Léo Macêdo critica sertanejo no São João, chama Seu Maxixe de ‘arroz de festa’ e nega ser mauricinho
Aos que ainda têm ideia de que todo forrozeiro deve ter ar de maturidade, apresento-lhes Léo Macêdo, líder da banda de forró Estakazero. Há 10 anos na estrada, Léo ainda é confundido com um mauricinho que tem a música como um hobby. Ledo engano! O agora band leader abandonou o emprego, a faculdade, abriu mão de tudo para viver do forró e, hoje, arregaça as mangas para manter a Estakazero no patamar que ela conseguiu chegar: sucesso consolidado. Aliás, ele quer mais, ele quer conquistar o Brasil! Mas, voltemos ao mauricinho. Quando questionado pela Holofote sobre a fama, foi a assessora do rapaz quem veio em sua defesa e disparou: “Léo, obviamente, estudou em bons colégios, teve uma boa cultura, mas, de todos, ele é o menos mauricinho. Sabe porque eu estou dizendo isso? Aparência é uma coisa, né? Mas ele é o que mais mete a mão na massa e eu posso falar isso com conhecimento de causa. É claro que tem uma imagem – porque ele nasceu assim: branquinho e de narizinho afilado – mas de posicionamento, não tem nada de mauricinho, muito pelo contrário. Léo carrega equipamento, participa de todos os detalhes, ele é quase um holding”, defendeu Fernanda Mattos. Mas a entrevista não girou somente em torno da aparência de menino criado à base de Toddynho e queijo Polenguinho: o cantor falou da agenda da Estakazero para este São João, explicou por que nunca mais conseguiu emplacar uma música (“Encosta N’eu” foi o último grande hit) e se disse incomodado com a intromissão do sertanejo e do axé nas festas juninas. Entenda também por que o forrozeiro trocou a roça pela Europa na gravação do seu novo DVD. Você não pode perder!
Fotos: Tiago Melo / Bahia Notícias

Coluna Holofote: O São João está chegando e como está a agenda da Estakazero?
Léo Macêdo: Esse ano está um ano muito bom. A gente já tem 10 anos de estrada, inclusive estamos lançando um DVD comemorativo de 10 anos e, para uma estrada longa de 10 anos, a gente não pode reclamar, porque a gente tem mantido uma curva de crescimento, aonde a gente cresce cada ano um pouquinho. Não está, lógico, como no início que, nos três primeiros anos a gente foi um rojão assim, a gente teve uma subida bem rápida e conseguimos emplacar uma música logo no primeiro disco, que foi Encosta N’eu e então a gente saiu daquele âmbito de barzinhos, de festas de faculdade pra tocar nas grandes praças da Bahia, nos grandes eventos e esse ano a gente conseguiu manter isso, né? Aquela máxima que diz que manter o sucesso é mais difícil que fazer sucesso e isso, realmente, é uma verdade.
CH: E esse DVD comemorativo vai sair quando?
LM: Ele já está saindo aos poucos. Mas o lançamento oficial dele a gente ainda está guardando porque ele ficou pronto não tem nem um mês. É um DVD documentário, mais ou menos, com vários depoimentos de artistas que participaram, são dois shows e as imagens de nossa viagem para a Europa – que nós fizemos em novembro do ano passado -, então é um DVD bastante interativo, bastante dinâmico.
CH: E esse São João vocês vão se apresentar em algum forró de peso, conhecido do público?
LM: Nesse São João nós vamos estar nas principais festas. Vamos tocar na praça de Cruz das Almas, na praça de Amargosa, no Pelourinho aqui em Salvador – é um projeto que o governo há alguns anos vem fazendo o São João aqui na capital e a gente está sempre presente -, vamos fazer show em Ibicuí, que é um São João muito forte também no sul da Bahia, Itororó, São Sebastião do Passé, Cachoeira – que é o coração do Recôncavo Baiano - , Irará. Também vamos tocar no forró do Piu-Piu, em Amargosa, que é uma grande festa de camisa; no forró do Ticomia, que foi a primeira festa de camisa, que foi quem deu início a esse movimento todo que são as festas particulares dentro do São João.
CH: Tem muitas bandas de forró surgindo aí, isso afeta a sua banda, prejudica a agenda da Estakazero?
