Daniela Prata admite desgaste antes de demissão da Record Bahia, mas diz não guardar mágoas
Fotos: Tiago Melo / Bahia Notícias

"Na realidade é um desligamento necessário, para que cada um siga o caminho que acha mais conveniente"
Boa parte dos baianos não irá mais tomar café na companhia de Daniela Prata. Há sete anos na Record Bahia, ela foi dispensada da emissora nesta sexta-feira (2), mas disse que não vai deixar a peteca cair. Daniela, que também apresenta o Bahia Notícias no Ar, da Rede Tudo FM 102,5, revela ainda, em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, que não está magoada por ter sido demitida, de uma hora para outra e explica os fatos que culminaram na sua saída da casa. A jornalista fala ainda sobre seu futuro profissional, sua opinião sobre ser substituída por alguém mais jovem e sua relação com o público.
Por Cristhiane Castro
Coluna Holofote: Quando você começou na Record Bahia?
Daniela Prata: Nossa! Eu comecei já tem o que... Primeiro eu passei três anos na Record e saí. Passei dois anos fazendo programas independentes e aí depois eu retornei. E aí agora, foi em 2004. Tem sete anos.
CH: E qual o motivo da demissão?
DP: Na realidade, é um desligamento necessário para que cada um siga o caminho que acha mais conveniente, né? A gente não pode fazer uma coisa com a qual a gente não... como é que eu posso dizer... a gente não compactua, a gente não pode fazer uma coisa que não ta indo de acordo com o seu plano de vida. Compreende? Então, determinadas coisas eu já não vinha satisfeita realmente, depois da mudança do horário. Porque nós adquiríamos ótimos índices de ibope, conseguíamos grande liderança. Em todos esses anos, durante o jornal matutino, a gente conseguiu consolidar um ibope muito bom para a emissora. Então, de vez em quando vinham determinadas mudanças e a gente ia levando, determinadas mudanças e a gente ia levando, e mais mudanças e a gente levava.. e essa última, pra mim, eu já não tava realmente bem.
CH:Então você já vinha desgastada? Não houve nenhum fato novo?
DP: Já vinha de uma série de coisas que eu ficava pensando: eu digo, sim... e a minha perspectiva dentro disso tudo? Então essa foi a finalização de um ciclo, como eu te digo... porque nós fizemos um ótimo trabalho. Se você pegar os ibopes de toda a época, especialmente os ibopes do mês anterior a junho... por exemplo, os ibopes de maio, abril, você vai ver grande resultado. A gente pegava o ibope da igreja muito baixo, né, porque vem da igreja. E a gente conseguia alavancar esse ibope, entregar com dois dígitos... isso tudo com relação a Tv Globo, que tem o ibope consolidado e grande. Então, aí quando veio essa ideia do novo horário, é uma linguagem muito diferente, né? De dois apresentadores extremamente diferentes. Então aí eu comecei a me sentir deslocada dentro daquilo. E aí foi o fechamento desse ciclo. Eu acho que fiz um bom trabalho, agradeço à Record pela oportunidade que me deu e agradeço pela nova oportunidade que ta me dando, de me fazer trilhar novos caminhos.
CH:Então você sinaliza essa última mudança de horário como o fato que culminou na sua demissão?
DP: Não é um fato, só. É como eu lhe expliquei: são várias coisas unidas dentro de um plano da vida da gente. Por exemplo, às vezes a gente é de uma maneira... quando você tinha 20 anos você era de uma forma, né? Aí você vai passando a vida, você chega aos 30 já almejando outras coisas. Certamente você vai chegar aos 40 e vai querer desejar outras coisas. E assim é. Então a gente tem que ir em busca do que a gente realmente acredita, do que a gente realmente concorda, do que a gente realmente tem, dentro do nosso âmbito de valores. A vida é agora, a vida é hoje, a vida se faz a partir do momento agora. O futuro se faz a partir do presente. Então, até quando você vai ter que empurrar com a barriga uma situação que não tá lhe agradando, que não lhe convém? E assim foi.

CH: Você foi demitida ou você pediu demissão?
DP: Não. Na realidade eles me chamaram, e me confirmaram o desligamento. Não me informaram o porquê, e eu também não perguntei.
CH: Mas já existia o desgaste de ambos os lados?
DP: Já, já. Existia, sim, uma vontade minha. Eu acho que eu desejei. Eu desejei isso, porque eu já tava, realmente, precisando alçar novos vôos. Eu tava querendo fazer outras coisas, eu tava querendo novas experiências, entendeu? Então, pra você ver como o desejo da gente pode ser forte. O pensamento e o desejo. O que a gente deseja, o que a gente quer. Então, no fundo, no fundo eu já tava querendo, sabe? Então, por exemplo, agora eu não to me sentindo deprimida. Se eu viesse satisfeita e uma coisa assim acontecesse, seria uma decepção enorme.
