Amanda Santiago - Cantora
Nesta entrevista a cantora Amanda Santiago fala dos novos projetos e confessa que sofreu espancamento nos EUA. Revela também como é sua relação com os ex-integrantes da Timbalada. Os ensaios e o novo CD promocional são temas freqüentes dessa entrevista. Confira abaixo:
Coluna Holofote: Você sempre teve muito contato com a música, até mesmo por causa de seu pai. Mas quando você decidiu que queria ser cantora?
Amanda Santiago: quando eu estava no ventre de minha mãe, a minha vida já era música. Nos meus primeiros passos, o tempo inteiro a música foi uma influência forte, mas isso não significa que ser cantora era um sonho de infância. Acontece que quando eu fui crescendo houve certa cobrança, e o fato de eu ter conhecido muita gente boa na música ajudou a seguir esse caminho. Na época da escola, no 2 de Julho, eu percebi que em todas as feiras de ciências e de matemática era eu quem cantava. Eu começava a me arrepiar toda vez em que ia cantar. Mas ainda não sabia o que era; se aquilo ali eu ia seguir em frente. E foi aí que eu fiz Backing para meu pai [cantor e compositor Lui Muritiba] no carnaval e em seguida eu fui morar e estudar música na Califórnia. Nessa de ir para Califórnia eu, Conceição Damasceno e Tavorá Ferreira, que são artistas de lá, montamos uma banda chamada “Som Tribal”. Fiquei um ano por lá, e quando voltei fui convidada por meu padrinho Carlinhos Brown para fazer parte da Timbalada Multiracial, no disco “Pense Em Minha Cor”. Dificilmente eu iria imaginar que poderia entrar na Timbalada, mas as coisas fizeram um movimento a favor disso.
CH: Você foi convidada por Brown para entrar na Timbalada aos 17 anos. O fato de ter assumido um posto tão importante na Timbalada e de ser tão nova te atrapalhou?
AS: Foi só coisa boa. As pessoas entram na faculdade com 17 ou 18 anos, e para mim foi a mesma coisa. Ali eu pude voltar de uma grande experiência que tive fora, onde cantei no coral de uma igreja onde branco não podia entrar, inclusive passei por problemas de espancamento em São Francisco (EUA). Por isso eu acho que eu era a pessoa ideal para participar do projeto de uma banda que as pessoas não conseguiam enxergar como uma banda multiracial. A Timbalada é uma banda muito bem preparada por Brown e é muito madura. Mas o público que teve uma resistência no início – e eu compreendo isso. A Timbalada foi uma missão que eu tive e que foi muito bem executada. Quando eu concluí o 8º ano na Timbalada eu já tinha chamado atenção de Carlinhos [Brown] em relação a eu precisar começar. Por isso eu afirmo que eu não estou em carreira solo. Eu estou começando minha carreira.
CH: Em 2002, ainda na Timbalada, você foi eleita cantora revelação do carnaval baiano. O que isso representou para você? A partir daí você se atentou para o fato de poder, como você mesma diz, começar sua carreira?
AS: Na verdade o prêmio Dodô e Osmar foi especialíssimo, mas em todo os meus anos na Timbalada, em nenhum momento eu me via como um produto que estivesse se destacando na Timbalada. Eu estava estudando na Timbalada. Eu acho que todos [Alexandre Guedes, Marcio Victor, Mariene de Castro, Patrícia, Xexéu, Augusto Conceição, Ninha, etc] que passaram por lá devem ter a concepção de saber olhar a grandiosidade de olhar para a Timbalada e seguir a sua vida sabendo que conseguiu somar alguma coisa na Timbalada e trazer para sua carreira positiva.
CH: Você teve medo de não dar certo ou de não ter o reconhecimento esperado cantando solo?
AS: Eu fiz uma música que é assim: “É nessa cumplicidade amor, que o sentimento repara a dor, vou te contar um segredo, a esperança vence o medo...”. Eu tenho muita esperança e muita fé, mas sei que as coisas acontecem de acordo com o merecimento. No início, quando eu saí da Timbalada, a prioridade da minha vida foi entrar em estúdio e criar uma coisa legal. Então eu não fiquei muito preocupada em dar certo ou não; eu estava preocupada em criar. Eu sou muito tranqüila porque eu sei onde eu quero chegar e tenho meu foco definido, por isso nada nem ninguém me atrapalha.
CH: Você teve o apoio total de Brown para sair da Timbalada?
AS: Sempre tive. Eu conheci o tio Brown desde os cinco anos de idade. Ele sempre me apoiou, sempre foi muito carinhoso comigo e sempre foi um grande padrinho. Admiro bastante ele como artista e como pessoa. Brown é uma figura muito importante para mim e eu tenho certeza que ele vai sempre estar ao meu lado. Eu acho que é a fidelidade que faz o amigo, e é assim que nós sobrevivemos.