LM: De forma alguma. Aliás, muito pelo contrário. Eu gostaria muito que existissem outras bandas como a Estakazero, como a Cangaia de Jegue – que agora é uma banda revelação, uma banda que tem feito mais ôba-ôba com músicas novas e, por sinal, é uma banda que trabalha com a nossa produtora. A Estakazero tem uma influência grande em todo esse sucesso que a Cangaia de Jegue vem fazendo, a gente adorou a Cangaia quando eles chegaram aqui em Salvador, ajudamos, demos todo o suporte para eles – porque a gente sempre procurou motivar outras bandas. A própria banda Tio Barnabé também, fui eu quem criei há uns seis anos...
CH: A banda Tio Barnabé ainda está com você?
LM: Não. Digamos assim, eu sou o padrinho da banda. Agora Marquinhos saiu, o vocalista que, na verdade, fez parte do Estakazero e eu e ele montamos a banda Tio Barnabé depois, enfim... Eu acho que o mercado precisava de muito mais artistas de forró, sem dúvida alguma, principalmente da Bahia.
CH: Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Chiclete com Banana já começaram a ensaiar as músicas juninas para se apresentar nas festas de São João. Você concorda com isso?
LM: Eu, particularmente, fiquei muito feliz porque domingo agora Ivete Sangalo falou na televisão que no show dela, o que ela está preparando para o São João, ela vai colocar música da Estakazero, da Cangaia de Jegue, de Dominguinhos... A própria Ivete falou isso e vindo de Ivete, né? Não é tanta novidade, porque ela é uma artista que tem uma consciência fantástica, ela não tem fronteiras musicais, então, seria ótimo se todos os artistas de axé fizessem a mesma coisa, seria muito bom. Mas, infelizmente, eu não vejo muito isso. A gente assiste os artistas consagrados da música baiana conquistando espaço no São João - mas isso é mais nas festas de camisa, principalmente nas festas de camisa e eu sei exatamente porque.
CH: Por quê?
LM: Porque as festas de camisa são festas privadas e os empresários precisam vender, é uma questão mercadológica.
CH: Mas então, bandas de forró não conseguem encher uma festa de camisa?
LM: Eu acredito que não. Não é uma questão de encher, é uma questão de viabilizar. Eu não estou querendo defender que tem que ter artista de axé, longe disso. Eu apenas entendo que existe uma competição, quando você parte para o lado capitalista da coisa. Porque assim, está acontecendo no São João como acontece no carnaval de Salvador: meio que uma privatização, digamos assim. As pessoas já vão para o interior – para Amargosa, Bonfim, Ibicuí e tal, naquela coisa de que vai para o Piu-Piu, para o Sfrega, que vai para o Ticomia. Então, essas festas, para atrair, para competir umas com as outras, na medida que uma colocou o Asa de Águia – que foi um estouro – aí a outra já coloca um Chiclete com Banana, a outra coloca Ivete Sangalo, enfim. É uma questão de competição e, infelizmente, a gente fica assistindo a isso sem muito o que fazer.
CH: Essa invasão do axé no São João não afeta as bandas de forró?
LM: Eu acho que eu me esforço para estar nessas festas todos os anos. Eu me esforço, procuro fazer parcerias e a gente é prestigiado, sempre. Eu toquei em todas as melhores festas – no Sfrega, no Ticomia, no Piu-Piu, no Bosque. Mas tira, sim, o espaço. As bandas de forró acabam perdendo o espaço, sem dúvida alguma. Mas eu vou lhe dizer uma verdade: existem mais festas do que artistas de forró, entendeu? Não só nas festas de camisa, como também em praças. Não à toa a gente tem assistido aí os prefeitos colocando cada vez mais sertanejos.
CH: Você convida muitos cantores de axé para fazerem participação em seus ensaios. Por que não convidar outras bandas de forró, já que são ensaios de São João? É pelo mesmo motivo citado anteriormente?
