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Terra Samba - Mano e Mário discordam sobre rejeição e Reinaldo descarta posar nu, pois não possui o mesmo 'ímpeto'
Comemorando 20 anos de estrada, o grupo Terra Samba experimentou o auge do sucesso, com 2 milhões de cópias de CD vendidas, serviu de inspiração para muitas bandas, mas o que era doce, se acabou. Com o declínio, Reinaldo, líder do grupo até então, abandonou o barco para se dedicar a “outros projetos”. Tentou o Som de BR, junto com Beto Jamaica que, na época, também era ex...  Ex-cantor do É o Tchan. Segundo Reinaldo, o projeto ia até bem, mas a paixão de Beto pela banda que o projetou nacionalmente falou mais alto e lá foi ele de volta para casa segurar o Tchan. Reinaldo seguiu os passos do amigo e voltou para o Terra Samba que, no momento, era tocado por Mano Moreno. Ou melhor, é. Novo Terra Samba, dois cantores, briga de egos. Mas que nada. Ledo engano! Segundo os vocalistas, não há qualquer indisposição. “O Terra Samba é a cara do Reinaldo”, diz Mano que, segundo Mário Ornellas, músico e idealizador do grupo, enfrentou dificuldades e rejeição para substituir Reinaldo. Mano discorda e se surpreende com a revelação. Mas, além de falar sobre o antes, o durante e o depois do Terra, em todas as suas fases, a Coluna Holofote também entrou na intimidade dos cantores e se assustou com o “ímpeto” de Reinaldo ao falar sobre a possibilidade de voltar a posar nu. Já Mano, mais comedido, descarta tal “constrangimento”. E, para as baixinhas que arrastam uma asinha para Reinaldo, uma notícia ruim: “claro que, se eu puder escolher, eu vou escolher uma que seja bem alta, grande, bonita”. Mas, chega de lero-lero e venha saber como está a nova cara do Terra Samba e quando ela será mostrada para Salvador nesta entrevista que, em alguns momentos, teve pontos de tensão, em outros, de absoluta descontração!

 


Coluna Holote: Reinaldo, o que lhe motivou a deixar os vocais da banda Terra Samba?

Reinaldo:
Eu saí e fiquei um tempo fazendo parte da empresa durante um ano, mais ou menos e depois eu me desliguei de uma vez.

 
CH: Sim, mas por que você resolveu deixar o grupo que lhe projetou e do qual você fez parte por quase 17 anos?

Reinaldo:
Eu tinha ideia de fazer um projeto meu, uma coisa minha, uma coisa que eu já tinha na cabeça e que eu queria desenvolver há muito tempo e aí a gente conversou, mas sempre com tranquilidade, a gente sempre foi muito aberto, muito tranquilo. A gente fala e parece até que é brincadeira, mas a gente sempre foi muito assim “é pra fazer, então vamos resolver e a gente resolve tudo tranquilo”.

 
CH: Você seguiu os passos de Cumpadre Washington – que também tinha deixado o É o Tchan -, como disseram na época?

Reinaldo:
Não, não. Muito pelo contrário, eu não tenho nem esse contato com, com... Com Cumpadre. Na verdade, foi uma coisa muito particular minha mesmo. Eu saí e fui desenvolver outras coisas, sem nenhum tipo de problema.

 
CH: Nesse “outras coisas”, você já tinha em vista o projeto Som de BR?

Reinaldo:
Não. Eu convidei Beto Jamaica para fazer um trabalho independentemente do que ele já estava fazendo e eu perguntei a ele se a gente poderia fazer algum tipo de trabalho diferenciado, juntos. Como a gente teve nossa época do samba, que nós trouxemos à tona, que foi justamente com o Terra Samba e o É o Tchan, que surgiram praticamente juntos e eu falei “pô, seria uma boa se nós fizéssemos uma coisa juntos” e nós fizemos.

 
CH: O que não deu certo no Som de BR?

Reinaldo:
Não, deu certo. Foi muito bom, deu muito certo, foi tudo certo, mas ele (Beto Jamaica) tem uma paixão muito grande pelo É o Tchan e voltou e está dando muito certo também e é isso que importa.

