Entrevista Exclusiva! Lucival nega ser fofoqueiro, diz que não posaria nu e nem trocaria de sexo
Por Driele Veiga
O jornalista baiano Lucival França, recém eliminado do BBB 11, é o entrevistado dessa semana na coluna Holofote. Casado há dois anos com o arquiteto Alex Galletti, ele nega a pecha de fofoqueiro que ganhou no reality show, diz que não pensa em posar nu e muito menos fazer operação de mudança de sexo. Sobre o futuro, ainda não sabe como será. Já sobre o Carnaval deste ano, diz que passará em Salvador e receberá outros ex-BBBs em sua casa, na Pituba.
Bahia Notícias – Por que você, um jornalista com carreira firmada, resolveu participar de um reality show como o BBB?
Lucival França – Pela oportunidade que o programa poderia abrir para mim. Se pudermos fazer algo para atrair os olhos do telespectador e pessoas que possam dar um “upgrade” na profissão é sempre bom. Foi a primeira vez que me inscrevi, e consegui. Eu mexo muito com rede social e o Boninho [diretor do reality show] acompanhou muito minha vida por ela. Alguém da produção me mandou um link e eu resolvi participar. Não me interessei “a priori”. Mas, depois, quase 20 dias antes da finalização da inscrição eu fui e mandei.
BN – Você acha que a participação no BBB pode por um fim à sua carreira jornalística, em especial à sua credibilidade?
LF – É tudo um risco. Para mim, na verdade, a vida se resume a correr risco. Quem não corre risco cai na mesmice, no lugar-comum. Dentro da casa eu e Daniel brincávamos muito. Tínhamos humor e astral parecidos. Inteligente e sagaz. Observávamos coisas na casa que ninguém via. Destacávamos isso e fazíamos sátira. A gente se divertia muito com isso. Quando saí da casa me dei conta da charge tricotando com Dalu. Eu me diverti mais ainda. Achei uma “sacação” legal. O programa é de relacionamento de pessoas. A ideia era que falássemos de pessoas e que nos comportássemos como pessoas.
BN – Qual seu sonho como jornalista? Apresentar algum programa?
LF – Sempre quis ser crítico. Escrever artigos semanais e crônicas sobre teatro, pessoas. Fiz isso no Correio da Bahia, onde escrevi sobre moda, beleza, gostei muito.
BN – Você ficou marcado no Brasil como fofoqueiro, assim como Daniel. Você acha que a partir de agora as revistas de fofoca te cobiçarão?
LF – Quem sabe? No Brasil existem poucas revistas de fofoca inteligentes. Eu recebi críticas positivas de pessoas que acompanham o BBB, como Fernanda Paes Leme e Débora Secco. Eu acho que eu e o Daniel éramos a cereja do bolo.
BN – Você acabou sendo eliminado com 48% dos votos. Você acha que toda essa rejeição foi por você ficar de fofoca com Daniel?
LF – Acho que, na verdade, isso me levou a ficar mais tempo no programa. O termo fofoca na verdade é complicado. Fazíamos comentários. Fofoca é quando passamos informação deturpada. Nós observávamos, fazíamos comentários e nos divertíamos entre nós mesmos. A gente satirizava a nós mesmos. Tínhamos autocrítica. A brincadeira acabou me deixando mais tempo. Mas, o paredão com Diana e Natália, que eram tão carismáticas quanto, me derrubou. Todos os prognósticos de internet diziam que Diana sairia e eu ficaríamos. Mas, depois mudou.
BN – Você é fofoqueiro assim no cotidiano?
LF – Não sou fofoqueiro. Eu sou analítico. Observo as coisas no meu entorno. Isso é do jornalista. Todo jornalista é fofoqueiro e observador. Sempre buscamos algo que possa comprometer ao entrevistado, buscamos coberturas diferentes e reveladoras. Sou um analista social. Sou critico. As minhas opiniões no Facebook e no Twitter são um termômetro do que sou. Não me considero fofoqueiro e sim uma pessoa inteligente que observa as coisas.
BN – Você assumiu logo sua homossexualidade na primeira semana do BBB. Foi estratégia?
LF – Não. Minha homossexualidade é o tipo de coisa que, profissionalmente, eu não escondo. Minha sexualidade é bem resolvida desde sempre na família, amigos e trabalho. Não me impede de nada. Em dado momento alguém perguntou na casa se tinha homossexual e eu disse que deve haver muito e que eu era um deles. Não tive uma estratégia. Eu vivia em confinamento e observava as pessoas. Eu não atuava, eu vivia o confinamento, o jogo.
BN – Quando você se descobriu homossexual?
LF – Desde sempre. Nunca me descobri homossexual. Sempre fui. Não acredito em se descobrir. As pessoas nascem homossexuais. O que existe é as pessoas assumirem ou esconderem a homossexualidade. Não é uma opção. Afinal, se pudéssemos escolher, não seríamos por conta de toda a discriminação.
BN – Você já teve relação com mulheres?
LF – Nunca.
BN – Você tem namorado?
LF – Tenho. Sou casado há dois anos com o Alex. Ele é arquiteto. Moramos juntos na Pituba.
