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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Leo Kret admite ter entrado na política pelo ôba-ôba e revela com se vê: mais artista ou política

Coluna Holofote: Você sai mais na mídia como artista do que como política. Você se acha mais dançarina ou vereadora?
Leo Kret
: Eu me sinto os dois. Porque a artista eu nunca vou deixar de ser, já que eu consegui o amor do povo como Leo Kret, a carismática dançarina do povo e aí virei vereadora e é como você sabe: a política, quando é mal falada, ela é bem divulgada. A mídia quer divulgar a política suja. E quando a política é limpa, do jeito que eu faço minha política, aí a imprensa, na maioria das vezes, gosta de esconder o que a gente faz. Então, eu me vejo vereadora e me vejo dançarina no mesmo ritmo. Porque no mesmo ritmo que eu trabalho dançando, eu trabalho como parlamentar.



CH: Suas aparições como artista já interferiram em suas atividades na Câmara?
Leo Kret:
Não interfere. Só com algumas pessoas insignificantes, que não vale à pena comentar, né? Que gostam de pegar pesado e falar “ah, nossa! A vereadora, exercendo esse cargo tão importante não poderia estar rebolando, mexendo, jogando o cabelo por aí”. Mas as pessoas que realmente me conhecem sabem que eu gosto de dançar, elas me conheceram assim, foi assim que eu fui eleita e as pessoas que importam, que estão nos bairros carentes de Salvador, sabem que eu estou trabalhando realmente. Então, não me atrapalha de jeito nenhum. O que me atrapalha são as pessoas que gostam de falar que eu tenho que me comportar, mas eu me comporto como vereadora, no plenário, e quando eu tenho reuniões com parlamentares e reuniões políticas. Aí, eu me comporto da forma que eu tenho que me comportar. Mas no palco, nos shows, na rua, vocês vão me ver dançando, vão me ver jogando o cabelo, porque é disso que eu gosto e o povo também gosta.



CH: Você já foi criticada pela forma ousada com que se veste, já que hoje você se veste como mulher?
Leo Kret:
Quando eu fui candidata a vereadora, eu tinha dentro de mim que eu ia ganhar, porque a gente quer ir para uma luta para poder vencer. E aí, eu via aquelas pessoas dando risada, os críticos falando e eu pensava “nossa!”, porque eu não acreditava que eles não estavam me levando a sério. Então, por isso que vem esse negócio de terninho rosa, banheiro feminino, banheiro masculino, para poderem me criticar mesmo, para ficarem “o que é que Leo Kret vai fazer lá?”. Mas depois que eles viram que eu realmente me comportava como mulher, uma transexual, que eu estava usando o banheiro feminino e os vereadores não estavam nem aí para isso, porque os vereadores me respeitam desde o começo do mandato, aí pararam de falar de mim, porque viram que eu não seria mais uma pessoa a ficar lá no ôba-ôba e me esconder sem projetos algum. Então, quando os projetos começaram a vir à tona – como a regulamentação dos mototaxistas, orçamento criança e adolescente, meu projeto Leo Kreche – aí, eles quiseram esconder essas coisas, então, deixa Leo Kret lá quietinha, porque Leo Kret está trabalhando, então, não vamos mexer, senão ela vai aparecer mais ainda. Então, acabaram as críticas.



CH: Quando você começou seu mandato, você sentiu algum tipo de rejeição?
Leo Kret:
Claro. Sofri preconceito e depois que eu vi que isso era para poder criticar. Tanto que eu nem quis fazer parte da comissão de mulher, por causa disso, porque tudo que Leo Kret faz vira polêmica, então, eu deixo aí para minhas amigas cuidarem e se quiserem um auxílio, podem contar comigo. Porque eu sei que as mulheres também sofrem preconceito e eu estou do lado das mulheres, mas eu não vou fazer parte, porque não há necessidade para eu poder fazer parte da comissão da mulher, para poder acabar as críticas.



CH: Há quem diga que ter Leo Kret, uma transexual dançarina, representa o circo que se instalou na política baiana. O que você pensa disso?
Leo Kret:
Uma: Leo Kret vem do pagode; Leo Kret deu o gritinho polêmico ‘ahhhh’; Leo Kret dança nos palcos com figurinos minúsculos. Então, muita gente não sabia de onde eu vim, o que eu passei, as dificuldades, o gueto em que eu moro até hoje, que é um bairro periférico, subúrbio que eu ando e vi realmente a necessidade do povo, então, eles criticavam porque se perguntavam “ o que é que Leo Kret vai fazer lá?”. Então, se eles pesquisassem realmente a minha vida, de onde eu vim e o que eu passei, eles iriam saber o que eu realmente tinha para fazer na Câmara Municipal. Porque não adianta a gente nascer num berço político, já vir com aquelas articulações hereditárias, entende? Eu como não tive isso, eu procurei ver a minha necessidade, as necessidades da minha família, do povo que vive no gueto. Então, a gente não precisa nascer em berço político, a gente tem é que saber a necessidade da nossa população para poder exercer um bom cargo político e foi isso que me motivou. Porque quando chove até hoje em Pernambués e alaga, quem está lá para desentupir os bueiros para a água poder passar é a gente, quando os ratos invadem a nossa casa, quem está lá é a gente para poder tomar uma providência, porque político nenhum aparece nessas horas.