LM: Não, aí já não é uma questão de faltar bandas de forró, é outra questão. A questão é que nosso ensaio é em Salvador e, quem são os artistas que a gente tem em Salvador? Eu procuro chamar os artistas independente de movimento musical. Adelmário Coelho todo ano vai, Zelito Miranda também. Primeiro eu fiz questão de prestigiar todos os forrozeiros e, a partir daí, eu tenho amizade com Saulo Fernandes da Banda Eva, por que que eu não vou chamar? Saulo e eu começamos juntos a nossa carreira, ele na Chicafé e eu na Colher de Pau, então a gente tem uma relação pessoal, por que não chamá-lo? Margareth Menezes, todo ano ela está presente; Serginho do Adão Negro vai todo ano então; Duda da Diamba; Márcio Mello, então são artistas que abrilhantam a festa. E a gente procura adaptar as músicas ao ritmo do forró.

CH: Você enxerga o sertanejo como uma concorrência para o forró?
LM: Com certeza! Dependendo do ambiente, os movimentos musicais concorrem entre si, digamos assim. A Bahia, ela tem essa coisa fantástica de você, no mesmo evento, ter uma banda de reggae, uma de pagode, de axé, de forró. Já cansei de participar de eventos assim. O próprio Festival de Verão é assim. Então, isso facilita as coisas, agora, não de uma ocupar o espaço da outra. O que acontece é que o sertanejo, ele realmente tem tirado o espaço de muitas bandas porque, há muitos anos, as prefeituras preferiam colocar bandas só de forró nas praças. Hoje, os prefeitos respeitam, eles colocam bandas de forró, mas, de alguns anos pra cá, com essa explosão do sertanejo universitário, digamos assim, não sei porque, eles começaram a colocar nas praças o sertanejo também e isso tirou, lógico, o espaço para artistas de forró, sem dúvida alguma. Antes, ali era um espaço preservado do forró. Hoje, o dinheiro de quem da Secretaria de Cultura, da Secretaria de Turismo, das Prefeituras... Eu acho que essa verba deveria fomentar a cultura em si. Então, qual a essência do São João? Qual o ritmo do São João? Então, eu acho que deveria-se ter um pouco mais de cuidado com isso para tentar preservar mais.
CH: O que você acha de baiano tocar sertanejo?
LM: Eu ainda acho precoce dizer que a gente vai exportar sertanejo. Eua Cho que não é verdade isso, ainda. O que existe é a influência da cultura. Nos últimos anos, como eu falei aqui, o movimento que explodiu foi o sertanejo, o sertanejo universitário, é isso que a gente tem visto na mídia, as rádios começam a tocar também. Então, acaba que a galerinha começa a se influenciar, os teens, a garotada que está indo a barzinhos querem ouvir aquilo que está na mídia. Então, começam nos barzinhos as bandas e aí. No caso Seu Maxixe, é o maior expoente aqui na Bahia dessa coisa do sertanejo, mas, particularmente, eu acho difícil que essa música saia daqui de Salvador e vá ganhar o mercado em Goiás, Minas Gerais, São Paulo, acho muito difícil, porque lá é muito mais forte, já existe um mercado estabelecido lá. Eu chamo isso de contramão da cultura. Porque, pra gente que faz forró aqui na Bahia já é difícil sair daqui também para tocar no resto do Nordeste, porque onde nós chegamos, o povo logo pergunta: “cadê o cavaquinho? Não é pagode? Não é axé?”, entendeu?
CH: Você começou tocando samba, depois foi para o country e aí por diante. Por que tanta mudança?
LM: Na verdade eu comecei tocando em barzinhos, tocando bossa nova, MPB, tocava de tudo.
CH: Tocando tantos ritmos, por que você decidiu que sua banda seria predominantemente forró como é hoje?
LM: Na verdade, o forró foi a minha profissionalização. Ele veio quando eu decidi viver de música. Quando eu ainda estava na Colher de Pau, chegava o São João e a gente fazia um repertório só de forró e acabava que era o melhor show nosso. A gente chegava a ganhar prêmios no São João. Em 1996 a gente já teve um destaque grande, quando foi em 97, a gente fez a mesma coisa e foi eleita a melhor banda de forró de Amargosa.

CH: Mas era, de fato, o ritmo que vocês mais gostavam ou vocês se inclinaram para o forró porque era o que melhor se adequava ao mercado?
LM: Eu gosto muito. Entenda: eu faço música desde os oito anos, toquei em shopping bossa nova, então, eu não tive uma inclinação de estilo definida.
CH: Você é um forrozeiro de raiz?
