Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Dicesar fala da mágoa com Preta Gil e diz que, se tivesse opção, não seria gay

Por Driele Veiga

Dicesar fala da mágoa com Preta Gil e diz que, se tivesse opção, não seria gay

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, o ex-BBB Dicesar, fala da mágoa que tem de Preta Gil, Os problemas com Dourado dentro e fora da casa, além de como foi ser a primeira drag queen a posar numa revista voltada para o público GLS. Dicesar também contou quem foi o homem que chamou sua atenção dentro do Big Brother. Confira!




"Já beijei mulheres na adolescência, mas nunca transei com mulher e já tenho 44 anos"



Coluna Holofote: Como foi voltar ao mundo real depois de três meses de confinamento?
Dicesar:
Voltando à vida real... As coisas acontecem aqui. Está bom. O carinho do público dispensa comentários.


CH: Você recebeu mais de 11 mil ameaças no orkut da galera do Dourado. Alguma extrapolou o mundo virtual?
Dicesar:
Não. Na verdade, só foi virtualmente mesmo. Enquanto eu ainda estava na casa. Depois que eu saí, acabaram os comentários. Foi um susto virtual.


CH: Como foi conviver com Dourado que se mostrou ser uma pessoa com preconceito aos gays?
Dicesar:
Você tem que aprender a conviver com todo tipo de gente. Foi difícil. Não baixei a bola e nem a guarda, aguentei numa boa.


CH: Você acha que Dourado foi homofóbico?
Dicesar:
Não estou aqui para julgar. Mas, ele teve atitudes homofóbicas. Mas, não sei se ele é.


CH: Em que mudou a sua vida depois do BBB?
Dicesar:
Muito mais trabalho que antes. Ganho dez vezes mais que o cachê de antes. Mas, não tenho mais paz na rua. Tenho que tirar mil fotos, é babado. Tenho que me adaptar e me acostumar. Mesmo trabalhando na night, é diferente. Eu só trabalhava na noite GLS e só era conhecido por este grupo. E agora tenho que estar disponível para todos. Então mudou muito.


CH: Isso incomoda?
Dicesar:
Não me incomoda quando é normal. Mas, quando fica aquele desespero de te agarrar, dar beijo e tal me incomoda.


CH: De todos os trabalhos que estão rolando depois da casa, qual deles é a cara do Dicesar?
Dicesar:
Os trabalhos de maquiagem que estou fazendo. Está aparecendo muito trabalho de maquiador.

 

CH: Neste mês, Salvador realiza a parada gay. Já pensou em vir participar?
Dicesar:
Quero muito ir. Queria me agendar. Mas, até agora, não recebi nenhum convite e nem proposta de empresários dispostos a bancarem minha ida.


CH: Quando esta febre do BBB passar o que pretende fazer para ganhar a vida?
Dicesar:
O que eu faço há 18 anos. Ser maquiador e drag queen. O assédio melhorou muito. Mas, sempre tive o assédio da noite GLS. Eu sobrevivo de maquiagem e dos shows de drag queen. Eu tive inclusive que inventar um novo quadro onde, no fim do show, eu viro o Dicesar. Eu sempre enchi as casas de boate e agora melhorou muito.


CH: Como foi fazer o ensaio sensual para a revista masculina G Magazine de drag queen?
Dicesar:
Foi muito gratificante. Porque é uma revista vinculada ao mundo gay. Nunca teve uma drag queen na capa e eu fui a primeira. Para você ter uma ideia, as revistas sumiram em dez minutos e eu tive que comprar uma para mandar para meu costureiro que faz minhas perucas. Mais de cem pessoas aparecerem, em um minuto, enquanto eu estava na banca para tirar foto. Não ganhei R$ 1,5 mi, mas, ganhei um milhão de fãs.


CH: Você teria coragem de posar como Dicesar para a G Magazine, como veio ao mundo?
Dicesar:
De verdade... Coragem eu tenho porque não tenho vergonha de nada. Mas, não posaria nu porque eu trabalho com senhoras e modelos. E, como maquiador, acho que as pessoas não querem ver meu nu. Eu sei diferenciar e separar isso. Não toparia. Meu alvo é moda, teatro e cinema.


CH: Em que você se inspira para se transformar em drag queen?
Dicesar:
Me inspiro na mulheres alegres, cantoras, nas atrizes loucas, e o povo de moda do bem.


CH: Você prefere ser o Dicesar ou a Dimmy Kieer, sua personagem?
Dicesar:
De dia prefiro Dicesar, e à noite, a Dimmy. Tem que saber separar. Não queria viver montada 24h. Consegui muitas coisas sendo a Dimmy.