 
 


CH: Mas como você enxergou logo de cara isso? Porque vocês tinham acabado de começar no novo projeto e aí, Beto vem com a notícia de lhe deixar para voltar para o É o Tchan? Como você recebeu isso?

Reinaldo:
A gente sentou, conversou e eu já sabia que ele tinha uma loucura pelo É o Tchan e a gente sentou, conversou e não teve problema nenhum. Eu disse para ele “ó, velho, desejo sucesso” e realmente deu certo porque eles são muito profissionais, então, está tudo beleza. Eu acho até interessante, porque fortalece essa questão que a gente fala do “samba das antigas”, né? Volta o É o Tchan, volta o Nossa Juventude, volta o Terra Samba e eu sei que tem Cafuné querendo voltar, Companhia do Pagode e eu acho que é isso que movimenta o mercado.

 
CH: É isso que eu queria entender. Por que vocês deixam a banda que projetou vocês e depois resolvem voltar? É por que não dá certo?

Reinaldo:
No caso do Terra Samba, eu estava fazendo meu trabalho tranquilo e o Terra Samba fez 20 anos. Nesses 20 anos, surgiu a condição de juntar as peças para se fazer essa comemoração, essa data comemorativa. E o Mano Moreno já estava inserido no trabalho

do Terra Samba e eles sentaram comigo – Jarbas, Mano, toda a diretoria – me convidaram a voltar e eu devo praticamente tudo ao Terra Samba e depois de sentar e conversar, eu achei legal a proposta, porque o Terra Samba, de certa forma, ele deu a sua contribuição à música da Bahia, e a gente, nesses 20 anos, quer dar continuidade ao trabalho.

 
CH: E depois da festa dos 20 anos?

Reinaldo:
É isso. Até quando, isso só o tempo para dizer. Eu fiquei 20 anos no Terra Samba. Agora, eu posso ficar 50, né?

 
CH: Mas, uma curiosidade. Quem fazia mais shows: você, no final do Terra Samba, ou o Som de BR?

Reinaldo:
Olha bem... Isso é uma coisa assim, que é muito relativa. Eu trabalhava muito bem no Terra Samba. Todo final de semana a gente tinha show e assim, às vezes, essa questão de show – de fazer ou deixar de fazer – existem bandas que estão no ápice e não tocam todo final de semana. Depende muito do que faz, do valor que faz, como vai fazer e do que quer fazer. E, às vezes você não está em Salvador - que foi isso que o Terra Samba fez quando fez sucesso, a nível nacional e mundial, que se distanciou da casa e, agora, a gente faz todo esse trabalho para retomar, para voltar de novo a tocar em Salvador. Mas, o Som de BR, graças a Deus foi um grande sucesso. Sem ter propaganda de massa, as pessoas já sabiam, já conheciam. E, o que foi muito interessante dessa junção, é que fortaleceu, também, toda essa questão do Terra Samba e do próprio Tchan. Então, eu sou feliz. Porque, na concepção do Som de BR, nós tivemos a mágica de unir dois grandes artistas, de dois grandes segmentos, de dois grandes momentos e deu certo. Agora, como eu pedi licença ao Terra Samba, Beto já tinha essa coisa dele. Ele é assim.

 


 
CH: Beto Jamaica é uma pessoa difícil de lidar?

Reinaldo:
Ele é agoniado. “Eu tô aqui”; “ta bom”. Entendeu? Mas é o jeito dele e eu tenho o maior respeito e consideração. É um puta artista, entendeu? Mas o Terra Samba sempre foi a minha casa. Então, tanto lá como cá, eu estou em casa.

 
CH: Mário Ornellas, você também foi um dos idealizadores do projeto Terra Samba. Quando Reinaldo falou em deixar o grupo, você teve medo de que o Terra Samba afundasse?

Mário Ornellas:
Claro que sim, né? Reinaldo se identifica muito com a marca, até porque, foi um projeto que ele iniciou, teve início com Reinaldo desde o primeiro disco, então, a imagem dele ficou atrelada a marca. E, evidentemente, tivemos esse problema de receio de cair, como caiu...

 
CH: Como foi essa queda?

