca mais conhecida. E isso para o artista é bacana, porque você pode mostrar seu trabalho para uma quantidade maior de pessoas.
CH: Há quanto tempo existe esse “namoro” seu e da Chica Fé?
Alvinho: Já tinha tido uma sinalização que eles queriam que eu fosse para lá, mas ainda não estava nada oficializado. Por isso que a gente não teve um anúncio mais cedo, mas já estava rolando um namoro.
CH: Então, Serginho ainda era cantor da Chica Fé quando começou o “namoro” de vocês?
CH: Então, Serginho ainda era cantor da Chica Fé quando começou o “namoro” de vocês?
Alvinho: Não. Aconteceu depois da saída, do destrato dele que os caras procuraram a gente. Não tinha nada antes. Até porque, eu também estava desenvolvendo um trabalho, fazendo outras coisas aí e tal. E eu realmente só soube quando já estava nessa fase aí do destrato dele.
Alvinho: Tenho, sim. Nós somos... Amigos, sim. A gente se fala, já, já. Eu e Saulo (Fernandes, irmão de Serginho) estudamos na mesma escola e Serginho e meu irmão também foram colegas, porque as idades são parecidas: eu e Saulo e Sérgio e meu irmão caçula. Então, a gente estudou na mesma escola e já tem uma relação de muitos anos já, né? Então, a gente se fala, mas não assim... A gente não se frequentava muito, eu não ia muito na casa deles, nem eles na minha, mas a gente sempre se encontrava por aí e tal, então, a gente sempre se trata bem, são meus amigos.
CH: Você acha que ele ficou aborrecido ao saber que é você quem está substituindo ele?
Alvinho: Acho que não. Até porque, foi uma coisa que foi da vontade dele também. Pelo que eu soube, foi vontade dele sair do projeto e tal e aí eu fui convidado pelo pessoal. Na verdade, eles fizeram a proposta à 2GB e aí chegou até a mim. Então foi isso e eu acho que não houve essa coisa de “Ah, Alvinho está fazendo as coisas pelas costas”, não há nada disso. Pelo menos, a minha consciência está tranquila. Eu sinto como se eu tivesse passado para outro projeto, que não tinha mais cantor, até porque, Serginho já havia sinalizado sua vontade de fazer outra coisa, já estava com o projeto dele idealizado e foi uma coisa que ele mesmo conversou comigo há cerca de seis meses atrás ou um ano.
CH: O que ele disse?
CH: O que ele disse?
Alvinho: Que ele já estava um pouquinho insatisfeito, que ele queria montar o projeto dele e tal, então, eu acho que não foi uma coisa de uma hora para a outra, tipo: chegou alguém que tomou o lugar do cara. Eu nem me sinto assim, também.
CH: A Chica Fé revelou Saulo, mas Serginho não conseguiu colher muitos frutos. Você tem medo de enveredar pelo mesmo caminho de Serginho e não de Saulo?
Alvinho: Não. Não tenho, não. Até porque, quando a gente pensa nessa coisa de entrar em um projeto, de fazer música, eu, particularmente, penso, em primeiro lugar, na música. Eu penso no que a gente vai fazer no palco, no que a gente vai fazer por aí, porque eu acho que todo o resto é uma consequência, né? Tipo, o que vem de mídia, o que vem de imprensa, TV, rádio, tudo é consequência de um trabalho bem feito. Então, eu acho que todos dois são vitoriosos no seu jeito, entendeu? Saulo é um cara admirável na força de trabalho dele, a musicalidade dele e ele não está aí, aonde ele chegou à toa. Até porque, eu conheço Saulo e sei que a filosofia dele é essa: “vamos trabalhar, vamos tocar, fazer o som da gente e tudo que vier depois é consequência”. Então, eu acho que sucesso é basicamente isso: a consequência de um trabalho bem feito.
CH: A Chica Fé não conseguiu ir muito longe com Saulo nem com Serginho. Por que, com você, será diferente?