CH: Você entrou na política sabendo o que queria fazer, entendendo sobre esse meio, ou entrou pelo ôba-ôba?
Leo Kret:
Eu não queria de jeito nenhum entrar na política, porque a política era vista e até hoje é vista como uma coisa ruim. Que os políticos estão aqui para poder, entre aspas, roubar, para fazer o lobby com empresas, que estão aqui para poder brigar pelos interesses próprios. Aí apareceu Rosalvo, que é o produtor da Saiddy Bamba e aí falou “Leo Kret, você é muito popular. Você não quer entrar na política?” e eu disse “Tá louco, Rosalvo? Eu não”. E Piriquita é uma pessoa que me ajudou muito, desde o começo no Saiddy Bamba. Porque, como eu gostava muito de dançar, eu entrava na banda, levava meu próprio figurino, ficava cortando na tesoura e subia no palco. E Piriquita ficava acompanhando tudo isso, era minha fã e foi me seguindo, seguindo e virou minha amiga fiel. E foi ela que disse “Leo, não. Você não pode entrar na política de jeito nenhum, isso é queimação, é fim de carreira”. Aí eu disse que não queria, não. Mas Rosalvo pegou minha foto, fez minha inscrição toda e nisso começaram os buchichos. Eu ia na Liberdade, em Periperi, em Brotas comer o cachorro-quente do Bolero, em todos os lugares que eu sempre freqüentei e o povo começou a me perguntar “você vai ser vereadora? Pô, Leo Kret, você anda sempre aqui no meio do povo, sabe pelo que a gente passa, então você tem que ser”.



CH: Sim, mas você entendia ou não de política?
Leo Kret:
Eu não entendia muito de política. Eu pensava que política era aquela que a gente via na televisão, porque os políticos acostumam a gente dessa forma. Dão blocos, materiais de construção, várias outras coisas e as pessoas pensam que é isso que o político tem que fazer e não é isso. Então, quando a gente vai num bairro periférico, as pessoas já vêm pedindo as coisas. Elas não sabem que a gente está lá para elaborar projetos de lei para a população poder viver com dignidade. É isso que suja muito a política. Mas depois que o povo pediu, eu topei entrar. Se é para melhorar, bota Leo Kret lá! Eu fui levando na brincadeira, mas depois comecei a estudar sobre política com minha equipe de assessores e vi que a política tinha uma coisa muito séria, que eu ainda não sabia e que tinha que aprender. Aí, no decorrer da campanha eu comecei a estudar e a ganhar experiência e eu, quando fui eleita, já entrei com a bola toda. E, graças a Deus, estou aqui arrasando até hoje.



CH: Você ouviu algum conselho do tipo “é melhor você parar de dançar”?
Leo Kret:
Eu tinha uma advogada, na verdade, até hoje ela é minha advogada, porque ela me ajuda muito, Mona Brito. E ela faz parte da defensoria pública. Aí ela falou “Leo Kret, você sabe que agora você vai ter que mudar, né? Você vai ter que virar uma mulher-gato. Você não vai mais poder usar shortinho, você vai ter que usar aqueles macacões bem apertados”. E eu disse “ah, não, Mona. Mas eu gosto de dançar, eu gosto de ser assim, o povo me conheceu assim, eu não vou mudar, não”. E ela disse que isso ia ferir o decoro parlamentar. Aí eu vinha para a Câmara parecendo uma cristã, toda vestida, a crente, né? Fazia meus discursos, apresentava meus projetos, mas no final de semana, ó eu lá de shortinho em cima do palco! E Mona ficava louca. Mas se o povo me conheceu assim, então, eu tinha que levar minha vida artística como eu sempre levei. Piriquita também ficava nervosa. Mas aí elas viram que não estava mudando nada, porque quando eu vinha para o plenário, eu me comportava da maneira que eu devia me comportar, tinha meus projetos políticos, não estava quebrando o decoro, porque eu sempre fui artista e aí eu estou até hoje dançando, parlamentando e ajudando o povão.



CH:  Você não acha a política séria demais para você?
Leo Kret:
É séria e por isso que eu me comporto lá, seriamente, como eu tenho que me comportar. Fico séria lá e quando tem as discussões polêmicas eu busco me posicionar de forma sempre que vá beneficiar o povo. É séria? É, mas a gente tem que saber fazer também, as coisas que têm que ser feitas. Mas eu sou assim o tempo todo, adoro dar risada, gosto de você, adoro seus aparelhos (risos).