Mário Ornellas:
A gente teve uma rejeição de certas praças sem a presença dele, mas a gente deu continuidade. Com a entrada de Mano Moreno, ficou aquela coisa, né? Porque sempre que muda o cantor de uma banda o público fica naquela expectativa, mas a gente conseguiu. Até fizemos Estados Unidos no ano passado, conseguimos fazer um DVD também, com ele (Mano Moreno). Então, demos continuidade e está bacana o projeto com Mano também.

 
CH: Foi por isso que vocês convidaram Reinaldo para voltar para a banda, por conta dessa rejeição?

Mário Ornellas:
Não, claro que não. A volta de Reinaldo foi em função do projeto mesmo, de 20 anos do Terra Samba. Como ele acabou de frisar, que ele estava dando continuidade a carreira dele. E eu, na verdade, tive a iniciativa de convidá-lo pra gente retomar o trabalho e

fazer parte desse projeto de 20 anos do Terra Samba, porque era muito importante ele estar. E aí, naturalmente, a gente conversou e foi tudo bem. Mas se ele não pudesse vir ou qualquer coisa, a gente daria continuidade do mesmo jeito, com Mano, sem problema nenhum.

 
CH: E você, Mano... Como foi substituir Reinaldo, que já tinha 17 anos de história com o Terra Samba?

Mano Moreno:
Na verdade, eu passei de fã a cantor do Terra Samba, porque eu sempre gostei, a gente sempre se encontrava e eu sempre gostei do Terra Samba. E quando Jarbas me ligou, pra mim foi uma surpresa, porque eu tinha vindo de um projeto lá do “Bicho da cara preta”, que era com a “Xinelada”, que tava dando certo, coincidentemente, com o Jamaica também. E era um projeto diferente, uma ideia que eu tinha com Cícero, de uma banda de samba, só que usando elementos diferentes, como sanfona, tuba. O que a gente usou no passo, no Bragadá, a gente queria inserir no samba e vinha dando muito certo, aí Beto resolveu voltar, de novo, para as origens dele e eu fiquei no escritório de Cal (Adan). A gente passou uns dois meses tentando ver como é que a gente ia fazer, se colocava duas meninas e aí Jarbas me ligou. Quando eu entrei, trabalhei seis meses com Reinaldo e, na verdade, ele fez uma transição tranquila. Porque não foi uma saída e pronto. Não. Não tinha briga, não tinha nada: era a vontade dele e os empresários acatando o que ele queria fazer. Porque, na verdade, você tem vontade de fazer uma coisa e, às vezes, você não tem o apoio das pessoas e ele teve o apoio da própria empresa. Tanto é que hoje, ele retorna com as portas abertas. Para que fique tudo esclarecido de que não teve nada. O Terra Samba eu vejo, hoje, 100% a cara de Reinaldo. Agora, nesses 20 anos, a gente tenta agora, inserir um diferencial, um pouco, que é a

composição de dois cantores no grupo. Nunca teve isso e agora passa a ter. E, assim, o que a gente tem feito, tem sido bem bacana, sabe? E eu acho que as pessoas vão se surpreender, porque vão ver um novo Terra Samba, um Terra Samba diferente do que se fazia antes, mas sem perder as origens. Porque, na verdade, eu entrei para me adequar ao Terra Samba e não o Terra Samba a mim.

 
CH: Mário Ornellas falou aí que, no seu início, houve uma rejeição. Como você...

Mano Moreno:
Essa rejeição, na verdade assim ó... Pra mim é um pouco surpresa e contraditório porque, todas as praças por onde eu passei, as portas estavam abertas. Então assim, foram muitos shows. Mas tem algumas praças – quando a gente fala em rejeição, não