CH:Ficou alguma mágoa, algum ressentimento com a direção da Record?
DP: Não, não, não. De jeito nenhum. Até porque eu tento buscar esse ensinamento cristão. Eu não sou evangélica, não penso em ser, sou de linhagem espírita e penso que a gente tem que buscar esse perdão, esse amor, esse reconhecer. Até quando a gente acha que alguém fez mal pra gente, quando a gente acha que alguém fez mal pra nós, ele não faz o mal. Ele nos ajuda, porque assim a gente tem que se aprimorar. Então, eu não guardo mágoa, não guardo rancor, de forma nenhuma. Só tenho a dizer um enorme “Muito Obrigada” e nada, nada além disso.
CH: Você falou em boa audiência nos meses anteriores a junho. E de junho pra cá, sofreu alguma queda no ibope?
DP: Não. O que acontece é que ultimamente a gente tinha um jornal esvaziado, porque a gente não podia usar as matérias que eram, por exemplo: numa segunda-feira, não nos era permitido usar os gols do Bahia ou os gols do Vitória, porque essas matérias tinham que ser veiculadas no Balanço Geral. Aí numa segunda-feira, outro exemplo, a gente não podia usar a chacina do arenoso, a chacina de algum lugar, os fatos do dia. A gente não podia usar porque fazíamos as chamadas para o programa seguinte. Eu acho que esse conteúdo interferia um pouco. E a gente pegava também um ibope muito baixo, continuava pegando o baixo da igreja. Então a gente entregava até bem. No último minuto com ibope 7, no último minuto com ibope 6, chegando a bons resultados, até mesmo de pico. Pra o conteúdo, que a gente não tinha, realmente acho que foi um bom resultado. Mas, de forma geral, eles têm buscado melhorar o ibope.

CH: De fato, mudanças ocorreram por conta de Raimundo Varela. Você guarda alguma mágoa dele?
DP: Na verdade, a gente é o que é. Cada um é o que é. A gente não pode modificar o outro. A gente só pode modificar a si mesmo. Então a gente não pode querer do outro o que ele não tem pra dar. Então eu não guardo mágoa por isso, porque cada um só é o que pode ser e o que tem pra ser.
CH: Como é que você se sente sendo substituída por uma jornalista mais jovem que você? Você acha que a experiência não falou mais alto?
DP: Normal. Eu não vejo nada de anormal nisso. Não sei nem quem é que vai me substituir.
CH: Jéssica Senra.
DP: É. Na verdade eu vi num anúncio, quer dizer, as pessoas me ligaram pra me falar, mas não sabia, oficialmente. Não vejo nada de anormal nisso, até porque competência não tem idade. Eu trabalhei com ela na Rádio Metrópole. Ela fazia o programa, aliás, o projeto “Viajando com Mario Kertész”. Eles viajavam pela Europa e de lá eles traziam, ele e ela, através do telefone, as informações.
CH: Mas vocês são amigas? Têm algum tipo de contato?
DP: Não. Eu não tenho um contato maior não. Nós somos assim... eu sou muito caseira. Nós somos conhecidas, mas eu a acho uma ótima profissional, uma boa profissional, competente, com certeza... E que também foi remanescente de lá da Rádio Metrópole, não é verdade? E eu me lembro bem desse projeto. Eles viajavam e aí eu ficava daqui ancorando o jornal e ela e Mário percorriam a Europa e de lá ligavam pra gente trazendo as informações. Eu me lembro bem disso. Depois que eles voltaram eu também saí e fui para um outro ciclo de vida, que aí foi na Record.
CH: Já pintou convite de outra emissora? Existem rumores de que a Band andou te procurando.
DP: Posso não falar? (risos)
CH: Tá no seu direito.
DP: Prefiro não comentar (risos)
CH: Se não der certo com alguma outra emissora de Tv, você continua só no rádio ou vai buscar algum outro projeto?
DP: Aí eu vou vendo, até onde a vida vai me levar. “Deixo a vida me levar...” . Você sabe que a vida me trouxe. Eu não sou jornalista por escolha, o jornalismo me escolheu. Não fui eu que fui buscar, eu não procurei a escola, eu não procurei a academia, só depois. Eu não sabia o que eu sabia fazer e, aos poucos, pela voz, eu comecei.
CH: Você começou como radialista?