CH: Como foi sua primeira apresentação como drag queen depois do BBB? O que você sentiu quando subiu no palco?
Dicesar:
Foi maravilhoso. O povo gritava: "Dicesar, Dicesar você é nosso vencedor". O mundo gay está do meu lado e admitir que eu não ganhei o BBB, mas que para ele eu sou o vencedor...


CH: Agora você passará a ser colunista da G Magazine. Esta gostando da experiência?
Dicesar:
Estou gostando. Todo mês vou falar de lugares que passo e que vou. E fazer com que as pessoas se interessem por artistas da cidade, comida, cultura. Por exemplo, Salvador tem pontos incríveis e as pessoas muitas vezes só conhecem o Pelourinho, não conhecem as praias e é isso que pretendo divulgar.


CH: Como você convive com o preconceito?
Dicesar:
Convivo fazendo cara feia, lógico. Retrucando com a homofobia e sempre que posso eu não abaixo a cabeça e nem levo desaforo pra casa. Não tenho medo das coisas.


CH: Você já teve experiência sexual com mulheres?
Dicesar:
Nunca tive. Já beijei mulheres na adolescência. Mas, relacionamento não. Nunca transei com mulher e já tenho 44 anos.


CH: Você tem seu namorado e foram divulgadas, inclusive, fotos suas beijando ele. Você costuma beijar seu namorado em público sempre?
Dicesar:
Em público não. Beijo ele na boate gay, na minha casa e na casa dele. No meio da rua acho meio barra. Temos que ter uma postura. No meu mundo GLS eu faço tudo.


CH: Quando isso acontece você acha que o preconceito aumenta?
Dicesar:
Aumenta. Infelizmente. Por mais que achem o gay divertido, alegre, as pessoas não querem ver esta exposição. A sociedade pensa que todo gay se prostitui, é vulgar e promíscuo. E não é verdade. Temos gays juizes, militares, advogados, enfim. Todo gay tem família. Se você escancara no meio da rua, você abre espaço para as pessoas cuspirem na sua cara. E não quero isso pra mim. As pessoas têm que pensar um pouco, afinal, não é bacana uma senhora e um senhor verem dois homens se beijando na praça.


CH: Muitas pessoas acham que ser gay é opção. Foi uma opção sua ou você já nasceu gay?
Dicesar:
Não é opção. Se fosse, eu não seria. Seria qualquer outra coisa, menos gay. Você nasce gay. Com determinada idade em sua vida, você vai se identificando. Isso está dentro de você, aflora.  Ninguém vira gay.


CH: Dentro da Casa, você se interessou por alguém?
Dicesar:
Não. Tinham homens incríveis, mas não me interessei por nenhum deles, apesar de tirarem meu fôlego. (risos)


CH: Existem muitos homens casados com mulheres que ainda não conseguiram sair do armário. Qual a dica do Dicesar?
Dicesar:
Quando você se casa, antes dele ser seu marido ou esposa, tem que ser seu/sua amigo (a). Então, eu acho que se deve conversar e explicar a situação. Protelar o assunto é estender o sofrimento.




"Ela se prestou ao papel de denegrir minha imagem e eu não vou dar um centavo pra ela"

 
CH: O que você achou das declarações da Preta Gil a seu respeito?
Dicesar:
Eu fiquei triste, porque antes do BBB, eu era desesperado para ir num show dela. E teve um show que eu fui apresentador e não cobrei cachê porque soube que era a Preta Gil que ia e eu queria estar perto dela. Ela foi gentil comigo na noite. Cantora tem que cantar e artistas consagrados tem que ter opinião própria, mas, tem que ter cuidado com o que vai falar. A Preta não conhece minha história, não sabe quem eu sou. Mas, eu admiro ela profissionalmente. Ela é formadora de opinião. Eu sinto muito. Mas, é uma artista que eu nunca mais compro um CD. Ela se prestou ao papel de denegrir minha imagem e eu não vou dar um centavo pra ela porque meu dinheiro gay é tão limpo quanto o hetero. Eu não faço mais nada por ela. A Preta  perdeu um admirador.


CH: Se ela te chamasse, mesmo pagando cachê, para participar de um show dela, você iria?
Dicesar: (
risos). Outro dia ela ligou pro meu empresário para dizer que o Serginho não ia poder participar de um show dela e ele me chamou perguntando quanto eu cobrava. Eu disse que não preciso dela para sobreviver e recusei o convite. Depois de falar mal de mim, quer me chamar e dizer que se arrependeu? Não dá, né?
 



Por Driele Veiga