CH: Do que você tem saudade desses oito anos em que passou na Timbalada?
AM: Ah, da tinta [rsrsrs] e da música. Da personalidade da banda, que é muito grande.
CH: Qual sua relação com os ex-integrantes da banda?
AS: Depende de cada um. Com uns é muito boa; com outros é apenas boa. Nenhuma relação é ruim. Alguns, simplesmente quando nos encontramos passa uma retrospectiva na cabeça. Eu acho que nós temos que respeitar a nossa história. E hoje quando eu penso na Timbalada eu prefiro pensar em minha banda, que é muito especial e criada com muita personalidade e ousadia.
CH: E como foi a criação de sua banda, que inicialmente seria Macumba Baby e depois foi denominada Dindy e os Rogérios?
AM: Quando eu comecei a entrar no estúdio, no final do ano passado, nos não tínhamos empresário ainda, mas eu queria dar uma satisfação à mídia. A primeira música que tivemos foi “Macumba Baby”, um presente de Brown. Então, quando eu tinha que dar uma satisfação sobre a banda, eu saía falando Macumba Baby, que era o nome da música. E isso gerou uma dúvida na cabeça do povo. Logo depois que eu fiz o primeiro show na Sarau do Brown, a Duetto Eventos me chamou para que ficássemos juntos. Mas no Museu do Ritmo nós usamos o nome Dindy e os Rogérios, porque tudo tinha tema. Tinha a Caetanave, Sarau do Brown e Dindy e os Rogérios. Eu achei muito divertido e segui isso como um projeto de verão. Na verdade a banda é Amanda Santiago, mas quem quiser pode me chamar de Dyndi, que é um apelido de infância.
CH: Uma coisa que chama muita atenção é o fato de você querer dar satisfação à mídia. Por que isso?
AS: Porque é importante e a mídia é o nosso melhor amigo. É também o elo mais importante de contato com o público.
CH: Você diz que "Macumba Baby" foi um presente de Brown. Como foi o processo de criação dessa canção?
AS: Eu passei três meses gravando "Macumba Baby" com Brown. A música tinha quase oito minutos e nós fomos diminuindo durante esse tempo. Eu acredito que "Macumba Baby" está muito de acordo com o foco que eu tanto falo. É você saber aonde quer chegar e a linha de raciocínio para conseguir o que quer, suando a camisa.
CH: Como foi o processo de criação dos instrumentos, das roupas e do cenário, que são bem diferentes?
AS: Eu e Mikael Mutti, que é criador, músico e um dos idealizadores do projeto, queríamos inovar. Na verdade quando começamos a criar não queríamos perder alguns aspectos que eu gostava nas minhas experiências anteriores, mas também não poderíamos copiá-los. Por isso decidimos modificar algumas coisas. Ou seja, não queria perder a tinta, então coloquei a luz; não queira tocar timbau, mas o substituí pelo tonel, etc. Eu acho que tudo isso compõe a personalidade própria da banda; me faz ser feliz e uma boa aluna da Timbalada.
CH: Qual é sua proposta musical nessa nova etapa de sua vida profissional?
AS: É a mistura, a novidade, o moderno. É tentar somar ao invés de igualar. Eu tenho certeza do que eu acredito e, nesse projeto, eu, a banda e a Duetto Eventos acreditamos.
CH: Sua banda está há algum tempo sem se apresentar em Salvador. Qual o motivo?
AS: Quando eu comecei a fazer o Sarau do Brown, que era a realização de um sonho, sem pretensão terminamos fazendo os ensaios de Carlinhos, a abertura do ensaio do Vixe Mainha, dois reveiollons, Festival de Verão no palco 2, carnaval no trio independente, fui chamada para apresentar o carnaval na Band, cantei com Ivete e Brown no carnaval e recentemente ganhamos o prêmio de melhor bloco na Micareta de Feira. O que eu consigo sentir é que por onde nós passamos, nós voltamos. Em cada lugar que passamos deixamos nossa verdade. Em breve devemos voltar a tocar em Salvador.
CH: Para finalizar, conta um pouco dos projetos futuros. Após esse novo CD promo você pretende fazer algum outro projeto ou ensaio?
AS: Nossos ensaios começam em julho e terão um tema específico. Vai ser o evento do verão. Será um espaço onde as pessoas vão sempre querer voltar. Estamos com um repertório muito bom e com muitas novidades. No carnaval já temos dois blocos confirmados. No mais, eu tenho certeza que o ensaio vai ser um ótimo cartão de visitas para quem quer conhecer o nosso trabalho. Por todos os projetos, volto a dizer, eu agradeço muito a Carlinhos Brown, a Mikael Mutti, a toda a banda e a Duetto Eventos.
Por Rafael Albuquerque