DP: Eu comecei como contato comercial, só que eu não vendia nenhum grão de arroz. Era péssima vendedora. E aí, um dia, naquelas mensagens de final de ano: “Feliz Natal, feliz Ano Novo” , etc.. gravaram, a voz ficou boa e um belo dia, a locutora de um quadro de diversão e arte faltou, aí eu gravei e daí comecei a fazer. Na época era Rádio Cidade, lá na rádio mesmo. E aí comecei a fazer a cotação do dólar, aquelas coisas. Em seguida, fui com Abraão Brito, locutor, deixar minha voz numa dessas produtoras pra ver se eu conseguia uma implementação no orçamento, fazendo propaganda. Aí fui deixar a voz e tinha um maquiador chamado Ricardo Brandão. Aí Ricardo me olhou e disse: “Ah, vamos fazer uma maquiagem, vamos fazer um teste”. E aí a gente fez essa maquiagem, a gente fez esse teste e três meses depois me chamaram pra fazer um comercial de consórcio e eu fiz esse comercial. Um tempo depois eu fui convidada pela emissora pra fazer um jornal dia de domingo. Ricardo Luzbel, inclusive, era gerente de jornalismo na época e foi uma das pessoas, junto com o próprio Alexandre Raposo, que me abriu portas. Mas, principalmente nessa época, foi Ricardo a primeira pessoa que eu tive contato.
CH: E existe uma preferência? Rádio ou Tv?
DP: Não. O rádio, ele tem uma vantagem muito grande, que o rádio, ele tem essa via de mão dupla. Você não só é ouvido, mas você também ouve. Você troca, você conversa e é bem rápido. E a televisão, por outro lado, já tem outro ingrediente que é a imagem, não é? É trazer aquele apelo da imagem, da cor, da forma, então os dois, cada um tem seu encanto. Os dois são muito bons, de qualquer maneira.
CH: Você não tem o preferido?
DP: Não, não. Nesse momento, não.

CH: Ouvindo o seu programa hoje no rádio, enquanto vinha fazer a entrevista, percebi que os ouvintes ligaram desejando sorte nessa sua nova fase, e até acho que lhe emocionou um pouco. Você tem algum recado pra seus telespectadores, que lhe assistem todo dia, que costumam tomar café da manhã com você?
DP: Costumavam (risos). Costumavam.
CH: Ou podem continuar tomando esse café. Você deixou um suspense no ar...
DP: Nesse momento não vão tomar café comigo, ainda. Mas, enfim, eu só tenho a dizer “Muito obrigada!” Foram eles que me ensinaram a ser gente, assim... eles me ensinaram a ser melhor. Foram eles que me deram, através da audiência, a credibilidade, o respeito, a vontade de fazer melhor. Quando eu voltei das minhas férias, eu só voltei por causa das pessoas. Eu já não estava mais com energia de voltar. Eu já não estava mais disposta, eu já não estava mais achando que aquilo ia caber pra mim naquele momento, compreende? Então, quando eu voltei das férias, eu tirei férias em junho; se você observar, eu passei mais 15 dias fora. Mas eu só voltei por causa desse público, então essa foi a minha forma de agradecer. E eu só tenho a dizer “Muito Obrigada”, Muito Obrigada e o amor é aquele negócio, não é? O amor nos une sempre. Então não há uma forma de separar o que o amor uniu, ainda mais esse amor fraternal, que a gente separa o quê? A gente separa um casamento, a gente separa um namoro, mas uma relação de amor fraternal é muito difícil de separar, vai pelo tempo. E assim é, assim será.
CH: Eu tô achando que você não fica muito tempo longe não, da Tv. Só um achismo.
DP: Que assim seja. (risos). Na verdade, o meu intuito na Tv, não é nada além do que despertar coisas melhores. Eu acho que a gente já tem por demais, assim, sofrimento, dor, agonia, mágoa, tristeza... e a gente não tem que retroalimentar esse tipo de coisa, entende? A gente precisa servir a outra forma de pensamento, a outra forma de comportamento. Tentar buscar as coisas mais positivas da vida, senão a gente vai acabar sucumbindo. Veja quantas coisas horríveis têm acontecido. Claro que os fatos têm que ser mostrados, e são. Mas e daquilo, o que é de bom que a gente tem que tirar? O que é de bom, da experiência ruim, que a gente pode tirar? Essa é a ideia, entendeu? É buscar, dentro de todas as coisas, especialmente das coisas ruins, o lado bom. Só assim eu acho que a gente pode construir alguma coisa.
CH: Quem gosta do seu trabalho pode continuar acompanhando na Tudo Fm, então, se sentir saudade.
DP: Isso. De segunda a sexta, meio dia. Se sentir saudade olha pela câmera. Tem uma câmera no estúdio, que aí as pessoas podem ver a gente. E você sabe que às vezes a gente se esquece que tem aquela câmera? Por isso que reality show é um produto tão famoso. Porque você realmente esquece da câmera. Então, quem quiser ver, pode ficar aqui comigo: www.tudofm.com.br. No site dá pra espiar a gente.