Alvinho: Eu acho que tudo tem um tempo para acontecer. Saulo ficou alguns anos na Chica Fé, mas talvez, naquela época, a própria Chica Fé não tivesse maturidade para receber as coisas e eles não tivessem um trabalho tão maduro quanto o que existe hoje. Exatamente por isso – a Chica Fé já tem alguns anos aí na estrada e eles já aprenderam como o sistema funciona. Então, depois de Saulo, a coisa andou pra caramba. Se você parar pra pensar, algumas músicas que você canta, as pessoas já cantam com você. A Chica Fé só não teve uma projeção nacional tão grande quanto a do Eva. Até porque, é como eu falei para você: é um upgrade. Saulo passou da Chica Fé que, na época, era uma banda de pequeno porte, para o Eva, que era uma banda já conhecida no Brasil inteiro com Ivete. Saulo substituiu Emanuelle Araújo que, tipo assim, ele não substituiu, ele veio com a cara dele. Eu fiz vocal na banda Eva no primeiro ano de Saulo na banda Eva e foi maravilhoso. E eu acho que foi o pontapé inicial, todo mundo viu o talento de Saulo e o Eva pôde colocar isso mais em evidência. Então, eu acho que, talvez por isso, as coisas aconteceram mais rapidamente na vida dele. Talvez não tão rapidamente, porque Saulo levou oito anos - ele já está no oitavo ano do Eva - para chegar aonde chegou.
CH: O foco da Chica Fé era uma pegada mais samba reggae. Na nota que a sua assessoria disparou para a imprensa, você diz ter o samba reggae na veia. A Chica Fé vai continuar seguindo essa mesma linha?
Alvinho: Eu acho que tem muita coisa que não vai mudar, porque as canções antigas da Chica Fé remetem a isso, né? Ao samba-reggae. Eu tenho muito isso também, mas, embora eu admire muito e goste muito do som que já foi feito até aqui, eu acho que tem muita coisa que vai mudar, porque minha personalidade é que vai entrar agora no esquema.
CH: Qual era o estilo da Mr João?
CH: Qual era o estilo da Mr João?
Alvinho: Era uma coisa meio black music da Bahia. A gente sempre misturava funk com samba-reggae; a gente misturava reggae com samba-reggae, que são duas batidas diferentes e a gente acabava misturando tudo assim. Sampler, com, com... Com tambor da Bahia, então, a gente traz um pouco disso aí. O que eu escuto mesmo de música baiana é música de bloco afro, é música de samba-reggae. Eu adoro Margareth (Menezes), gosto de Tatau, gosto do Ilê (Aiyê), eu gosto dessas coisas, entendeu? Então, eu acho que tudo isso, misturado às influências do que a gente já ouvia na adolescência de Legião Urbana e tudo mais, acaba virando uma coisa interessante.
"A galera confunde esse negócio das pessoas declararem sua sexualidade com amizade"
CH: Já seus empresários disseram que a Chica Fé, agora, vai renovar a música, trazendo coisas inéditas e possibilidades ainda não exploradas. Do que eles estão falando? Que coisas são essas?
Alvinho: (risos) Assim: sinceramente, eu não sei se essa coisa da novidade deve ser tão anunciada. Mas, eu acredito que eu tenha muito para contribuir. Que a Chica Fé, agora, tenha muito para contribuir com essa nova geração. Eu acho que essa nova geração tem muito para mostrar. Não só eu, não. Eu acho que Sérgio (Fernandes); Saulo abriu uma portona pra gente com essa coisa do Eva, dele mostrar o talento dele, que é da nossa geração, e tem outra forma de ver a música. Você vê que a música, a história da música baiana vem se reciclando e mudando assim. Agora o Eva tem outra cara, de oito anos pra cá, e eu acho que é basicamente isso que a gente tem que fazer. É difícil assumir uma marca, uma banda que já teve outros cantores, uma marca que já é conhecida com outras pessoas e tal, mas eu acho que todos nós aí, dessa nossa geração, temos muita coisa boa, muita novidade pra mostrar.
CH: O que você pretende fazer para impulsionar a banda?