CH: Qual sua relação com o deputado federal ACM Neto?
Leo Kret:
Adooooooooro. Uma pessoa que me ajudou desde o começo, quando eu falei que queria ser uma vereadora, ele confiou, acreditou em mim, ele sempre brincava com os outros candidatos “olhe, gente, segure aí que uma cadeira lá já é de Leo Kret”. E ele sempre vem me ajudando, até hoje a gente mantém um contato, eu aprendi muito com ele e, para mim, ele é uma das pessoas, que faz parte da política, que realmente mostra a que veio. Para mim, ele é uma pessoa maravilhosa, adoro ACM Neto.



CH: Você acha que foi eleita graças ao apoio dele ou você já tinha votos suficientes por conta própria?
Leo Kret:
Ahhhhhh! Ah, amiga, vamos dizer a verdade, né? Porque aonde eu ia o povo gritava, falava meu nome e tinha um amor assim, sei lá. E eu, só com R$ 4 mil consegui quase 13 mil votos. Porque antes eu pensava que a política era chegar, fazer o ôba-ôba pro povo ver a gente e voltar, porque eu não sabia que tinha que ter dinheiro para investir na campanha e teve gente que gastou mais de R$ 1 milhão e não foi eleita e eu com apenas R$ 4 mil e a ajuda do pessoal consegui me eleger, porque o povo acreditou em mim, confiou e também porque o povo fala que eu sou carismática, a vereadora e dançarina do povo. Então, ele foi fundamental também, porque ele me ajudou muito na campanha, ele foi uma pedra forte aí, só fez crescer o castelo.



CH: Quais os seus principais projetos na Câmara de Vereadores?
Leo Kret
: Eu tenho esse aqui do cartaz, ó meu amor, de mototaxistas, porque agora chegou a época de campanha e estão segurando um pouco o meu projeto, só que o prefeito João Henrique falou que vai regulamentar a lei que realmente dá prioridade aos mototaxistas, que já virou realidade em nossa cidade o transporte de mototaxista, porque, em todos os pontos de ônibus, você vê um mototaxista. Então, são pessoas que passam por dificuldades, porque, às vezes, tem marginais que se passam por mototaxista e aí acaba denegrindo a imagem dos mototaxistas. Esse é um projeto que João Henrique já se comprometeu a aprovar e eu só estou esperando ele sancionar essa lei, que representa segurança para os mototaxistas e para a população. Tem o OCA  - Orçamento Criança e Adolescente, que a gente pede da Prefeitura um relatório mais detalhado para onde vão essas verbas porque, às vezes, com esse orçamento, que já existe, fica destinado para lugares que a população não sabe para onde vai, então, com o OCA, a gente vai ter um orçamento mais detalhado para onde vão essas verbas e saber aonde a gente pode buscar. Tem meu projeto social voltado para crianças, que é o Leo Kreche (adoooro), que a gente vai nas creches levando alimentos e alegria para essas crianças carentes e até Ivete elogiou meu projeto.



CH: Você está ganhando bem e continua morando no bairro de origem. Você não pretende se mudar? Não é perigoso para uma vereadora morar no gueto?
Leo Kret:
Eu não tenho medo, não. Meus assessores falam que eu não tenho noção que hoje eu sou vereadora. Sabe o que eu falo? “Eu sei que eu sou vereadora e é por isso que eu tenho que estar aonde eu sempre estive”. Eu tenho que ir em todos os lugares, porque o povo quer me ver. Não é só porque hoje eu sou uma parlamentar que eu vou me esconder no gabinete. E os meus assessores ficam loucos, porque eu saio escondido. Aí, daqui a pouco o povo liga “Leo Kret está aqui” e aí eles ficam loucos porque eu vou sem segurança, mas eu já disse que eu não gosto de segurança. Porque, às vezes, um fã vem abraçar a gente e o segurança pode tratar mal e eu não gosto.



CH: Você vai sair candidata a deputada estadual. Você não acha que é um salto muito grande em tão pouco tempo de vida política?
Leo Kret:
Leo Kret deputada estadual. Uma deputada igual a mim está para nascer, não tem igual. Uau! Olha, um salto maior seria se eu fosse candidata a federal, mas me candidatando a estadual, eu estou indo degrau por degrau e se Deus quiser e me levar a vôos mais altos, eu estou voando.



CH: Se for eleita, você acredita que baterá recorde de votos como aconteceu quando você se elegeu vereadora?
Leo Kret:
Com certeza. Eu acredito muito no povo, porque as pessoas que realmente acreditavam em mim e estão acreditando até hoje, pesquisam, mesmo sem a imprensa divulgar os meus projetos, os que estão para serem aprovados pela Câmara e os meus projetos sociais e um vai passando para o outro e aonde eu vou, o carinho cresceu mais ainda, porque um artista quando entra na política a tendência é cair porque não faz um bom trabalho, às vezes some da comunidade e eu não, continuo com o povão, com os mototaxistas, então, eu acredito muito, porque aonde eu vou sou muito bem recebida, inclusive nos interiores, nas regiões metropolitanas, o povo todo aplaude quando Leo Kret passa.



Por Fernanda Figueiredo