é rejeição de que está desprezando e tal – tipo, para você entrar no Sul, Rio, São Paulo...Lá as pessoas têm esse cuidado de “ah, um cantor novo”... Apesar de que, eu vinha de uma história bacana com a Bragaboys, mas as pessoas acham que muda muito e aí fica naquela. Mas, em dois anos que eu tenho na banda, nós rodamos bastante: fizemos três países e os shows continuaram bacanas, porque, quando eu entrei, Reinaldo passou a bola pra mim. Então, tipo assim: eu já sabia o caminho que eu ia tomar, né? Porque ele disse “ó, Mano, o caminho é esse”. Então, eu fiz exatamente o que me foi passado. E aí a gente tem um DVD do ano passado, que está bem bonito – foi gravado lá em Goiânia, que é uma praça que a gente tem um carinho muito grande e vice-versa. Porque o Terra Samba, ao longo desse tempo todo, o Terra Samba talvez, com exceção do É o Tchan, eu acho que foi a banda da Bahia que mais tocou no Brasil. Eu acho que são duas bandas que, quem está de fora, não tem a noção da dimensão da marca. Quando eu entrei, eu não tinha noção de que o Terra Samba era...Sabe? Mas é muito querido até hoje.

 
 
CH: O Terra Samba tem a cara de Reinaldo, como você mesmo falou. Reinaldo saiu, você entrou e, agora, com esse retorno de Reinaldo, você não fica apreensivo de ser largado de escanteio, Reinaldo se destacar mais? Como é que ficam os egos nesse caso?

Mano Moreno:
Isso aí não tem nem como. Porque é tipo assim: eu estou em um projeto hoje que, quando eu entrei, eu entrei para substituir Reinaldo. Então, eu sabia que ali, eu tinha que tentar dar uma cara nova ao Terra Samba, como foi feito – se você ver o DVD do ano passado, você vai perceber que tem um , um... – mas agora, com esse retorno de Reinaldo, eu tenho que me adequar. É como se eu tivesse em uma casa e chega o proprietário. Então, você vai ter que se ajustar e é o que eu estou fazendo.

Reinaldo: Eu acho o contrário. Primeiro que ninguém substitui ninguém. Cada um entra para fazer o seu trabalho. O público é que, na verdade, vai se adequar a você ou não. Então, eu acho que Mano não veio me substituir, veio fazer o trabalho dele e hoje nós nos adequamos. Eu me adéquo a ele, como ele se adéqua a mim. Como eu vou me adequar amanhã se eu for tocar reggae, o que for. É uma coisa que acontece em qualquer empresa. E a gente vai se adequando, se respeitando, principalmente e eu conheço Mano não é de agora. Eu conheci Mano quando Mano era menino.

 
CH: Você acredita que o Terra Samba ainda pode voltar a ter o sucesso de outrora, da época do “Carrinho de Mão”?

Reinaldo:
É, hoje eu acho que a gente tem que fazer um trabalho, tem que ter muita paciência, não pode sofrer de véspera – porque, às vezes, a gente fica muito ansioso com coisas que ainda estão por vir -, até porque, a gente não sabe do dia de amanhã. Mário pode

dizer hoje que arranjou uma loira dos olhos azuis e vai morar na Itália. Aí, o Terra Samba já não vai mais ser a mesma coisa. Mano Moreno pode decidir cantar gospel, porque está na moda. Eu posso... Entendeu? Então, é uma coisa muito relativa. Eu posso lhe dizer que hoje a gente está aqui para fazer um trabalho novo, porque agora é um novo Terra Samba, não é só Reinaldo, é Mano também. Então, a gente está construindo isso e eu espero, sim, que a gente possa, além de viver de música, que é o que a gente faz hoje (não vive do sucesso, vive de música). Então, eu espero que a gente possa, sim, viver do sucesso. Quem sabe? Pode acontecer...

 
CH: Nos tempos áureos do Terra Samba, vocês chegaram a vender 2 milhões de cópias de CD. Será que esse número voltará a se repetir?

Mano Moreno:
Eu acho que não. Até por conta do mercado, que hoje... Com exceção de Luan Santana, que é um fenômeno da música hoje. Porque a pirataria desempregou muita gente. Hoje, eu acredito que a maioria das bandas de Salvador não consiga atingir o mesmo sucesso que o Terra Samba atingiu.

