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Coluna

ATRAS DO TRIO, ATÉ EU VOU

Em se falando de Carnaval de Salvador, tudo é possível. A cada dia que nasce, pode ter certeza: um fato novo vai aparecer, é batata! Quando você pensa que está tudo tranquilo, tudo na maior paz, aí vem o problema e PIMBA! Cria-se uma polêmica e, dessa vez, amigo, ao que parece o caldo voltou a entornar na nossa festa.


Agora a questão do momento envolve o encurtamento do circuito Campo Grande, o circuito Osmar. Há muito tempo o trade vem discutindo o que seria do carnaval do domingo, segunda e terça na Avenida. Começou a se dizer que o carnaval do Centro (Campo Grande/Castro Alves/Carlos Gomes), estava fadado ao fim. Então, toda vez que chegava o carnaval, ao menos nos seus últimos quatro anos, as apostas se faziam sem que houvesse ganhador de como e quando a festa no Campo Grande iria acabar.


Justiça se faça, falo aqui de uma minoria que apostava, porque a sua maioria sempre viu e sempre pensou em de que forma melhorar e manter o tradicional circuito Campo Grande.


Só pra entender, somente na década de 70 é que o carnaval chegou à Praça Castro Alves. Antes disso, havia manifestações que surgiam de vez em quando no relógio de São Pedro, Mercês, Avenida Sete e etc., sendo que o ponto do povo na festa eram as áreas do Terreiro de Jesus e Baixa dos Sapateiros.
Quando o carnaval chega à praça, aí sim tudo se transformou e o final é a historia que todo mundo conhece. Mas, de uns anos pra cá, a Praça Castro Alves, que era do povo, começou a ficar vazia com o surgimento do circuito Barra (Dodô) e a ida da televisão para esse novo circuito. A preferência do folião, que antes só tinha uma via, tendeu para o novo. Começava aí o esvaziamento do circuito tradicional. O folião de bloco começou a ir somente até a curva da Avenida Sete, deixando de cumprir todo o circuito, justificando com os mais diversos motivos a exemplo de violência, tamanho do trajeto, tempo do percurso.


Mas eis que há pouco mais de um mês o Conselho do Carnaval resolveu tentar achar uma solução para o circuito. Eu explico: tendo em vista que o carnaval na área da Praça Castro Alves estava cada vez mais vazio, foi pensada pela entidade que rege o carnaval uma forma de trazer de volta a folia para a praça.
Em uma votação quase que por aclamação, 23 dos 25 conselheiros da entidade (dois ausentes) foram a favor de uma resolução que previa a modificação do circuito do carnaval nesta área.


Só pra entender o que propõe o conselho, sendo a idéia central revitalizar a Praça Castro Alves, há muito se diz que a volta da Carlos Gomes se tornou um elefante branco. Uma das queixas que se faz em relação ao circuito da Avenida é que em sua longa extensão não existe rotas de fuga, que o seu longo período de desfile torna-o enfadonho, não somente para os associados. E hoje, diferentemente do passado, existe um circuito “noturno”, uma continuação da folia à noite, que é o circuito Barra-Ondina. Mas a idéia do conselho consiste em, ao invés de se retornar no edifício Sulacap, terminar o trajeto na Praça Castro Alves, com os trios descendo a montanha ou ainda saindo pela Praça Municipal.


Na idéia do conselho, a praça seria novamente cortada pelos trios, e não somente passada ao largo. As pessoas voltariam a circular na região, ficaria mais rápido o circuito, o que seria menos cansativo para os artistas e para o folião. A área de escape seria a Carlos Gomes, que funcionaria como refluxo e área de fuga para quem não quisesse participar mais do bloco, como acontece na Barra e em Ondina, com as ruas de dentro. Ou ainda para manifestações espontâneas, grupos folclóricos. Enfim, todo tipo de manifestação cultural.
Na contramão da idéia do conselho, algumas entidades carnavalescas alegam fatores de ordem financeira em sua justificativa da não-aceitação desta nova medida. Dizem que não houve consulta prévia sobre a modificação a ser feita e que, por conta disso, os abadás foram vendidos com a publicidade de um circuito que terminava na Carlos Gomes. Assim, os blocos podem enfrentar alguns problemas nas suas vendas com foliões alegando, em sua defesa, propaganda enganosa.


Sei que o Conselho é soberano em suas decisões até por ter sido criado por Lei, sendo representado por todos os segmentos que fazem o carnaval, e que manifesta sua vontade através do voto dos seus vinte e cinco membros. Acho que o diálogo nessa hora é e vai ser muito importante, na verdade o que temos que ver é que precisamos reativar a praça. Manifestações, sejam elas contrarias ou a favor, são mais que importantes, mas o mais importante mesmo é a festa.


Espero que seja dada uma solução final para o problema seja ele indo do Campo Grande à Castro Alves ou à Carlos Gomes. O que não pode é deixar de acontecer o Carnaval do Povo. Estão aí as alegações das partes para reflexão de cada um de nós. Proponho a todos os envolvidos que sentai-vos e conversai-vos, e que tudo se resolva o quanto antes.
 E eu? eu fui! Por que o trio já está passando, e “só não vai quem já morreu”, mas gordo vai.

 

ERRATA - A bem de esclarecer a verdade dos fatos, na minha coluna anterior, “QUESTÃO DE CREDIBILIDADE”, cometi um equivoco que foi sinalizado a tempo pelos amigos da revista EXCLUSIVA, que bem me explicaram que diferentemente do que pensava, não foi o troféu Dodô e Osmar a primeira premiação do carnaval, mas sim a REVISTA EXCLUSIVA em 1989 com o troféu Castro Alves. nada mais justo em ser correto com a historia, e mais ainda com seus personagens. Coisa que agora faço agora restabelecendo o fato como realmente aconteceu.