O PREÇO DO SUCESSO

O que mais me impressiona no mercado artístico é a quantidade de bandas novas que aparecem diariamente na mídia. Somos literalmente bombardeados por esses novos produtos que, independentemente da qualidade musical, começam a orbitar neste universo. Essa quantidade de novos aspirantes a estrela, por conseguinte, cria uma concorrência muitas vezes desleal com os produtos já consolidados; não que não devam existir, mas muitas vezes a conta não fecha. Fica a pergunta para quem pensa em criar uma banda: sabe quanto custa?
Bom, vou tentar por baixo mostrar um pouco dos custos iniciais e de como é feito; óbvio que não todos porque alguns são indiretos. Mas, enfim, alguns. Para começar uma banda, das duas uma: ou você tem um cantor (a), ou terá que garimpar algum no meio. A partir daí já se começam os gastos com estúdio de ensaio, transporte de músico, e, em alguns casos, com alimentação. Gasta-se aí, em média, uns quatrocentos reais por mês.
Resolvido este problema inicial, vem o registro do nome. Atualmente, existem algumas empresas especializadas em fazer isso, que cobrarão, só de início, uns mil reais, sendo você pessoa jurídica. Caso seja pessoa física, ou abre uma empresa de produção artística, com os custos de abertura de firma - mais uns mil reais -, ou abre uma firma individual na SEFAZ do município - mais uns cento e sessenta reais.
Até aí, nada de banda. O que teria é seu sonho um pouco mais real. Pois bem, amigo, agora vem outros gastos (risos)! Para sua divulgação acontecer é preciso ter uma música, e, para isso, ou seus já formatados músicos são bons o suficiente, ou terá que pagar um arranjador para sua música. E reze a Deus que esse arranjador tenha um estúdio em casa, já que, com tudo sampleado (sons naturais, repetidos por computadores e ou teclados) o custo fica menor, mas sai aí também uns quinhentos reais por faixa, se ele tiver um estúdio de fundo de quintal para seu cantor (a) colocar a voz. Caso não haja, seria necessário, depois de arranjado, levar a um estúdio para colocar a voz; o que custaria mais uns duzentos e cinqüenta reais.
Se está achando muito, se ligue! Feito tudo isso que relato acima, é necessário, para que o CD chegue na praça, fazer a capa ou não. Se for tirar foto com um bom fotógrafo como Osmar Gama ou Paulo Câmera, vai custar uns mil reais, o que também vai exigir uma produção geral. Entre cabelo e maquiagem, coloque mais uns duzentos reais. Já a roupa fica a seu critério se será emprestada, alugada ou comprada (no começo de minha vida no meio artístico já levei muitos artistas para tirar fotos com roupas emprestadas). Pois bem, feitas as fotos temos que fazer o CD. Salvo engano tem uma quantidade mínima que se faz nas empresas desse ramo, mas possa ser que tenha um computador em casa e saiba fazer. Mas tem um porém. Sendo caseiro, não vai nem colocar nome da banda nem ter capa bonita, já que, para isso, precisa pagar - mais uns mil reais, entre capa e lote mínimo de CDs.
Conclua que os gastos não serão apenas materiais, como também emocionais. Há muitos outros que teriam que ser colocados aqui, fora o desgaste que se tem para tentar criar um produto e vender do nada a idéia de que vale a pena. Essa sim é uma das missões mais cruéis que existem, mesmo as que são impulsionadas pelas produtoras musicais ou por algum grande artista. A verdade é que o dinheiro escoa pelo ralo igual a água de chuva.
Se ao final de tudo isso, depois de todos esses gastos (faça a conta e veja até agora quanto já saiu) sua banda estiver tocando nas festas de seu bairro e adjacências, vem a possibilidade de tocar no rádio, mas aí, amigo, falo outro dia, porque para tocar no rádio são outros quinhentos, e bota quinhentos nisso (risos)!
Fui!