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Coluna

QUESTÃO DE CREDIBILIDADE

http://cache.virtualtourist.com/1956006-The_new_Trio_Eletrico_Dodo_e_Osmar-Salvador_da_Bahia.jpgDisse outro dia aqui na minha coluna que a conquista do nosso espaço no meio artístico nacional se deu a muito custo e muita luta. Pois, no principio, éramos discriminados pelo mercado da musica que consumia apenas os produtos do eixo Rio e São Paulo, fossem eles de qualquer gênero musical, ou então o que vinha de fora do país e era empurrado goela abaixo.


Com o advento do Axé Music no fim do anos 80, essa condição mudou e, com isso, o mercado nacional passou a prestar mais atenção no que acontecia por essas bandas durante o ano. Isto acontecia mais intensamente no período do carnaval, que era justamente quando as músicas e seus interpretes despontavam e se tornavam sucesso na boca do povo.


As gravadoras, por conta disso, começaram a aportar em grosso na Bahia, e pela grandiosidade que a festa tomou, era importante naquele momento, até como forma de incentivo, que as nossas estrelas fossem valorizadas de alguma forma. A eleição dos melhores do carnaval era feita ate aquele momento de forma espontânea pelo povo, no boca a boca, e pela prefeitura municipal. Até que foi  criado o troféu Dodô e Osmar (grupo A Tarde) que foi o primeiro a premiar o talento das nossas estrelas do carnaval.


Por conta disso, o showbussines (grandes contratantes e gravadoras), começou a se interessar pelo artistas que eram premiados na folia. Era gerada entre os artistas e empresários do meio uma grande expectativa nesse premio e pimba! Quem ganhava um troféu no carnaval da Bahia estava desde já alçado a condição de estrela nacional, com direito a tudo e um pouco mais.


Mas aí é que a coisa começou a ficar complicada, pois, de apenas um troféu, vários outros surgiram, e pra tudo quanto é lado.  Só que isso, ao invés de ajudar o nosso mercado, prejudicou.


Eu explico. Justamente o mercado consumidor que tinha como referência o término do carnaval, e a escolha dos seus ganhadores para poder atuar na contratação dos mesmos, deixou de ter um único parâmetro para ter no mínimo uns seis. Hoje, dito pelos próprios contratantes, já não se consegue enxergar em qual premiação e em que artista vencedor devem apostar, pois quase sempre não existe uniformidade na escolha. Não que as escolhas sejam tendenciosas ou coisa parecida, mas é que tendo cada segmento seu critério de avaliação, de votação e consequentemente de escolha, se tornou difícil entender quem realmente ganhou algo na folia.


E quem paga por isso? Todo o trade que trabalha em torno do Carnaval da Bahia. Por que a partir deste dilema de haver uma “dificuldade” em se entender quem são os melhores do carnaval baiano, começa a desaparecer o interesse da parte final, ou seja dos contratantes, em consumir o que está sendo exposto.


E não precisamos ir muito longe para mostrar isso de forma clara. Hoje, quem trabalha no mercado carnavalesco e com venda de shows sabe da dificuldade que tem sido nos últimos anos emplacar algum artista vencedor na categoria “Revelação do Carnaval”. Pode perguntar a qualquer um deles a manobra que é explicar a um comprador o porquê de tantos artistas diferentes ganharem um mesmo prêmio.


Desenvolver uma relação de negócios a partir de um ganhador de troféu do carnaval até acontece, mas não por conta do troféu em si. Ocorre sim pelo talento atestado a olho nu. Nenhum contratante hoje se aventura a apenas acreditar na premiação, até porque – repito - pela quantidade de prêmios existentes, é preferível ver in loco cada produto e, a partir daí, tirar suas conclusões e fazer suas escolhas, do que ficar apenas esperando o resultado no fim do carnaval.


Por isso, minha gente, pergunto eu; por que não tentar uniformizar o prêmio em uma só votação e uma só festa depois do carnaval? Por que não juntar a todos os interessados, os que premiam e são premiados como a imprensa falada, escrita e televisada, as grandes produtoras, as associações de bloco, prefeitura e outras entidades oficiais que desenvolvam a festa, e se criar um troféu com uma mescla de todas as das premiações que existem em uma só? Será que não teríamos aí mais credibilidade por parte daqueles que compram a nossa festa e os nossos artistas?


Hoje, diante de tantos fóruns que se formam para debater e apresentar soluções para o carnaval da Bahia, proponho que mais um item seja agregado a já vasta lista das discussões em prol da melhora da folia de Momo: A unificação geral na premiação dos melhores do Carnaval de Salvador.