Reinaldo: Era isso que eu ia falar. O sucesso de venda é uma coisa; sucesso de mercado é outra. Possa ser que, sim. Porque a música também é um pouco de sorte. Agregado ao trabalho que o Terra Samba fez naquela época, e um pouco da sorte que teve, foi sucesso

mundial. Mas a marca é muito forte. Se você acertar um gol, uma música...É simples, é muito fácil, pode voltar tudo. O próprio Tchan, qualquer artista desse. Até Reginaldo Rossi, se acertar uma música pode voltar. Então, isso é uma coisa muito relativa. Eu torço, juntamente com meus colegas hoje – com Mano, com Mário, com toda a minha produção – que o Terra Samba consiga acertar e consiga alcançar o lugar que ele merece, porque foi uma banda que contribuiu demais e, se muita gente está aí hoje, dentro do nosso cenário, foi porque se inspirou em alguém, como eu me inspirei em alguém.

 
CH: Você se inspirou em quem, no É o Tchan?

Reinaldo:
Olha, pior que não. Porque nós chegamos juntos, né? Eu me inspirei, por incrível que pareça, no próprio Jauperi, Pierre Onassis – que são pessoas que eu acompanhei compondo e cantando no Olodum -, no próprio Chiclete com Banana, que é uma banda que tem muito tempo. Na banda Mel, na banda Bar, na banda Eva, Reflexus...Essas foram as minhas referências. Tonho Matéria, Márcio Onilho, o Olodum, o Ilê Ayiê, os grandes nomes do samba e do axé. O Terra Samba eu intitulo de “sambaxé”, porque é o samba mais influenciado pelo axé que a Bahia tem.

 
CH: Você disse aí que o artista ou banda, para fazer sucesso, precisa acertar a música. Qual a aposta de vocês?

Reinaldo:
Nós temos muitas músicas, agora, assim, nós temos um cuidado muito grande, porque o mercado mudou. O “Libera Geral” ontem era uma coisa. Hoje, já não faz o mesmo efeito. O “Deus é Brasileiro”, talvez, porque traz uma mensagem muito legal. Então, hoje a gente está trabalhando a “Monalisa” a nível Brasil, que é muito interessante. Na verdade, o nome da música é “Obra de Arte”. E ela tem a linguagem do Terra Samba, mas talvez ainda não seja a música que nós gostaríamos de tocar e nem sempre a música que nós

gostaríamos de tocar é a música que faz sucesso. Então, a gente fica entre a cruz e a espada: toca o “aiaiaiuiuiui” ou uma coisa mais complexa? Então, a gente está definindo como é que a gente vai fazer isso. Se vai mais para o verão e fica mais comercial ou se sai mais tarde e fica uma coisa mais leve, mais light. Mas, graças a Deus, música a gente tem, só falta decidir o caminho que a gente vai seguir.

 
CH: Como é que você enxerga o mercado do pagode hoje?

Reinaldo:
A dificuldade de entrar no mercado sempre houve, desde a minha época, e nunca vai ser diferente. Uns já absorvem mais, outros já não abrem muito as portas. Aí vem aquela questão do sucesso: quando você é sucesso, todo mundo lhe quer. Então, o que a gente está tentando fazer hoje é, através dos nossos parceiros, entrar no mercado de forma mais tranquila, sem aquela questão do sofrimento, da ansiedade. O que nós queremos é a mesma coisa, mas aí, tudo vai ser uma questão de tempo. Mas a dificuldade sempre vai haver. Aquele que está no topo sempre vai querer estar mais em cima. E o outro que está embaixo, quer estar no lugar daquele e assim por diante.

 
CH: Mas eu digo porque o Terra Samba é um pagode que sempre caminhou para o lado das letras com história, como “Deus é Brasileiro” e hoje, o mercado de pagode na Bahia está mais aberto para músicas de “ôba-ôba” mesmo, com letras de duplo sentido, enfim. Vocês pensam em mudar, de repente, o estilo de vocês para se adequar a demanda do mercado?