LM: Não, não sou e não escondo isso. Nas músicas do Estakazero as pessoas vêem que não é um forró de raiz, é um forró pop. Eu não posso me comparar a um Adelmário Coelho.
CH: Com a ausência do Forró da AABB este ano, a venda de ingressos para os seus ensaios melhorou?
LM: Eu acho que não afetou em nada, porque no ano passado já não teve. Ano passado, no segundo evento teve aquela coisa da chuva e aí não teve mais, só teve um. E, mesmo assim, não foi como esse ano, que bombou mesmo, superou nossas expectativas, foi um público mais forrozeiro. E eu acho que o Forró da AABB é uma festa muito tradicional, o público é um pouco diferente, existem muitas diferenças aí. No meu forró, o público é mais jovem. Eu acho que esse ano a gente conseguiu inovar, esse disco novo tem músicas inovadoras.
CH: Qual a música de trabalho da Estakazero para este São João?
LM: Nesse disco novo a gente está trabalhando três músicas: “Nave”, que é de Alexandre Peixe e Tenisson Del Rey – que hoje são meus amigos – e tem Carlos Neto também; “Na Balada”, que está concorrendo a melhor música de São João do Nordeste e segundo a pessoa que passou essa informação pra gente, é a mais forte concorrente. Tanto que o pessoal do concurso já ligou pra gente, já pediu informações, porque é a mais cotada a ganhar a música de São João do Nordeste, de 2011 e “Quando a gente ama”.

CH: Antigamente, as músicas da Estakazero marcavam mais, como “Encosta N’eu”. Por que nunca mais a Estakazero engatou uma música para ter um estouro como foi com Encosta N’eu?
LM: É porque nos dois primeiros CD’s a gente engatou mais de quatro músicas em cada um. Aí depois veio o DVD e esse DVD fortaleceu muito essas músicas, como “Encosta N’eu”, “Lua Minha”, “De frente pro mar”, Sapatilha”... Esse DVD fortaleceu muito essas músicas. Aí, depois desse DVD a gente já estava com seis anos de banda e a gente teve meio que uma crise de renovação, como toda banda tem. No terceiro disco de músicas inéditas, eu não fui tão feliz como nos dois primeiros em termos de músicas comerciais. Mas aí também entra outra questão: a gente já não era mais novidade, já não tocávamos mais naquelas festinhas todas que tinham na cidade, porque o trabalho de base, o trabalho “formiguinha”, digamos assim, é um trabalho que conta muito. Quando você faz canja em colégios, toca em festas de final de ano, de formatura, de calourada, chopada... A gente fazia parte de um mercado que não era o mercado de forró. A gente concorria com as bandas de pagode, de axé, a gente tocava em todas as festas, éramos arroz de festa, como hoje é Seu Maxixe. Não estou criticando, não.
CH: Mas explique melhor essa coisa de “arroz de festa”.
LM: Arroz de festa é aquela banda do momento, que está em tudo quanto é festinha, porque o custo ainda é um custo baixo porque a banda está começando, então não tem aquela preocupação com conceito e nem a preocupação com o desgaste de imagem. Então, a gente já saiu desse patamar e isso tem também um preço, porque você acaba tocando menos, as pessoas ouvem pouco você e quem não é visto não é lembrado.
CH: Você acha que o público pode ter cansado da Estakazero?
LM: Lógico que não. Eu estava até receoso com isso antes dos ensaios e esse ano os ensaios foram um sucesso. Ensaio é muito importante para a carreira da banda e a gente conseguiu impor em Salvador um ensaio com os moldes dos ensaios de verão. Então, a gente tem que dar um desconto. No verão, você tem a cidade lotada de turistas, todo mundo de férias e os artistas são conhecidos nacionalmente.
CH: Vocês fazem muito sucesso aqui na Bahia. Mas, pelo tempo de estrada de vocês, não era para estarem estourados em todo o Brasil? O que vocês pensam em fazer para isso?