BN – Como foi para aliviar as necessidades sexuais na casa?
LF – Isso é um trabalho psicológico. Tentar não pensar em nada neste sentido. A gente desviava a atenção para o desejo sexual. Porque era tanta coisa para pensar e provas para executar que não dava tempo de pensar nisso. Aliviei somente no pensamento.
BN – Você tem vontade de ter filhos? Adotaria uma criança ou optaria por uma espécie de barriga de aluguel?
LF – Eu não tenho a vaidade do filho ter que ser biologicamente meu. Adotaria sim. Tantas crianças abandonadas. Seria até uma forma de aliviar essa questão social. Talvez coloque esse plano em prática ainda este ano.
BN – Você é homossexual. Mas, se veste como homem e tem porte de homem. O que você acha dos homossexuais que querem virar mulher?
LF – Existem estereótipos de homossexuais. As pessoas, às vezes, querem aquele que é afeminado, palhaço. Existem essas pessoas? Existem, e, dentro da diversidade, tem que existir mesmo. O meu é compatível com o que acho que deve ser. Cada ser humano tem que se comportar da forma que acha que deve. Não é o fato de ser homo ou heterossexual que vai definir o que eles têm que ser. Tenho amigos hetero que parecem mais homossexuais do que eu. Eu sou homem, mas homossexual.
BN – Você já teve vontade de fazer operação de mudança de sexo, como Ariadna?
LF – Nada. Ariadna é uma homossexual diferente. Na verdade, ela é mulher. Uma cabeça e um corpo diferente. Para criar uma ideia perfeita do que ela é, ela fez a operação porque ela já se sentia mulher. Transsexualidade é diferente da homossexualidade, onde o homem é homem, que se relaciona com homem.
BN – Toparia posar nu ao lado de Ariadna?
LF – Não. Nem do lado dela, nem sozinho. É incompatível com minha profissão e minha personalidade. Não gostaria de entrar para a história do Brasil como sendo o primeiro jornalista brasileiro a pousar nu.
BN – Você acha que Rodrigão é Gay?
LF – Eu não acho nada. Mas, algumas pessoas acham, outras fazem comparações do comportamento. Mas, não sei.
BN – Para quem está sua torcida agora?
LF – Para não deixar de ser verdade, tem que ser para o Daniel, que tem uma história de vida bacana, inteligente, bem humorado. Ele entrou com o objetivo de se divertir numa grande brincadeira. Tem gente que leva a sério demais e faz do BBB uma sucursal de maldades. Mas eu e Daniel transformamos em um parque de diversões.
BN – O que você acha do também baiano Diogo?
LF – Ele é alegre. Pra cima, alto astral. Tem a cara da Bahia. Só que ele está entrando numa “vibe” negativa. Pecando pelo excesso.
BN – Quem tem mais dendê na veia, você ou Diogo?
LF – Eu tenho um dendê mais sofisticado. Brinco com as pessoas. Sou alegre e sorridente. Um dendê e um tempero muito mais refinado.
BN – Você acha que Paulinha é, realmente, a mais falsa da casa?
LF – Quando estamos na casa não temos dimensão maior da coisa. Vemos as coisas picotadas. Tinham os grupos que acusavam ela. Mas, acho que ela é uma menina tranquila e gente boa. Não vejo maldade nela.
BN – Você saiu da casa sem nunca ter conquistado a liderança. Isso te frustrou?
LF – Não. Na verdade, eu gostaria de ter participado de todas as etapas, prova da comida, anjo, líder. Mas, o jogo tem surpresa e a minha foi sair antes da hora. Entrei e sai feliz. Foram seis semanas. Não vou me frustrar. É um jogo. Apenas uma pessoa vai levar o prêmio. Minha marca é ser feliz.
BN – Quando você retorna para a sua cidade natal?
LF – Fui à Salvador já. Mas foi muito rápido, cheguei de madrugada e retornei no dia seguinte à noite para fazer Faustão e Caldeirão do Huck.
BN – E agora, depois do BBB, quais os planos?
LF – Escrevi um livro sobre triângulo amoroso que acaba em assassinato. É jornalismo policial. Conta uma história que aconteceu aqui em Salvador, há dez anos. Está prestes a ser lançado, em dois meses, mais ou menos. Além disso, tenho contrato de um ano com a Globo de exclusividade e, tenho que cumprir. Eu fui o único com contrato de um ano com a Rede Globo. Os outros são de seis meses. Não sei o que eles estão preparando para mim. Alguns convites devem surgir, mas “a priori” eu continuo com a minha assessoria Criativa.
BN – E a Parada Gay de Salvador, tem chances de você participar?
LF – Eu nunca levantei bandeiras. Mas, por participar de uma minoria social, gosto de dar uma força. De repente possa ser (sic) que surja um convite e irei. Nada me impede.
BN – E Carnaval? Salvador está na lista?
LF – Com certeza. Salvador e Rio de Janeiro. Já surgiram convites. Outros bróderes virão para cá e ficarão hospedados comigo na minha casa, na Pituba.