Reinaldo:
Não. E eu volto a falar: o Terra Samba sempre foi diverso e justamente por ser diverso é que é o Terra Samba. Eu sempre digo aos meus colegas que é preferível ficar naquele lugar e ser aquilo. Imagine se todo mundo fosse igual? Se não tivesse um Belo, um Alexandre Pires, um Zeca Pagodinho... O que seria da gente pra gente variar na hora que a gente quisesse ouvir um outro tipo de música? Revelação, Exaltasamba, são bandas que fazem música boa, de qualidade e que é são as primeiras do Brasil. Quem é a primeira banda de samba hoje? É Exaltasamba! E faz que tirpo de música? Música boa, não é, não? Que a gente diz que é música boa, mas para outros pode não ser. A música boa pode ser outra, pode ser a “tcheca no chão”. A gente não está aqui para dizer que fulano ou cicrano é pior, não. Agora, a gente toca a nossa raiz, a nossa identidade. A nossa música de trabalho agora exalta a mulher. E ela é sensual, ela é maliciosa: “queria ser Salvador Dalí pra fazer de você uma obra de arte. Imaginar um lindo horizonte, te pintar deslumbrante. Sua beleza me atrai, faz o meu corpo estremecer, quando passa lá na rua, todo mundo quer mexer. Eu passo aqui, eu passo ali, eu passo aqui, eu passo aí...Pincel, pincela”. Então, chega uma hora que ela fica apimentada, mas é isso.

 
CH: Você acompanhou a polêmica envolvendo o projeto da deputada Luiza Maia e as bandas de pagode, que cantam músicas que denigrem a imagem da mulher?

Reinaldo:
Sim, todo mundo viu.

 
CH: E aí? Você concorda com ela? Até porque, essa música que você acabou de cantar, coloca um pouco a mulher como objeto sexual e, portanto, se encaixaria no projeto da deputada...

Mano Moreno:
Não, não, não, não, não, não. Você não entendeu. Ela falou exatamente isso: que ela quer ver letras que venham a exaltar a mulher e é o que acontece com “Obra de Arte”, é diferente.

Reinaldo: Entenda... O que eu acho radical é quando o cara fala “abra, que eu vou meter”; “chupa aqui”; “bote na boca”, é o grosseiro, você está entendendo?

 
 
CH: Então, o segredo é ser sutil?
Reinaldo: A sensualidade sempre houve. Se você olhar nas músicas da Bahia e do Brasil, “enes” músicas que tocaram e que foram sucesso, sempre foram por esse lado da sensualidade, sempre houve. Então, ó... Vamos mudar de assunto antes que a gente fale o que não tem que falar...

Mário Ornellas: Sensual não é sexual.

 
CH: Então, vamos falar de Reinaldo. Reinaldo, você é baixinho....

Reinaldo:
Sim, com muito prazer. Muito prazer mesmo, viu?

 
CH: Por que você só gosta de mulheres altas?

Reinaldo:
Bem, essa questão de mulheres altas ou baixinhas...

Mário Ornellas: Não é muito difícil ser mais alta que Reinaldo, não (risos).

Reinaldo: Isso é um dos pontos. Um dos pontos é que é muito difícil...É muito difícil, não.

Existem muitas mulheres que não são do porte alto e que são maravilhosas. Eu acho que, foi mulher, foi companheira, foi amiga, foi simpática. Porque a gente tem uma vida que é muito chata. Você está em um lugar, está tranquilo ali conversando e aí chega um “me

dá um autógrafo” ou quer saber da vida do outro artista que você nem sabe quem é, você não conhece, aí você tem que falar, aí quebra aquele clima e quem está com você, sua companheira, tem que ser simpática àquilo, fora as outras coisas que existem no nosso mundo. Agora, claro que, se eu puder escolher, eu vou escolher uma que seja bem alta, grande, bonita, entendeu? Se eu puder escolher. Agora, assim... Posso escolher também uma pequenininha, baixinha, engraçadinha, simpática, sorridente, por que não?

 
CH: Eu já vi no shopping você passeando com uma mulher altona e você baixinho. Ficou parecendo o casal “preço e qualidade” e isso chamou a atenção das pessoas, que olhavam, comentavam, riam. Isso lhe incomoda?

Reinaldo:
De jeito nenhum. Muito pelo contrário, eu gosto de chegar e incomodar. Eu quero que as pessoas fiquem olhando mesmo, entendeu? “Pô, o baixinho ali, daquele tamanho, será que ele dá conta?”. Bom, uma coisa é certa: se a gente não fizesse o nosso trabalho bem feito, não estaria ali, né meu pai?!

 
CH: Você já posou na G Magazine. Se rolasse um convite novamente, você toparia?

Reinaldo:
Hoje, não.

 
CH: Por quê?