LM: A gente não se acomoda. Eu acho que esse DVD, que tem o depoimento de Elba Ramalho, de Alceu Valença, de Geraldo Azevedo - não vou nem dizer de Saulo Fernandes, Margareth Menezes, Luís Caldas porque eles são daqui - , eles que são de fora, que participaram dos nossos ensaios e conheceram o trabalho da Estakazero deram o depoimentos deles e, através desse DVD, a gente pretende divulgar mais pelo Brasil. Mas é como eu te falei: o mercada, às vezes, ele é muito cruel. Nossa música “Encosta N’eu” é estourada no Nordeste, só que a gente não vai fazer show nesses lugares, porque ela é estourada na voz de outros artistas que vêm aqui, vêem que a música está fazendo sucesso aqui e gravam lá, entendeu? Hoje tem essas facilidades que são, de certa forma, injustas. “Balada” está acontecendo a mesma coisa: Aviões do Forró gravou, Garota Safada gravou...

CH: O que você acha dessas bandas de forró que apelam para a sensualidade, colocam dançarinas com roupas micro no palco, tipo Calcinha Preta?
LM: Eu penso que o artista reflete o povo, reflete a vontade popular. Então, de onde eles vêm, é isso que as pessoas gostam, que valorizam. Eu acho que aqui em Salvador existe um movimento de forró diferente desse. Eu acho que é bem forte o movimento de forró daqui. As bandas que procuram fazer igual ao forró que vem de lá geralmente não crescem. Os artistas de forró da Bahia são bem diferentes dos que vem da Paraíba, de Pernambuco, Ceará. Culturalmente falando, eu acho que a Bahia não pertence ao Nordeste, nem pertence ao Sul. Se você for fazer uma divisão cultural, a Bahia é única.
CH: Dizem que você é o mauricinho do forró. Você se acha o mauricinho do forró?
LM: Primeiro que essa fama nasceu aqui, nas Curtas e Venenosas. Mas eu não tenho nada contra. Eu não me sinto, não me acho mauricinho. Sou, assim, de classe média aqui de Salvador, estudei em colégio particular, meu ambiente social sempre foi de “mauricinho”, digamos assim. Isso, se você for comparar com os demais forrozeiros, que geralmente vêm do interior, então, eu sou um cara da cidade que sempre tive muito convívio com o interior, a vida inteira passei meu São João em Cachoeira, minha mãe é de lá, então eu sempre tive muita relação com o interior, com o campo, apesar de ter vivido a vida inteira aqui em Salvador. Então, eu trago para o forró esse meu jeito e eu acho que o resultado dessa minha imagem de jovem, de mauricinho, traz para o forró tudo o que normalmente não se vê? Só para resumir: há muito tempo eu ouvi pessoas me dizendo “Léo eu não gostava de forró, comecei a gostar quando eu conheci o seu trabalho, conheci a Estakazero”. Porque o forró tem aquele estereótipo de ser ou aquele cantor sofrido, aquele artista que não sabe falar direito, ou é o gaiato e eu não. Eu passo aquela coisa do forró legal, do forró bonito, pra cima.
CH: Por que Europa para gravar o DVD do Estakazero?
LM: Isso aí me parece uma coisa tão óbvia! Eu nunca tinha tocado fora do país. Tinha feito um trabalho com Zelito Miranda em Buenos Aires e eu sempre sonhei em fazer um trabalho assim. Qual o artista que não sonha em tocar no exterior? Só que eu acho o seguinte: sabemos que um show lá é importante, mas a gente não vai conquistar um espaço na Europa pra gente ganhar dinheiro na Europa...É difícil isso. Foi uma coisa pontual, uma coisa maravilhosa de acontecer. Então, mais importante da gente ir na Europa não é a gente mostrar que foi para a Europa, é aproveitar que a gente está em Paris, a cidade mais bonita do mundo, e mostrar que tem uma banda de forró lá em Paris. Enfim, estratégia mesmo.
CH: Passa pela sua cabeça seguir uma carreira solo?
LM: Não existe nenhum projeto de sair da banda. Lógico que não, não tem nem porque. Meu nome, sim, a gente procura trabalhar, porque toda banda tem que ter o seu representante. Quanto mais Léo Macedo crescer, mais a Estakazero vai crescer, concorda comigo? Todo meu desejo eu coloco aqui na Estakazero, meu trabalho, minha vontade. Sou eu que faço a produção toda artística, escolho a banda, tudo, tudo sou eu que faço. Só não falo escrever as músicas, porque eu não sou compositor.
Por Fernanda Figueiredo