Alvinho: Eu não sei se, eu não sei se... O que eu acho que pode ser diferente é que a gente se preocupa muito com essa coisa de não perder a essência da gente. Eu vi uma frase, acho que de Milton Nascimento – não lembro direito agora – que falava assim: “quanto mais regional você é, mais universal você fica”. E a ideia da gente é sempre essa: de não perder a vertente musical da Bahia, daquilo que já era feito por Banda Mel, Cheiro de Amor, aqueles samba-reggae bonitos que a gente ouvia e tal. Assim, eu adoro tocar em trio elétrico, aquela pauleira de trio elétrico, o público se renovando, as pessoas naquela adrenalina alta...Eu adoro isso, acho massa. Não é só o samba-reggae, é a coisa do trio elétrico no carnaval e tal.
CH: Então, a Chica Fé vai ter um axé mais pauleira? Porque antes, era mais devagar...
Alvinho: Sim, sim, sim. Eu acho que a gente tem que misturar. E é uma coisa que eu vivo desde que eu comecei a cantar. Quando eu comecei a cantar, eu já estava em cima de um trio elétrico, já. E é uma coisa que eu gosto de fazer: tocar em trio elétrico, tocar em bloco, tocar no carnaval.
Alvinho: Eu acho que sempre pode ajudar, sim. Mas eu acho que depende muito da nossa competência também. Porque os amigos ajudam e a gente tem uma força hoje, que é importante. Porque hoje tem muita gente boa tocando em lugar nenhum, ou tocando em bar até hoje e que nunca foi descoberto. Então, eu acho que a gente tem uma possibilidade muito grande das coisas darem certo. Quando eu digo darem certo, pra mim, é você conseguir conquistar, aos poucos, todo ano, todo dia, a cada show, você conquistar um público diferente, mais gente ouvindo seu som, mais gente te dizendo que gosta de você...
CH: Você tem fã?
Alvinho: Rapaz... Tenho. Tem gente que segue a gente, que ouve a gente e diz que gosta do som, então, eu acho que isso é, né? Fã?! Quem gosta do som é fã, pra mim.
CH: Você já trabalhou com Ivete Sangalo, Margareth e Daniela Mercury. Qual das três é a sua musa inspiradora?
Alvinho: Rapaz, é difícil dizer isso, porque... Eu não estou sendo político, não, mas eu juro pra você: eu admiro muito o trabalho das três. Mas se tivesse hoje que dizer quem teve uma influência maior, talvez, quem eu ouvi mais desde que eu comecei a cantar, é Margareth. Desde os discos anteriores dela, desde “Faraó”, até “Luz Dourada”, que é um disco muito bacana, maravilhoso dela assim, tem muita coisa de Margareth que eu curto. E Daniela que tem essa coisa de levar o samba-reggae, a música da Bahia pra fora, né? Margareth e Daniela tem muito essa coisa. Mas Margareth é uma deusa, eu adoro ela, é um amor de pessoa.
CH: Você já foi backing de Netinho. Netinho gosta de meninas e meninos. Ele já te paquerou?
Alvinho: Não. É porque a galera confunde esse negócio das pessoas declararem sua sexualidade com amizade. Comigo nunca houve isso, nós somos amigos, aliás, ele é como se fosse um irmão pra mim e a gente nem nunca teve esse papo assim. Porque as pessoas acham que “ah, você se relacionou com essa pessoa que fez essa declaração, você é amigo dele, então, você já teve alguma coisa com ele”. Quer dizer que, se eu ficar amigo de alguém e essa pessoa declarar que ela é assim, então, eu tive um caso com essa pessoa? As pessoas sempre têm essa impressão. Mas, não. Somos amigos, ele é um cara que eu admiro muito, professor, sabe tudo de música baiana, trio elétrico, carnaval, já me ensinou muito e nossa relação é de amizade.
CH: E aí, o que vocês estão preparando para esse verão?
Alvinho: Eu vim de uma reunião no escritório e eles estão cheio de idéias aí e inventando um bocado de moda, um bocado de história, mas ainda não tem nada certo. A gente cogitou a hipótese de ter uma coisa no verão, mas a gente está discutindo formato ainda, se seria possível, mas eu acho que vai ser possível, obviamente, mas a gente está discutindo o formato: se vai ser uma coisa semanal, quinzenal, o local, ainda está muito no embrião, mas vai rolar uma coisa no verão.