Reinaldo:
Eu estou fora de forma, já não tenho mais aquele mesmo “ímpeto” (gesticula com o antebraço) que eu tinha quando fotografei, entendeu? Já não tenho mais tanta coragem. Você sabe que o negócio tem que ficar ali de pé o tempo todo fotografando...

 
CH: Mas Viagra está aí pra isso...

Reinaldo:
É, eu sei. Mas hoje, não. E você sabe que você pode levar alguém para ficar lá...Hum... Estimulando, entendeu? Aí, o que acontece? Eu não tenho mais coragem, não. A não ser que eu tivesse em um processo que precisasse mesmo da grana, aí realmente eu iria. Mas hoje, pela coragem pela disposição, pela exposição, eu não iria. Como já fui cotado para fazer programas de reality shows, mas ainda não era o meu momento, não.

 
CH: Então, se te convidassem para entrar em A Fazenda, o reality show da Record, que Cumpadre Washington participou, você não aceitaria?

Reinaldo:
Eu não aceitei. Eu fui cotado, mas não aceitei. Não é ainda o meu momento. Não estou dizendo que não iria, mas não é o meu momento ainda.

 
CH: E você, Mano? Nem pensar em posar nu?

Mano Moreno:
Na verdade, eu nunca tive coragem. Até me foi feito o convite, mas só a parte dos preparativos já é constrangedor! E esse constrangimento eu não quero passar. Você chega em um escritório como esse daqui, o cara te leva em uma sala, você tira a roupa e começa a fotografar.

Reinaldo: É, e às vezes, quem faz as fotos é uma mulher, viu? A mulher vai lá e bate uma polaróide do jeito que você está ali: “pá”.

 
CH: Mas então, você preferia que fosse feito por um homem, Reinaldo?

Reinaldo:
Pra mim é indiferente.

 
CH: Se não der certo no Terra Samba, você já tem algum outro projeto pro futuro?

Reinaldo:
Sempre tem um “Plano B”. Mas eu espero que dê certo, sim. Aliás, que dê certo, não: já está dando certo, graças a Deus. Uma energia boa, a gente está com todo o gás, mais maduro, é lógico e vai dar certo, sim. Não quero nem pensar em “Plano B”. Agora, sempre existe, né? Até porque, você é forçado a ter um. Eu adoro, amo a música, como Mário, o próprio Mano Moreno, todos nós aqui. Então, assim: já deu certo, quero que dê certo e não quero pensar que haja uma outra possibilidade.

 
CH: Eu queria que vocês falassem um pouco sobre a gravação do DVD. Como é que está o repertório?

Mano Moreno:
Na verdade, a gente fez na 66ª Feira de Agropecuária de Goiânia, que é uma das maiores do Brasil, perdendo apenas para a de Barretos. A gente aproveitou a estrutura e montamos uma estrutura na estrutura deles, pra gente gravar um DVD. Apesar de ser um DVD promocional, que a gente não tem o pensamento de colocar à venda e, sim, de fazer uma distribuição gratuita, nós fizemos um DVD com a qualidade que o nosso público merecia. A gente não quis fazer uma coisa qualquer, só captar as imagens. A gente fez um DVD do show mesmo, como ele é, pra que a gente pudesse agraciar os nossos fãs e também, para poder mostrar aos contratantes das praças pelas quais a gente já passou e as que a gente quer atingir. E eu vejo o Terra Samba hoje, no caminho que o Exalta tomou, sabe? Teve um determinado momento que o Exalta, algumas pessoas diziam que não ia mais para nenhum lugar e talz e, de repente, O Exalta tomou aquela força, sabe? Por conta de uma nova fase, por conta de uma...

 
CH: E quando é que vai ter show aqui?

Reinaldo:
A gente está preparando - inclusive eu já estou lhe convidando, convidando a todos – uma coisa menor, um semi-acústico ali no Rio Vermelho, mas ainda não podemos divulgar o nome da casa, que é o reduto do samba e a casa do Terra Samba, a sede do Terra Samba é lá há 16 anos e aí, a ideia é dialogar com o público daqui, conversar de perto. Porque a gente tem que voltar de novo, devagar. É uma reconquista, um bate-papo ao pé do ouvido mesmo.


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